Nunca esquecerei meus tempos de colégio!
2 A loira boa de briga
Notas iniciais
Soluço era o típico geek saco de pancada da escola. O rapaz que carregava livros para todos os lados, todos os dias, sempre quis uma única coisa. Se pensam que é boa aparência, erraram, porque Soluço era o geek mais bonito da escola. Se pensam que são boas notas, erraram de novo, o cara era ótimo nas matérias. O que Soluço mais queria era uma namorada, e ele já tinha o tipo de garota preferida.
Todo dia, depois da aula de marcenaria, ele corria para a quadra de futebol para ver Astrid jogando. Astrid era a melhor atleta e lutadora da escola, ela quebrava totalmente o estereótipo da loira de olhos azuis burra.
Soluço a via chutar a bola, e via a longa trança loira sair do ombro de Astrid e ir às suas costas, e via a franja cobrir e descobrir os olhos azulados. Ele nem reparou quando seu instrutor de marcenaria chegou. Todos chamavam o homem de Bocão.
– Então é pra cá que você vem todo dia? Danado – riu, ajeitando a barba loira.
– C-claro, e-eu venho admirar os jogadores, u-um dia serei como eles – Soluço se atrapalhava, ajeitando os óculos.
– Aham, acho que não são os “atletas” que você olha, e sim A atleta.
Astrid era a única menina do time, e ela entrou porque derrotou o time inteiro em uma competição de embaixadinhas.
– É, você me pegou Bocão – suspirou.
– Fale com ela Soluço, vai ficar olhando por quanto tempo?
– É fácil falar, difícil é falar!... Espera, o quê? – se enrolou.
– Esquece – deu um tapinha nas costas do mesmo – vai, não é difícil.
– T-tá, se eu pagar mico, você me leva pra enfermeira.
Soluço esperou o primeiro treino acabar e foi andando até a menina, que estava concentrada em encher a bola. Ele respirava fundo a cada passo que tomava, e quando estava a mais ou menos um metro de Astrid, ele fez um som estranho com a boca, que fez a loira se virar para ele.
– Ahm... Sim? – ela perguntou.
– Ah... Ahhh...! – ele gaguejava.
– Se sente bem?
– Ahn... Aaahhh...
– Olha cara, eu to no meio do treino, então o que tiver pra falar, fala logo.
– E-eu... V-vou treinar também!
– Como é? – a loira, e o resto dos alunos, exclamaram.
– I-isso, eu vim aqui pra t-tentar.
– Oh... Ta certo – Astrid falou – pode começar conosco agora.
– Espera aí Astrid – Melequento, o goleiro, se aproximou – vai deixar esse mane jogar?
– O que tem? Ele quer tentar – ela respondeu.
– Ah, por favor. Ele é um ma-né! É bobo, idiota!
– Você é bobo e idiota e está no time. Não sei como, mas está.
– E você é uma meni...
Antes que Melequento terminasse a frase, Astrid lhe socou no queixo. Bocão assoviou ao longe e Soluço parou de respirar por segundos... Como adorava quando a loira fazia aquilo!
Soluço se viu em uma enrascada. Ele poderia jogar e pagar mico ou desistir e ficar com fama de frangote o resto da semana. Ele desistiria, mas uma certa cabeleira loira o fazia não querer desistir.
Ele pensou consigo mesmo: É só correr, chutar a bola e desviar, certo? É como um jogo de pebolim, certo?
Bom, para um cara que tinha todo o esquema montado na cabeça, Soluço conseguiu ser atropelado, dar um gol contra e se embolar na rede. Se marcou algum gol? Marcou, porém seu tênis foi junto com a bola.
Ao fim disso, Soluço estava quebrado, destruído, e em sua cabeça só tinham bolas, gols, redes... E Astrid. E falando na loira, a mesma foi até o banco onde ele estava, lhe levar uma garrafa d’água.
– Olha, não quero dizer que você é ruim, mas... Você é ruim – ela falou.
– É, o jeito para mim é continuar na marcenaria – ele falou.
– Mas por quê quis vir? Tipo... Esportes não são o seu forte.
– Eu vim porque... – Soluço engoliu em seco – eu q-queria falar com você.
Astrid ficou quieta por alguns segundos, e ao sentir o rosto esquentar, ela limpou a garganta e virou o rosto.
– Se quiser pode voltar amanhã – ela falou – só não jogue, não se machuque... Fique quieto.
– Sim senhora – Soluço sorriu.
O pequeno geek moreno viu sua bela esportista loira ir ao centro da quadra recolher os materiais de treino. Agora ele sorria. Esperança? Talvez, afinal, ela o chamou para voltar.
Para Soluço, aquilo foi o melhor primeiro “encontro” que ele podia ter. Mal podia esperar para contar para Bocão e também para seu cão, Banguela, sobre como ele tinha finalmente falado com a bela loira esportista do colégio!
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