Nunca Vou Deixar Você Partir
7 Piquenique
Notas iniciais
Eu não coloquei que a temperaturaa estava baixa, que eles colocavam roupas frias porue eles já estão acostumados com isso (é óbvio, eu sei).
Boa leitura!
POV: Katy.
- Bom dia, Katy! — disse Alex quando me viu na sala.
- Bom dia. Para que tanta animação hein? — disse me sentando com ela no sofá.
- É um novo dia. E além do mais, o ano está acabando.
- Só por isso?
- É.
Rimos.
- Vai tomar café. Você quase não comeu nada ontem, pelo menos, até quanto eu estava te olhando.
- Como assim?!
- Eu fui para a boate com Stan, Kenny e Cartman, você não viu?
- Eu não, eu estava concentrada na conversa com Kyle.
Dizendo isso, me levantei e fui para a cozinha preparar um pão.
- Katy Marshall! Sobre o que vocês conversaram?
- Sobre nada, ué! Só nos tornamos amigos novamente.
- Tomara que dê certo!
- Certo o que?
- Seu lance com o Kyle.
- Não pira, ele é só um amigo, e além do mais eu tô namorando o Derek.
- Eu seu, mas é por isso que você pode terminar com ele.
- Nem a pau que eu vou fazer isso. Eu amo o Derek, tá legal?
- Por enquanto.
- Ah... vamos deixar essa garota delirar! — disse dando uma mordida no meu pão.
De repente, para o meu infortúnio, o telefone toca.
- Deixa que eu atendo, retardada! — exclamei.
- Uuuh! O Kyle te avisou que iria te ligar ou é surpresinha?
- Dá pra parar? — berrei antes de pegar o telefone — Alô?
- Oi... ér.. Katy?
- É.
- Bem, eu queria convidar você pra um piquenique... Quer ir?
- Claro!
- Vai se arrumando que daqui a pouco eu pego você tá?
- E a comida?
- A gente compra no supermercado.
- Vai mais alguém?
- Não, só a gente.
- Ok. Até logo.
- Até.
Dizendo isso, desligamos e Alex se virou para mim.
- Acho também que a conversa entre vocês dois contem estava tão boa que você nem foi se sentar na minha mesa. — comentou Alex.
-Eu apenas esqueci, e além do mais, é verdade. Ele é muito divertido!
-Vai sair com ele já é?
- Vou.
- Que legal, enquanto você sai para me substituir, vou arrumar um emprego.
- Não estou te substituindo, você sempre vai ser a minha best. — dizendo isso, dei um beijo na bochecha dela e fiz ela corar.
- Que seja. Se divirta com ele! — disse isso antes de sair.
Tomei um banho, escovei os dentes, coloquei uma roupa quente florida e coloquei os brincos que Derek me deu.
Depois, fui esperar ele na sacada.
Três batidas na porta me assustaram do transe de ficar olhando os carros coloridos e pessoas felizes.
Fui atender a porta, que provavelmente seria a Sra. McPhill.
- Oi, Sra. McPh... — disse antes de reconhecer que era Kyle.
-Desculpe, eu pensei que fosse outra pessoa...
- Não foi nada. Vamos?
- Claro!
Fomos até o elevador.
- Eu jurava que, ontem, você era uma outra amiga da Alex chamada Katy. E a verdadeira Katy Marshall estivesse sentada perto de você.
- Mas e o Derek? Eu to namorando ele, sabia?
- Eu tinha esquecido desse detalhe.
Dei um risinho.
As portas do elevador já havia abrido. Saímos do hotel.
Lá encontramos um taxi e logo entramos nele.
- Oi, linda! Para onde vamos? — disse o taxista de olho em mim.
Kyle se agarrou em mim como se fosse "meu namorado ciumento" (é, tudo em aspas mesmo) e disse:
- Desculpe, moço, mas me deixe responder pela minha namorada. Vamos ao supermercado mais próximo.
- Como quiserem. — disse o motorista dando de ombros e se virando para dirigir.
Percebi que ele me fitava por meio de espelhos.
Kyle pegou meu celular, digitou alguma coisa e deu para mim.
"Desculpe por me agarrar em você daquele jeito, mas eu vou fazer papel de ser seu protetor enquanto seu namorado não estiver aqui."
Olhei para ele, que estava sério, e digitei.
"Ok, ok... Tá tudo bem, não precisa se preocupar comigo, eu sei me defender sozinha."
"É o que todas as garotas dizem, e nem sempre essa frase é verdade."
"Eu tô falando sério!"
"Ok, ok... Mas vou protegê-la só por precaução."
"Você é teimoso!"
"Nada pessoal e nem emocional, mas não deixe-me saber de nenhum defeito seu, porque eu vou fazer a mesma coisa."
"Se quiser, pode me chamar de teimosa também. Eu admito que eu também sou."
"Eu não queria descobrir um de seus defeitos desse jeito."
"Bem, paciência."
"Vamos parar agora, porque eu quero ficar de olho naquele vagal."
"Por que? Só porque estava tão legal..."
"Qualé? To fazendo tudo isso pra te proteger!"
"(Mas tá exagerando!) Tá, vou parar..."
O taxista de repente, parou.
- São dezesseis dólares.
Kyle o pagou e saímos, mas eu saí acompanhada com os olhares maliciosos do taxista.
Entramos no supermercado, compramos duas bolachas, uma garrafinha e coca cola, copos descartáveis e saímos. Pegamos outro taxi, mas dessa vez ele não ficou me olhando, muito menos me chamando de linda, para irmos até o campo.
Ao chegarmos lá, a primeira coisa que ele fez foi tirar a neve em um lugar e colocar um pano xadrez.
- Isso é muito tradicional, não acha? Colocar pano xadrez para fazer piquenique? — comentei me sentando no pano.
- Na verdade, se faz piquenique apenas na primavera. — disse pegando as sacolas com as besteirinhas e colocando no pano.
Logo ele se sentou e atacou primeiro uma bolacha.
- Você é um fominha. — comentei após beber um copo de coca cola.
- Obrigada. — disse sorrindo com a boca cheia.
- Eu poderia dizer que sorrir com a boca cheia seria falta de educação, mas infelizmente, é bonitinho.
Ele engoliu a bolacha e me respondeu:
- Bem, então tá... — disse dando outra mordida em sua bolacha.
Olhei para o céu, estava começando a ficar escuro.
- Hey Kyle! Eu acho que vai chover e não vai ser legal se ficássemos gripados nas festas de fim de ano... — disse.
- Ok... Vamos procurar um abrigo. — disse ele colocando as coisas na sacola e se levantando.
Uma pessoa normal faria isso reclamando, diferentemente dele, que não fez.
- Será que aqui tem sinal? Eu preciso ligar para Alex... — perguntei.
- Não, aqui não tem, eu acho. Mas vamos então... — dizendo isso, começamos a andar para o Norte.
Preferi não perder tempo testando.
Ficamos andando uns quarenta minutos sobre piadas idiotas, até que de repente, um raio cai quase bem atrás de nós.
- Bem... A gente se safou dessa, mas não vamos deixar que isso chegue perto da gente. Vamos correr, Katy!
Corremos e começamos a rir como loucos.
E então, Kyle por extrema espertesa, deixou cair a sacola, voltou para pegá-la, mas eu agarrei seu braço.
- Vamos Kyle! Vai chover e não vai ser legal se ficássemos gripados! — exclamava.
- Aquela bolacha é uma relíquia! Deixa eu ir pega-la! — exclamou Kyle.
- Qualé? Há um monte dessas bolachas para vender no supermercado, vamos! — dizendo isso, peguei impulso e puxei ele com força.
Ele começou a correr deixando sua "preciosa bolacha" para trás.
- Hey! Olha ali! Uma casa na árvore! — exclamou Kyle.
No meio do nada, onde nem árvores haviam, havia uma árvore robusta com uma casinha de madeira na sua copa.
Subimos as escadinhas improvisadas e de repente, estavamos dentro da casinha, onde havia tudo do que uma criança poderia precisar.
- Tome, cubra-se, está frio. — disse Kyle me dando uma coberta verde escura para me cobrir.
Ele também se cubriu com uma coberta escura.
- Sinto muito pelo passeio, ele foi uma droga. — disse.
- Na verdade, foi legal. Eu nunca tive um passeio como esse com Derek, mas sempre quis ter.
- Sério?
- Aham. Derek acha esses passeios um tanto infantis.
- Então você esta gostando até dessa parte idiota?
- É claro!
Rimos.
E então começou a chover. Pelo barulho que fazia, estava chovendo pedras de gelo.
- Mas que emocionante, não? Granizo... — comentou Kyle.
- Pelo menos, não estamos lá fora. — disse.
-É.
Bocejei.
- Como eu também estou com sono, vamos dormir um pouquinho? — perguntou Kyle.
- Vamos então.
Colocamos as cobertas em cima da gente e dormimos juntos.
POV: Kyle.
Hoje, estranhamente, acordo mais ou menos, dez para ás oito da manhã.
Todos os meninos ainda estavam dormindo. Ainda bem.
Levantei da cama, tomei um banho e coloquei roupas quentes para não ligar o barulhento ar condicionado do prédio.
Liguei a TV, mas só estava passando coisas entediantes.
Resolvi dar uma saidinha, e convidar a Katy.
Disquei o número do apartamento da casa dela, que estava em uma nota no telefone, que talvez Stan tenha deixado.
- Alô? — disse Katy.
- Oi... ér.. Katy? — perguntei sem saber o que dizer.
- É.
- Bem, eu queria convidar você pra um piquenique... Quer ir?
- Claro! Mais aonde é?
- Vai se arrumando que daquiapouco eu pego você tá?
- E a comida?
- A gente compra no supermercado.
- Vai mais alguém?
- Não, só a gente.
- Ok. Até logo.
- Até.
Então, Stan acorda e me vê eufórico.
- O que houve, cara? — perguntou ainda com sono.
- Vou sair. — disse Kyle.
- Vai sair com quem e para onde?
- Vou sair com a Katy para um piqueninque.
- Não esquece, hein cara...
- Eu sei, eu sei, a Katy tem namorado e tudo mais, caramba! Eu só quero me desculpar com ela por tudo o que eu fiz com ela! — disse interrompendo Stan.
- Que seja, desculpe. — disse Stan. — Bem, tenha um bom passeio.
- Obrigada. — disse sorridente saindo do apartamento.
Fui até o elevador e peguei um taxi e fui até o apartamento da Katy.
Durante a viagem, fiquei escutando música pelo fone de ouvido e pensando no jantar de ontem.
Quando me toquei em si, o taxi já havia parado na frente do hotel dela.
Paguei o taxista e entrei, fui na recepção e fui atendido por uma mulher meio velha.
- Como posso ajudá-lo? — perguntou a mulher.
- Eu gostaria de visitar Katy Marshall.
- Bem, pode subir. Andar 15, quarto 236.
- Obrigada.
Fui ao elevador sendo acompanhado com os olhares misteriosos
daquela mulher.
Apertei o botão 15 do elevador e quando ele chegou no destino,
fui ao quarto 236.
Bati a porta e ela abriu:
- Oi, Sra. McPh... Desculpe, eu pensei que fosse outra pessoa... — disse corando.
- Não foi nada. Vamos?
- Claro!
Fomos até o elevador, e ela estava se recompondo.
-Eu jurava que, ontem, você era uma outra amiga da Alex chamada Katy. E a verdadeira Katy Marshall estivesse sentada perto de você. — disse para quebrar o silêncio.
- Mas e o Derek? Eu to namorando ele, sabia?
- Eu tinha esquecido desse detalhe.
Ela deu um risinho.
Então, o elevador já tinha chegado, saímos do hotel e entramos em um taxi que encontramos.
- Oi, linda! Para onde vamos? — disse babaca do taxista olhando maliciosamente para a Katy.
Não é que eu fiquei com ciúmes, eu só não podia deixar ele fazer isso com ela, e eu fiquei muito bravo. Muito bravo mesmo.
Peguei na sua cintura e me agarrei nela mesmo. Derek que me desculpe...
- Desculpe, moço, mas me deixe responder pela minha namorada.
Vamos ao supermercado mais próximo. — disse.
- Como quiserem. — disse o motorista.
Ainda bem que ele não insistiu com a Katy.
Peguei meu celular, tinha que me comunicar com a Katy de alguma forma. Sussurando também não seria uma boa idéia porque ele iria escutar.
Coloquei no meu celular em "Rascunhos de Mensagens" e digitei:
"Desculpe por me agarrar em você daquele jeito, mas eu vou fazer papel de ser seu protetor enquanto seu namorado não estiver aqui."
Ela olhou para mim. Percebeu como eu estava bravo com aquela situação e respondeu:
"Ok, ok... Tá tudo bem, não precisa se preocupar comigo, eu sei me defender sozinha."
"É o que todas as garotas dizem, e nem sempre essa frase é verdade."
"Eu tô falando sério!"
"Ok, ok... Mas vou protegê-la só por precaução."
"Você é teimoso!"
"Nada pessoal e nem emocional, mas não deixe-me saber de nenhum defeito seu, porque eu vou fazer a mesma coisa."
"Se quiser, pode me chamar de teimosa também. Eu admito que eu também sou."
"Eu não queria descobrir um de seus defeitos desse jeito."
"Bem, paciência."
"Vamos parar agora, porque eu quero ficar de olho naquele vagal."
"Por que? Só porque estava tão legal..."
"Qualé? To fazendo tudo isso pra te proteger!"
"(Mas tá exagerando!) Tá, vou parar..."
De repente, o taxi parou.
- São dezesseis dólares.
Paguei o taxista o encarando e saimos do carro. Me tranquilizei quando o carro virou a esquina.
Compramos duas bolachas, as melhores bolachas de todos os tempos, e coca cola, alguns copinhos descartáveis e um pano xadrez (esse aí eu comprei escondido).
Pegamos outro taxi, mas graças á Deus, esse taxista não olhava Katy com desejo.
Chegamos em um campo coberto por neve. Eu ODEIO neve.
Limpei uma parte e coloquei o pano. Logo ela se sentou e disse:
- Isso é muito tradicional, não acha? Colocar pano xadrez para fazer piquenique?
- É, mas estamos fazendo um piquenique anormal. Piquenique geralmente se faz na primavera.
Quando terminei, finalmente me sentei no pano e comi as minhas maravilhosas bolachas. Ela pegou um copinho de coca e bebeu.
- Você é um fominha. — comentou.
- Obrigada. — disse após dar um sorrisinho com a boca cheia.
- Eu poderia dizer que sorrir com a boca cheia seria falta de educação, mas infelizmente, é bonitinho.
- Hey Kyle! Eu acho que vai chover e não vai ser legal se ficássemos gripados nas festas de fim de ano... — disse Katy após olhar para o céu.
- Ok... Vamos procurar um abrigo. — disse ele enfiando as bolachas e o pano na sacola.
- Será que aqui tem sinal? Eu preciso ligar para Alex... — perguntou.
- Não, aqui não tem, eu acho. Mas vamos então... — quando respondi, começamos a andar para o Norte.
Ficamos andando, andando e andando. Até que um raio resolve cair quase perto da gente e acaba alarmando a gente.
- Bem... A gente se safou dessa, mas não vamos deixar que isso chegue perto da gente. Vamos correr, Katy!
Começamos a correr e rir como loucos do susto que tomamos. Katy puxava meu braço para mim não pegar a sacola.
E então, a intelgência rara aqui, deixou a sacola cair no chão, volto para pegá-la.
- Vamos Kyle! Vai chover e não vai ser legal se ficássemos gripados! — exclamou Katy.
- Aquela bolacha é uma relíquia! Deixa eu ir pega-la! — respondi.
- Qualé? Há um monte dessas bolachas para vender no supermercado, vamos! — dizendo isso ela me puxou com mais força e eu desisti de pegar a bolacha.
- Hey! Olha ali! Uma casa na árvore! — exclamei surpreso.
Subimos na casinha e começei a procurar alguma coisa para nos esquentar, e achei dois cobertores.
- Tome, cubra-se, está frio. — disse dando o cobertor para ela.
Me cubri com o outro.
- Sinto muito pelo passeio, ele foi uma droga. — falei arrependido de ter decidido.
- Na verdade, foi legal. Eu nunca tive um passeio como esse com Derek, mas sempre quis ter.
- Sério?
- Aham. Derek acha esses passeios um tanto infantis.
- Então você deve estar gostando, até dessa parte idiota?
- É claro!
Rimos um pouco.
E então, a chuva caiu. Mas não era uma chuvinha qualquer não! Era uma chuva de granizo.
- Mas que emocionante, não? Granizo... — comentei.
- Pelo menos, não estamos lá fora. — disse.
- É.
Katy bocejou e decidi dormir.
-Como eu também estou com sono, vamos dormir um pouquinho?
- perguntei.
- Vamos então.
Nós colocamos as cobertas em cima da gente e começamos a dormir.
POV: Katy.
De repente, acordo no pulo, como se algo ruim fosse acontecer.
Kyle ainda não havia acordado.
Sai debaixo das cobertas e olhei lá fora, havia parado de chover granizo, mas em compensação, estava chovendo.
Bufei. Como que até o tempo podia ser tão mal assim?
Saí da janela e começei a ver ao meu redor, e vejo que em uma ponta da casinha, havia um baú.
Me aproximo desse baú e o abro.
Lá havia a foto de uma garota abraçada em um garoto. Eles formavam um belo casal juntos, tirando a beleza de sobra deles.
Procurei mais coisas do baú e achei um caderno empoeirado, passei a mão para tirar a mesma e vi que era o diário dessa garota, que de acordo com este, se chamava Francine.
Abri o diário.
"Querido diário.
Como já sabe, minha mãe foi para o hospital. Ela está com câncer.
Eu ainda não consegui superar isso. Como as coisas podem ser assim, tão injustas? O que eu fiz para alguém para merecer isso?
Primeiro: Eu sou uma garota pobre, de uma família pobre, sem irmãos (todos mortos por causa da fome) e nunca tive coragem de encostar em ninguém para matar, machucar, roubar, ou fazer alguma coisa que prejudique ninguém, juro.
Já minha vida amorosa, continua a mesma coisa. As mesmas dificuldades.
Dói pensar que o bêbado do meu pai matou Lucas. Justamente pela pessoa que sentia a mesma coisa que eu.
Se eu tivesse um pedido, eu gostaria que me matassem, só para ficar perto de Lucas. Ou, dar todo o dinheiro do mundo para a minha família.
Como eu já havia dito que minha mãe está no hospital, minha mãe está lá, ás contas de médico e de enfermeira. De acordo com o médico, minha mãe já tem a vida contada, ela tem apenas dois dias de sobrevivência.
Desse dia em diante, a minha vida vai piorar, mais do que já é pior, porque eu vou ter que morar com o bêbado do meu pai e encontrar a felicidade em algum lugar por aí, bem escondida."
Nesse momento, não consegui deixar de suspirar por essa menina. Teve uma vida difícil.
Acho que era aqui que ela morava com a mãe.
E o pior é que li apenas a primeira página.
"Querido diário.
Eu ainda estou aqui no hospital. Não consegui dormir á noite.
Eu quero muito a minha mãe viva. Eu desejo muito isso.
Quando ela dormia, eu ia para a igreja, rezar duas horas para a cura dela.
Meu joelho está até com chagas de tanto ajoelhar.
Quando ela acordava, eu conversava com minha mãe, fazia carinho nela e até chorava.
Ela não tinha idéia de quanto eu amava ela.
Quando chegou de noite, o médico disse que eu só podia ficar com a minha mãe se eu tivesse algum responsável, por isso, fui até a igreja e fiquei rezando a noite inteira."
"Querido diário.
Hoje, saí sete horas da manhã da igreja, sem meus olhos pestanejarem, sem dormir.
Os médicos e as enfermeiras geralmente faziam de tudo para me alimentar ou me fazer dormir, mas eu recusava. Mas hoje, foi diferente. Eles ficaram na minha cola.
Quando fui ver minha mãe no quarto em que ela estava hospedada, ela não estava lá. Inconformada, perguntei o que aconteceu com ela. E a resposta deles foi que o dia dela chegou e eles tentaram de tudo. Naquele momento, perdi as forças. Minhas lágrimas não se conteram e rolaram pelo meu rosto como se fosse minha cachoreira artificial. Os médicos e as enfermeiras me levaram até o velório.
Lá, não encontrei meu pai. Provavelmente está enchendo a cara.
Me aproximei do corpo sem vida e chorei em cima dele. Quase não deixei eles levarem-a.
Quando cheguei em casa, com a polícia para arrumar minhas coisas e ir na casa de meus pais, eu pedi para eles ficarem lá fora porque eu precisava de privacidade, e estou aqui, escrevendo minhas últimas palavras.
Digo meu sincero adeus. Já estou me despedindo da vida."
E marcas de sangue aparecem daquela página para frente.
Também não pude conter o choro.
Sinto mãos quentes no meu ombro me abraçando por trás.
- Katy! O que foi? — perguntou Kyle.
- Olha só o que aconteceu com essa garota, Kyle. — disse o passando o diário.
Ele pegou, leu e se virou para mim como se quisesse controlar seus sentimentos.
- Eu sei. É duro. É essa a verdadeira prova de amor que falta nesse mundo. — comentou.
- Eu também acho.
- Mas não chore, tá? Eu estou aqui.
- Kyle, eu perdi meus pais, e a pior tragédia foi a dela. — disse chorando ainda mais.
- Mas a dor é a mesma. Katy, não vamos falar sobre esse assunto, ok? — disse me abraçando e me pegando no colo.
Ele me deitou em cima das cobertas.
Passei a mão pelo rosto para enxugar as lágrimas e ele me fitava, intensamente.
Seus olhos verdes penetravam na minha cabeça e não queriam sair mais.
- Katy... Me perdoa? — disse me tirando do transe.
- Perdoar por que?
- Por ter derrubado tinta em você, em South Park. Eu me culpo por isso. E eu admito que eu errei e fui um babaca.
- Eu te perdoo, Kyle. — disse me lembrando desse episódio.
Ele me abraçou de novo, mas dessa vez mais forte.
Quando ele me soltou, foi ver a janela.
- Está garoando. Já podemos ir embora. — disse.
- Tá louco? E se ficarmos doentes?
- Não vamos ficar não. Fica tranquila. Vem!
Descemos da árvore e ele me pegou no colo.
Me agarrei no meu protetor que corria em direção á alguma coisa que nos levasse para casa.
Depois de uns vinte minutos garoando, a chuva parou.
Tinha horas que Kyle parava, ou andava ou continuava a correr.
Eu não olhava para frente, eu olhava para ele.
Ele que tinha um olhar intenso, e... era bonito até.
Quando saí do transe, ele tinha me colocado em pé no chão e andamos juntos.
- O que foi? Sou pesada? — perguntei.
- Não, na verdade, chegamos no lugar em que fizemos o piquenique.
- E daí?
- E daí que já dá para andar.
- Atá....
Andamos uns quarenta minutos cantando nossas músicas favoritas.
Passamos em frente de uma casa em que um homem estava na frente.
- Boa tarde... precisam de alguma coisa? — perguntou-nos.
- Na verdade, sim. Precisamos voltar para nossos apartamentos.
Será que você teria um carro que pudesse nos levar? — perguntou Kyle.
- Claro! — respondeu o homem. — Entra aí!
Entramos na casa e na Moustang dele.
Kyle o guiou até o meu apartamento.
Quando chegamos, Kyle o pagou uma nota de cinquenta e ele foi embora.
Todo o pessoal estavam reunidos na recepção do hotel.
- Hey! Onde vocês estavam? — perguntou Stan.
- A gente tava fazendo um piquenique. — respondeu Kyle.
- Mas com essa chuva? Eu fiquei preocupada! — retrucou Alex.
- Na verdade, a gente parou em uma cabana até a chuva parar. — respondi.
- E quem era aquele cara? — perguntou Alex.
- Era um cara que se dispôs a nos ajudar. — respondeu Kyle. — Fiquem frios! Estamos aqui, inteiros ainda!
- Mas podiam não estar! — responderam eles em coro.
- Aff... — disse revirando os olhos.
- Então é só isso. Até mais, Katy e Alex! — disse Stan
- Até! — dissemos eu e Alex.
Os meninos foram embora com um dos taxis que estavam parados ali.
- E então, como foi? — perguntou Alex no elevador.
- Para ser sincera, foi melhor do que sair com Derek.
- Que sacanagem! O cara fazia de tudo para te agradar.
- Eu sei mas... foi melhor, só isso.
Chegando no apartamento, troquei de roupa, peguei duas colheres e um pote de sorvete, enquanto assistiamos Supernatural.
E o telefone tocou.
- Atende lá. — disse Alex.
Fui.
- Alô, Katy! — diz a pessoa.
- Quem é?
- A pessoa que te ama!
- Derek!
- É. Tudo bem aí?
- Mas como você chegou assim, tão rápido?
- Bem, eu subornei um cara com um jatinho básico lá e cheguei aqui em Berlin rapidinho.
- Você é maluco.
- Eu sei.
- Tá tudo bem por aí?
- Tá sim.
- Bem, fico feliz que esteja tudo bem.
- E como é a faculdade?
- É bem legal.
- Já tá tendo aula?
- Já.
- É dificil?
- Muito.
- Meu Deus, Derek! Estuda muito, não desperdice minha espera! Eu posso me apaixonar por outro cara aqui.
- E eu por uma dessas lindas garotas de alemãs.
- Ouse-se fazer isso!
Rimos.
- Eu te amo tá? — disse.
- Eu também... Vish, olha eu vou ter que desligar. Amanhã eu te ligo, tá?
- Tá. Tchau.
- Eu te amo.
- Eu também.
Ele desliga o telefone.
Fui me sentar no sofá acompanhado com o olhares estranhos de Alex.
- Pensei que você já estava chorando!
- Na verdade, eu já cansei de chorar por causa disso.
Ali se encerrou o assunto. Continuamos a assistir Supernatural.
Alex respirou fundo e meteu a colher no sorvete.
POV: Kyle.
- Cara, na boa, você é louco. — disse Stan. — Você gosta dessa menina né? Só pode...
- Cara! Eu só quero ser amigo dela!
- Se eu fosse você, não me metia em encrenca. Amizade é amizade, romance é romance.
- E o lance é o lance... — completou Kenny cantando.
Todos olharam para o Kenny tipo: "¬¬' ".
- Tá, parei. — disse Kenny.
- Eu sei... eu só queria me perdoar com ela, Stan! — disse. — Aquela culpa, desde a terceira série estava me corroendo por dentro! E graças á Deus ela me perdoou e eu precisava disso, só disso, pra continuar minha vida, entendeu agora?
Dizendo isso, saí da sala e fui pro meu quarto.
Me deixei cair na cama. Logo, peguei no sono.
Fale com o autor