Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
63 O impossível se torna possível
Notas iniciais
Isabella’s POV
No capítulo anterior:
Encarei assustada o rapaz, que parecia confuso, a minha frente. Então percebi que nada tinha acontecido, mas aquilo me fez temer Edward. Talvez aquele medo que sentia, não fosse irracional e se ele já... eu não sei.
― Isabella? ― ouvi sua voz e arrisquei-me a encarar o seus olhos uma última vez.
― Boa viagem Edward ― falei com a voz trêmula, o medo me consumindo enquanto caminhava até a escada e subia os degraus o mais rápido possível, sem olhar para trás.
~*~
Dois dias depois
Abri os olhos e encarei o teto de meu quarto, tinha dificuldades para respirar, pois sentia uma dor que parecia querer dilacerar meu peito. Minha cabeça latejava e meu corpo parecia pesar uma tonelada, então me aconcheguei mais na cama, puxando o travesseiro sobre mim, fechando os olhos com força, tentando esquecer de tudo.
“― Essa é a minha escolha ― afirmei e virei-me caminhando para a porta, não via a hora de sair dali, mas sua mão segurou meu pulso. ― Edward, o que está fazendo? ― indaguei e ele me puxou para bem perto de seu corpo, enquanto sua mão, que contornava perfeitamente meu pulso fino, começou a apertá-lo. ― Está me machucando ― murmurei e ele se aproximou mais, até que seu rosto ficasse a centímetros do meu.
― Essa é a sua escolha? ― questionou e ouvi sua voz ecoar na sala, fazendo meu coração disparar com o susto ao ver aquela escuridão em seus olhos, a raiva. ― E eu, onde fico nisso tudo?
― Edward me solta! ― pedi. ― Por favor ― implorei.
― Eu não aceitei viver ao seu lado para te ver morrer um pouco a cada dia, eu aceitei estar ao seu lado para te ajudar a lutar contra essa doença ― sua voz era fria, o que fez com que eu quisesse sair dali o mais rápido possível e agradeci mentalmente quando ele soltou meu pulso, o qual segurei contra meu peito ainda sentindo a marca de sua mão.
Então vi tudo mudar e o escritório ao nosso redor se transformou em uma sala. Encarei a lareira a minha frente, sendo hipnotizada pelas chamas que pareciam dançar, as quais por algum motivo me davam medo.
Estava sentada sobre um edredom forrado no chão em frente a tal lareira e olhei ao redor, sabendo que aquele lugar era familiar, mas não conseguia lembrar...
― Tem lugar para mais um aí? ― perguntou e levantei-me surpresa, meus pés me levando até ele.
― Onde esteve? ― a pergunta saiu sem que eu tivesse ao menos pensado nela.
― Achei que precisa de espaço, ficar um pouco sozinha para pensar ― falou colocando sobre a mesa a chave do carro que ele segurava na mão e tirou seu casaco.
― É, eu precisava.
― Espero que tenha pensado melhor sobre o tratamento ― Edward falou e respirei fundo, desviando meus olhos dos seus.
― Por favor ― eu não tinha o controle de meus lábios, nem da minha voz, as palavras simplesmente fluíam. ― Alec já disse que eu não vou aguentar outra cirurgia.
― Mas o Dr. Biers viu seus exames e ouviu o que ele disse, você tem condições de passar por várias cirurgias, não há problemas.
― EDWARD VOCÊ NÃO ENTENDE!! ― gritei e senti lágrimas escorrerem por meu rosto. ― Eu não vou conseguir! Sei que pareço forte, mas não sou, estou fraca...
― Isabella ― ele me interrompeu, mas não deixei.
― Não Edward, eu não consigo... eu não aguento mais...! ― falei alto. ― Eu estou com medo! ― sussurrei, sentindo minhas pernas falharem, mas ele me segurou.
― Está tudo bem. ― falou, segurando-me. ― Shhhh... está tudo bem.
― Eu tenho medo... tenho medo do que pode acontecer... tenho medo da morte Edward ― murmurei abraçando-o fortemente e afundando meu rosto no espaço entre seu pescoço e seu ombro, sentindo seu perfume, seu cheiro, que automaticamente me acalmou.
― Está tudo bem, eu estou aqui. Não precisa ter medo, não vou deixar que nada aconteça, eu prometo.
― Não prometa o que não pode cumprir.
― Quem disse que não posso? ― indagou, afastando-me, olhando em meus olhos e vi ele se aproximar, tocando seus lábios nos meus e só então me dei conta de como queria que isso acontecesse... de como desejava sentir aquilo, de como almejava seu toque.
― Acho que tem lugar para mais um ― murmurei separando nossos lábios e olhando para o lugar arrumado perto da lareira.
Edward sorriu aquele sorriso torto que eu tanto amava, passando seu braço atrás de meus joelhos e carregando-me até o edredom esticado no chão. Ele se sentou, colocando-me em seu colo com tanto cuidado e sorri sentindo ele depositar delicados beijos em meus cabelos, suas mãos me acariciando e de repente estava segura, nada poderia me atingir.
― Me perdoa... pelo que falei, pelo que fiz ontem, eu não tinha o direito ― falou baixo segurando minha mão e levou-a até seu rosto, logo depois depositando um beijo na palma da minha mão, fazendo uma trilha até meu pulso, onde seus lábios se demoraram. ― Me perdoa ― sussurrou contra minha pele e notei a sinceridade em sua voz.
Então me afastei, não muito, mas o suficiente para olhar em seus olhos, antes de me aproximar lentamente e tocar seus lábios, minha boca se moldando a sua e quando nos separamos Edward encostou sua testa na minha, foi nesse momento que fechei os olhos e sussurrei tão baixo que pensei que ele não ouviria: ― Faz amor comigo.”
Simplesmente abri os olhos, percebendo que tudo não passara de um sonho, a continuação daquilo que vi quando abracei Edward depois de chegarmos da festa. Ele estava nervoso porque não queria me perder, não queria ver o câncer me matar lentamente.
― Agora entendo seu descontrole ― murmurei segurando meu pulso e apertando-o contra meu peito, antes de levar a mão até minha boca, deixando as pontas dos meus dedos deslizarem sobre meus lábios. ― Talvez nada seja real e eu esteja me iludindo com simples sonhos ― disse para mim mesma ao relembrar minhas ultimas palavras: Faz amor comigo.
― Bella?! ― Alice bateu na porta e assustei-me, voltando para realidade.
― Já estou indo ― avisei, levantando com dificuldade e seguindo para o banheiro, sabendo que teria que arrumar um jeito de descobrir o que eram aquelas visões.
...
Depois de reformular meus horários, para não encontrar Thomas em nenhuma aula, nem mesmo nos corredores, tive que inventar uma história para explicar essa decisão para Gianna e Zafrina. Tinha conhecido ambas durante o segundo dia de aula e desde então Alice tenta me afastar delas. Agora, depois do que aconteceu com Thomas, penso que talvez ela tenha razão e nenhuma delas sejam realmente minhas amigas.
Sentei-me sozinha em um dos bancos de madeira no jardim, onde muitos alunos se reúnem para conversar, estudar ou apenas para passar o tempo, mas eu não estava ali por nenhuma dessas opções. Simplesmente me sentei ali, pois não conseguia mais andar, faltavam apenas mais alguns metros até o estacionamento, porém não tinha mais forças. A dor parecia estar me consumindo, era como se meu coração estivesse se atrofiando e a cada batida ele parecia estar se quebrando. Respirei fundo, enquanto tentava descobrir como seguiria em frente, o que eu faria da minha vida. Estava totalmente perdida, o que antes parecia certo, se tornara a pior decisão da minha vida.
Nesse momento percebi que tudo estava muito silencioso e notei que todos ainda conversavam, mas eu não podia ouvir... De repente senti algo em minhas mãos que descansavam sobre meu colo e ao olhar vi os cinco vidrinhos cheios de comprimidos, todos tinham meu nome.
― Bella? ― ouvi a voz ao longe ― Bella?
Encarei cada vidrinho e como se fosse algo automático comecei a tirar os comprimidos de dentro deles, segurando um punhado deles na mão, sentindo o cheiro forte dos remédios...
― Isabella! ― Alice gritou e pisquei os olhos, olhando-a e em seguida fitando minhas mãos sem nada.
― Oi ― murmurei percebendo que já tinha escurecido e o céu estava repleto de estrelas, então me perguntei quanto tempo fiquei ali.
― Bella, está tudo bem?
― Desculpe, eu... es-estou... estou um pouco cansada ― falei com dificuldade de formular uma frase.
― Vem, se apoia em mim ― ela segurou meu braço, passando ao redor de seu pescoço, me dando um apoio, já que meu corpo falhou quando tentei andar. ― O que aconteceu? ― perguntou enquanto nos aproximávamos do carro.
― Eu não sei ― sussurrei. ― Não sei o que está acontecendo comigo.
~*~
Já passava das duas da manhã e eu ainda estava ali segurando o CD que continha a filmagem do meu casamento. Suspirei, sabendo que um dia eu teria que assistir, sempre arranjava uma desculpa para não ver, mas agora eu não tinha outra saída. Então coloquei no aparelho e apertei o play, abaixando o volume para não acordar Alice, no quarto ao lado. Avancei até a parte que mais importava no momento e fitei a imagem de Emmett na televisão.
― É complicado falar desses dois, pois Isabella não tem defeitos e Edward... bem, ele não tem qualidades ― ele começou o discurso e todos os convidados riram. ― Acho que é por isso que deu tão certo, os opostos se atraem, não é mesmo? Desculpem, sei que prometi que não faria brincadeiras ― vi ele de terno, falando ao microfone enquanto sorria. ― Enfim, agora falando sério, Edward tem sim suas qualidades e uma delas é o fato de sempre estar ali, quando precisamos dele. Já Isabella é um exemplo de força e persistência, te admiro muito por isso. Mas o que realmente quero dizer é que...
Pausei o DVD, sentindo meu coração disparado, atormentado. Não precisava continuar assistindo para saber quais seriam as próximas palavras de Emmett:
“Eu desejo a vocês não só felicidade, mas também tempo... tempo para viverem esse amor e aproveitarem cada segundo juntos.” ― murmurei para mim mesma, repetindo o que ele tinha dito no sonho, do qual eu acordara há pouco tempo, ou melhor, da lembrança.
E agora começava a perceber que tudo aquilo não era tão surreal como eu imaginava. Eu poderia ter me casado com ele, confiado nele... por que não?
De repente aquilo que pensei que fosse impossível, aquilo que tanto quis acreditar que não fosse real... meu casamento..., nesse momento se tornou algo possível. Saber que talvez eu possa ter me entregado completamente a Edward já não era algo tão aterrorizante, ao contrário, agora queria saber os motivos que me levaram a isso, os motivos que fizeram com que eu me apaixonasse por ele e acredito que eu já conheça alguns.
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