Notas iniciais
Olá
Em primeiro lugar quero pedir mil desculpas por demorar tanto para posta.
Em segundo lugar quero agradecer aos mais de 200 reviews, as 5 recomendações e as 53 leitoras que adicionaram Nunca Te Esquecerei aos seus favoritos. Muito obrigada!
Sei que fiz vocês esperarem um monte então fiz um capitulo bem grande para recompensar, espero que gostem. E desculpe se tiver algum erro ortográfico.

Bella's POV

Entrei em casa e Renée assistia TV.

- Oi, querida. — Ela falou.

- Oi.

- Como foi o final de semana?

- Bem, só estou um pouco cansada. Acho que vou me deitar.

- Ok, não está com fome? Não quer comer nada?

- Não, obrigada. Só estou cansada mesmo. — Falei já me dirigindo a escada.

- Ok.

Andei pelo corredor e abri a porta de meu quarto, enquanto me lembrava de Edward. Entrei e fechei a porta me deitando na cama. Quando percebi estava sorrindo como uma boba. Levei os dedos a boca, tocando meus lábios e ouvi suas palavras:

" ... simplicidade é ter todas as flores do mundo e querer apenas uma rosa... é poder ter todas as mulheres mas amar e desejar apenas uma."

Depois de um tempo ali sonhando acordada me forcei a levantar e ir tomar um banho. Coloquei um pijama e me deitei, logo adormecendo feliz enquanto me lembrava de cada momento com Edward Cullen.

Senti alguém me balançando e me chamando.

- Isabella, acorda.

Abri um pouco os olhos e vi Renée ali ao lado da minha cama.

- Sim? — Falei.

- Acorde, precisamos ir ao hospital. — Ela falou e imediatamente levantei.

- Ir ao hospital? Para que? — Perguntei confusa.

- Carlisle estava voltado e sofreu um acidente de carro.

- O que?! Não, ele ia voltar na terça.

- Parece que ele voltou mais cedo. Vamos, coloque uma roupa e vou te esperar lá no carro.

- Ok. — Concordei.

Coloquei uma roupa, olhei no relógio e eram cinco da manha. Peguei minha bolsa e desci as escadas correndo, logo entrei no carro e nós seguimos para o hospital. Chegamos e Renée foi falar com o médico. E a única coisa que passava por minha cabeça, é que nada podia acontecer a Carlisle.

- O que ele disse? — Perguntei quando ela voltou.

- Que foi um acidente muito grave e Carlisle está na UTI e corre risco de vida. — Ela falou com uma voz baixa.

- Não. — murmurei.

Não podia ser verdade. Não podia acontecer nada com Carlisle, pois eu só tinha ele. Carlisle era o único que se preocupava comigo, não posso perdê-lo, não posso. Senti meus olhos se encherem d'água e logo elas desceram por meu rosto.

Alice's POV

Acordei com o meu celular tocando. Peguei-o na mesinha de cabeceira e olhei o visor, como imaginei era o Emmett.

- Oi! — Atendi.

- Oi atrasada, se demorar mais um pouco vai perder a primeira aula. — Ele falou rindo.

- O que?!

- Alice, daqui a pouco vai bater o sinal.

- Oh my God! — Falei e desliguei o celular.

Sai correndo em direção ao banheiro. Tomei um banho e me vesti. Passei pela cozinha correndo.

- Alice, não vai tomar café?

- Não, estou atrasada. Tchau, mãe. — Falei já abrindo a porta e saindo.

- Mas Alice... — Ouvi ela chamando.

Entrei no carro e segui para o colégio, logo chegando ao estacionamento. Estranhei ao ver poucos carros ali, e entre os poucos estacionados estava o Volvo de Edward e o Jeep Grand Cherokee Overland do Emmett. Lembro de quando os pais dele se separaram e ele negociou com o pai sobre a pensão, e no fim o pai dele teve que dar um Jeep e pagar 3 mil dólares em pensão todo mês. Não sei, mas acho que o Emmett enganou o pai dele.

Estacionei o carro e desci. Entrei no colégio e encontrei os dois conversando.

- Cadê todo mundo? Já tocou o sinal? — Perguntei confusa ao ver poucos alunos ali.

- O sinal vai tocar daqui a... meia hora. — Edward falou rindo depois de olhar em seu relógio de pulso.

- Mas o Emmett... — Balbuciei enquanto entendia que ele tinha me enganado. — Seu idiota!

- Pensa pelo lado bom, você não se atrasou. — Ele falou rindo.

- Você é um idiota Emmett!!! Vocês dois são. — Quase gritei e segui para minha sala.

Que raiva do Emmett e também do Edward por deixar ele me enganar. Entrei na sala e depois de um tempo a Rosalie entrou, caminhando na minha direção.

- Oi, Alice. — Ela me cumprimentou e não acreditei que ela estava falando comigo, depois de ficar do lado do Jacob. Tudo bem que, o que Edward fez foi errado mas o que Jacob fez com a Isa foi bem pior. E mesmo assim Rosalie ainda ficou do lado dele.

- Oi. — Acabei respondendo enquanto via ela caminhar até sua carteira.

Sai da sala, não podia ficar no mesmo ambiente que ela. Será que a Isa ia demorar para chegar? Ela sempre chegava cedo, porque hoje estava demorando?

- Não está brava comigo, está? — Ouvi a voz de Edward atrás de mim e me virei para encará-lo.

- Não, estou brava com o Emmett. — Falei. — Você não devia ter acordado ele com uma jarra cheia de água gelada.

- Eu sei. Mas ele me irrita.

- Você sabe se a Isabella vai demorar para chegar?

- Não sei, mas já era para ela ter chegado. Por que?

- Por nada, só perguntei por perguntar. Já vou indo, tenho que ir na biblioteca.

- Ok. — Falei e vi ele se afastando.

De onde será que veio essa curiosidade dele sobre quando a Isabella iria chegar?

Logo o sinal tocou e entrei na sala, a aula não foi tão legal, talvez porque não tive tempo de fazer minha maquiagem direito já que Emmett me fez vir correndo para o colégio. Depois de um tempo a primeira aula acabou, sai da sala e peguei o celular ligando para Isa.

- Pronto. — Ela atendeu, sua voz era rouca e dificultada.

- Oi. Não vai vir para aula?

- Não. Estou no hospital.

- O que? Por que? — Perguntei confusa.

- Carlisle sofreu um acidente.

- Oh my God! Como ele está? — Perguntei preocupada.

- O médico disse que o estado dele é grave.

- Eu vou aí.

- Não precisa Alice.

- Eu vou sim. — Falei desligando.

Com certeza a Isa não estava bem. E eu tinha que ir lá para ficar com ela. Sai do colégio e entrei no carro, dirigindo em direção ao hospital.

Edward's POV

Entrei na biblioteca, e logo achei o livro que precisava para uma pesquisa. Pedi para a funcionária, que sempre me paquerava, tirar uma fotocópia.

- Então, você desapareceu. — Ela falou.

- Não tinha nenhuma pesquisa para fazer. — Falei como se fosse obvio.

Ela não falou mais nada, entregou os papeis e fui para aula que se passou lentamente. Então o sinal do almoço tocou e encontrei Emmett no refeitório. Aproximei-me da mesa onde ele estava.

- Onde está a baixinha? — Ele perguntou antes mesmo que eu pudesse me sentar.

- Daqui a pouco ela aparece.

- E aí, já falou com a Rosalie sobre "aquilo"? — Ele perguntou fazendo aspas com os dedos na palavra "aquilo". Surpreendi-me com sua pergunta, até tinha esquecido meu "pequeno erro" com a Rosalie.

- Não, ainda não conversamos. Mas não acho que ela possa ter engravidado.

- Engravidado? Já falei que estou mais preocupado de você ter passado alguma doença para ela! — Ele falou meio exasperado.

- Já disse que não tenho doenças.

- Isso é o que você diz.

- Ok, não vou discutir com você. Onde será que a Alice está?

- Pois é, achei estranho. Ela é sempre a primeira a chegar no refeitório.

Peguei meu celular e disquei seu número. Logo ela atendeu.

- Alô. — Ela atendeu.

- Onde você está?

- Chegando no hospital.

- O que?! O que aconteceu? Você está bem? — Acho que me desesperei. Não aguentaria se algo acontecesse com a Alice.

- Estou bem. É que Carlisle sofreu um acidente e ao contrário de você que não sabe demonstrar amor por alguém ou consolar uma pessoa, eu vou lá abraçar a Isa e ajudá-la se o pior acontecer. Sabe por que, Edward? Porque não é só você que perdeu alguém, todo mundo já perdeu alguém especial na vida, mas as pessoas superam e seguem em frente. — Ela falou e eu fiquei mudo, sem saber o que falar. Ela sempre falava sobre minha dificuldade em superar a morte de Jane, mas nunca falou desse jeito. — Tchau, Edward. — Ela disse e desligou.

- Onde ela está? — Emmett perguntou.

- Não sei. — Respondi me levantando e caminhando pelo refeitório cheio de alunos.

Sai do colégio e segui para meu carro. Carlisle sofreu um acidente e Isabella vai sofrer muito se algo aconteceu com ele. Mas a Alice tinha razão. Ela sempre tinha razão em tudo. Não sei consolar uma pessoa, não sei abraçar alguém, não sei amar. Senti uma dor enorme na mão e então percebi que tinha dado um soco no meu carro. Abri a porta e entrei, ligando o motor e acelerando. Não podia ficar ali.

Bella's POV

O médico falou que o estado de Carlisle era muito grave. Não podia acreditar naquilo que Renée estava falando, ele não podia estar mal. Senti um nó em minha garganta e foram precisos apenas segundos para esse nó se desmanchar, assim as lagrimas vieram. Lagrimas de dor, de medo. Passamos um bom tempo ali. Esperando alguma noticia... mas nenhuma notícias boa...

- Isabella, vamos almoçar. Não podemos ficar aqui o dia inteiro. — Renée insistia pela milésima vez.

- Não quero sair daqui. — Falei e me surpreendi ao ver Alice entrar no hospital. Ela falou que vinha e veio mesmo.

Ela se aproximou e me abraçou.

- Não precisava vir Alice.

- Precisava sim. — Ela disse e depois abraçou Renée.

Falei para ela sobre o Carlisle como o estado dele era grave.

- Não vai almoçar? — Renée perguntou depois de um tempo.

- Não estou com fome.

- Não pode ficar sem comer nada, Isa. — Foi Alice que falou dessa vez.

- Não posso sair daqui, e se tiver alguma noticia? — Falei.

— Isabella... — Renée começou a falar mais eu a interrompi.

- Não quero sair daqui.

- Eu fico com ela, Renée. — Alice disse.

- Então já vou indo. — Ela falou se despedindo da Alice. — Isabella vem comigo até no carro.

- Vou. — Falei a acompanhando e Alice falou que me esperaria ali.

Caminhamos em silencio até no carro e quando chegamos Renée se virou para me encarar.

- Prometi para Carlisle que te trataria melhor. Que seria mais amável, carinhosa com você. Mas eu não sou assim...

- Onde quer chegar? — A interrompi.

- Está com seus remédios aí? — Ela perguntou com uma voz fria e estranha.

- Estou.

- Pelo jeito ainda não tomou.

- Não, mas vou tomar.

- Não se esqueça de tomar. Já basta um no hospital. Dois já demais. — Ela falou e entrou no carro.

Fiquei ali olhando o carro desaparecer no fim da rua, as lagrimas descendo por meu rosto.

- Bella. — Ouvi meu nome e uma voz bem conhecida.

Virei-me para ver a pessoa a quem pertencia aquela voz.

- Edward. O que faz aqui? — Me vi perguntando.

- Fiquei sabendo sobre o Carlisle e imaginei que não estivesse muito bem. Pelo visto eu estava certo. — Ele disse e levei a mão rosto para limpar as lagrimas.

Sem pensar muito eu o abracei e senti seus braços se fechando ao meu redor. Pude sentir seu perfume doce e único. E me senti segura ali, como se nada pudesse me atingir.

- Obrigada. — Sussurrei para ele.

- Vai ficar tudo bem. — Sua voz era calma e suave e realmente fez com que eu me acalmasse e tivesse certeza que tudo ficaria bem. Aos poucos eu o soltei e olhei em seus olhos verdes, que me encaravam com preocupação.

- Sim, tudo ficará bem. — Falei, pela primeira vez tendo esperança. — A Alice está me esperando.

- Posso entrar com você?

- Claro. — Falei e começamos a caminhar em direção a entrada do hospital.

Não sei porque, mas quando entramos a Alice fez uma cara de quem não está acreditando no que está acontecendo.

- Oi, Alice. — Edward a cumprimentou e ela ainda o encarava surpresa.

- O-Oi. — Ela gaguejou ao falar.

- Então, como está o Carlisle? — Edward perguntou mudando de assunto.

- Não está muito bem. — Respondi. — O estado dele é muito grave.

- Tenho certeza que ele vai ficar bem.

- Pois é. Mas você tem que cuidar do Carlisle e cuidar de você também. — Alice entrou na conversa.

- Como assim? — Ele perguntou sem entender.

- A Isa ainda não almoçou.

- Por que não? — Ele perguntou para mim.

- Não quero sair daqui.

- Bella, você tem que estar bem para quando o Carlisle sair desse hospital. — Ele falou sorrindo.

- Mas...

- O que acha de irmos na lanchonete aqui perto? Você precisa comer alguma coisa Isa. — Alice insistiu.

Olhei dela para Edward e vi dois par de olhos preocupados.

- Ok. — Acabei concordando por fim.

Saímos e fomos até a lanchonete ali perto. Alice e Edward acabaram sendo uma boa companhia, contaram historia muito engraçadas principalmente sobre o Emmett. E assim eles me distraíram, e as horas passaram. Eram umas três da tarde quando voltamos ao hospital e encontramos Renée.

- Oi. — Cumprimentamos ela.

- Olá. Percebi que Alice puxou Edward e eles se afastaram.

- Como ele está? — Perguntei.

- O médico não deu nenhuma noticia ainda. — Ela respondeu fria e tive vontade de ir embora. Não queria ficar ali.

- Você vai ficar aqui? — Perguntei.

- Vou, por que?

- Acho que vou para casa. — Acabei falando, não queria ficar ali, não com ela fria daquele jeito como sempre foi. Ela abriu a bolsa e de lá tirou duas chaves.

- A chave do carro e da casa. — Ela falou me passando, abri minha bolsa e guardei as chaves.

- Eu posso levar a Isa para casa. Assim você não fica sem o carro. — Não tinha percebido que Alice tinha se aproximado, olhei para trás e vi que Edward não estava mais ali.

- Tem certeza? — Perguntei a ela.

- Claro.

- Ótimo. — Renée disse e eu devolvi a chave do carro para ela.

- Então, vamos? — Alice me chamou, nos despedimos de Renée e caminhamos para fora do hospital.

Saímos e vi que o Volvo preto ainda estava estacionado ali perto.

- Vão embora? — Ouvi sua voz.

- Sim, vou levar a Isa embora. — Foi Alice quem respondeu e seu celular começou a tocar. Ela atendeu.

- Oi, mãe. — Ela ouviu algo e então respondeu.

- Sim, vou buscá-la no aeroporto. Tchau.

- Vai buscar quem no aeroporto? — Edward perguntou.

- A tia Carmen chega hoje, esqueceu?

- É verdade. — Ele falou pensativo.

- Quer que leve a Bella?

- Pode ser, Isa? — Alice me perguntou.

- Pode, claro. — Respondi.

- Então vou indo. Tchau, Isa. Não se preocupe, vai dar tudo certo. — Ela disse me abraçando. — Tchau, Edward. — Ela disse ante de se afastar.

- Vamos? — Ele perguntou e eu concordei com a cabeça.

Caminhamos ate seu carro e ele abriu a porta para mim. E logo estávamos seguindo para minha casa.

- Não precisa ter medo, vai ficar tudo bem. — Ele falou de repente, quebrando o silencio.

- Não estou com medo. — Falei. — Só preocupada.

Em pouco tempo chegamos.

- Vai ficar sozinha? — Ele perguntou.

- Vou. Mas não me importo.

- Tem certeza? Posso ficar com você, se quiser. — Ele se ofereceu e queria falar sim. Mas não consegui dizer.

Vendo que eu não iria responder ele saiu do carro e veio abrir a porta para mim. E quando fui sair acabei deixando minha bolsa cair.

- Droga. — Murmurei ao ver que não havia fechado o zíper da bolsa e assim tudo que estava dentro acabou caindo. Abaixei-me para pegar as coisas e Edward me ajudou a recolher tudo.

- Remédio? — Ele perguntou segurando o vidrinho que continha as cápsula.

- É... — O desespero me tomou, senti minhas mãos formigarem e minhas pernas perderem um pouco da força. O que eu diria?! — São... para dor de cabeça. — Falei e peguei o vidrinho o aguardando rapidamente na bolsa.

Peguei a chave e caminhamos até a porta.

- Eu quero que fique. — Falei sem pensar e senti meu rosto esquentar, Edward simplesmente sorriu. Acho que até já esqueceu do remédio.

Abri a porta e entramos.

- Fique a vontade. Eu já volto.

- Ok.

Subi as escadas até meu quarto, lá peguei o remédio, que minutos atrás estava na mão de Edward e peguei uma garrafa de água que havia ali para tomar o medicamento.

- Quer beber algo? — Perguntei ao entrar na sala.

- Não, obrigada. Como está? — Ele perguntou me olhando como se me analisasse. Sentei-me ao seu lado no sofá.

- Bem. Mas acho que você estava certo, eu estou com medo. Muito medo.

- É normal ter medo. Principalmente quando é alguém importante.

- Mas Carlisle não é só importante. Ele é tudo o que tenho. Renée não liga para mim, eu só tenho ele. — Percebi que estava desabafando com Edward Cullen e senti meu rosto queimar. — Olha eu desabafando com você. — Falei, ficando sem graça e Edward deu aquele sorriso torto que me fazia perder os sentidos.

- Não tem problema. Gosto de saber mais sobre você. — Ele falou levando a mão até meu rosto e acariciando minha bochecha. — Vem cá. — Ele me puxou para perto dele e apoiei minha cabeça em seu ombro.

Sem perceber as lagrimas começaram a descer por meu rosto. Senti sua mão acariciar meus cabelos e fechei os olhos me sentindo bem de estar ali, em seus braços.

- Sabe, lembro de quando Alice sofreu um acidente de carro.

- Ela sofreu um acidente de carro?

- Sim. E foi bem grave. Mas ela acabou se recuperando e logo voltou para casa, só que voltou com o pé quebrado. Então minha tia, a mãe dela, contratou uma enfermeira para ficar com a Alice. A enfermeira ficou duas horas exatas com ela, e depois foi embora nem quis receber. — Ele disse e acabei rindo.

- Coitada da Alice.

- Coitada da enfermeira! — Ele exclamou e acabei rindo.

Com poucas palavras Edward fez com que toda a tristeza do momento desaparecesse. Queria ficar ali em seus braços para sempre, mas não podia. Levantei, me sentando normalmente e limpei algumas lagrimas que haviam em meu rosto.

- Tenho certeza que Carlisle não vai dar esse trabalho. — Falei sorrindo e vi ele dar aquele sorriso perfeito. — Por que sinto que nada vai dar errado e nada de pior vai acontecer quando estou com você? — Só depois que perguntei é que dei conta do que tinha perguntado.

Edward apenas sorriu e se aproximou, encostando nossos lábios. Depois encostei a cabeça em seu ombro novamente e ficamos ali um bom tempo conversando.

Acordei e já tinha anoitecido. Olhei ao redor e estava em meu quarto, percebi que estava sem sapatos e havia uma manta sobre mim. Então vi uma papel dobrado em cima da escrivaninha, me levantei e peguei o pequeno bilhete.


"Espero que tenha descansado e que tenha parado de se preocupar, vai ficar tudo meu anjo.

Edward Cullen"


- "Meu anjo". — Repeti, não acreditando naquelas duas palavrinhas escritas ali com uma caligrafia elegante.

Ouvi um carro chegando e olhei pela janela. Era Renée. Desci as escadas e perguntei como Carlisle estava, e não acreditei quando ela disse que ele havia melhorado e estava se recuperando muito bem.

Fiz um lanche para comer e depois fui me deitar. Estava cansada.

Edward's POV

Voltamos ao hospital e Renée já estava lá. Bella foi falar com ela e Alice me puxou para um lugar afastado.

- Por que está aqui? — Ela perguntou.

- Como assim?

- Qual é, Edward?! Por que se preocupou com ela?

- Não quero falar sobre isso, Alice. — Falei já me virando e saindo dali.

Mal acreditei quando estava entrando no carro com Isabella, para levá-la para casa. E depois de muito conversar sentados no sofá da casa dela Bella acabou adormecendo. Deveria estar muito cansada, pois falou que estava no hospital desde cinco da manha. Carreguei-a no colo até seu quarto. Passei pelas portas abertas, então parei em uma que dava acesso a um quarto que tinha uma cama bagunçada com cobertas cor de rosa e imaginei que fosse seu. Deitei-a na cama e tirei suas sapatilhas, peguei uma manta que estava na beirada da cama e a cobri. Seu rosto era tranquilo enquanto dormia, não resisti a acariciar sua bochecha e sentir sua pele macia. Deixei um bilhete para ela e sai.

Entrei no carro e algo me veio a cabeça, o pequeno vidro de remédio que caiu da bolsa da Bella. Temodal, era o nome que estava escrito no vidro. Dirigi para casa com aquele nome na cabeça. Cheguei e minha mãe ainda não havia chegado. Subi as escadas para meu quarto e liguei meu notebook. E abri a pagina do Google. Tinha uma leve impressão que Temodal não era exatamente para dor de cabeça.

- Edward. — Ouvi a voz da minha mãe vindo do primeiro andar.

Sai do quarto e desci as escadas.

- Me ajuda a pegar as compras no carro?

- Claro. — Falei.

- Ficou sabendo sobre o Carlisle?

- Sim, passei no hospital faz pouco tempo. Tenho certeza que ele ficará bem.

- Com certeza.

- Renée disse que você esteve lá. — Ela comentou.

- É... Isabella estava bem triste. — Falei e minha mãe me olhou de um jeito estranho, como se tentasse ver o que eu sentia. Em fim, ela não disse mas nada e eu também não.

Depois de ajudá-la voltei ao meu quarto e encontrei meu notebook ligado como havia deixado.

- O que eu ia pesquisar mesmo? — Perguntei a mim mesmo.

Não consegui lembrar então deixei de lado.

Acordei no dia seguinte e tomei um banho. Me vesti para ir para o colégio, desci as escadas e minha mãe já tomava café.

- Bom dia. — Falei me sentando a mesa.

- Bom dia, filho.

- Bom dia, gente. — Ouvi aquela voz irritante, olhei para porta e vi Alice entrando na cozinha.

- O que faz aqui? — Perguntei.

- Oi, linda. — Minha mãe a cumprimentou. — Sente-se e não ligue para ele.

- Obrigada. — Ela disse e se sentou. — O que você acha que eu vim fazer aqui? — Ela perguntou como se fosse algo obvio.

- Não sei. Diga você. — Falei sem entender onde ela queria chegar, peguei o copo bebendo o suco de laranja.

- Vim saber o que está acontecendo entre você e a Isa. — Ela falou e eu engasguei com o suco.

Minha mãe que passava manteiga em uma torrada ficou parada, absorvendo o que Alice tinha falado.

- Não tem nada acontecendo entre a gente. Isabella é minha amiga.

- Agora é Isabella? — Ela perguntou irônica.

- O que?!

- Você só a chama de "Bella". Bella pra lá, Bella pra cá.

- Bella? — Minha mãe perguntou.

- É o jeito carinhoso como ele chama a Isabella. — Alice falou sorrindo.

- Chega, eu já vou indo. Tchau. — Falei já me levantando e saindo.

- Edward! — Ouvi a voz de Alice.

Não ia ficar ouvindo aquilo. Entrei no carro e segui para o colégio.

E o resto da semana se passou e os dias continuaram se passando. Parece que Carlisle se recuperou rápido e após uma semana no hospital recebeu alta. Só que Isabella não aparecia na escola e aquilo me incomodava. Queria saber onde ela estava, o que estava fazendo...

- E a Isabella? — A voz da minha mãe me tirou de meus devaneios.

- O que tem ela? — Perguntei e tomei um pouco de suco do copo. Estávamos a mesa e tínhamos acabado de jantar.

- É mesmo verdade o que Alice insinuou aquele dia sobre você e a Bella? — Ela perguntou com um sorriso nos lábios.

- Não sei, mãe.

- Não sabe ou não quer me contar?

- Não quero te contar. — Falei e senti meus lábios se moldarem em um sorriso involuntário, minha mãe riu de minha sinceridade.

- Sabe, estou notado você diferente. Desde que começou a ajudar as professoras do ensino infantil. Sei que foram só duas semanas, mas esse pouco tempo fizeram bem a você. — Ela disse.

- Não sei... acho que esse tempo que passei com as crianças fez parecer que nada tivesse acontecido. Foi como se ela ainda estivesse aqui, viva. — Acho que nunca falei tão diretamente sobre Jane, com minha mãe.

- Mas ela não está. Tem que esquecer e viver como se ela nunca tivesse existido. Tem que abrir esse coração e deixar o amor entrar aí. — Ela falou.

- Nunca vou esquecer. Eu a vi morrer! Sempre vou ter as lembranças daquela cena. — Disse já me levantado e indo para meu quarto.

Acordei e a primeira coisa que me veio a cabeça foi Isabella. Será que ela iria na aula hoje? Desci as escadas e tomei café da manhã. Minha mãe deixou um bilhete avisando que teve que sair mais cedo. Fui ao colégio mas Isabella não apareceu novamente. Então quando as aulas acabaram eu segui para sua casa. Desci do carro e caminhei até a porta, agradeci mentalmente quando Renée a abriu.

- Edward! Que surpresa.

- Olá.

- Veio falar com a Isabella né? Mas ela acabou de sair para ir no mercado.

- Não, na verdade vim conversar com você e o Carlisle. Se isso for possível. — Eu precisava ter coragem e dar um jeito nessa situação de uma vez por todas.

- Claro, entre.

Acordei de manha e tomei um banho. Coloquei uma roupa e peguei minha mochila. Desci as escadas e minha mãe estava tomando café.

- Então, já fiquei sabendo da visita que fez a Carlisle e a Renée. — Ela disse enquanto eu me sentava a mesa.

- Que bom. — Falei.

- Eu sabia. — Ela falou sorrindo. — Você não sabe como estou feliz.

Depois de tomar café, sai de casa e entrei no carro seguindo para casa da pessoa que eu queria ficar perto. Cheguei a grande casa branca e desci do carro. Toquei a campainha e logo a porta se abriu. Bella me encarou surpresa, usava roupas que em outras meninas ficariam simples, mas nela ficavam muito sexy.

- Bom dia. — Falei.

- Bom dia. — Ela respondeu. — O que faz aqui?

- Vim me te buscar para ir ao colégio, assim me certifico que não irá faltar na aula.

- Mas...

- Mas?

- Tudo bem. Eu vou. — Ela falou e eu sorri. — Mas posso ir no meu carro.

- Faço questão de levá-la. — Falei e ela riu.

- Ok. — Ela disse.

- Entra. — Ela me convidou e eu entrei.

- Como está o Carlisle?

- Está bem melhor. Ele e Renée acabaram de sair para ir no médico, ele vai tirar o gesso do braço.

- Que bom.

- Vou pegar minha bolsa. — Falou e subiu as escadas.

Vi uns porta retratos em cima da mesa e todos eram dos tios da Bella. Percebi que não havia nenhuma foto dela. Na verdade havia um porta retrato, meio escondido atrás dos outros, onde havia uma foto de Carlisle com uma menina de cabelos e olhos cor de chocolate, que devia ter uns 10 anos.

- Pronto. — Ouvi sua voz e me virei. Me surpreendi ao ver que ela estava bem perto, mas ela deu um passo para trás se distanciando.

- Sabe qual foi a primeira coisa que pensei hoje ao acordar? — Falei de repente.

- N-Não. — Ela gaguejou.

- Pensei em você. Em como tudo agora se resume a você. — Falei em um tom de voz baixo e me aproximei dela.

Olhei em seus olhos cor de chocolate que pareciam um pouco assustados.

- A cada hora que passo longe de você, parece ser uma eternidade. — Sussurrei e me aproximei mais selando nossos lábios em um beijo calmo e romântico.

Seus mãos estavam em meus ombros e permaneceram ali. Puxei-a pela cintura e senti seu corpo se moldar ao meu. Minha língua pediu passagem entre seus lábios e ela concedeu, deixando nossas línguas se tocarem. Como sempre seu gosto me surpreendeu. Doce e quente. Mas senti seus mãos me empurrarem de leve.

- Ok... — Balbuciei enquanto quebrava o beijo. Ela sempre fazia isso quando o beijo se aprofundava muito.

- Posso te fazer um pedido? — Ela perguntou com as bochechas vermelhas.

- Claro.

- Promete que independente do que acontecer você sempre estará do meu lado. — Ela pediu.

- Só prometo se você me der a honra de ser seu namorado. — Falei e vi seu rosto ficar mais vermelho, sorri com isso.

- S-Sim. — Ela balbuciou sorrindo e eu me aproximei encostando nossos lábios de leve. E logo depois a abraçando.

Saimos da casa e eu abri a porta do carro para ela, logo seguíamos para o colégio. Segurei sua mão e ela entrelaçou seus dedos nos meus. Ficamos todo o trajeto em silencio, pois nada precisava ser dito.

- Edward. — Ela me chamou e adorei ouvir meu nome em sua voz perfeita.

- Sim?

- Como vamos contar isso...

- Simplesmente vamos contar. Não acho as alguém será contra. — Disse e ela sorriu.

Minutos depois chegamos e eu sai para abrir sua porta. Estendi a mão para ela e não larguei sua mão enquanto caminhávamos para a entrada. Todos alunos nos olhavam e sabia que Isabella odiava chamar a atenção. Mas não podia fazer nada, as pessoas sempre ficariam olhando pois sei o que eles pensam. Sei o que eles vão comentar. Sei que todos vão falar que Isabella é só mais uma na minha lista, mas não é. Bella é única e especial.

Bella's POV

Assustava-me ele ficar tão perto, aquilo me trazia lembranças ruins. Mas eu queria ele perto. Não sei como tive coragem de pedia a ele não sair do meu lado. Mas fiz aquilo que queria. Queria Edward por perto.

- Só prometo se você me der a honra de ser seu namorado. — Ele falou e senti meu rosto queimar.

Alegre. Feliz. Entusiasmada. Reluzente. Encantada. Radiante. Nenhuma palavra podia descrever como eu me sentia.

- S-Sim. — Balbuciei sem voz e vi um pequeno sorriso se formar em seus lábios enquanto ele se aproximava encostando nossos lábios de leve.

Perfeito. Maravilho. Mágico. Fantástico. Um sonho. Nada podia descrever aquele momento.

Saímos da casa e caminhamos até o Volvo estacionado ali perto. Ele abriu a porta do carro e eu entrei. Durante todo caminho fiquei olhando as casas, prédios e arvores passado rapidamente. Edward não soltou minha mão nenhum minuto. Mas algo martelava em minha mente, iríamos contar isso para todos?

- Edward. — Chamei-o.

- Sim?

- Como vamos contar isso... — Não sabia como perguntar.

- Simplesmente vamos contar. Não acho as alguém será contra. — Ela falou e eu sorri com a idéia de ser namorada de Edward Cullen.

Chegamos ao colégio e ele saiu do carro vindo abrir a porta para mim. Entramos e vi que já havia bastante alunos na ali. Antes não queria que ninguém soubesse que estava havendo algo entre mim e Edward, mas agora já não ligava mais para isso. Não me importo mais com que os outros pensam, só queria ficar ao lado dele. Claro que os olhos curiosos sobre nós me incomodava muito, mas deixei isso de lado.

Encontramos Emmett no corredor e seus olhos foram direto para minha mão e a de Edward entrelaçadas.

- Ah não acredito! — Ele exclamou. — Assumiram!!

- Assumiram o que? — Alice apareceu. — Oh my God!

- Está vendo, nem vamos precisar contar. — Edward falou e eu ri com seu comentário.

- Sabia que estava havendo alguma coisa entre vocês, mas não falei nada porque não queria ser intrometido. — Emmett disse enquanto ria.

Alice praticamente correu na minha direção e me abraçou.

- Agora você é oficialmente da família e é minha prima! — Ri da alegria dela e ouvimos o sinal anunciando o inicio da aula. — Vem, vamos para aula. Vai me contar tudo. — Ela falou me puxando, olhei para trás e vi Edward sorrindo.

Seu sorriso era como se tivesse dizendo: Me desculpe, mas é impossível deter a Alice.

- Fala tudo. Desde quando esta acontecendo? — Alice perguntou enquanto nos sentávamos na nossa carteira.

- Não sei.

- Isa! Qual é?! Me conta. Começou no fim de semana passado lá na fazenda, não foi?

- É...

- Não! Já sei. — Ela me interrompeu. — Foi no acampamento, quando vocês ficaram perdidos na floresta.

- Foi. — Acabei contando.

- Sabia! Vocês ficaram muito diferentes depois daquele dia.

Então o professor entrou na sala e eu agradeci mentalmente por isso. A aula se passou rapidamente e logo o sinal do almoço tocou. Saímos da sala e caminhamos ate o refeitório.

- Então, não sei se o Edward falou. Mas Esme vai fazer um jantar na sexta pois a irmã dela esta na cidade e vai embora no sábado de manhã. E é claro que você vai nesse jantar, então precisamos comprar umas roupas novas.

- Não sei, Alice. Está muito cedo para isso. E eu nem usei aquelas roupas que compramos aquela vez que fomos ao shopping.

- Tenho certeza que o Edward vai te chamar. — Ela falou. — Nossa com tudo isso esqueci de perguntar, e o Carlisle? Melhorou? — Perguntou aflita.

- Sim, ele está se recuperando. — Falei.

Chegamos a mesa onde Edward e Emmett estavam conversando.

- Olá! — Alice falou.

- Oi. — Falei me sentando na cadeira que Edward puxou para mim, ao seu lado.

- Nossa, que cavalheiro! Não conhecia esse seu lado. — Alice riu e vi que Edward se irritou. Ou foi impressão minha?

- Como foram as aulas? — Ele perguntou a mim.

- Bem. — Respondi.

- Então, chamei a Isa para o jantar na sexta. Já que você não chamou. — Ela o repreendeu.

- Eu ia chamá-la. — Ele falou. — Mas hoje no inicio da aula alguém saiu arrastando ela.

Alice revirou os olhos.

- Vão começar a disputar a Isa agora? — Emmett perguntou rindo.

- Não estou disputando. — Edward se defendeu.

- Estamos discutindo o assunto. Vamos ter que dividir os horários. — Alice disse e eu ri.

- Então, você vai no jantar certo? — Edward perguntou.

- Não sei.

- Claro que vai. Até marcamos para ir amanha no shopping fazer umas compras.

- Marcamos? — Perguntei e eles riram, Alice me encarou.

- Claro que marcamos. — Ela falou. — E alias, amanha a tarde ela é minha. — Ela disse para o Edward.

- Ok. — Eu e ele falamos ao mesmo tempo e eu ri.

As aulas passaram e o sinal anunciou o fim. Levantei-me e sai da sala encontrando Edward me esperando encostado na parede.

- Oi.

- Oi. — Falei e ele pegou minha mão.

- Vamos?

- Vamos.

Caminhamos até o carro e Edward abriu a porta para mim, dando a volta no carro e se sentando ao volante.

- Não está mais patinando? — Ele perguntou enquanto ligava o carro.

- Com o acidente do Carlisle acabei parando os treinos.

- Mas ainda vai competir, certo?

- Não sei. Se der tempo eu vou.

- Tenho certeza que vai conseguir. — Ele falou e eu sorri.

Olhei pela janela, ouvindo o som da musica clássica ao fundo.

- É impressão minha, ou você não gostou muito da idéia de ir em um jantar na minha casa? — Ele perguntou de repente.

- Não sei... não está sendo muito rápido?

- Não será nada de mais, só um jantar. Mas vou entender se não quiser ir. — Ele falou desligando o carro e olhei pela janela vendo que já estávamos em frente da minha casa.

- Vou pensar. Ok? — Falei e ele sorriu.

- Ok.

Edward saiu do carro e veio abrir a porta para mim. Me acompanhando até a porta.

- Então, obrigada pela carona.

- Não foi nada. Até amanha, Bella. — Ele disse e se aproximou beijando minha bochecha e senti meu rosto esquentar.

- Até. — Sussurrei e vi ele caminhando em direção ao Volvo.

Entrei em casa e Carlisle estava sentado no sofá, assistindo TV.

- Boa tarde. — Ele falou.

- Boa tarde. Como foi no médico?

- Bem. E como foi o passeio no carro do Edward? — Ele perguntou sorrindo e senti meu rosto queimar. Se pudesse sairia correndo e me esconderia para sempre.

Não falei nada. Não sabia o que falar.

- Acha que não sei o que acontece? Já faz um tempo que sei que está acontecendo alguma coisa. Mas tudo se confirmou ontem quando recebi a visita de Edward.

- Edward veio aqui ontem? — Perguntei incrédula e Carlisle sorriu.

- Sim, ele veio. Veio pedir minha permissão e a permissão de Renée para namorar você. — Ela disse com um sorriso maior ainda.

Eu ri, foi um riso nervoso, pois não sabia o que dizer. Edward veio pedir minha mão em namoro?! Era algo inacreditável.

- Eu vou para... me-meu... quarto. — Eu gaguejei e minha voz falhou.

- Ok.

Subi as escadas correndo e entrei no meu quarto. Tudo estava maravilhoso, nada podia arruinar aquele momento. Mas então abri meu guarda roupa e vi algo que arruinou tudo. Vi os vidrinhos de remédios. Os remédios que podiam me manter viva por mais algum tempo. Fechei a porta e encostei nela, sentindo as lagrimas descerem por meu rosto, meu corpo escorregou pela porta do guarda roupa e cai no chão. Nunca pensei por esse ponto vista, que a doença me mataria antes mesmo de eu conseguir realizar meus sonhos ou alcançar meu objetivos. Senti uma dor enorme no peito, me arrastei até a cama me deitando e me enroscando do edredom. Acho que eu não estou encarando a realidade como deveria encarar. Eu tenho que para de me enganar. Lentamente comecei a repassar tudo que aconteceu naquele dia e acabei adormecendo.

Edward's POV

Cheguei em casa e minha mãe não estava. Sentei no sofá e liguei a TV, mas não prestava atenção no que passava pois meus pensamentos giravam em torno de uma única pessoa: Bella. Depois de um tempo meu celular tocou e vi que era Alice.

- Pronto. — Atendi.

- Oi. Onde você está? — Ela perguntou.

- Estou na minha casa. Onde mais estaria?! — Falei rindo.

- Há há muito engraçado. Eu, a tia Carmen e a Bree vamos no shopping. Quer vir junto? — Ela falou e olhei no relógio, eram seis e meia da tarda.

- Não, obrigada.

- Vamos Edward! — Ela insistiu como sempre.

- Não.

- Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor.... — Ela começou a repetir.

- Ok. — Falei, pois sabia que ela não iria parar de pedir.

- Ótimo. Nos encontramos no shopping daqui a meia hora. Até.

- Tchau. — Desliguei e subi as escadas para meu quarto.

Tomei um banho e coloquei uma roupa saindo logo depois. Encontrei elas na entrada do shopping.

- Oi Carmen. — Cumprimentei a irmã mais nova da minha mãe.

- Oi, que bom que veio.

- Oi linda! — Falei me abaixando e Bree me abraçou fortemente. Ela tinha sete anos e era filha da Carmen.

- Oi. — Ela falou com sua voz fina.

Me lembro de como foi difícil para mim me aproximar de Bree. Depois do acidente que tirou a vida de Jane, até meus 14 anos eu não chegava perto de nenhuma criança. Pois todas as crianças lembrava a ela. O passeio no shopping até que foi bom, é claro que Alice não perdeu a chance de estourar o limite do meu cartão, na verdade meu cartão não tem limite mas ela não precisava saber disso.

Minha mãe já havia chegado quando cheguei do shopping.

- Oi. — Ela falou.

- Oi. — Falei me sentando ao seu lado no sofá.

- Então, como foi lá no shopping com a Carmen e a Bree? Da Alice nem pergunto pois sei como foi. — Ela disse e eu ri.

- Foi tudo bem.

- E a Isabella?

- Ela está bem. A convidei, ou melhor a Alice a convidou primeiro, para vir no jantar sexta. — Comentei.

- Isso é maravilhoso! Mas ela vem mesmo, certo?

- Não sei. Talvez ela venha. — Falei. — Vou subir para meu quarto.

- Não vai jantar?

- Não, nós jantamos no shopping. Boa noite.

- Boa noite, filho.

Acordei, tomei um banho e coloquei uma roupa. Desci as escadas e fui até a cozinha para tomar o café da manhã e em pouco tempo estava indo para o colégio. Vi Isabella saindo de seu carro e caminhei até ela.

- Bom dia, Bella. — Falei e ela se virou, para me olhar, sorrindo.

- Bom dia. — Disse.

Aproximei-me dela para beijá-la, precisava sentir seus lábios nos meus. Mas ela desviou o rosto.

- Tem gente olhando. — Ela falou baixo e eu sorri.

- Ok, nada de demonstração de amor em publico. — Falei e ela riu.

Vi que segurava a bolsa especial para patins.

- Vai patinar?

- Vou, ainda vai demorar para começar a aula.

- Posso ir ver?

- Claro.

Começamos a caminhar em direção ao ginásio.

- Por que não me disse que foi na minha casa conversar com Carlisle? — Ela perguntou de repente e eu ri.

- Não achei necessário. Por que? Não devia ter ido?

- Achei romântico. — Ela sussurrou e seu rosto ruborizou.

Abri a grade porta do ginásio para ela. Assim que a porta se fechou e estávamos sozinhos me aproximei encostando de leve nossos lábios. Ela se afastou com um sorriso no rosto e se sentou para colocar os patins.

- Decidiu sobre o jantar? — Perguntei.

- Ainda não. Não sei se vai ser uma boa idéias.

- É claro que vai ser uma idéia boa. E sem contar que, mesmo se você não for terá que ir no shopping com Alice. Não tem como fugir dela. — Falei e ela riu.

- É verdade, não da para fugir dela. — Ela disse se levantando e andando em direção a pista.

Ela pisou e deslizou no gelo com delicadeza, suavidade.

- Vai treinar hoje a tarde? — Perguntei.

- Acho que não vou mais competir.

- Por que?

- Sei lá... — Ela murmurou.

- Bella, você tem que tentar. Se não conseguir pode tentar ano que vem ou no próximo. Mas não pode desistir. — Falei e ela não disse nada.

Continuou a patinar. Mas logo saiu da pista.

- Eu vou no jantar. — Falou enquanto tirava os patins.

- Sério? — Perguntei como um bobo, não acreditando.

- Não. — Ela falou irônica e riu.

- Nossa, vamos ter que passar na secretaria.

- Por que? — Perguntou sem entender.

- Para mudar suas aulas. Esta passando muito tempo com a Alice. — Expliquei e ela riu.

- Gosto da Alice. Ela é legal.

- Ela é irritante, absurda, não para de falar um minuto... Mas no fundo ela é ... Quase legal. — Falei enquanto caminhávamos para o estacionamento. Realmente Alice era irritante.

- Não fala assim. Sei que você gosta muito dela.

- Ela é da família. Eu sou obrigado a gostar dela. — Falei e ela riu.

- Fala assim, mas não vive sem ela. — Bella disse e ela tinha razão. Se algo acontecesse a Alice me culparia para sempre, assim como me culpo sobre o que aconteceu com Jane.

E falando na baixinha, ela apareceu. Alice e Bella começaram a conversar sobre as coisas que comprariam no shopping e sabia que Bella não estava gostando da conversa.

A ultima aula acabou e meu celular tocou. Era minha mãe. Atendi e enquanto falava com ela encontrei Bella no corredor.

- Preciso que compre um vinho. — Minha mãe pediu.

- Mas tem vinho em casa.

- Mas não é do que eu quero.

- Ok. Eu compro então.

- Obrigada. — Ela disse e eu desliguei. Não queria ficar conversando, pois Bella estava ali do meu lado e queria dar toda minha atenção a ela.

- Quem era? — Ela perguntou indiferente.

- Era minha mãe. — Respondi.

- Percebeu que desligou sem falar tchau? — Ela me surpreendeu com sua pergunta. Olhei seu rosto levemente rosado.

- Bella... — Não sabia o que dizer. Então a Alice chegou.

- Vamos para o shopping, Isa? — Ela perguntou.

- Vamos. — Bella respondeu. — Tchau, Edward. — Ela falou e se afastou junto com Alice.

Fiquei olhando as duas se afastarem. Bella estava certa, não devia tratar minha mãe daquele jeito. Entrei no carro e peguei meu celular ligando o numero da minha casa.

- O que foi, filho? — Ela atendeu.

- Desculpe. — Falei.

- O que?

- Desculpe, por ter desligado sem falar tchau. Eu não queria.

- Filho, está tudo bem.

- Eu... vou comprar o vinho.

- Ok.

- Tchau, mãe.

- Tchau.

Então desliguei o celular e liguei o carro acelerando.

Bella's POV

Se Edward soubesse que talvez ano que vem eu posso não estar aqui. Mas não queria pensar nisso agora. Deslizei sobre o gelo sem pensar em nada, simplesmente me desligando do mundo. A única coisa de que tinha consciência era de Edward ali me observando. Olhei para ele e vi que estava sorrindo. Não sei se deveria ir nesse jantar. Acho que a questão não é se eu deveria ir ou não. Mas sim, se eu quero ir ou não. E a resposta era simples, eu queria ir.

Sai da pista e me sentei para tirar os patins.

- Eu vou no jantar. — Falei.

- Sério? — Ele perguntou sorrindo.

- Não. — Falei e ri.

- Nossa, vamos ter que passar na secretaria.

- Por que? — Perguntei.

- Para mudar suas aulas. Esta passando muito tempo com a Alice. — Ele explicou e eu ri.

- Gosto da Alice. Ela é legal.

- Ela é irritante, absurda, não para de falar um minuto... Mas no fundo ela é ... Quase legal. — Ele falou enquanto caminhávamos para o estacionamento.

- Não fala assim. Sei que você gosta muito dela.

- Ela é da família. Eu sou obrigado a gostar dela. — Ele falou e eu ri.

- Fala assim, mas não vive sem ela. — Falei e ele não respondeu.

Logo Alice apareceu e começou a falar sobre o tipo de roupas que iríamos comprar hoje a tarde. Como se eu entendesse algo que ela dizia. Mas tentava prestar atenção.

A aula se passou e quando o ultimo sinal tocou caminhamos para fora do colégio. Edward caminhava ao meu lado enquanto conversava no celular. Percebi que ele desligou sem se despedir da pessoa.

- Quem era? — Perguntei e me condenei por isso. Não devia ter perguntado, isso não é da minha conta.

- Era minha mãe. — Ele respondeu.

Edward estava falando com a mãe e desligou o celular sem se despedir. Isso foi horrível.

- Percebeu que desligou sem falar tchau? — Falei sem pensar e queria poder me bater. Por que eu falava as coisas sem pensar?

- Bella... — Ele pareceu sem fala.

- Vamos para o shopping, Isa? — Ouvi a voz da Alice e agradeci mentalmente por ela aparecer.

- Vamos. — Respondi. — Tchau, Edward.

Chegamos ao shopping e Alice me puxou para a primeira loja.

- Vou te dar uma dica. Acho que sua pele é compatível com azul.

- Pele compatível?! — Perguntei rindo.

- É. A minha é compatível com amarelo. — Ela falou pegando alguns vestidos. — Então, quando esse relacionamento entre você e a Edward vai ficar mais sério?

- Não sei...

- Acho tão legal. Você e o Edward juntos. Pena que ele é tão frio daquele jeito.

- Frio? — Indaguei.

- Edward não é muito... como dizer? — Ela perguntou a si mesma. — Carinhoso. Ele parou de demonstrar seus sentimentos depois de alguns acontecimentos do passado.

- Não concordo, acho ele carinhoso.

- Só se ele for diferente com você. Na verdade, Edward mudou muito depois que vocês se aproximaram um pouco.

- Como assim?

- Sei lá... está diferente. Prove esse. — Ela me passou o vestido azul claro e eu entrei no provador. — Sabe, acho que agora ele está mais sociável com as pessoas, antes ele era mais fechado. — Ela falou. — Já vestiu? Eu quero ver.

Sai do provador e seu olhar me analisou.

- Não, esse azul é muito claro. Precisamos de um azul mais escuro.

- Eu achei que ficou bom. — Comentei me olhando no espelho. Para falar a verdade não via a hora de sair daquela loja. Odiava fazer compras.

- Confia em mim. Precisamos de um mais escuro.

Entramos em várias lojas, eu já estava quase desistindo quando ela olhou um vestido e quase gritou.

- É esse! Vai lá provar. — Ela me passou o vestido azul.

Entrei no provador e vesti. Quando sai ela deu pulinhos.

- Achamos! Ficou perfeito.

Depois que saímos da loja o celular da Alice tocou. Ela olhou a tela e atendeu.

- Fala Ed! — Ela falou e riu ouvindo algo. — Ok, eu passo lá. Tchau. — Ela desligou o celular e guardou na bolsa. — O Edward odeia ser chamado de "Ed". — Ela falou rindo. — E a Esme precisa de ajuda nos preparativos para o jantar.

Saímos do shopping e quando chegamos perto do meu carro ela me chamou.

- Isa.

- Sim?

- Sabe, é muito legal tudo isso. Você e o Edward. Ter você como prima. Mas não quero que sofra, então só peço para ir com calma no relacionamento. O Edward é meio "instável", em uma hora ele está bem, feliz... mas na outra ele pode não estar... não quero que se machuque.

- O-Ok. — Gaguejei ao falar.

- Tchau. Até amanha. — Ela falou e me abraçou.

- Tchau.

Entrei no carro e dirigi para casa pensando nas palavras de Alice. Não entendi muito bem o que ela quis dizer... mas acho que devo ir com calma com meus sentimentos em relação a Edward.

Cheguei em casa e Carlisle estava na cozinha preparando um lanche. Deixei as sacolas no sofá e fui até ele.

- Oi.

- Onde você estava mocinha? — Ele perguntou.

- Estava no shopping com a Alice. Deixa eu te ajudar. — Falei.

- Não precisa.

- Não está nem conseguindo ficar de pé com essa perna. Deixa que eu faço. — Falei. Ele havia machucado a perna no acidente e ainda estava mancando.

- Ok. — Ele disse se afastado e sentado na cadeira ao redor da mesa. E eu comecei a fazer o lanche.

- Estava no shopping com a Alice? — Ele perguntou dando ênfase ao nome "Alice".

- Sim, com a Alice. — Falei, entendendo que ele queria chegar em um assunto sobre Edward. — A Renée saiu?

- Sim, foi na farmácia comprar uns remédios que acabaram. — Respondeu. — E o Edward? — Perguntou com indiferença.

- O que tem ele? — Perguntei entregando o lanche para ele.

- Não sei, me diga você.

- Aonde quer chegar, Carlisle? — Perguntei.

- Só quero saber como vocês estão.

- Estamos bem. — Falei.

- Que bom.

- Então... — Senti meu rosto esquentar. Droga! — ...o Edward me convidou para jantar na casa dele amanha. Tem algum problema?

- Claro que não. — Respondeu e Renée entrou na cozinha.

- Fez compras? — Ela perguntou surpresa para mim, com certeza deve ter visto as sacolas no sofá.

- Sim. — Falei me levantando. — Vou levar as sacolas para o quarto.

Sai da cozinha e peguei as sacolas, subi as escadas e caminhei pelo corredor até o meu quarto. Entrei e coloquei as sacolas em cima da cama, abrindo uma delas e pegando o vestido azul. Fui até o espelho e coloquei o vestido em frente ao corpo, realmente era lindo. Será que Edward vai gostar? Desde quando comecei a me preocupar com minha aparência?

Guardei o vestido no guarda roupa e as sapatilhas prata que a Alice insistiu para eu comprar.

Fui tomar um banho e coloquei um moletom com uma blusa confortável. Olhei pela janela e vi o céu escuro, uma tempestade se aproximava. Depois de um tempo Renée veio avisar que o jantar estava pronto e eu fui jantar.

Fiquei em silêncio durante todo o jantar. Logo depois desejei boa noite a Carlisle e Renée, que ficaram na sala assistindo TV, e fui para meu quarto. Como sempre preferia ficar sozinha. Peguei o livro Romeu e Julieta e comecei a ler. Achava tão romântico a historia deles.

Quando dei por mim já eram 11 horas da noite, uma chuva fraca começou a cair, então fechei o livro e liguei a TV. Estava passando desenho animado, então desliguei e apaguei a luz. Deitei-me, tentando dormir mas não conseguia. Eu odiava chuva. Fechei os olhos novamente e minutos depois ouvi o som abafado de um carro na frete de casa. Levantei-me e acendi a luz olhando pela janela. Não acreditei quando vi um carro preto, mas especificamente um Volvo preto, parado em frete da casa. Sai do quarto e desci as escadas, estava tudo escuro, Carlisle e Renée já haviam ido dormir. Cheguei a janela da sala e afastei a cortina, vendo Edward parado ao lado do carro observando a casa. Fui ate a porta a abrindo e um sorriso se formou em seus lábios quando ele me viu. Edward caminhou até mim sob a chuva fina.

- O que faz aqui? — Indaguei.

- Precisava muito te ver. — Ele falou e se aproximou, me abraçando.

Seus braços rodearam minha cintura e coloquei os meus ao redor de seu pescoço, pude sentir seu perfume.

- Não podia esperar até amanha para te ver. — Ele sussurrou me soltando.

- Quer entrar? — Me vi perguntando. Onde estava com a cabeça de convidá-lo a entrar? Já eram quase meia noite. Mas queria que ele ficasse.

- Já é tarde, Bella...

- Por favor fique. — As palavras fluíram por meus lábios.

Edward olhou em meus olhos e eu entrelacei nossos dedos o levando para dentro. Fechei a porta e subimos as escadas em direção ao meu quarto. Entramos e fechei a porta. Edward Cullen estava no meu quarto. Era para me sentir assustada, com medo dele estar ali, sozinho comigo, mas não estava, a ultima coisa que poderia sentir era medo. Agora que ele estava ali me sentia segura.

- Tem certeza que é uma boa idéia? — Ele perguntou preocupado.

- Está tudo bem. — Falei.

Ele olhou um porta retrato onde tinha uma foto de mim recebendo uma medalha de prata.

- Foi em uma competição? — Perguntou e me aproximei olhando a foto, me lembrando daquele momento.

- Sim, fiquei em segundo lugar. Tinha treze anos.

- Por que esse amor pela patinação?

- Quando estou na pista de gelo me sinto... — Não queria mentir para Edward. Então falei a pura verdade. — ...sinto como se pudesse ser eu mesma... — Falei mas não era tudo o que eu queria falar, faltava mais algumas palavras e elas saíram sem que eu pudesse fazer nada: — assim como me sinto quando estou com você. — Assim que falei senti todo meu sangue subir para meu rosto.

Ele sorriu para mim e senti minhas pernas perderem a força. Desde quando ele tem esse poder sobre mim? Sentei-me na cama, antes que caísse no chão e ele se sentou na cadeira da minha escrivaninha. Então me lembrei do que Alice falou mais cedo e depois de uma batalha entre perguntar ou não, resolvi perguntar.

- Posso te fazer uma pergunta... meio... pessoal? — Perguntei, com dificuldade de achar as palavras.

- Claro.

- Alice comentou que com o tempo você mudou muito. Por que você mudou? — Perguntei e ouvi a chuva aumentar.

- Não... esperava essa pergunta. — Disse com um sorriso triste, mas logo ficou sério. — Acho que não foi só eu que mudei, a Alice também mudou bastante.

- Mas por que? — Perguntei curiosa, mas Edward parecia relutante em contar.

Edward's POV

Não sabia como tinha chegado em frente a casa de Isabella. A única coisa que tinha consciência era que precisava vê-la. E quando a vi foi maravilhoso, caminhei até ela e a abracei, sentindo seu perfume de rosas, suave e adocicado, que me embriagava. Quase não acreditei quando ela me convidou a entrar. Era bom ficar perto dela. Sentei-me na cadeira perto da escrivaninha.

- Posso te fazer uma pergunta... meio... pessoal? — Ela perguntou com dificuldade com as palavras.

- Claro. — Falei.

- Alice comentou que com o tempo você mudou muito. Por que você mudou? — Ela perguntou e eu me surpreendi.

- Não... esperava essa pergunta. — Falei sem saber como responder aquela pergunta. — Acho que não foi só eu que mudei, a Alice também mudou bastante.

- Mas por que? — Ela não desistiria.

- Acho que mudei muito depois da morte de uma pessoa da família. Mas... nunca falei sobre isso...

Nunca havia falado sobre a Jane com alguém que não era da família. Não posso falar. Não consigo. Mas algo me dizia que devia contar, devia confiar nela. Por que aquela dor que sempre aparecia quando eu pensava em Jane, não aparecia agora? Não havia dor, só saudade.

- Edward, pode me contar. — Ela se aproximou e colocou sua mão sobre a minha, só então percebi que não havia dor porque Bella estava ali.

Então comecei a falar:

- Há nove anos eu, a Alice e uma menina brincávamos de bola na calçada... — Era difícil contar aquilo. — ...só que a bola caiu no meio da rua e essa menina foi buscá-la. Bem nesse momento um carro vinha em alta velocidade...

- Ah meu Deus! — Bella exclamou e levou as mãos a boca com choque. — Você e a Alice viram tudo?

- Eu tentei impedir, mas já era tarde.

- Quem era a menina?

- A menina era minha irmã, Jane. — Falei seu nome para outra pessoa pela primeira vez.

Bella ficou em silêncio. Não devia ter falado nada.

- Edward... eu sinto muito. — Ela finalmente quebrou o silêncio e apertou minha mão, em um gesto de consolo. — Vocês devem ter sofrido muito, na verdade devem sofrer até hoje.

E o silêncio voltou a reinar. Mas foi ela que o quebrou novamente com mais uma pergunta:

- Quantos anos você tinha?

- Oito anos.

- Sinto muito. — Ela sussurrou levando as mão a boca com feições assustadas.

- Está tudo bem. — Falei.

Ela me olhava nos olhos, mas ao contrário das outras pessoas que me olhavam com dó, ternura... Isabella me olhou diferente, como se me desse força. E dissesse que tudo ficaria bem.

- Acho que depois disso eu me fechei para o mundo, principalmente para o amor. Ainda tenho medo de me aproximar das pessoas e depois perde-las. — Confessei e ela abaixou o olhar.

Um relâmpago iluminou o céu e seguido de um trovão, fazendo Bella se encolher um pouco.

- Você corre risco de perder as pessoas, isso faz parte da vida. Vivemos em um mundo cheio de riscos. — Ela falou com sua voz doce.

- Tem razão.

Ela arrumou alguns travesseiros e se recostou.

- Deve estar cansada. É melhor eu ir. — Falei me levantando.

- Não vai, não. — Ela pediu. — Fique mais um pouco.

- Bella...

- Está chovendo forte...

- ... e você tem medo de chuva. — Completei sorrindo, me lembrando do dia que ficamos perdidos na floresta.

Na verdade não queria ir embora. Queria ficar ali apenas admirando-a.

- Pois é. — Ela concordou com o rosto com pouco corado.

Bella se levantou e pegou um álbum dentro de uma gaveta e uma medalha. Ela abriu o álbum de fotos e voltou a sentar na cama.

- Olha. — Ela mostrou uma foto.

Aproximei-me, sentando-me ao seu lado.

- Foi a dois anos atrás, a competição aconteceu em Nova York, onde ganhei minha primeira e única medalha de ouro até agora. — Ela falou me passando a medalha.

Parecia uma moeda em tamanho maior e nela estava escrito: "Academia de Esportes de NY. Liga Juvenil. Primeiro Lugar em Patinação Artística." Sorri ao ler aquilo.

- Nossa! Que orgulho. Minha namorada já foi campeã. — Falei e ela riu.

- É tão estranho. Isso... de sermos namorados. — Ela falou.

- Mas não devia ser. — Falei, passando as fotos do álbum.

- Eu sei... é que... nunca tive um namorado.

- Nunca?

- Não. — Ela admitiu com as bochechas vermelhas.

Olhei em seus olhos e vi a tristeza que sempre via ali, queria perguntar o porque daquela tristeza mas não tinha coragem.

Voltei a olhar as fotos e vi uma onde Bella, que devia ter uns nove anos, estava abraçada a uma mulher.

- Quem é? — Perguntei.

- É a Fernanda, ela foi minha professora de ballet. — Ela disse se encostando em um travesseiro e me passando um.

Encostei-me, ficando ao seu lado.

- Você fez ballet? — Indaguei.

- Foi preciso, por causa da patinação. Mas fiz apenas por dois anos e meio.

- Entendi. — Falei e fechei o álbum de fotos colocando-o sobre a mesinha de cabeceira.

Virei-me para poder olhá-la e levei minha mão até seu rosto, acariciando-o e sentindo sua pele macia. Bella fechou os olhos sob meus dedos e percebi que ela tinha olheiras.

- Parece cansada. — Comentei.

- Mas não estou. — Ela falou ainda de olhos fechado.

Meus dedos realizavam por seus rosto, decorando seus traços delicados.

- Certeza?

- Talvez um pouquinho. — Ela falou e eu sorri.

Bella abriu os olhos e me perdi naquela imensidão de chocolate. Aproximei-me dela roçando nossos lábios, minha língua pediu passagem por entre seus lábios e ela concedeu, logo pude sentindo seu gosto doce e único. Para mim não existia mais nada, só eu e Bella. Mas como sempre ela me empurrou de leve e não fiz objeção, não a forçaria a nada. Nesse momento um trovão ecoou longe e Bella se encolheu um pouco, logo me abraçando.

- Tudo bem. — Falei colocando meus braços ao seu redor e ela encostou sua cabeça em meu peito.

Olhei para cima e vi o interruptor da luz na parede logo acima da cabeceira da cama. Ergui o braço e apaguei a luz. Acariciei os cabelos castanhos de Bella, logo percebendo que sua respiração estava calma e lenta.

Queria saber porque ela era diferente. Seria tão fácil fazer com ela o que sempre fazia com as outras. Seria fácil levá-la para jantar e depois acabar a noite com ela nua na minha cama. Seria fácil convencê-la a fazer qualquer coisa agora mesmo. Mas não podia. Não conseguia. Talvez seja porque Isabella não é igual as outras, ela é completamente ao contrário: é doce, meiga, tímida, responsável e muito inocente. Ela era perfeita.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Não se esqueçam de deixar um review.
Beijoss
Até a próxima.