Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
25 Isso Não É Verdade!
Notas iniciais
Edward's POV
Desliguei o motor e sai de meu carro, carregando minha mochila. Havia bastantes alunos ali, no estacionamento, mas a pessoa que eu queria ver não estava ali e sim no hospital em uma sessão de quimioterapia. Queria ter ido junto, mas Isabella não deixou... disse que eu estava faltando muito no colégio.
— E aí? — Jacob me cumprimento quando nos encontramos perto da porta de entrada.
Jacob e eu não éramos amigos como antes, mas conversávamos às vezes.
— Oi. — Respondi sem muito ânimo.
— Pensei que algo tivesse acontecido, você sumiu! — Ele falou indignado. — Sabe, as vezes é bom visitar o colégio. — Comentou e acabei rindo.
— Eu sei. — Respondi. — É que estive meio ocupado.
Ouvimos o sinal tocar.
— É claro, muito ocupado. — Falou irônico, já caminhando para sua sala e ri.
Continuei andando pelo corredor e encontrei Alice, ou melhor, ela me encontrou.
— E então, já teve alguma noticia dela? — Ela perguntou com uma expressão preocupada.
— Alice, acho que nem acabou a sessão ainda. — Falei e ela revirou os olhos.
— Por que as coisas tem que ser tão demoradas? Que saco! — Disse irritada.
— Tenho que ir para aula. — Falei.
— Ok, até depois.
— Até. — Despedi-me e caminhei para a sala de biologia.
Logo depois que sentei-me em meu lugar o professor entrou na sala.
— Bom dia, turma. — Ele falou abrindo o livro. — E então, hoje vamos tentar terminar esse conteúdo da anatomia humana.
— Ah! Que pena. — Uma voz masculina soou e tenho certeza ser do Rafael.
— É, é uma pena. — Professor falou irônico. — O livro traz algumas curiosidades sobre doenças, o que acho um pouco desnecessário, mas mesmo assim vou passar isso a vocês. Por favor abram na página 120 do livro. — Pediu. — Vamos começar pelo câncer, o que vocês já estudaram alguns anos atrás, mas vamos relembrar. — Ele falou começando a escrever no quadro. — O câncer é uma doença caracterizada por uma população de células que cresce e se divide sem respeitar os limites normais, invade e destrói tecidos adjacentes, e pode se espalhar para lugares distantes no corpo, através de um processo chamado metástase. Vamos ver os tipos de câncer mais fatais que atacam os principais órgãos vitais, como: os pulmões, o coração e o cérebro. — Ele olhou o livro a sua frente e então voltou a falar. — Ok, câncer de pulmão é a expansão e transformação maligna do tecido pulmonar. É o tipo mais letal de câncer no mundo todo, responsável por 1,2 milhões de mortes anualmente. É causado principalmente pelo hábito de fumar cigarro, entretanto algumas pessoas que nunca fumaram sofrem de câncer de pulmão...
E então parei de prestar atenção, olhando para a folha em branco de meu caderno. E agora... como vai ser?
Eu aceitei assumir o lugar de meu pai na empresa e a partir de agora todos sábados e domingos iria a sede da BMW em Seattle para começar a aprender como tudo funciona. Mas e Isabella? Ontem ela disse que só poderíamos nos ver no final de semana, pois assim não me prejudicará no colégio. É claro que não concordei, falaria com ela hoje.
Então ouvi o professor falar algo que me chamou a atenção.
— Os tumores cranianos primários frequentemente localizam-se na fossa craniana posterior em crianças e nos dois-terços anteriores dos hemisférios cerebrais em adultos, embora eles possam afetar qualquer parte do cérebro. Sua incidência foi estimada em cerca de 1,4% de todos os cânceres e 2,4% de todas as mortes causadas por câncer. — Ele falou e voltei a prestar atenção em cada palavra. — Vamos ver um pouco sobre o glioblastoma multiforme, que é um tipo de tumor cerebral mais comum e mais agressivo em seres humanos, sendo mais frequente em adultos entre os 35 e os 70 anos de idade. Esse tipo de tumor surge no próprio cérebro, mais especificamente dos astrócitos, que são células responsáveis por algumas funções desta área nobre do ser humano. Quando um tumor tem sua origem definida pelos astrócitos, diz-se que é um astrocitoma. Um glioblastoma é um tipo de astrocitoma e seu grau de malignidade é o mais avançado, grau IV, ou seja, extremamente agressivo. Até o presente não existe cura para este tipo de tumor, porém terapias alternativas em conjunto com o tratamento padrão podem aumentar estatisticamente a sobrevida do paciente para além de um ano.
— Por que esse tumor é tão agressivo? — Uma menina perguntou.
— O grande problema deste tipo de tumor é o seu rápido crescimento, e mesmo após a cirurgia, um novo aumento é esperado. — O professor respondeu.
— Em geral, é por isso que é tão difícil conseguir a cura para o câncer, por causa da capacidade que as células cancerígenas têm de se multiplicar? — Alguém perguntou.
— Bom, alguns não tem cura pois a medicina ainda precisa de mais avanços tecnológicos, mas outros cânceres tem cura, o problema é que a pessoa não aguenta o tratamento por ser muito forte. — Ele falou e aquilo ficou ecoando em minha cabeça. — Olha, não sei se vocês sabem mas minha esposa tinha câncer, um astrocitoma anaplásico, ou seja, de grau III. É um câncer raro e tende a crescer novamente após a cirurgia, mas ela conseguiu se curar.
— Como foi o tratamento? — Ouvi a pergunta de alguém.
— Ela fez quimioterapia e radioterapia após cada cirurgia, que no total foram três. Não foi algo fácil, para falar a verdade acho que eles criaram a quimioterapia para matar a pessoa mais rápido. — Ele ironizou e alguns riram. — Estou falando sério, o tratamento só não é mais forte porque não dá.
Então o sinal tocou.
— Turma terminamos esse conteúdo na próxima aula. — Ele disse antes dos alunos começarem a sair da sala.
Vi todos saírem da sala enquanto guardava meus matérias. Levantei-me e não sei porque parei em frente a mesa do professor.
— Sim, Sr. Cullen? — Ele perguntou.
— Quanto tempo durou o tratamento de sua esposa? — A pergunta sai de minha boca sem eu nem mesmo conseguir pensar direito.
— Bom, foram uns dois anos. — Ele respondeu. — Por que o interesse? — Perguntou curioso.
Não sei como ou porque contei a ele, mas quando percebi já estava falando:
— Minha namorada tem um astrocitoma de baixo grau e passou pela primeira cirurgia na semana passada.
Percebi que meu professor ficou um pouco chocado.
— Quantos anos ela tem?
— Dezesseis. — Respondi.
— Nossa, tão nova... — Ele falou baixo. — Olha Edward, posso te chamar pelo primeiro nome?
— Claro. — Falei e ele assentiu.
— Não é fácil o tratamento. Quando recebi a notícia que minha esposa tinha câncer achei que podia encarar e ajudá-la a superar tudo isso, apoiá-la. Mas chegou uma hora em que ela estava me dando apoio para suporta vê-la naquele estado.
— Mas ela conseguiu se curar. — Afirmei.
— Sim, conseguiu, mas depois de muito sofrimento. Então se quer mesmo ficar ao lado de sua namorada tenha em mente que não é fácil.
— Eu sei. — Falei sem nenhum ânimo. — Tenho que ir, senão vou me atrasar para a próxima aula.
— Claro, até.
— Até. — Falei já saindo da sala e caminhando pelo grande corredor do colégio.
...
Os dias foram passando, ia ver Isabella praticamente todos os dias, menos nos final de semana quando eu ia para Seattle.
— Pessoal, por favor façam os exercícios de apoio da página 70. — O professor de matemática falou antes de o sinal tocar.
Sai da sala, seguindo para o refeitório, já eram meio-dia. Caminhei até onde Alice e Emmett estavam e sentei-me.
— Tenho prova de física segunda. — Emmett reclamava quando meu celular começou a tocar.
Vi o nome de Isabella no visor e atendi a ligação imediatamente, já preocupado.
— Oi.
— Oi. — Sua voz era fraca e rouca, parecia que estava chorando.
— O que aconteceu? — Falei me levantando.
— Edward... — Ouvi a voz de Alice, mas eu já estava caminhando para a saída do refeitório que tinha muita conversa e ficava difícil ouvir Isabella.
— Bella, o que aconteceu? Está chorando? — Perguntei já saindo para o estacionamento.
— Pode... vir me buscar? — Ela perguntou com a voz dificultada por causa do choro.
— Claro... estarei ai em cinco minutos. — Falei.
— Ok. — Ela falou e desligou.
Corri para meu carro, ligando-o rapidamente e dirigindo em direção a casa de Bella, perguntando-me o que havia acontecido. Em pouco tempo cheguei e vi ela recostada na porta com os olhos vermelhos. Sai do carro indo em sua direção, tinha medo dela cair enquanto andava, por estar fraca. Vi que ela mantinha os braços cruzados sobre o peito por causa do frio e automaticamente tirei meu casaco colocando-o ao seu redor.
— O que aconteceu? — Perguntei preocupado.
— Vamos sair daqui primeiro. — Ela pediu e ajudei-a a caminhar até o carro.
— Para onde? — Perguntei assim que sentei no banco do motorista, ligando o motor.
— Para qualquer lugar. — Bella pediu e quando a olhei vi lágrimas e mais lágrimas descendo por seu rosto delicado.
Percebi que ela tremia um pouco e respirava com dificuldade, suas mãos tentando em vão limpar as pequenas gotas que molhavam suas bochechas.
Bella's POV
Assim que chegamos em casa Carlisle me ajudou a subir as escadas até meu quarto onde pude deitar e descansar.
— Como está se sentindo? — Ele perguntou.
— Bem. — Respondi. — Só preciso descansar um pouco.
— Ok. — Ele falou já se dirigindo a porta. — Qualquer coisa me chame.
Apenas assenti e fechei os olhos sentindo tudo ao meu redor se mover. Parecia que estava no mar e a água me levava de um lado para o outro. Depois de um tempo, Carlisle apareceu com meu almoço, que não tinha nada de fritura.
...
Os dias foram passando e passei por novas sessões de quimioterapia, toda vez precisando de ajuda para andar, por causa da tontura. Mas isso não foi o único efeito colateral... as coisas começaram a piorar. Agora nada parava em meu estômago, já havia emagrecido quatro quilos em poucos dias e não tinha disposição para nada além de ficar deitada na cama. Eu já não tinha mais vida.
Como sempre estava em meu quarto assistindo TV, quando ouvi alguns gritos do primeiro andar, então abaixei o volume da TV. Parecia uma discussão, mas isso era impossível, Carlisle não era de discutir. Assustei-me quando ouvi uma porta bater e então ouve um silêncio assustador. Não houve mais nenhum barulho e eu voltei a assistir o filme de comédia.
Eram quase meio-dia quando Renée entrou em meu quarto segurando uma bandeja com meu almoço.
— Oi, querida. — Ela falou totalmente forçado.
— Oi. — Murmurei enquanto ela colocava a bandeja na mesinha de cabeceira.
— Como está se sentindo? — Ela falou acariciando meu rosto e tive repulsa de sua mão em mim.
É claro que ela não era obrigada a cuidar de mim, pois eu não era sua filha, mas mesmo assim, só queria que ela fosse sincera...
— Por que não gosta de mim? — As palavras saíram e me odiei por aquilo, não devia ter perguntado nada.
Renée riu com escárnio.
— Por que eu não gosto de você? — Ela repetiu a pergunta. — Sinceramente?
— Sinceramente. — Pedi.
— Porque era para você estar naquela porcaria de orfanato, da onde nunca deveria ter saído. — Ela falou e não entendi aquilo.
— O que? — Indaguei baixo.
— Minha irmã foi uma idiota por adotar uma criança, o pior ainda é que ela nem cuidou, deixou para mim cuidar, para acabar com meu casamento. — Ela falava e o ar faltava em meus pulmões. — Mas sabe o que é pior? — Perguntou em um tom de voz alto e não falei nada sem conseguir respirar. — O pior é que ela nem soube escolher, com tanta criança foi escolher a que era podre por dentro. — Falou se referindo a minha doença e senti meus olhos queimarem com as lágrimas.
Ela olhou para mim vendo as lágrimas em meus olhos e então bufou saindo do quarto e batendo a porta.
Eu fui adotada...? Orfanato?
Senti o cheiro da comida deixada ali na mesinha de cabeceira e corri para o banheiro, ajoelhando em frente ao vaso sanitário, sentindo náusea, meu corpo tentando colocar para fora o que não tinha, tentando vomitar aquilo que nem tinha comido. Senti as náuseas diminuirem um pouco e então me sentei no chão encostando na parede, sentindo o azulejo frio.
O desespero chegou, tirando-me do estado de choque, as lágrimas desciam pelo meu rosto... aquilo não era verdade. Não podia ser verdade. Então senti uma vontade imensa de sair dali...
Levantei-me rapidamente e peguei meu celular, ligando para a única pessoa que eu tinha agora.
— Oi. — Ouvi aquela voz que eu amava.
— Oi. — Falei.
— O que aconteceu? — Ele perguntou já percebendo que estava chorando. — Bella, o que aconteceu? Está chorando?
— Pode... vir me buscar? — Perguntei.
— Claro... estarei ai em cinco minutos. — Ouvi-o.
— Ok. — Falei já desligando.
Escovei os dentes, coloquei uma sapatilha... acho que Renée estava em seu quarto, então ela não percebeu quando desci as escadas e sai de casa, só agora percebendo como estava frio. Recostei-me na porta encolhendo os braços sobre meu peito, por causa do vento frio que me atingia. Olhei a rua a minha frente, enquanto lágrimas e mais lágrimas saiam de meus olhos.
Logo vi o Volvo preto estacionar ali em frente e de dentro dele sair um Edward preocupado, que veio em minha direção já tirando o casaco que vestia e me envolvendo com ele.
— O que aconteceu? — Ele perguntou preocupado.
— Vamos sair daqui primeiro. — Pedi, sentindo seu casaco me aquecendo.
Edward passou o braço pela minha cintura me dando apoio enquanto caminhávamos até o carro. Ali dentro estava quente e confortável, então acabei relaxando um pouco.
— Para onde? — Ele perguntou enquanto ligava o motor do Volvo.
— Para qualquer lugar. — Pedi.
Em pouco tempo percebi que ele estacionava o carro em frente a sua casa. Edward saiu e veio abrir a porta para mim.
— E sua mãe? — Perguntei, não queria ver ninguém agora.
— Ela está na empresa a essa hora. — Ele falou enquanto me ajudava a caminhar para dentro da casa.
Sentei-me no sofá que tinha na sala e Edward se juntou a mim, se sentando ao meu lado.
— E então, vai me contar o que aconteceu? — Perguntou acariciando minha bochecha.
Respirei lentamente tentando me acalmar e pensando se devia contar ou não... mas se não contasse para ele, para quem poderia contar. Aproximei-me dele apoiando a cabeça em seu peito e sentindo seus braços me envolverem de um jeito aconchegante.
— Eu não tenho ninguém. — Murmurei.
— Como assim, Bella? — Perguntou acariciando minhas costas.
— Eu não tenho família...
— Claro que tem. — Ele falou me interrompendo. — Você tem seus tios...
— Eu fui adotada. — Murmurei interrompendo-o.
— O que?! — Ele indagou surpreso.
— Renée falou que eu vivia em um orfanato... e que a irmã dela nem soube escolher, pois com tantas crianças ela foi escolher aquela que era... podre por dentro. — Falei chorando mais e mais, sentindo meu peito doer ao relembrar suas palavras.
— Não... — Ele parou pensando, como se não tivesse palavras. — ... isso não é verdade. — Falou me apertando mais em seus braços. — Você é perfeita, Bella.
Não sei por quanto tempo ficamos ali, Edward falando coisas doces e delicadas para mim, até que meu celular começou a tocar, era Carlisle perguntando onde eu estava e dando a notícia que Renée tinha ido viajar. Desliguei o celular e então Edward voltou da cozinha com um copo de água para mim.
— Aqui. — Ele falou me passando o copo.
— Obrigada. — Falei antes de tomar a água.
Ele acariciava minha mão de um jeito meigo e delicado.
— Posso pedir uma coisa? — Perguntei.
— Qualquer coisa. Até se você pedir a lua, eu dou um jeito de buscar para você. — Ele falou sorrindo e eu ri.
— Não é algo tão dificil assim. — Falei sorrindo. — Toca para mim. — Pedi e ele me encarou por alguns minutos, então assentiu.
— Vem. — Falou estendendo a mão.
Subi as escadas na frente dele, segurando fortemente no corrimão com medo de cair e então chegamos na sala onde ficava o elegante piano de calda. Edward se sentou no banco, abrindo a tampa que protegia as teclas.
— Vem cá. — Ele falou baixo, puxando-me para sentar ao meu lado.
Vi Edward levar os dedos sobre as teclas extremamente brancas do pianos e então o som das notas encheram a sala. A melodia era linda... e quando percebi estava com a cabeça encostada no ombro dele, com os olhos fechados, que só abri quando a doce música se transformou em outra e sorri com isso. Então a música se encerrou logo após o refrão.
— Obrigada. — Sussurrei sorrindo.
— Já falei que eu adoro te ver sorrir? — Ele falou baixo e se aproximou, me beijando.
Fechei os olhos sentindo seus lábios se moverem lentamente sobre os meus, levei minhas mãos a sua camisa, segurando levemente a gola, puxando-o para mim. Eu precisava dele mais do que tudo nesse mundo...
~*~
Quatro dias depois...
Acordei e desejei conseguir voltar a dormir, mas o sono havia ido embora, então levantei-me e caminhei devagar até o espelho que tinha em meu quarto, me olhando. Estava magra, extremamente pálida, com os lábios rachados e desidratados, minha boca doía por causa das várias feridas e aftas...
— Oi, querida. — Laura falou entrando em meu quarto.
Ela era uma enfermeira que Carlisle contratou para cuidar de mim, já que Renée viajou para casa de uma amiga e parece que ela não vai voltar tão cedo.
— Oi. — Falei.
— Seu café já está pronto. Quer ajuda para tomar banho? — Ela perguntou com um sorriso maternal no rosto.
Todos os dias ela pergunta se eu queria ajuda com o banho e todos os dias eu negava.
— Não, obrigada. — Respondi. — Pode trazer o café aqui? Estou cansada para descer as escadas.
— Claro. Vou lá buscar. — Ela falou saindo.
Peguei uma roupa e caminhei até o banheiro sentindo meu corpo doer, tomei um banho e apoiando-me na parede consegui vestir minhas roupas. Quando voltei ao meu quarto meu café estava lá, tudo o que eu não queria comer estava sobre a bandeja. Tinha vontade comer uma pizza, mas se essas comidas naturais e sem gordura já me faziam mal imagina uma pizza.
Lentamente consegui beber a xícara de chá e comer o pão integral com margarina, uma fruta e um potinho pequeno de gelatina. Então Laura apareceu e sorriu ao ver que hoje tinha conseguido comer tudo e levou a bandeja para a cozinha, mas assim que ela fechou a porta senti meu estômago se revirar e agradeci por conseguir chegar ao banheiro, me abaixando em frente do vaso sanitário e sentindo tudo, o que havia acabado de comer, voltar. Escovei novamente os dentes e voltei ao meu quarto com lágrimas nos olhos, pois eu realmente queria conseguir comer algo, eu sentia fome. Então o tempo entre o café e o almoço foi preenchido com pequenos pedaços de frutas e muita, mais muita água, enquanto eu ouvia a voz de Renée ecoando em minha cabeça: "...com tanta criança ela foi escolher a que era podre por dentro."
Era hora do almoço quando ouvi o pequeno barulho das janelas sendo abertas no primeiro andar. Laura devia estar fazendo o almoço e ela tomava muito cuidado para eu não sentir o cheiro da comida, para assim evitar as náuseas.
Com dificuldade consegui comer pelo menos um pouco do que Laura trouxe de almoço, mas não ficou mais de quinze minutos no meu estômago, tive que correr ao banheiro e sentir tudo vindo para fora. Como sempre, quando Laura veio pegar a bandeja, falei que estava delicioso.
Eram duas horas da tarde quando ela veio se despedir e avisar que já ia embora, então estava sozinha em casa.
Encostei-me nos travesseiros esperando o tempo passar, sentindo um mal estar terrível. Respirei calmamente, enquanto fechava os olhos.
Estava com apenas um fone de meu mp3 no ouvido quando ouvi a porta abrir no primeiro andar, olhei no relógio e já eram três e quinze, isso quer dizer que era Edward que acabará de chegar. Depois das aulas ele vinha ficar comigo até Carlisle chegar da empresa. Ouvi duas batidinha na porta de meu quarto e então ele a abriu um pouco e pude ver o seu sorriso perfeito.
— Oi. — Ele falou entrando.
— Oi. — Falei baixo pausando a música que ouvia.
— Está o maior sol lá fora, o que é uma coisa rara de acontecer aqui em Forks e você fica nesse quarto escuro?! — Ele indagou indignado e foi até a janela abrindo-a, deixando o sol entrar.
Fechei os olhos, que logo se acostumaram a iluminação. Edward se aproximou se abaixando para depositar um beijo em minha testa. Mas ele tinha razão a leve brisa que entrou pela janela me fez bem.
— O que acha de irmos andar um pouco? Está a muito tempo trancada nesse quarto. — Falou com preocupação nos olhos.
— Não... estou cansada. — Falei. — Outro dia.
— Ok... — Ele falou contrariado e ri.
O problema nem era o fato de me sentir cansada e com dores no corpo, o problema era que assim que saísse na rua pálida como estava e com lenço amarrado na cabeça, todos ficariam me olhando com piedade nos olhos, sem contar aqueles que me olhariam com medo....
Edward puxou a cadeira de meu computador e se sentou ao lado de minha cama.
— O que estava ouvindo? — Perguntou já olhando meu mp3. — Beethoven, Mozart... — Ele foi lendo os artista que estavam gravados. — Tchaikovsky?! — Revirou os olhos.
— Eu gosto. — Falei sorrindo pegando o pequeno aparelho de suas mãos. — Acho a Valsa das Flores romântica. — Ele riu de minha preferência e o empurrei de leve.
— Ok, também acho legal. Ela fica bonita no piano. — Ele comentou.
— Já tocou essa valsa no piano? — Perguntei e ele assentiu afirmando.
— Era a música preferida de minha avó. — Ele falou irônico e dei um tapa fraco em seu braço. — Ai! — Edward reclamou rindo.
— Está me chamando de velha?! — Indaguei e ele riu mais.
— De jeito nenhum. — Falou se aproximando e sentir seus lábios nos meus foi a melhor coisa do mundo.
Edward se afastou e me encarou sério, analisando meu rosto.
— Impressão minha ou parece mais pálida? — Ele perguntou sério, depois de se afastar.
— Não consegui comer nada hoje. — Falei baixo.
Ele respirou calmamente como se doesse ouvir isso e me odiei por ter dito aquilo.
— O que acha de eu fazer um lanche para você?
— Não sei... vou acabar passando mal depois. — Falei.
— Apenas tente. — Sugeriu. — Tem que tomar cuidado para não desenvolver uma anemia, sabe disso.
— Ok.
— Quer descer ou quer que trago aqui? — Perguntou se levantando.
— Vou descer. — Falei e ele me ajudou a levantar.
Saímos do quarto caminhando devagar, sei que Laura perguntou se eu queria ir para o primeiro andar mas tinha medo de descer as escadas com ela, já com Edward sabia que ele não me deixaria cair.
Meu corpo doía e fraquejava quando chegamos nos degraus. Edward mantinha um braço em minha cintura e o outro dando apoio a minha mão direita enquanto minha mão esquerda segurava fortemente no corrimão da escada. Até que foi mais fácil do que imaginava e logo estávamos na sala. Fomos até a cozinha e ele me ajudou a sentar na cadeira em frente a mesa. Olhava Edward enquanto ele preparava o lanche... ás vezes ele olhava para mim sorrindo ou fazia alguma palhaçada só para me ver sorrir. Em poucos minutos ele me passou um lanche com pão e salada variada, como alface, tomate, cenoura, entre outros.
— Eu tenho que comer pão integral. — Falei.
— Pra começar pão integral não é pão... — Ele falou e acabei rindo. — ... e aquilo é marrom ou bege, aquilo não tem cor... desde que me conheço por gente pão é branco por dentro. — Ri de seu comentário e acabei comendo o lanche.
Edward me serviu um copo de suco de laranja o qual tomei tudo.
Ficamos ali na cozinha conversando, ele tentando me fazer rir a todo minuto. Percebi que já havia se passado algum tempo e não tinha sentido nenhum mal estar, isso era ótimo, maravilhoso. Depois de mais alguns minutos ali comecei a me sentir sonolenta e acabamos indo para sala.
Edward's POV
Bella mantinha a cabeça apoiada em uma almofada sobre meu colo e uma mão entrelaçada a minha. Acompanhava sua respiração lenta e acariciava lentamente seu braço enquanto ela dormia tranquilamente.
Encostei minha cabeça no encosto do sofá e fechei os olhos pensando em todos os trabalhos e provas do colégio. E não sei quanto tempo se passou, mas de repente o barulho da porta se abrindo me tirou de meus devaneios, era Carlisle.
— Oi. — Ele falou sorrindo ao ver Isabella dormindo, com a cabeça apoiada em meu colo.
— Oi. — Falei. — Nossa já passou das seis da tarde! — Exclamei baixo para não acordá-la.
— Pois é. — Carlisle falou indo para a cozinha.
Soltei a minha mão da dela e levantei-a um pouco para poder me levantar, deitando-a logo em seguida sem deixá-la acordar. Peguei minha chave no bolso e fui até a cozinha.
— Já estou indo, Carlisle. — Falei.
— Edward, antes de ir, podemos conversar um pouco?
— Claro. — Concordei, sentando-me a mesa.
— Aceita? — Carlisle ofereceu uísque que estava colocando em um copo.
— Não, obrigado, estou dirigindo. — Falei.
— Não precisa dar uma responsável, sua mãe já me falou muito sobre você. — Ele falou rindo e ri também.
— Não, eu não quero mesmo. — Falei sorrindo. — Sobre o que quer falar?
— Sobre Isabella. — Ele respondeu se sentando a minha frente, com a mesa nos separando.
A casa estava silenciosa e falávamos baixo para não acordar Bella que dormia na sala ao lado.
— Ela está bem melhor, hoje fiz um lanche e até agora ela não passou mal. — Comentei.
— Edward, no fundo você sabe que Isabella não está nada bem. — Ele falou me encarando sério.
— Por que diz isso? Ela está se recuperando bem. — Falei já sentindo um mal pressentimento.
— Edward, depois da cirurgia Alec veio conversar comigo e falou que... — Ele fez uma pausa procurando as palavras certas. — ... o tumor estava bem mais avançado do que os exames diziam.
— Mas eles conseguiram retirar. — Afirmei, com medo de continuar ouvindo o que ele tinha a dizer.
— Sim, conseguiram e então analisaram melhor o tumor, descobrindo que houve um erro de diagnóstico.
— O que? — Indaguei.
— Isabella não tem um astrocitoma de grau II e sim de grau IV.
Então as palavras de meu professor me vieram a cabeça: "Um glioblastoma é um tipo de astrocitoma e seu grau de malignidade é o mais avançado, grau IV, ou seja, extremamente agressivo."
Não sei porque mas comecei a rir.
— Isso não pode ser verdade! — Falei talvez um pouco alto e então abaixei a voz novamente, agora falando sério. — Isso não é verdade.
— Eu ainda não contei a ela porque tenho medo de sua reação, não quero que ela sofra mais do que já está sofrendo, mas não tem como impedir isso. Alec disse que com certeza o tumor voltará a crescer em pouco tempo.
Nesse momento, nesse exato momento em que o ouvi falar que o tumor voltaria a crescer em pouco tempo senti o chão sob mim sumir... senti tudo desmoronar.
Sai da casa de Isabella totalmente arrasado, sem nem saber para onde ir. Entrei em meu carro e dirigi ouvindo o baixo som dos pneus contra o asfalto, enquanto pensava em tudo que meu professor disse sobre o glioblastoma, que não tinha cura e era fatal.
Cheguei em casa e estacionei o carro na garagem, desligando o motor logo em seguida e fiquei ali paralisado olhando pelo para-brisa, minutos depois sentindo as lagrimas descerem por meu rosto... senti uma dor aguda em minha mão direita quando soquei o volante com força...
Não! Aquilo não podia ser verdade.
Debrucei-me sobre o volante e fiquei ali com meu desespero e meu medo de perdê-la.
Tchaikovsky — Valsa das Flores
Música — http://www.youtube.com/watch?v=lFxQztPf5_I
Música no piano (não é exatamente o que eu queria, mas não consegui achar outro) — http://www.youtube.com/watch?v=pQ-7FHl0hQg
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