Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
18 Fazenda - Parte II
Notas iniciais
BELLA'S POV
- Não acredito! — Reclamei ao perder pela milésima vez..
- Acho que você só é boa mesmo em patinar. — Alice falou e eu ri. — Vamos assistir um filme? — Ela perguntou animada.
- Pode ser. — Falei. — Mas vou tirar o biquíni.
- Ok, também vou tomar um banho. — Ela falou enquanto andávamos em direção a escada.
Subimos para o quarto e acabei tomando um banho. Coloquei um short e uma blusa pólo, fazendo uma trança que ficou sobre meu ombro. Sai do banheiro e deitei na cama esperando a Alice, logo ela bateu na porta a abrindo.
- Oi. Sonhando com o mesmo cara que estava sonhando hoje cedo? — Ela perguntou se sentando na cama ao meu lado. Me sentei e a olhei confusa.
- O que?
- É que hoje cedo você estava sorrindo enquanto dormia. Estava sonhando com seu amor? — Ela perguntou sorrindo.
- Não. — Falei.
- Ah fala sério! Quem é seu amor? Eu já contei que eu gosto do Jasper. E não vem falar que é do Edward pois estou cansada de ouvir meninas falando que são apaixonada por ele. Me da uma pena delas.
- Não sou apaixonada por ninguém, Alice. — Falei e me senti como se estivesse mentindo. — Por que tem pena das meninas que gostam do Edward? — Acabei perguntando pois a curiosidade é algo horrível e de repente senti uma necessidade de saber mais sobre Edward.
- É que todas são apaixonadas por ele, só que o Edward é meio complicado. Ele diz que não acredita no amor, mas eu acho que é porque ele ainda não achou a pessoa certa. — Ela disse pensativa. — Mas vamos assistir um filme?
- Vamos.
Descemos as escadas e Alice abriu um armário onde havia vários DVDs.
- Então, eu gosto de romance. Pode ser? — Alice perguntou.
- Claro.
- Já assistiu Querido John? É muito bom.
- Já, até chorei.
- Eu chorei litros! — Ela disse rindo.
- Um amor para recordar. — Falei pegando o filme.
- Meu filme preferido! Já assistiu?
- Não.
- Então vamos ver esse.
Começamos a assistir o filme e depois de um tempo a Alice falou que ia pegar pipoca. Ela falou que não precisava parar o filme então continuei assistindo. Quase chorei quando Landon descobriu que Jamie tinha leucemia. Depois disso parei o filme, notei que o sol já estava se pondo, e fui procurar a Alice que já havia saído faz tempo. Fui até a cozinha e a Marta estava lá, acho que ela estava preparando o jantar.
- Oi Isabella. — Ela disse.
- Oi Marta. Você viu a Alice por ai? — Perguntei.
- Não, não vi.
- Ah, então vou procurá-la. Até.
- Até.
Entrei em uma sala, depois em outra e vi uma porta fechada. Fui até ela e a abri devagar. Encontrando uma sala de jogos, onde Edward e Emmett jogavam sinuca.
- Oi Isa. — Emmett falou e Edward se virou para me olhar.
- Oi, vocês viram a Alice. Ela sumiu.
- Emmett vai você buscá-la.
- Sempre sobra para o Emmett. — Ele reclamou já saindo da sala.
- Onde ele foi? — Perguntei.
- É que há uma sala de doces. Eu mandei fazer essa sala para a minha sobrinha só que acabei esquecendo que a Alice tem que ser mantida bem longe de doces. E agora me arrependo de ter feito essa sala. — Ele falou e eu ri.
- Sabe jogar?
- Eu? Jogando sinuca? Não, não dá certo. — Disse e ele riu.
- Vem cá, eu te ensino.
- Não sou boa em jogos. Na verdade não sou boa em nada a não ser patinar. — Falei e nós rimos.
- É fácil. Vem. — Ele me puxou para perto da mesa de sinuca.
Edward estava na minha frete e pegou na minha mão mostrando com segurar no taco.
- Agora é você bater na bola branca e fazê-la encaçapar outra bola.
Fiz o que ele falou e quando fui bater na bola branca acabei errando. Edward riu e bati em seu braço.
- Não tem graça. — Falei.
- É verdade, não tem graça. — Ele falou tentando parecer sério. — Vem, vou te ajudar.
Ele ficou atrás de mim colocando seus braços ao meu redor e suas mãos em cima das minhas, nos inclinou em direção a mesa. Senti sua respiração em meu pescoço e não sei porque minha respiração se acelerou. Dessa vez com sua ajuda acertei a bola branca encaçapando uma amarela.
- EMMETT!!!! ME COLOCA NO CHÃO!!! — Ouvimos os gritos que pareciam ser da Alice.
Edward tirou seus braços de minha volta rapidamente e saiu da sala. Eu o segui e vi Emmett passando carreando Alice em seu ombro. Ele a carregou até a piscina.
- Emmett!! Me solta! — Alice falou irritada.
- Eu acho que não. — Ele disse e correu em direção a piscina pulando com a Alice junto.
- AAAHHHH! Eu te mato!! — Alice falou começando a brigar com Emmett na água.
Ouvi Edward rir atrás de mim. Me virei e ele me olhou nos olhos.
- Por que não gosta de piscina?
- Para falar a verdade eu até gosto, mas não sei nadar. E tenho muito medo de me afogar ou algo do tipo. — Falei e ri de mim mesma.
- Por que não disse logo? Eu posso te ensinar.
- Não, obrigada. — Falei assustada e dando alguns passos para trás ao perceber que ele se aproximava com um sorriso nos lábios.
- Tarde demais. — Ele disse e eu sai correndo.
Edward me segurou pela cintura e me pegou facilmente no colo. Fechei os olhos e só ouvi ele falar para prender a respiração, senti a água que não estava gelada. Edward ria enquanto me ajudava a ficar de pé na piscina.
- Viu, não precisa ter medo. Não vai se afogar. — Ele falou rindo.
Ficamos algum tempo ali mas logo saímos quando a Marta nos avisou que o jantar estava pronto. Fui para o quarto e tomei um banho. Enquanto estava embaixo do chuveiro me vi tendo dificuldade de lembrar o que tinha feito durante a tarde. Sai do banho e me vesti, finalmente lembrando que tinha jogado Wii e assistido filme. Hoje eu ainda não tomei meus remédios e não queria tomar. Alice bateu na porta e fomos jantar.
- Nossa! Temos que terminar de assistir o filme, né Isa?
- É.
- Que filme estão assistindo? — Edward perguntou enquanto caminhávamos até a sala depois de jantar.
- Um amor para recordar. — Falei.
- Já assisti, na verdade assisti só o começo. A menina tem leucemia, não é?
- Isso mesmo. Agora sem conversa, pois quero assistir. — Alice falou ligando o filme da onde tínhamos parado.
Logo depois que o filme acabou Edward e Alice começaram uma discussão.
- Ela fez errado! — Ele falava.
- Fez errado o que?
- Ela devia ter contado que tinha a doença e que iria morrer. Antes que o relacionamento ficasse sério.
- Ela não falou porque o amava e não queria que ele sofresse. Mas você não deve entender isso já que não acredita no amor.
- De qualquer forma, ela o enganou. — Ele disse e não sei porque aquilo me atingiu de uma forma que meu coração doeu.
- Ninguém enganou ninguém! — Falei pondo fim a pequena discussão sobre o filme. — Ela fez o que fez porque o amava. E ponto final.
- Isabella está certa. Se não fosse assim, não teria história para o filme. — Alice falou com um tom de voz diferente, talvez um tom arrependido.
- Nossa! Você ainda não colocou o filme? — Emmett perguntou com uma voz meio sonolenta. E nós rimos. Depois disso eu e Alice demos boa noite ao dois e subimos para dormir. Estava exausta.
- Nossa, estou super cansada. — Alice falou quando chegamos a porta do quanto onde eu ficaria. — Bom você sabe que pode ficar a vontade, né? Se quiser pegar alguma coisa lá na cozinha ou sei lá, a casa é sua.
- Obrigada.
- Sabe é que eu não sei você, mas eu adoro assaltar a geladeira durante a noite. — Ela disse, mas parecia triste. — Ou a sala de doces. — Acabei rindo. — Mas estou proibida de entrar lá. — Ela revirou os olhos. — Boa noite.
- Boa noite.
Entrei em meu quarto, coloquei um pijama e penteei o cabelo que agora já estava seco. Eu estava tão bem.
- Acho que não vai fazer mal eu não tomar os remédios. — Falei comigo mesma. — Estou me sentindo bem.
Por fim, acabei não tomando nenhum remédio, apaguei a luz e me deitei na cama. Logo, logo o sono veio me fazendo adormecer.
EDWARD'S POV
Bella e Alice subiram para os quartos, Emmett se levantou indo até a cozinha e voltando com um pacote de biscoitos.
Encarei a TV sem realmente assistir o que estava passando pois o sorriso dela não saia de minha cabeça. Isabella era tão perfeita, queria poder beijá-la, sentir seu gosto, seus lábios nos meus, igual naquele dia no acampamento. Mais não queria só o que aconteceu naquele dia, eu queria mais...
- Sabe o que percebi? Que você anda muito pensativo. — A voz do Emmett me tirou de meus devaneios.
- O que?
- Está vendo! Esta muito pensativo ultimamente ou será que é a presença da Isabella que mudou seu comportamento. — Ele falou rindo.
- Idiota.
- Qual é?! Não me venha com seu papinho que não acredita no amor e blá blá blá... Você mesmo confessou que está apaixonado por ela!
- Não estou apaixonado.
- Fala isso porque ainda está confuso. Você ainda não entendeu que o que sente por ela é paixão. Logo você descobrirá. Mas quando descobrir já vai ser tarde demais. Sabe por que? Porque essa paixão já vai ter se transformado em amor.
- Ok, Emmett. Vou dormir, boa noite. — Disse me levantando e já caminhando em direção as escadas, então ouvi ele falar.
- Boa noite, durma com os anjos e sonhe com a Isa. — Ouvi sua risada.
Entrei em meu quarto e fui tomar um banho. Entrei sob a ducha e fechei os olhos. E se eu realmente sentisse algo a mais por Isabella Swan? Na verdade eu sabia, que sentia algo a mais por ela.
E eu que prometi a mim mesmo que nunca me apaixonaria por ninguém, que não amaria ninguém, para não sofrer. Prometi a mim mesmo que a partir "daquele dia em que a perdi" eu simplesmente conviveria com as pessoas mas não amaria mais ninguém. Para não sofrer.
Para que gostar de uma pessoa, mesmo que for um parente, se ele vai morrer? Um dia ou outro essa pessoa irá morrer e deixará você sozinho, com dor e saudades. Então para que amar, se o amor só faz a gente sofrer.Sai do banho, coloquei meu pijama e me deitei. Mas com certeza não conseguiria dormir. Logo me levantei e acendi a luz, então alguém bateu na porta e eu fui abri-la.
- Alice? — Falei surpreso.
- Não, o Papai Noel! — Ela falou ironicamente.
- Sério! Mas cadê meu presente?! — Entrei na brincadeira.
- Foi um menino muito mau esse ano e não merece presente! — Ela disse e revirei os olhos.
- O que foi dessa vez? — Perguntei.
- Você sabe! — Ela entrou se deitando na cama.
Me deitei ao seu lado e ela olhava o teto, mas logo se virou me encarando.
- Desculpa ter falado sobre você não acreditar no amor. Não pensei direito, sei que você acredita mas só que tem medo de sofrer.
- Não, você sabe que não acredito.
- Edward... não precisa falar assim. Sei que sofreu com a morte dela, eu também sofri, pois como eu o considero meu irmão também a considerava minha irmã. Fomos criados juntos, nós quatro. — Ela falou e isso fez aquela dor insuportável voltar.
- Alice, por favor. — Pedi.
- Só queria que você voltasse a ser aquele Edward carinhoso, atencioso, legal... — Vi algumas lágrimas descerem por seu rosto.
- Alice...
- Sabe quantas vezes você me abraçou depois daquele dia do acidente? Sabe quantas vezes você abraçou sua mãe? Ou falou que a amava? — Ela falou e eu não disse nada. — Só queria o "velho Edward" de volta. — Ela murmurou enquanto se levantava e caminhava até a porta.
Vi a sair e a porta se fechar atrás dela.
BELLA'S POV
- Ai! — Falei relando a mão a cabeça. Estava doendo muito.
Me levantei e meu estomago se revirou. Olhei no relógio e eram quatro e meia da manhã. Ainda estava muito cansada mas estava com náuseas. Tomei um banho na água um pouco fria, coloquei um short e uma blusa. Peguei os remédios que precisava tomar e sai do quarto sem fazer barulho e desci as escadas, fui até a cozinha, peguei um copo para pegar água e tomar os remédios. Precisava tomar ar fresco, então abri a porta e fui para o jardim, o vento veio e fez meus cabelos voarem. Estava escuro, ainda bem que as luzes do jardim estavam acessas. Fechei os olhos e inspirei lentamente, como se o ar pudesse me purificar, levar com ele toda a dor. Andei um pouco até a cerca que rodeava uma área enorme onde o chão era de terra. Deve ser onde os cavalos andam, pensei comigo mesma.
A dor de cabeça não parava, acho que já estava acostumada com ela, só que incomodava quando era muito forte. Então me veio um pensamento: O que Edward estaria fazendo? É lógico que ele está dormindo!
- Oi! — Alguém fala bem perto de meu ouvido.
- Ah! — Meu corpo inteiro treme ao levar o susto. Me viro dando de cara com um par de olhos verdes e quase caí. Mas ele me segurou rapidamente.
- Edward?!
- Esperava outra pessoa? — Ele disse meio triste.
- Não, seu bobo. Quase me matou de susto! — Levei a mão ao peito e senti meu coração que ainda estava acelerado.
- Não devia ficar aqui fora sozinha, ainda mais a essa hora. É perigoso.
- Ok, vou me lembrar na próxima.
- É acostumada a acordar cedo, não consegue dormir ou está com medo de dar a louca na Alice e ela te matar enquanto dorme? — Ele perguntou e eu ri.
- Só não consegui dormir e você?
- Como sempre, estou com medo da Alice. — Ele falou com uma expressão séria e eu ri.
- Vem. — Ele começou a caminhar.
- Eu vou voltar...
- Vem logo. — Ele me interrompeu. E eu o segui.
- Onde vai? — Perguntei.
- Ao estábulo. Acordei cedo para cuidar dos cavalos.
- Sério?
- Pois é.
Chegamos perto do grade estábulo e ele abriu a porta de madeira, entramos em um enorme corredor. Estábulo é para ser um lugar sujo, mas pelo contrário estava extremamente limpo. Caminhamos um pouco a frente e um cavalo preto colocou o pescoço para fora de sua ala.
- Bom dia Trovão. — Edward falou acariciando a cabeça do cavalo. — Sentiu minha falta? — E fiquei impressionada quando o cavalo balançou a cabeça de um lado para o outro, falando que "não". — Não?! Também não senti sua falta! — Edward afirmou e abriu a pequena porta que prendia o Trovão.
Edward puxou ele para o largo corredor.
- Já andou a cavalo, Bella?
- Não. Você não vai desistir de me chamar de "Bella" não é?
- Não, acho que não. Posso te levar para conhecer um lugar? Mas terá que ir a cavalo.
- Não, obrigada. — Falei já me virando para sair dali.
- Ei! Você vai com o Trovão. Ele é mansinhos, né? — Me virei e vi o cavalo balançando a cabeça para cima e para baixo afirmando que "sim".
- Eu tenho medo. — Acabei confessando.
- Não confia em mim? — Ele perguntou e o Trovão balançou a cabeça falando que "não".
- Está vendo, ele está falando que não confia. — Falei e ele deu um pequeno tapa na orelha do Trovão que relinchou, acho que não estou muito bem pois foi como se ele estivesse rindo do Edward.
- Não liga para ele não. É que quando era menor passou muito tempo com o Emmett. — Edward disse e eu ri. — Vamos?
- Eu... — Procurei uma desculpa.
- Não vou deixar nada lhe acontecer.
- Ok. — Acabei falando, não porque queria ir mas porque não queria voltar para casa e ficar longe dele.
Rapidamente Edward colocou o arreio e a sela no Trovão.
- Vou arrumar o outro. — Edward falou se distanciando.
O cavalo preto começou a bater uma pata no chão.
- Edward! — Eu o chamei, com medo.
- Ele quer que você converse com ele.
- Conversar com ele?
- Isso. Mas só faça perguntas de respostas sim ou não.
Olhei para o cavalo negro a minha frente e ele começou a bater a pata no chão novamente.
- Ok, ok. — Falei e vi um chicote no chão.
- Então, o Edward já te bateu alguma vez? — Perguntei e ele balançou a cabeça falando que "sim". — Com o chicote? — Perguntei e ele afirmou que "sim". — Deve ter doido, né? — Ele balançou a cabeça dizendo que "sim" e fechou os olhos, como se estivesse triste. Não resisti e passei a mão em sua cabeça.
- Pronto, vamos. — Edward veio puxando um cavalo marrom.
- Você bateu nele? — Perguntei enquanto acariciava a cabeça do Trovão.
- Mas adora se fazer de coitadinho, né? — Edward falou e o Trovão abaixou a cabeça tampando o rosto com a pata. — Nunca bati nele. Nem com chicote, nem nada. Agora vamos.
- Como ensinou ele? — Perguntei enquanto caminhavamos para fora do estábulo.
- É como ensinar um bebê, palavra por palavra. Tem que ter muito paciência.
Fomos para fora do estábulo e então Edward fechou a porta de madeira.
- Vem, vou te ajudar a montar. — Ele falou.
Fiquei ao lado do Trovão e só então percebi como ele era alto.
- Dá tempo para desistir? — Perguntei.
- Não. — Ele disse rindo. — Vamos, coloque o pé esquerdo no estribo, segura aqui na sela. — Ele me mostrou onde segurar. — E pega impulso com a perna direita a passando por cima. Entendeu?
- Fácil. — Ironizei e ele riu.
- É fácil. Vamos, vou te ajudar. — Senti suas mãos em minha cintura e estranhei um arrepio que percorreu meu corpo.
Fiz o que ele falou e dei impulso com a perna direta. Edward me levantou também e passei a perna por cima do cavalo me sentando.
- Viu?! Fácil. — Ele falou e acertou meu pé no estribo, depois dando a volta para ver se meu outro pé estava certo. — Agora, tem que segurar nas rédeas e tem que deixá-las curtas. E depois é simples, para virar a direita puxa a rédea da direita, para virar a esquerda puxa a rédea da esquerda, e para parar é só puxar as duas. Para fazê-lo andar é só dobrar o joelho e bater aqui com o pé. — Ele disse dobrando minha perna para eu entender. — Ok?
- Não. — Falei e eu riu.
- Não precisa se preocupar, o Trovão sabe o caminho. — Ele disse indo em direção ao cavalo marrom, mas antes passou perto da orelha do Trovão sussurrando "Sem gracinhas, hein?!" e o cavalo negro relinchou, como se estivesse rindo.
Edward subiu no cavalo facilmente e então começou a andar. Nem precisei fazer nada e o Trovão começou a andar. Ele caminhava suavemente, entrando na escuridão, só então percebi que Edward carregava um lampião já acesso. Depois de um tempo notei que Trovão já andava mais rápido quase trotando para acompanhar Edward. Entramos em uma estrada que levava para dentro da floresta. Olhei para cima vendo entre as copas das árvores o céu estrelado.
Depois de um tempo andando comecei a ouvir um barulho de água e então o Trovão parou. Edward já havia descido do cavalo.
- Vem. Deixa o pé esquerdo e passa a perna direita por cima, para descer. — Ele falou e fiz isso, antes do meu pé tocar o chão ele segurou minha cintura fazendo eu descer suavemente.
Edward me guiou em meio a algumas árvores e então chegamos a uma clareira, onde havia um lago com uma pequena cachoeira. O lago tinha o reflexo da lua que iluminava e deixava tudo ali parecendo mágico. Sorri ao pensar nisso: magia, ridículo. Ele se sentou perto a margem de lago e eu me sentei ao seu lado.
- Nossa, é lindo.
- Espere o nascer do sol. — Ele falou.
O suave barulho da água enchia o lugar, deixando-o calmo.
- Sente falta de seus pais quando fica muito tempo sem vê-los? — Ele me surpreendeu ao me perguntar sobre meus pais.
- Não vou visitá-los.
- Como assim? — Ele perguntou.
- Só, não vou visitá-los. Não tenho vontade, e minha mãe também não se importa comigo. — Falei e acho que Edward percebeu que eu não queria continuar falando naquele assunto, pois ele não fez mais perguntas.
Ele se deitou na grama observando o céu e eu fiz o mesmo.
EDWARD'S POV
Ela falou sobre sua mãe com um tom triste ou talvez com mágoa. Achei melhor não tocar mais nesse assunto. Me deitei na grama e Bella também se deitou ao meu lado, observando o céu estrelado. E assim ficamos um bom tempo.
Percebi que de vez em quando Bella passava a mão na cabeça como se aquele local doesse ou será que era só impressão minha.
- E a patinação? Vai tentar competir esse ano? — Perguntei.
- Sim, quero conseguir entrar nos Jogos Olímpicos de Inverno. As competições estaduais começam no próximo mês e nem tenho uma coreografia ainda.
- Tenho certeza que vai conseguir.
- É o que espero. — Ela disse sorrindo e quis tocar seu rosto, senti sua pele.
Eu queria saber mais sobre ela. Não sei porque, mas queria que ela me contasse tudo sobre sua vida.
- Qual é seu maior sonho, Bella?
- Meu maior sonho... — Ela falou pensativa olhando para o céu. — Não sei... acho que meu maior sonho é me casar.
- Não, esse não vale.
- Por que?
- Porque é um sonho comum, toda menina sonha em se casar vestida de noiva, em uma igreja... Seja criativa.
- Ok. Ser criativa... — Ela pensou melhor. — Ter uma ilha, queria ter uma ilha particular onde eu poderia fazer o que quiser, o que acha?
- Agora sim, isso é um sonho grande... que não vai acontecer. — Falei rindo e ela deu um leve tapa em meu braço.
- Claro que vai! Nesse mundo tudo pode acontecer.
- Ok.
- E o seu maior sonho? — Ela me perguntou.
- Meu maior sonho é poder voltar no tempo, mas é algo impossível. — Falei.
- Por que não acredita no amor, Edward? — Ela perguntou talvez se lembrando de quando a Alice falou.
- Para que amar alguém que no futuro irá morrer e te deixará sozinho? — Falei com uma voz um pouco fria e não gostei disso, não devia ter usado esse tom com ela.
- Mas não deve pensar assim. — Ela parecia indignada. — Tem que amar a pessoa e fazê-la feliz até o fim de seus dias. A vida é assim.
- Não concordo com isso. Mas acho que estou começando a rever minhas conclusões sobre o amor. — "Principalmente em relação a você" pensei comigo. O que estava pensando?!
- Como assim? — Ela perguntou.
- Sei lá... — Falei, não sabendo o que dizer.
Mas um tempo em silêncio. Observei as estrelas.
- Lynx. — Falei ao ligar mentalmente as estrelas e achar a constelação.
- Onde? — Ela perguntou.
- Ali. — Apontei para as estrelas.
- É verdade. Acho Lynx uma constelação tão simples. — Ela disse e virei a cabeça para poder olhá-la. Ela sorria, seu sorriso era tão sincero como sempre e me fazia querer sorrir também, tocar seu rosto.
- Defina "simples". — Pedi sorrindo e ela riu.
- De acordo com o dicionário "simples" significa o que não é composto, complicado.
- Aplique em uma frase. — Pedi.
- Eu falei o significado, agora você aplica em uma frase. — Ela disse sorrindo e eu ri.
- Ok... A Alice se acha uma pessoa simples. — Falei e nós rimos. — Realmente acho que a Alice é uma pessoa simples, ela não é complicada. Talvez seja só um pouquinho.
- Mas ai o significado muda. — Ela disse. — Simples também pode significar "sem luxo".
- Não temos muito luxo, eu mesmo sou uma pessoa bem simples. Eu acho.
- Não, não é não. — Ela disse e eu ri, me sentando.
- Depende de seu ponto de vista sobre a "simplicidade". — Falei e vi que ela também se sentou, enquanto me encarava.
- Muito bem, então defina "simples" do seu ponto de vista.
- Para mim simplicidade é ter todas as flores do mundo e querer apenas uma rosa. É ter a imensidão do universo e querer apenas uma estrela. Ter o oceano e querer apenas uma gota de água, é poder ter todas as mulheres mas amar e desejar apenas uma. — Falei lentamente.
O que eu estava falando?!
Mas agora não dava mas para voltar atrás. Ou eu poderia mudar de assunto.
Mas eu queria mudar? Queria deixa isso que sinto de lado?
Queria esconder meus sentimentos por Bella?
Eu tinha sentimentos por Bella?
Sim, com certeza eu tinha.
Continua...
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