Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
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Notas iniciais
Isabella's POV
Analisei minha imagem no espelho e voltei a arrumar o lenço em minha cabeça, mas nada que eu fizesse faria com que aquilo parecesse meu cabelo...
– O que estava fazendo mesmo? — perguntei baixo para mim mesma quando um branco invadiu minha mente.
– Está pronta? — Edward entrou no quarto.
– Pronta? — indaguei e ele entendeu imediatamente ao ver minha expressão confusa.
– Você estava terminando de se arrumar... — falou, sentando-se na poltrona ao meu lado.
Fechei os olhos e forcei minha memória, lembrando-me da viagem.
– É, estava me arrumando... final de semana em família.
– E aonde vamos? — perguntou, suas mãos segurando as minhas.
– Minha cabeça está doendo.
– Eu sei, mas não pode desistir. Aonde vamos? — falou e suspirei, tentando lembrar, mas nada me vinha à mente.
– Vamos... a East Hampton — uma sensação de alívio me invadiu e sorri — mas especificamente para Main Beach.
Edward se aproximou e seus lábios se moldaram aos meus em um beijo lento, como se ele quisesse dizer algo que não conseguia falar olhando em meus olhos.
– Eu te amo — ele sussurrou quebrando nosso beijo e levantei-me sendo puxada para seu colo.
Apoiei um joelho de cada lado do seu corpo, sentando em seu colo e voltando a beijá-lo sem pressa.
– Temos que ir — falou enquanto distribuía beijos em meu pescoço.
– Vamos aonde? — perguntei e ele me afastou, olhando-me com preocupação. — Quem é você?! — exclamei, empurrando-o e saindo de seu colo.
– Isabella — ele me olhou assustado.
– É brincadeira — falei rindo e Edward ficou paralisado.
– Não pode ficar me assustando assim — falou. — Você vai ver só... — avisou e suas mãos me pegaram pela cintura, puxando-me para cama e ele fez cócegas em minha barriga.
– Para... chega!! Desculpe — pedi entre risadas, já ofegante, e Edward parou, seus olhos nos meus. — Eu te amo e não precisa se preocupar com isso, nunca te esquecerei.
– Nunca? — perguntou e deixei meus dedos deslizarem para sua nuca, entrando em seus cabelos.
– Nunca — afirmei. — Além do mais, é só minha memória recente que é afetada — falei rindo e recebi um sorriso seu.
A pequena viagem de carro até Main Beach foi preenchida por meus pensamentos que giravam em torno da irmã de David. Edward disse que precisava de mais informações e documentos dela, mas não via David há dias. Na verdade não o via desde o dia em que tive que cortar os cabelos, que estavam caindo muito e já começava a deixar falhas em minha cabeça então decidi raspar. Mas o importante é que teríamos um final de semana em família e não via a hora de ver Carlisle, estava com tanta saudade.
Finalmente chegamos a linda casa de praia e Edward veio abrir a porta para mim assim que estacionou o carro na garagem. Peguei minha bolsa, pois daqui a pouco precisaria tomar os remédios e o acompanhei para dentro da elegante, porém confortável, sala de estar sendo recebida pelo meu tio, com seus cabelos loiros perfeitamente arrumados como sempre, seu sorriso paterno, seu abraço acolhedor... Mantive meu sorriso, mostrando-me forte, mas quando Esme puxou delicadamente a longa cauda do lenço florido em minha cabeça, colocando-a sobre meu ombro, minha personagem quase desmoronou como uma peça de cristal quebrada em pequenos cacos de vidro.
– Então quais são as novidades? — ela perguntou, mantendo um braço sobre meus ombros enquanto caminhava ao meu lado até a área dos fundos da casa, que levava a praia quase particular.
– Não muitas — respondi baixo.
Eu estava sensível, bem mais sensível do que o normal, mas conseguia me controlar e passar uma imagem forte, eu acho. Porém tem alguém que não conseguiu se controlar muito bem quando viu Emmett, sentado a mesa, assim que entramos na área dos fundos.
– O que está fazendo aqui? — Edward perguntou e notei a alteração em sua voz.
– Filho, Emmett já estava com a gente lá em Forks há alguns dias — Esme explicou.
– Como assim "alguns dias"? — indagou. — E a faculdade?
– Eu fui expulso — Emmett murmurou.
– Expulso? Como assim expulso?!! — a voz de Edward ecoou na cozinha, assustando-me e segurei seu braço, com medo que ele avançasse para cima do rapaz musculoso que se mantinha concentrado em alguma coisa na mesa.
– Eu esvaziei a piscina da faculdade durante uma festa e no dia seguinte teria uma competição de natação — ele contou.
– Esvaziou a piscina? — indaguei baixo, sem acreditar.
– É bem mais difícil do que parece.
– Eu não acredito nisso... — Edward suspirou, tentando se acalmar.
– Eu já falei com minha mãe.
– E com seu pai? Já falou com ele? — minhas mãos se apertaram ao redor do braço de Edward, em um pedido silencioso de que abaixasse o tom de voz.
– Ainda não, ele pode parar de pagar minha pensão — Emmett lamentou.
– Devia ter pensado nisso...
– Se eu não fosse expulso, de qualquer forma teria desistido — ele confessou e vi a raiva tomar conta daqueles olhos verdes que eu tanto amava.
– Edward! — falei.
– Por favor rapazes, não vamos estragar o final de semana — Carlisle pediu.
– Olha, acho que você sabe o que está fazendo, não sei porque me preocupo tanto — ele falou, pegando minha mão que segurava firme em seu braço. — Vou levar as malas para o quarto — avisou saindo da cozinha e recebi o olhar de Emmett que em seguida se levantou, caminhando em direção a praia.
– Eles vão se entender — Esme afirmou e sorriu, envolvendo-me com seus braços. — Então, o que quer para o jantar? Hoje é você que escolhe o cardápio.
– Eu? — indaguei sorrindo, tentando esquecer o que acabou de acontecer.
Edward e Carlisle conversavam na sala enquanto eu e Esme preparávamos o jantar, já Emmett ainda estava na praia e isso estava me deixando preocupada.
– Sabe, acho que Edward se responsabiliza muito por tudo que acontece com Emmett e Alice — falei.
– Sempre foi assim Isabella. Principalmente depois do acidente — percebi sua dor ao lembrar-se da morte de Jane, irmã de Edward.
– Sinto que ele tem a necessidade de ter tudo sobre controle e nem sempre é assim.
– Exatamente e já tentei mudar isso, mas é impossível — Esme lamentou e voltei a olhar, através da porta de vidro, o mar ao longe. Já fazia mais de uma hora que Emmett estava lá.
– Acho que vou atrás dele, — afirmei — já volto. — Saí da cozinha antes que ela pudesse dizer alguma coisa.
Passei ao lado da piscina e continuei a caminhar, tirando as sapatilhas que usava, deixando-as ali do lado, e pisei na areia. Olhei para os lados, tentando acha-lo, mas estava escuro e a lua parecia não me ajudar, foi quando ao me concentrar um pouco mais na paisagem o vi deitado na areia, bem longe da casa. Aproximei-me devagar e analisei-o, enquanto tentava descobrir se ele dormia. Balancei a mão em frente a seu rosto e chamei-o baixinho, levando o maior susto quando ele falou:
– Está atrapalhando meu banho de lua — dei um passo para trás, tropeçando e caindo sentada na areia.
Com certeza todos lá na casa conseguiram ouvir as gargalhadas de Emmett e acabei rindo também.
– Machucou? — perguntou preocupado, enquanto se sentava, porém ainda ria.
– Não — respondi e aproximei-me, sentando ao seu lado e ele gargalhou novamente.
– Para, não foi engraçado.
– Ah foi sim! Eu devia ter filmado.
– Idiota — afirmei empurrando-o.
– Ok, parei!
– Então, como você está? — perguntei, rindo ao ver ele tentando segurar a risada.
– Bem, eu acho. Estou aqui pensando em um jeito de contar para meu pai que fui expulso da faculdade e esperando Edward esfriar a cabeça — falou finalmente parando de rir.
– E o que irá fazer depois?
– Verei como é a vida sem ter dinheiro até para o transporte público — ele lamentou e acabei rindo de seu exagero.
– Disse que se não fosse expulso, acabaria desistindo. Por quê?
– Sei lá, acho que não foi como imaginei. Pensei que seria legal morar em Los Angeles, — disse pensativo — mas ficar lá sozinho, foi horrível.
– Talvez não devesse ficar lá... Sempre temos uma segunda chance, porque não tenta fazer outra coisa, você tem notas boas, pode entrar em uma universidade aqui em Nova Iorque.
– Mas o que eu faria? — ele indagou.
– Bom, na minha opinião eu acho que você daria um bom advogado.
– É talvez — murmurou e um silêncio se instalou sobre nós.
Olhei o mar calmo, com pequenas ondas que traziam a água para perto dos nossos pés.
– E você como está? — Emmett quebrou o silêncio.
– Estou bem — sorri.
– E você e Edward? Está tudo bem?
– Está sim.
– Mesmo? Por que você sabe, se algum dia ele te maltratar ou erguer a voz para você, Edward terá que conhecer o Relâmpago e o Trovão — falou apontando para cada um dos seus braços musculosos e acabei rindo — e não é só ele, qualquer um que te aborrecer, é só me dizer o nome.
– Ok, não vou esquecer isso — afirmei rindo.
– Eu te amo — ele afirmou — como irmã, é claro — corrigiu rapidamente — mas eu te amo, muito.
E sem que eu pudesse impedir as lágrimas caíram e cobri o rosto com as mãos, limpando-as e encarando o mar, com suas ondas calmas.
– Obrigada, por ter me recebido, por ter me aceitado.
– Bom, na verdade você não pediu para entrar na família, simplesmente entrou... — falou rindo. — Mas você foi a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas.
– Eu também te amo, muito — murmurei quando ele passou o braço ao meu redor e puxou-me para mais perto me abraçando fortemente.
– Vai ficar tudo bem — afirmou e assenti, tentando acreditar naquilo.
…
Acordei no meio da noite e aos poucos tudo foi ganhando forma no quarto escuro e vi Edward ao meu lado, notando seus olhos que encaravam o teto e sua expressão pensativa.
– Edward? — chamei-o e ele se virou parecendo surpreso — Insônia?
– É, um pouco — respondeu baixo e minhas mãos deslizaram para seu tórax nu.
– Isso por acaso tem alguma relação com a briga que teve com Emmett?
– Talvez — sua voz não passou de um sussurro e aproximei-me, sendo recebida em seus braços.
– Talvez? — indaguei enquanto apoiava a cabeça em seu peito e ouvia seu coração batendo forte e calmo ao mesmo tempo — Não gosto desse clima entre vocês.
– Logo iremos nos entender, não se preocupe — sua mão deslizou por minhas costas e parou em minha cintura, mantendo-se ali.
– Não tem como não me preocupar.
– Não é a primeira vez que brigamos, logo estaremos bem — afirmou e puxou-me contra seu corpo. — Agora pare de pensar nessa briga, você precisa descansar — avisou depositando um beijo no topo da minha cabeça.
Suspirei, deixando minha mão passear pelo seu tórax, sentindo sua pele macia, indo até o cós da bermuda que ele usava e sua mão segurou a minha, levando-a de volta a seu peito, onde podia sentir as batidas do seu coração.
– Você é minha vida, Isabella — ele murmurou tão baixo que duvidei se realmente tinha ouvido aquilo.
~*~
Entrei na cozinha no sábado de manhã, encontrando Esme e Carlisle que já tomavam o café da manhã.
– Bom dia — falei.
– Bom dia, querida — Esme falou e meu tio puxou a cadeira ao seu lado para que eu me sentasse.
– Onde estão Edward e Emmett? — perguntei, já que havia acordado sozinha e notei que Emmett não estava em casa.
– Eles saíram para correr — Carlisle respondeu.
– Olha eles ali — Esme apontou para a praia e virei-me vendo os dois rapazes, ambos carregavam suas camisas no ombro e vi quando Emmett empurrou Edward que ria de alguma coisa.
– Acho que tudo voltou ao normal — meu tio observou e sorri, vendo os dois que mais pareciam duas crianças entrarem na cozinha.
– Bom dia Isa, estava com saudade — Emmett falou e dei um passo para trás quando ele ameaçou me abraçar todo suado.
– Nem pense nisso! — falei fazendo-o rir.
– Você me esnoba, mas sei que me ama — afirmou indo para o quarto e ri.
– Bom dia, como dormiu? — Edward se aproximou.
– Bem, eu acho.
– Acha? — indagou e assenti, sabendo que ele tinha percebido. — Vou tomar um banho, não demoro — falou e se aproximou um pouco, roubando-me um selinho e acabei rindo.
Sentei-me a mesa do café, colocando um pouco de suco em um copo enquanto via Esme e meu tio envolvidos em um assunto, mas não me importei em saber sobre o que falavam, pois meus pensamentos vagaram para bem longe, talvez não tão longe. Edward precisava de alguns documentos para facilitar a localização da irmã de David, mas desde que meu cabelo caiu de vez não voltei a lanchonete. Não queria que ninguém me visse assim... Como falaria com David?
– Isabella... Isabella! — ouvi meu tio me chamar e levei um susto ao perceber o quanto estava absorta — Seu celular.
– Ah, nossa estava viajando — falei pegando o aparelho no bolso.
– Nós percebemos — ele falou rindo.
– Oi Alice — atendi a ligação depois de ver o nome no visor.
– Você está com Edward? — perguntou com uma voz rouca, com certeza ela tinha chorado.
– Não, quer que o chame? Aconteceu alguma coisa?
– Não, não quero que ele saiba.
– Alice, o que aconteceu? — perguntei e percebi que Esme e Carlisle estavam calados me encarando, ambos preocupados.
– Eu entrei em uma briga com uma garota, com quem tinha discutido e o namorado dela entrou no meio... — ela começou a chorar.
– Ele te machucou?
– O que aconteceu? — meu tio demostrava impaciência e preocupação.
Alice me contou o que houve e tentou explicar algo que não fazia sentido. Sabia que tinha alguma coisa acontecendo mais ela não contaria, o medo estava evidente em sua voz e começava a me sentir cada vez mais sem saída, ainda mais depois de seu pedido. Alice não queria que Edward soubesse, mas havia duas pessoas na minha frente ansiosas por alguma informação e sabia que se contasse a qualquer um dos dois era apenas uma questão de tempo até tudo chagar aos ouvidos de Edward e Emmett.
– E então? — Esme perguntou assim que desliguei o celular.
– Alice voltou a discutir com aquela garota, com quem ela já tinha brigado e parece que o namorado da garota entrou no meio. Acho que ele machucou Alice — contei tudo de uma vez.
~*~
Dias depois...
Analisei Emmett e fitei sua mão, a qual ele dobrava os dedos para esticá-los logo em seguida, como se estivesse se certificando de que estava tudo bem.
– Está doendo?
– O que? — ele perguntou surpreso assim que entrei na cozinha.
– Perguntei se está doendo — respondi abrindo a geladeira para pegar uma garrafa de água.
– Não devia estar dormindo? Já passam das três da manhã.
– O que aconteceu lá?
– Isabella... lembra quando disse que era para me dizer quando alguém te maltratar. Aquele idiota bateu nela, não importa o motivo, não se bate em uma mulher, muito menos na minha irmã.
– Mas qual foi o motivo?
– Isabella, cedo ou tarde você descobri que não existem amigos, somos egoístas, todos nós. Alice só se iludiu pensando que qualquer pessoa que conhecesse fosse como você.
– Como eu?
– Você mal havia entrado na nossa família e já te considerava minha prima, hoje já é minha irmã. Mas é raro encontrar pessoas assim, em quem possa confiar, pessoas que mudam nossas vidas... O problema é que a amizade perdeu o valor.
– Se queria me emocionar, conseguiu! — afirmei rindo e ele se aproximou, depositando um beijo na minha testa.
– Ótimo, tarefa concluída, agora vá dormir — falou.
– Devia colocar um gelo nisso — avisei segurando sua mão.
– Boa noite Isabella — ele revirou os olhos.
– Bom dia Emmett — brinquei apontando o relógio e sorri, caminhando pela casa e voltando ao quarto.
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