Notas iniciais
Nossa gente, quanta polêmica com essa notícia de que Kristen traiu o Robert (a qual é MENTIRA!), mas vamos deixar isso de lado e voltar a história ;D
Espero que gostem do capítulo, pois segredos serão revelados...

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Bella's POV

Abri os olhos, mas ainda estava escuro, olhei no relógio e surpreendi-me ao ver que ainda eram três horas da manhã. Algo não me deixava dormir e sabia muito bem o que era... levantei-me e peguei meu notebook, ligando-o e acendendo o abajur ao lado da minha cama. Sentei-me, colocando o computador apoiado em um travesseiro e abri a página do Google e logo depois pesquisando palavras que já havia ouvido muito... então comecei a ler:

"Relação sexual se refere a uma ampla variedade de comportamentos entre indivíduos voltados para a obtenção de prazer erótico independente de haver penetração, orgasmo e fins reprodutivos. Para isso é feita a estimulação de uma ou mais zonas erógenas, como seios..."

"O orgasmo é a conclusão do ciclo de resposta sexual que corresponde ao momento de maior prazer sexual. Pode ser experimentado por ambos os sexos, dura apenas poucos segundos..."

Fechei o notebook, empurrando-o e voltando a deitar, lembrando daquele monstro, sentindo náuseas... aquilo era tudo, menos prazeroso.


~*~


Acordei, abrindo os olhos lentamente, olhando a janela e vendo os raios de sol, que iluminavam levemente meu quarto e sinceramente apesar da noite mal dormida eu estava muito bem.

– Bom dia! — ouvi a voz de Alice e ao levantar vi ela ali, organizando tudo em meu quarto.

– O que está fazendo? — perguntei rindo, enquanto via ela mudar a poltrona de lugar.

– Estou organizando o ambiente, para ficar mais espaçoso, assim fica melhor quando você for se arrumar mais tarde. — explicou. — Porque é hoje!!

Ela tinha razão... então afastei todos os pensamentos ruins e me concentrei apenas nisso:

– É hoje! — exclamei e minutos depois estávamos pulando na cama como duas crianças que tinham certeza que ganhariam brinquedos novos.

– Esperai. — ela falou, indo até uma sacola deixada sobre o sofá e pegando uma pequena caixa. — Ontem chegou os noivinhos que tinha encomendado, para colocar em cima do bolo. — informou, sentando-se na cama ao meu lado. — Tinha esquecido de falar para você, então espero que goste. — falou, entregando-me a caixinha. — Quando vi isso, achei muito parecido com você e o Edward. — ela sorriu.

Abri a caixinha e encarei a linda peça, vendo o pequeno bonequinho que segurava a noiva no colo.

– É lindo. — afirmei. — Isso é porcelana?

– É porcelana importada, a cara da riqueza. — falou e acabei rindo. — Sabe, não gosto muito daqueles feitos de biscuit, esses são bem mais bonitos.

– Tenho que concordar. — falei, analisando os bonequinhos em porcelana.

– Então vamos que hoje o dia promete! — ela falou e sorri.

Depois disso, tomei meu café da manhã e Alice me levou, ou melhor, arrastou para o salão de beleza e ali passamos um bom tempo, entre hidratação no cabelo, unhas, sobrancelhas... Acho que agradeci mentalmente quando tudo acabou e fomos para casa almoçar.

– E então? — Carlisle perguntou, enquanto nos sentávamos na sala.

– Quinze para a uma da tarde. — Alice falou. — Estamos dentro do horário.

– Algum imprevisto?

– Até agora nenhum. — Alice falou aliviada. — Tudo está exatamente como devia estar.

Então algo me veio a cabeça de repente, talvez tão obvio que se tornava fácil de ser esquecido.

– E as alianças?! — indaguei, sentindo meu coração gelar.

– Já estão com Edward. — Alice disse e senti um alívio, vendo ela entranhar minha pergunta. — Você não foi com ele escolher?

– Não.

– Então ele quer que seja surpresa. — afirmou sorrindo.

– E o buquê? — Carlisle perguntou.

– A decoradora deixará buquê na igreja, então assim que você sair do carro, as portas ainda vão estar fechadas eu te entrego. — Alice me informou.

– Então está tudo organizado. — meu tio falou.

– Perfeitamente organizado. — a baixinha sorriu. — Bom, vamos, temos que separar tudo que vamos usar pois já esta quase na hora de começar a se arrumar.

– Vamos. — afirmei, levantando e seguindo-a até o segundo andar.

Alice abriu sua maleta rosa, tirando tudo que usaria, enquanto eu organizava tudo sobre a mesa ali no meu quarto. Então sem querer voltei a pensar em minha lua de mel, em como contaria tudo a Edward, em como ele reagiria e se eu contasse para ele durante a viagem e ele quisesse voltar, quisesse cancelar tudo... talvez eu estivesse exagerando ou apenas sendo realista. É difícil dizer como ele reagiria, pois mal conhecia Edward, não sabia qual eram seus costumes, não sabia o que ele mais gostava ou o que menos gostava... a única coisa que sabia de seu passado é que ele perdeu a irmã em um acidente e que depois disso se isolou, tornando-se um cara que ficava com todas as garotas que apareciam... tenho certeza que isso deu muita experiência para ele. O que eu faria? Senti-me em uma rua sem saída, não tinha para onde correr, onde me esconder...

– Isabella!! — Alice gritou e assustei-me. — Desculpe, é que já é a quinta vez que a chamo.

– Desculpe. — falei.

– Está muito pensativa. Aconteceu alguma coisa?

– Não... é só o nervosismo. — respondi, sentando-me na cama.

– Vai dar tudo certo e logo vocês estarão em sua viagem apaixonante. — falou tentando me acalmar, mas não funcionou muito, na verdade me deixou mais angustiada. — Olha, até o sol apareceu para iluminar esse casamento. — ela disse e sorri.

– É, tem razão. — afirmei, olhando para a janela e vendo os fracos raios de sol.

– Vai ser tudo perfeito. — ela falou, empurrando-me de leve. — Ânimo Isa! Nem parece que vai se casar.

– Ok. — falei rindo.

– Então vamos que a hora voa. — exclamou, olhando em seu relógio de pulso. — Já são quase duas horas.

Alice tomou banho, já que precisava ficar pronta primeiro, pois ela ia para a igreja antes de mim e logo depois entrei no banheiro, tomando um banho até que demorado e tomando cuidado para não molhar meu cabelo já escovado. Saí do banho, vestindo uma calça de moletom com uma blusa e escovei os dentes, saindo do banheiro, vendo Alice passando a base no rosto. Ela não demorou em sua maquiagem, fazendo algo leve e prendendo os cabelos curtos para depois arrumar e então começou a maquiar meu rosto, não demorando muito, deixando os detalhes como batom e rímel para depois e começou a pentear meus cabelos que estavam quase na altura de meus ombros. Enquanto ela fazia o penteado voltei a pensar em Edward e perguntei-me se eu poderia dizer "sim" a ele, mesmo estando mentindo sobre mim mesma. Então ouvi alguém bater na porta.

– Pode entrar. — Alice falou alto.

– Oi. — Carlisle abriu a porta. — Desculpe, incomodá-las, mas tem duas pessoas que querem muito te ver Isabella. — ouvi e ao me virar vi a mulher ruiva e a garota da minha idade de cabelos castanhos sorrirem.

– Victoria! — falei, levantando-me e indo abraçá-la.

– Ah meu Deus! Quanto tempo! — ela exclamou e não sei porque senti um alívio ao abraçá-la, como se agora nada mais daria errado. — Você está linda!

Assim que me afastei de Victoria olhei Lúcia que começou a pular e não sei porque nós duas gritamos, logo depois nos abraçamos.

– Você está maravilhosa. — afirmei, vendo seus longos cabelos castanhos.

– Eu? Você que está magnífica!

– E vai se casar! — Victoria falou sorrindo. — Não acreditei quando recebi o convite.

– Pois é... nem eu estou acreditando em tudo que está acontecendo. — confessei e lembrei-me da baixinha que assistia a tudo. — Ah, essa é Alice, prima do meu noivo. — apresentei. — Essas são Victoria e Lúcia.

– Prazer em conhecê-las. — Alice falou sorrindo, cumprimentando-as. — Bom, vou deixá-las conversando. — ela disse e saiu do quarto.

– Meu Deus! É você mesmo? — Victoria perguntou, suas mão segurando as minhas e sorri.

– Sou. — sorri, enquanto ela me abraçava novamente.

– Então, conta o que aconteceu nesses últimos anos. — Lúcia pediu e sentamos na cama.

Resumi tudo que aconteceu, contando da separação da minha tia e que agora vivia com Carlisle, mas é claro que deixei de lado o detalhe de minha doença, se é que isso podia ser chamado de detalhe.

– Mas por que decidiu se casar tão cedo? — Victoria perguntou.

– Acho que achei minha alma gêmea. — respondi sorrindo.

– Ele é bonito? — Lúcia perguntou e ao olhá-la pender a cabeça para o lado assim como fazia quando era criança, percebi como era engraçado o fato de ter se passado anos mas parecia que havíamos nos vistos todos os dias e mantido a amizade.

– Ele é lindo. — respondi. — E perfeito.

– Ele tem irmão? — perguntou e ri.

– Não, apenas um primo.

– Solteiro? — indagou e assenti. — Bem, que você podia me apresentar, né?

– Lúcia! — Victoria a repreendeu.

– Qual é? Estou encalhada e acho que vou ficar para titia! — ela falou e acabei rindo.

– Pare de reclamar e vai arrumar o seu cílios. — Victoria falou e ela fez uma cara assustada levando a mão aos olhos.

– Posso usar o espelho do seu banheiro?

– Claro. — respondi para a garota que saiu rapidamente.

– Cílios falso. — a mulher ruiva respondeu, mas percebi que aquilo foi uma desculpa para Lúcia nos deixar a sós. — Então... você está bem? — perguntou, sua mão arrumando uma macha do meu cabelo e sua voz doce e calma me fez querer que ela fosse minha mãe.

– Muito bem, ainda mais agora que você está aqui. — falei, segurando sua mão... eu devia tudo a Victoria, se estava ali viva era por causa dela.

– Minha florzinha está se casando. — exclamou. — Ele deve ser muito especial.

– Ele é. — sorri.

– Você sofreu tanto... merece alguém que realmente a ame, que entenda seus traumas e que a faça muito feliz. — falou e abaixei o olhar, percebendo que ela achava que eu havia contado tudo a Edward e então Lúcia voltou ao quarto.

– Pronto. — falou.

– Desculpe interromper. — Alice abriu a porta. — Isabella, precisa terminar de se arrumar. — ela me avisou.

– Olha, a gente atrasando a noiva. — Victoria se levantou. — Nos vemos na igreja. — falou sorrindo.

– Quero ver você entrando triunfante, hein! — Lúcia sorriu. — Até mais.

– Até. — falei, vendo-as sair de meu quarto.

– Podemos continuar? — a baixinha perguntou e estranhei o fato dela parecer um pouco irritada.

– Podemos. — afirmei e ela voltou a pentear meu cabelo. — Algum problema, Alice?

– Nenhum, por que estaria com algum problema? — indagou. — Só que nervosa pois agora estamos atrasadas. Olha já são quinze para as cinco da tarde!

A cerimônia tinha sido marcada a seis da tarde e respirei lentamente tentando acalmar a sensação de medo e ansiedade que invadiu meu corpo, pois lembrei-me de minha lua de mel.

Lembrei das palavras de Victoria... ela achava que eu tinha falado com Edward... acho que o certo a se fazer era isso, contar tudo a ele, mais como?

Então, não sei porque comecei a montar cenas em minha cabeça... nelas eu contava a ele sobre meu passado e imaginava o que ele poderia dizer:

"- Por que não me contou isso?!"

"- Você me escondeu que tinha câncer e agora isso!"

"- Você não é nada do que me fez acreditar, mentirosa!"

E a pior de todas: "- Não quero ouvir mais nada. Saia daqui... vá embora."

Senti minha garganta se fechar e tive dificuldade em respirar, só de imaginar ele falando isso... podia mentalizar sua voz falando essas frases e me isso fazia meu corpo tremer levemente de medo. Não podia ficar sem Edward, não podia magoá-lo, não podia continuar mentindo para ele...

– Alice. — falei, vendo-a terminar a trança em meus cabelos.

– Sim?

– Eu preciso falar com Edward.

– O que? Como assim?

– Eu preciso muito falar com Edward agora.

– Mas o que você precisa falar com ele agora?

– É algo muito importante.

– Não pode ser pelo telefone? — indagou.

– Não. — afirmei.

– É algo que pode cancelar o casamento? — perguntou com uma expressão de medo.

– Talvez. — falei.

– Você ainda vai me matar Isabella! — ela afirmou, pegando sua bolsa. — Vista uma roupa, estou te esperando no carro.

Peguei minha roupa favorita, quem sabe ela me dê uma pouco de sorte, então vesti a calça marrom e minha blusa bege, tomando cuidado com o penteado e sai de meu quarto. Desci as escadas rapidamente e sem querer esbarrei em Carlisle, que me encarou sem entender minha pressa.

– O que aconteceu? — perguntou.

– Você tem razão, preciso contar tudo a Edward e é isso que vou fazer. — falei, saindo.

– Mas Isabella... — ele me chamou, mas não ouvi já saindo do apartamento e entrando no elevador.

Sai do prédio, encontrando Alice com o carro ligado.



Edward's POV

Acordei e peguei meu celular, sorrindo como bobo ao ver na tela a foto de Isabella patinando. Ela era perfeita, tinha que admitir... eu amava tudo nela, principalmente seu sorriso e seria capaz de fazer qualquer coisa para vê-lo em seus lábios. Levantei-me e fui para o banheiro, tomando um banho demorado, enquanto pensava em como seria minha vida com Isabella, então me lembrei de como ela estava distante nesses dias que se passaram e tentava acreditar que era só o nervosismo por causa do casamento, mas sabia que não era só isso.

Optei por uma roupa mais confortável e assim que me vesti saí de meu quarto, encontrando minha mãe tomando café.

– Bom dia. — falei.

– Bom dia. — ela sorriu. — Como está a ansiedade?

– Acho que está suportável. — respondi rindo, enquanto colocava um pouco de café e leite em uma xícara.

– Alice está no controle, então será tudo perfeito. — afirmou. — E tenho certeza de que Isabella vai adorar as alianças. — falou, já que tinha dito na noite passada que estava com medo dela não gostar.

– Será?

– São perfeitas, Edward. — ela falou e sorri.

...



As horas pareciam querer me torturar ao se passarem lentamente, enquanto eu sentado na cama admirava as duas alianças dentro da caixinha de veludo. Tinhas tantas dúvidas e a maior de todas era aquela sobre o que se passava na mente de Isabella, do que ela tinha tanto medo.... aquele medo que via em seus olhos. Não conseguia entender o porque dela se afastar de uma hora para outra.

Agora encarando aquele par de alianças tive medo dela desistir de tudo, Bella era tão imprevisível, mas essa era uma das milhares de que eu gostava nela.

– Bom dia, priminho. — ouvi a voz do meu primo de repente.

– Boa tarde, Emmett. — respondi, fechando a caixinha das alianças, vendo-o entrar em meu quarto. — Já são quase duas horas.

– Mas eu acordei agora, então... bom dia. — falou, sentando-se na cadeira de minha escrivaninha. — Você viu? Até o sol apareceu para se certificar de que Edward Cullen Masen irá mesmo se casar. — ele disse rindo, apontando para a janela.

– Muito engraçado. — afirmei sarcástico. — E a festinha com a Tanya? — perguntei.

– Foi muuiito boa. — ele falou.

– Nem parece estar de ressaca. — falei.

– A gente não bebeu quase nada... na verdade fizemos outra coisa. — respondeu rindo e revirei os olhos, levantando-me e guardando a caixinha de veludo em meu guarda-roupa.

– O que é isso? — ouvi ele perguntar e ao me virar vi Emmett lendo os papeis que estavam sobre minha escrivaninha. — Não acredito! Você realmente não tem HIV!

– Por acaso disse que podia ficar mexendo em meu quarto? — indaguei indo até ele e pegando meus exames, guardando-os em uma gaveta.

– Não acredito que você fez todos esses exames! — Emmett exclamou. — Sempre falou que estava limpo, então por que fez isso? Ficou na dúvida? — perguntou rindo.

– Fiz apenas porque você fica enchendo minha cabeça. — respondi.

– Pelo menos agora sabemos que você realmente não tem sífilis, HIV, nem hepatite B... agora o resto eu não sei, já que não me deixou terminar de ler.

– Eu sempre soube que não tinha nenhuma dessas doenças. — afirmei.

– Então por que fez os exames?

– Fiz por causa de Isabella, ok?

– Ok. — falou. — Também não precisa ficar irritadinho.

Ele tinha razão, estava irritado e a cada minuto que se passava eu ficava mais ansioso, queria poder ver Bella sorrindo para mim ao entrar na igreja vestida de branco... A única coisa que importa agora é que ela seria minha, apenas minha. Talvez eu estivesse sendo egoísta, mas era isso que eu queria, o que eu mais desejava, que ela fosse minha e que pudesse fazê-la sorrir todos os dias. Era difícil acreditar como de repente Isabella mudou minha vida, ela me fez ver um mundo diferente, o qual eu tinha optado em ignorar, mas agora eu posso ver, ou melhor, sentir... sentir aquela sensação estranha que mistura medo e alegria, dor e prazer... aquele sentimento estranho ao qual damos o nome de "Amor". Eu realmente havia desistido de acreditar em algo tão bom?

Então me lembrei do porque havia desistido de acreditar nas coisas boas da vida. Minha irmã... ela era tudo para mim, mas Isabella estava certa:


Flashback ON

"- Você tem que parar de se culpar. — ela falou baixo. — Tinha só oito anos.

– Quem disse que eu me culpo? — perguntei.

– Sabe, não precisa esquecer o que aconteceu, precisa apenas superar e seguir em frente, guardando os bons momentos que passou com ela.

– Você foi a única pessoa que falou que eu não preciso esquecer.

– As pessoas falam que precisamos esquecer aquilo que nos atormenta, mas esquecer é pior. Pois de uma hora para outra você pode se lembrar e a dor será maior. — explicou, sem olhar em meus olhos.

– Tem razão. — concordei.

– Sempre tenho. — ela brinquei e acabei rindo."

Flashback OFF


Mas se eu tivesse tomado um pouco mais de cuidado... talvez Jane estivesse aqui agora. Todo mundo erra, a diferença é que meu erro custou uma vida.

Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos, não era hora, nem dia para isso.

– Hoje é um dia especial e nada pode dar errado. — sussurrei para mim mesmo, enquanto terminava de arrumar a gravata em meu pescoço.

– Posso entrar? — ouvi a voz da minha mãe atrás da porta.

– Claro. — falei e ela entrar.

– Ah, meu Deus! Meu filho vai se casar. — exclamou e acabei rindo. — E essa gravata está errada. — afirmou, começando a arrumar a gravata em meu pescoço.

– Pronto? — perguntei, impaciente.

– Agora sim, está perfeito. — respondeu. — Bom, tenho que terminar de me arrumar.

– Ok. — falei, sentindo sua mão acariciar meu rosto.

– Seu pai ficaria feliz de vê-lo assim... pronto para casar. — afirmou.

– É, eu sei. — concordei, vendo-a sair de meu quarto.

Desci as escadas, encontrando Emmett conversando com nosso tios Josef e Carmen.

– Olha o noivo! — meu tio falou. — Cadê a algema Emmett?

– Aqui. — meu primo realmente tirou uma algema do bolso. — Não adianta fugir, hoje você casa.

– Muito engraçado. — falei.

– Não dê ouvidos a eles. — minha tia falou rindo.

Conversei um pouco com eles, mas assim que consegui sair fui até o escritório, encostando a porta. Acho que precisava ficar sozinho um pouco... Caminhei até a mesinha onde tinha algumas bebidas, colocando um pouco de uísque em um copo, talvez fosse isso que precisa. Tomei um pouco da bebida, colocando o copo sobre a mesa e pegando no bolso a caixinha de veludo, abrindo-a e encarando o par de alianças douradas, onde uma delas tinha um coração pequenino feito de pequenos diamantes. Com certeza ela gostaria, mas estava tentando fugir do assunto para não pensar nele... Isabella me escondia algo, mas sei que talvez isso não importava agora, porém tinha medo disso acabar atrapalhando esse dia tão especial. Então ouvi a porta se abrir e não sei porque de repente, apenas por ouvir seus leves passos, já sabia quem era.

– Não sei bem o porquê, mas algo me dizia que você apareceria aqui. — falei.

– Precisamos conversar. — ouvi sua doce voz e ao me virar percebi que ela estava nervosa.

– Concordo. — falei. — Sente-se. — pedi e puxei uma cadeira para sentar de frente para ela.

Isabella estava linda como sempre, era impossível descrever sua beleza, seu jeito meigo...

– Não sei como começar. — confessou.

– O que acha de começar me contando por que tem tanto medo de se aproximar? — ajudei-a.

– Eu... — parecia confusa. — ... Sabe, eu tive a pior infância que uma criança pode ter.

– Por que diz isso? — perguntei e vi ela desviar os olhos dos meus.

– Edward, ele me obrigou a fazer tantas coisas... que tenho medo da sua reação ao saber de tudo. — ela revelou e não entendi suas palavras.

– Quem, obrigou o que?

Vi ela fechar os olhos e congelei, não acreditando nas palavras que ouvi.



Bella's POV

Chegamos a casa de Edward e sentia meu coração disparado no peito, não sei como, nem onde conseguiria coragem de contar tudo mas tinha que achar uma solução, pois já estava ali e tinha que continuar até o fim. Entramos e vi os tios de Edward e Emmett me encararem surpresos, todos já estavam vestidos elegantemente para um casamento que talvez não fosse acontecer.

– O que aconteceu? — Esme entrou na sala, assim que apareci na porta. — O que estão fazendo aqui?

– Eu vim salvar um casamento, ela veio falar com o Edward. — Alice respondeu.

– Esme, onde ele está? — perguntei. — Preciso muito falar com ele.

– Edward está no escritório, querida. — respondeu.

– Obrigada. — falei e segui para o corredor que levava ao escritório.

Parei em frente a porta fechada e por um minuto cogitei sair correndo, sem olhar para trás, mas por um impulso abri o escritório, vendo Edward de costas, entrei devagar, encostando a porta atrás de mim e levei um susto ao ouvir sua voz:

– Não sei bem o porquê, mas algo me dizia que você apareceria aqui.

– Precisamos conversar. — pedi, vendo ele se virar e encarando aquele par de esmeraldas que eram seus olhos.

– Concordo. — ele falou baixo e reparei como Edward estava lindo, vestindo um lindo fraque preto. — Sente-se. — pediu e sentei-me no pequeno sofá de dois lugares que havia ali, já ele puxou uma cadeira, sentando-se de frente para mim.

– Não sei como começar. — confessei.

– O que acha de começar me contando por que tem tanto medo de se aproximar? — ele propos.

– Eu... — tentei começar, mas não sabia como falar. — ... Sabe, eu tive a pior infância que uma criança pode ter.

– Por que diz isso? — indagou e desviei meus olhos dos seus, encarando o chão.

– Edward, ele me obrigou a fazer tantas coisas... que tenho medo da sua reação ao saber tudo.

– Quem, obrigou o que?

Senti a dor em meu peito e o medo não me deixou respirar direito... fechei os olhos e tomando força revelei a ele aquilo que nunca contei a ninguém.

– Eu fui... violentada em minha infância. — minha voz soou fraca e abri os olhos, encarando o chão. — E digo isso, empregando o pior significado que esse palavra possa ter.

– O que... como assim Isabella?

– É isso, Edward. Eu fui estuprada... pelo.... — revelei e minha voz falhou, meus olhos não suportando as lágrimas, então cobri meu rosto com as mãos, escondendo-me.

– Por quem? — ele incentivou.

– ...pelo meu pai... meu pai adotivo. — murmurei ainda escondendo meu rosto em minhas mãos, pois não tinha coragem de olhá-lo.

Um silêncio se formou e tive tanto medo... ouvindo em minha mente tudo que ele poderia falar agora.

"Pode cancelar o casamento..."

"Saia daqui!"

"Isabella, vá embora"

"Não quero mais ouvir uma palavra."

"Você não podia ter me escondido isso!"

– Diga alguma coisa! — exclamei, tomando coragem e encarando seus olhos de um verde escuro.

– O que eu posso dizer? — perguntou. — Estou sem palavras, Isabella.

– Você ainda me ama? — a pergunta saiu por meus lábios e as lágrimas caíram, manchando minha maquiagem.

– Claro que eu te amo, meu anjo. — afirmou, então vi ele se levar e se sentar ao meu lado, puxando-me para seus braços.

– Mas eu não sou mais virgem, não sou inocente, muito menos pura... não tenho nem o direito de entrar de branco em uma igreja. — murmurei, encostando minha cabeça em seu ombro e sentindo suas mãos acariciarem meus braços.

– Não, você tem muito mais que isso... Isabella você é virgem, inocente, pura, ingênua... e vejo isso em seus olhos, em seus gestos, em sua voz, em seu jeito meigo. Vejo isso bem aqui... — falou e ao me afastar ele apontou para meu coração.

Fitei seus olhos, ainda não acreditando em suas palavras.

– Diz isso porque não sabe tudo que ele me forçou a fazer, se soubesse teria nojo de mim... eu tenho. — falei baixo, virando o rosto para não olhá-lo.

– Ao contrário, isso só faz eu te admirar ainda mais, nunca teria nojo de você. — senti seus dedos em meu queixo, virando meu rosto para olhar em seus olhos. — Tenho orgulho de você. Orgulho por ter passado por tudo isso e estar aqui, firme e forte. — afirmou e fechei os olhos, deixando as lágrimas caírem. — Isabella, você é minha vida...

Então senti seus lábios tocarem os meus tão delicadamente que nem pareciam reais. Sua boca tocou a minha tão suavemente que mais parecia um sonho, um lindo sonho... e assim que ele se afastou seus dedos limparam as lágrimas que ainda caíam pelo meu rosto.

– É por isso. — sussurrou. — Por isso estava tão aflita com nossa lua de mel. — não foi uma pergunta, então apenas olhei em seus olhos, encontrando conforto ali. — Isabella, você sabe que eu nunca te forçaria a nada, certo? Sabe que nunca te forçaria a fazer nada que não queira.

Não falei nada, apenas envolvi seu pescoço com meus braços, abraçando-o fortemente, fechando os olhos ao sentir suas mãos em minhas costas e sua leve respiração em minha pele. Então me afastei e encostei minha testa na sua, mantendo minhas mãos em seu pescoço, ambos de olhos fechados.

– Você é meu anjo. — murmurei.

– O que? — indagou.

– Me chama de anjo, mas o anjo aqui é você. — afirmei, um sorriso se formando um meus lábios. — Meu anjo da guarda. — falei, sentindo ele depositar um beijo em minha testa.

– É... um anjo da guarda que talvez não vai conseguir fazer todos os convidados esperarem a noiva. — falou rindo e olhei no relógio.

– Ah meu Deus! — exclamei. — Não vai dar tempo.

– Claro que vai. — ele sorriu. — Você ainda tem meia hora.

– Então, o casamento vai mesmo acontecer?

– É claro! A menos se quiser cancelar.

– Não, de jeito nenhum! — exclamei e vi ele sorrir.

– Não vejo a hora de poder chamá-la de minha esposa. — confessou e sorri, limpando uma lágrima que insistiu em cair.

– Então preciso ir. — falei, já me levantando e caminhando até a porta.

– Bella? — ele me chamou e virei-me para olhá-lo.

– Isabella. — corrigi e vi aquele sorriso torto, que eu tanto gostava, em seus lábios. — O que foi? — perguntei.

– Nada, só queria ouvir você me corrigindo. Adoro sua teimosia e persistência. — ele falou e ri, saindo do escritório.

Caminhei pelo corredor e ao entrar na cozinha agradeci mentalmente por só Alice e Esme estarem ali.

– E então? — Alice perguntou.

– Eu tenho meia hora para me arrumar. — informei e vi ela sorrir, mas antes que a baixinha pudesse dizer algo seu celular tocou.

– Pronto. — ela atendeu. — O que?! Não, não, não. Estou indo ai. — falou, logo depois desligando.

– O que aconteceu? — Esme perguntou.

– Problemas. Preciso ir até o salão de festa, mas preciso terminar a maquiagem e cabelo da Isa.

– Eu posso fazer isso. — falei.

– Não, eu a ajudo, você se arruma e vai até o salão. — Esme falou. — Tudo bem?

– Claro. — respondi.

– Então vamos que ainda temos muita coisa para fazer! — Alice exclamou.

Notas finais
Bom, no máximo até sábado eu posto a segunda parte do capítulo, ok?
Espero que tenham gostado e por favor não esqueçam de deixar um review!
Beijoss