Notas iniciais
Em primeiro lugar quero agradecer a uma leitora:
Muito obrigada evellin por escrever uma recomendação para Nunca Te Esquecerei!!
Em segundo quero avisar que esse capítulo não está muito legal...
Em fim, espero que gostem.

Edward's POV

Já não dormia... não conseguia comer... não conseguia pensar em nada que não fosse em Bella.

Carlisle falou que iria contar a ela sobre o câncer ser pior do que todos pensavam e estava com medo de sua reação. O pior ainda era que eu não estaria aqui, pois amanhã vou para Seattle...


Já eram onze da noite quando deitei na cama e fiquei encarando o teto, passou tão rápido que quando percebi o sol já estava nascendo. Caminhei para o banheiro e tomei um banho demorado, colocando uma roupa confortável para viagem e arrumei uma mala pequena rapidamente. Sai de meu quarto e minha mãe estava sentada a mesa do café.

– Bom dia! — Ela falou sorridente.

– Bom dia. — Falei. — Já estou indo.

– Mas já, não vai tomar café? — Ela perguntou com preocupação.

– Não, estou sem fome.

Minha mãe se levantou e caminhou até mim.

– Ela vai ficar bem. — Ela falou segurando minha mão, vendo que estava preocupado com Bella.

– Eu sei. — Falei com uma positividade que não existia em mim.

Minha mãe sorriu e mudou de assunto.

– Vai mesmo de carro? Acho que tem um vôo...

– Mãe, são só três horas de viagem, posso ir dirigindo. — Falei interrompendo-a.

– Ok. — Ela falou contrariada, enquanto me seguia até a garagem.

Coloquei minha mala no banco traseiro do carro.

– Volta no domingo? — Ela perguntou.

– Isso, domingo a noite. — Confirmei.

– Tchau. — Ela se despediu me abraçando.

– Tchau. — Abracei-a e entrei no carro.

E em pouco tempo estava na estrada, o silêncio reinando dentro do carro até chegar em Seattle. Já tinha minha reserva em um dos melhores hotéis e quando entrei no quarto já era onze da manhã. Logo almocei e vesti uma roupa mais social, chegando no grande prédio da BMW no horário marcado, uma da tarde. Entrei na secretaria e anunciei meu nome, entrei no elevador indo para o oitavo andar e quando as grandes portas do elevador se abriu vi Emily.

– Até que em fim! — Ela exclamou batendo palmas e vindo em minha direção. — Quanto tempo.

Conhecia Emily a anos, ela era secretária de meu pai, era alta e magra, tinha uma pele cor de cobre, cabelos curtos e negros, não sei exatamente sua idade, mas acho que ela tinha por volta de uns 30 anos. Ela me abraçou e retribui seu abraço.

– Sinceramente, achei que você não iria cuidar da empresa. — Ela falou quando nos afastamos.

– Pois é eu também achei, mas é o que meu pai queria então... — Falei.

– Então, vai realizar seu último pedido, acho isso bonito. — Ela falou sorrindo. — Vem vou te mostrar sua sala. Sabe que depois terá trabalhar na sede principal da empresa, certo?

– A de Nova York? — Perguntei enquanto a seguia.

– Isso mesmo, vai ter que se mudar para Nova York. Mas de qualquer jeito não ia fazer faculdade lá?

– Acabei desistindo da universidade de Nova York, estava pensando em me formar aqui na Universidade de Seattle. — Falei e entramos em uma sala ampla, que tinha uma parede inteira feita de vidro, a qual iluminava o ambiente e dava uma vista maravilhosa da cidade. — Não posso ficar aqui mesmo?

– O problema é que aqui será mais difícil de controlar tudo.

– Não penso em sair de Washington. — Comentei.

– Há algum motivo para gostar tanto daqui? — Emily perguntou arqueando a sobrancelha.

– Não, nenhum motivo. — Falei e lembrei-me de Bella, não a deixaria... e também não acho que ela queira se mudar para Nova York.

– Não quer contar, não conte. — Ela falou e sorri. — Bom... você já conhece a empresa, então vou te mostrar como tudo funciona, ok?

– Ok.

– Vem. — Ela me chamou e saímos da sala, caminhando pelo enorme prédio.



~*~



Era quase meio-dia no domingo, Emily me explicava sobre os contratos e acordos da BMW com outras fabricantes de automóveis.

– Acho melhor irmos almoçar. — Ela falou e concordei. — Vou almoçar em um restaurante que tem no shopping aqui perto, quer vir junto?

– Bom, vou aceitar. Não conheço muitos lugares aqui em Seattle, então... — Falei e saímos.

Caminhamos um pouco pela calçada e vi a grande movimentação, várias pessoas passando por mim, uma grande quantidade de carros... acho que me acostumei um pouco com Forks, que é uma cidade pequena. Entramos shopping enorme e caminhamos pelos corredores lotados deboutiques caras, sem sei se isso é caminhar já que a cada loja Emily parava para olhar a vitrine.

– Desse jeito, nunca vamos chegar ao restaurante. — Comentei.

– Há, há, muito engraçado. — Ela ironizou analisando um vestido na vitrine. — Isso é mal de mulher, todas nós somos assim, não podemos ver uma loja.

– Eu sei disso, eu convivo com Alice. — Falei e ela riu.

– Ok, não vou mais ficar parando. — Falou voltando a andar. — Falando na Alice, como ela está? — Perguntou.

– Ela está bem... consumista como sempre. — Ela riu de meu comentário.

Então passamos em frente a uma joalheria e vi de relance uma pulseira, então parei e voltei alguns passos até a vitrine de jóias.

– Quem está parando agora? — Ela perguntou sarcástica e acabei rindo.

– Não vou demorar. — Afirmei entrando na loja que tinha uma decoração fina e elegante.

– Olá, posso ajudar? — A vendedora perguntou sorridente.

– Queria ver aquela pulseira que está na vitrine.

– Claro, vou pegá-la. Sente-se. — Ela pediu.

Sentei-me e vi Emily entrar na loja, sentando-se ao meu lado.

– O que vai ver? — Ela perguntou.

– Só uma pulseira.

– Hum... para alguém especial? — Perguntou sorrindo.

Emily sempre foi muito curiosa, mas apesar de tudo ela era legal.

– Aqui está. — A vendedora me passou a peça e pude confirmar aquilo que tinha visto na vitrine.

Era uma pulseira de ouro, com um pingente em formato de patins. Era perfeito.

– Eu vou levar. — Falei sem nem mesmo perguntar preço, pois isso não importava. Iria levar de qualquer jeito.

– Quer ver mais alguma coisa? — A vendedora perguntou.

– Não, é só isso, obrigado.

– Realmente não há nenhum motivo para você não querer sair de Washington? — Ela perguntou enquanto saíamos da loja e sorri, apenas negando com a cabeça.

Almoçamos e Emily começou a falar que eu havia mudado bastante e perguntava se a pessoa para quem eu comprei a pulseira tinha alguma coisa a ver com isso. Mas por fim ela acabou desistindo, quando percebeu que não conseguiria nenhuma resposta.



~*~



Agradeci mentalmente quando o sinal anunciou o fim das aulas de segunda-feira. Estava quase enlouquecendo, precisava ver Bella logo. E também queria entregar a pulseira, que no fundo estava com medo de ela não gostar. Sai da sala com a alça da mochila sobre o ombro e fui direto para meu carro, dirigindo rapidamente pelas ruas praticamente vazias de Forks.

Assim que cheguei a casa de Bella, entrei e subi as escadas para seu quarto, mas parei na porta, vendo-a em frente ao espelho. Isabella bem magra por causa do tratamento e me doía muito vê-la assim. Sua pele bem mais pálida do que o normal mostrava que ela não estava bem.

– Isabella? — Chamei-a e então seus olhos encontraram os meus pelo espelho e ela pegou um lenço amarrando-o rapidamente na cabeça.



Bella's POV

Cada lágrima que descia pelo meu resto parecia queimar minha pele. Não tinha forças para respirar.

Isso não podia ser real.

Nada disso é justo.

Tudo de ruim que existia no mundo eu estou sofrendo...


Fui abandonada por meus pais verdadeiros.


Fui torturada na infância.


E agora... tenho um tipo de câncer letal...


Hoje faria uma ressonância magnética, a qual estava com medo do resultado. Não tinha falado para ninguém mas a alguns dias atrás comecei a sentir uma dor forte na cabeça e... o medo está me consumindo por dentro.

Eram nove da manhã quando Carlisle me levou ao médico. Chegamos a clinica e em poucos minutos fui encaminhada a sala onde tive que trocar de roupa, colocando uma adequada para o exame. Alec pediu para eu deitar na mesa de exames. Já acomodada, deitada de costas, meu médico me passou tampões de ouvido, para que os sons que a maquina fazia não me incomodasse então senti a cama se mover lentamente para dentro de um túnel curto. Fechei os olhos e apenas esperei, a ressonância magnética era um exame demorado e enquanto fiquei ali comecei a pensar em Edward.

Voltei no tempo e me vi com ele em meu quarto, ambos deitados na cama conversando sobre assuntos aleatórios, lembrei-me do som de seu coração batendo que eu ouvia quando deitava sobre seu peito. Se passou em torno de 30 minutos quando senti a pequena cama se mover lentamente e antes de abrir os olhos desejei que Edward estivesse ali, que ele estendesse a mão para me ajudar a levantar e me puxasse para seus braços...

Depois de vestir minhas roupas eu e Carlisle fomos encaminhados ao consultório de Alec, onde o esperamos o resultado. Meu médico entrou na sala logo depois segurando um envelope branco.

– E então? — Carlisle perguntou apreensivo.

– Bom... — Ele falou abrindo o envelope e colocando uma foto preta sobre o monitor de luz que ficava na parede. — Precisamos analisar melhor as imagens, por agora posso lhes dizer apenas uma coisa. — Ele colocou a foto sobre a luz e então as imagens em branco ficaram mais nítidas, aparecendo o formato de minha cabeça. — Essa imagem foi logo depois da cirurgia e podem ver que onde ficava a anormalidade, que seria o tumor, não a nada. — Ele falou apontando um certo local.

Realmente não havia nada apenas a massa de aparência lisa de meu cérebro.

– E essa é a imagem de agora. — Ele falou tirando outra foto do envelope e colocando sobre a luz.

Levei as mãos a boca assustada ao ver ali o formado do tumor no mesmo lugar de onde foi retirado.

– Está menor do que antes, mas ainda continua ali. — Ele falou. — Isabella... — Ele começou, sentando-se na cadeira em frente a sua mesa. — ... não há o porque de se preocupar, já esperávamos isso, vamos continuar com o tratamento e vai dar certo.

– O que vai acontecer agora? — Perguntei indignada. — Outra cirurgia? Sessões de radioterapia?

– Isabella, não tenho muito a oferecer. Em relação ao câncer, ainda mas a câncer cerebral a medicina ainda não descobriu muita coisa.


...


Assim que chegamos em casa, fui direto para meu quarto, mas Carlisle apareceu minutos depois.

– Isabella... — Ele falou se aproximando e sentando se ao meu lado na cama.

– Não, Carlisle. — O interrompi. — Não quero passar por tudo aquilo de novo. Eu não vou aguentar, já quase morri na cirurgia, não vou aguentar outra. — Então um silêncio se formou no quarto e acabei quebrando-o. — Já está atrasado para o trabalho. — Comentei.

– Já estou indo. Qualquer coisa me ligue. — Ele falou se aproximando e depositando um beijo em minha teste.

– Tchau. — Falei baixo vendo-o sair do quarto.


Era meio-dia quando Laura me chamou para almoçar, desci as escadas sentindo minhas pernas fracas, mas já estava bem melhor, fazia duas semanas que a quimioterapia tinha acabado e os efeitos colaterais estavam passando pouco a pouco, com o tempo. Agora já não passava mal quando comia alguma coisa e isso era ótimo, até já engordei dois quilos. Depois de almoçar fiquei um pouco na sala, lendo um livro qualquer até Laura ir embora. Então fui para meu quarto, abri a janela para entrar um pouco de claridade, apesar de o sol não aparecer, já que o céu estava nublado. Deitei-me na cama e comecei a assistir um filme qualquer que estava passando.

Olhei no relógio, eram quase três horas, daqui a pouco Edward chegaria. Então as lágrimas começaram a se formar em meus olhos, respirei lentamente tentando me acalmar, eu sabia muito bem o que tinha que fazer, já tinha tomado minha decisão.

Carlisle falou ontem que já tinha contado a Edward sobre minha doença ser pior.... não sei se gostei de ser a última a saber... acho que queria ficar sem saber disso para sempre... mas agora eu sabia... sabia que era bem pior do que todos pensavam. Levantei-me caminhando devagar até meu guarda-roupas, onde ficava meus remédios e peguei aquele que precisava tomar. Peguei a garrafa de água que sempre ficava em meu quarto e tomei a comprimido, colocando a garrafa sobre a minha cômoda. Caminhei até o espelho e encarei meu reflexo. Meu cabelo tinha voltado a crescer, mas os fios ainda estavam minúsculos, o que dava uma cor castanha a minha cabeça. Passei a mão de leve e senti a fina cicatriz da cirurgia.

– Isabella? — Ouvi a voz de Edward e vi ele pelo espelho encostado no batente da porta.

E então peguei rapidamente o lenço que estava ali sobre a cadeira e o amarrei na cabeça, tampando onde antes ficava meus longos cabelos castanhos avermelhados. Agora que fiquei sabendo que Edward já tinha conhecimento de que minha doença era bem mais agressiva fiquei com medo, não sei porque...

Virei-me o encarando de frente e reparei que seus olhos pareciam bem cansados, sem contar as olheiras que denunciavam as noites mal dormidas.

– Como foi o exame? — Perguntou.

– Parece cansado. — Falei e ele percebeu que eu não queria falar sobre o exame e respeitou isso.

– Tinha várias provas essa semana e não dormi muito.

– Isso não é justo... — Falei. — ... se não passasse as tardes aqui cuidando de mim, teria mais tempo para estudar.

– Isabella... — Ele falou meu nome, indignado com o que eu acabei de falar. — Não venho aqui cuidar de você, venho porque quero ficar com você.

– Ou são as duas coisas? — Perguntei e ele me encarou, o silêncio reinando durante alguns minutos.

– O que foi? — Ele perguntou se aproximando. — Você chorou?

– Não, Edward. — Afastei-me dele.

– Bella. — Ele me chamou sem entender meu comportamento.

– Não me chama de Bella, já pedi isso.

– Desculpe, mas esse vai ser seu único pedido que não vou realizar. — Ele falou sorrindo.

– Isso não vai dar certo. — Afirmei e vi seu lindo sorriso se desmanchar. — Eu vou piorar, o câncer vai me matar pouco a pouco e se não matar o tratamento vai. Isso que estou passando não é nada comparado ao que vou passar com o tratamento do glioblastoma, se é que tem como tratar isso... — Falei e me surpreendi ao perceber como minha voz se mantinha firme.

– O que está falando? — Ele falou com o medo estampado nos olhos.

– Não dá, Edward. — Falei. — Não quero vê-lo assim... não quero que sofra ou seja prejudicado por mim.

– Bella...

– Vai embora. — O interrompi.

– O que quer dizer com isso? — Ouvi sua voz baixa e hesitante.

– Quero dizer que não podemos ficar juntos. — Sussurrei. — Por favor, vai embora. — Falei baixo, o interrompendo antes que pudesse dizer algo que me fizesse voltar atrás e virei-me ficando de costas para ele, fitando a paisagem através da janela.

– Eu não vou embora. — Ele falou com a voz firme e tocou meu braço fazendo-me virar e encará-lo.

– Isso é errado, muito errado. — Falei me afastando. — Hoje, voltei da clínica com uma decisão tomada: eu iria me afastar de você. Porque não é justo...

– Não, Bella. Realmente não é justo. — Olhei-o surpresa ao ouvir ele falar isso sério e em um tom de voz alto, enquanto se afastava um pouco. — Mas se esse for o preço... o preço para ficar com você... — Então ele voltou a se aproximar. — Eu prometi que não ia te deixar, aquele dia no hospital jurei que iria segurar sua mão, mas não jurei só por aquele momento. Sempre vou estar aqui, ao seu lado segurando sua mão e te dando apoio. — Falou seus olhos presos nos meus, enquanto ele entrelaçava sua mão na minha. — Eu não vou embora, porque eu te amo. — Sussurrou bem próximo de mim, tocando de leve seus lábios nos meus e logo depois depositando um beijo em minha testa e puxando-me delicadamente para seus braços.

– Eu só preciso ficar um pouco sozinha. — Pedi, mesmo não querendo que ele não fosse embora, mas sabia que ele entenderia.

– Ok. — Ele concordou e nos afastamos. — Eu vou, mas eu te ligo a noite. — Avisou e eu apenas assenti, voltando a olhar a paisagem pela janela.

Ouvi os passos de Edward se distanciando, só que ele parou no meio do caminho.

– Aliás, o final de semana inteiro sem você, em Seattle, foi uma tortura... não consegui parar de pensar em você. — Ele comentou baixo e o som abafado de seus passos ficarem mais baixo até eu não poder ouvir mais.

Virei-me e vi o quarto vazio, logo depois ouvindo o baixo som da porta de entrada se fechar. Sabia que ele faria o que eu pedisse... mas não podia ficar sem ele, então...

Sentei-me na cama e vi uma caixinha pequena ali ao meu lado, colocada cuidadosamente sobre o edredom que forrava a cama. Peguei a pequena caixa de veludo preto e a abri lentamente, revelando uma pulseira de ouro com um pingente no formato de dois patins de patinação artística. Senti a pequena lagrima descer pelo meu rosto e uma dor aguda em meu peito... Ele realmente havia se lembrado de mim, ele realmente se importou, realmente pensou em mim...Novamente as lagrimas se formaram em meus olhos, eu precisava colocar um ponto final nisso... Edward tinha que seguir sua vida... mas e se sua vida fosse ao meu lado?

– Não, Isabella.. a vida dele não é ao seu lado. — Falei para mim mesma.

Assim que anoiteceu o meu celular tocou, era Edward. Mas não atendi e após a terceira ligação eu desliguei o aparelho. Nem sei como consegui dormir, só sei que passei a noite inteira segurando fortemente o pingente da pulseira.



Acordei arrasada, sem saber o que fazer.

Era em torno de uma da tarde quando Laura foi embora e Lindsey apareceu, ela sempre vinha me ver.

– Oi. — Falei sorrindo, feliz por vê-la e me sentei na cama.

– Oi, flor. — Ela falou e veio me abraçar. — Como está? — Perguntou quando nos afastamos.

– Estou bem melhor.

– Então acho que já podemos começar os treinos. As regionais acontecem daqui um mês, ou talvez menos. — Ela falou.

– Não acho uma boa ideia, Lindsey.

– Isabella... vou ter que te convencer de novo.

– Eu...

– Você já chegou nas regionais, não vai para agora ou vai?

– Você está certa, não vou desistir. — Falei e ela sorriu.

– Ótimo, então vamos começar a preparar a coreografia. — Falou animada. — O que acha de anotarmos uma série se movimentos que quer realizar, ai no primeiro treino, já vamos ter uma base do que fazer.

– Ok... — Falei me levantando e pegando uma caderno e uma caneta. — Vamos anotar. Você escreve. — Passei o caderno para ela.

Agora estávamos as duas deitadas na cama e tínhamos três páginas lotadas de nomes de movimentos.

– Acho que isso está bom. — Lindsey falou sorrindo.

– Também acho. — Falei.

– Nossa, já são três horas! — Ela falou surpresa quando olhou no relógio. — Eu tenho que ir.

– Amanhã começamos os ensaios? — Perguntei enquanto ela se levantava.

– Sim, amanhã nesse horário, ok?

– Ok. — Falei me levantando também. — Vou com você até a porta.

Descemos as escadas e abri a porta para ela, que me abraçou antes de sair.

– Tchau.

– Tchau. — Falei vendo-a sair e vi o Volvo preto estacionar em frente a minha casa.

– Droga. — Murmurei para mim mesma quando senti meu coração perder uma batida ao ver Edward sair do carro.

Ele caminhou em minha direção, estava todo vestido de preto e percebi como ele ficava lindo com roupa de cor escura.

– Poderia deixar o celular ligado? — Perguntou talvez um pouco irritado. — Fiquei preocupado.

– Desculpe. — Falei. — Não vai poder ficar aqui.

– O que?

– Tenho que ir no médico, logo Carlisle vai chegar para me levar. — Menti, tentando ao máximo parecer verdade e acho que consegui.

Edward me encarou e tenho certeza que ele percebeu ser mentira.

– Ok, então... — Ele me olhou e pude ver a dor em seu olhar e realmente me odiei por fazer isso com ele, mas precisava afastar Edward de mim. — ...nós vemos amanhã? — Ele perguntou esperançoso e não podia magoá-lo então apenas assenti. — Fico feliz em ver que gostou do presente. — Comentou segurando minha mão direita, onde estava a pulseira com o pingente em formato de um par de patins.

– Obrigada, eu adorei. — Sussurrei e ele se aproximou depositando um beijo delicado em minha bochecha.

E então o vi se virar e caminhar para seu carro, ouvi o baixo som do motor e o Volvo sumiu no final da rua. Fechei a porta tentando afastar a culpa que me consumia.



~*~


Comecei a treinar e me preparar cada vez mais para as regionais, Alice sempre estava em meus treinos... e sempre dava palpites, já que ela decidiu que vai fazer minha roupa de apresentação. Posso dizer que eu e Alice nos tornamos inseparáveis, ela as vezes passava a noite comigo e me tornava sua boneca, me maquiando e vestido como quisesse. Mas tirando isso ela era a irmã que não tive. Ela achava errado minha decisão de afastar Edward aos poucos, mas mesmo assim não se intrometia. Agora eu e Edward passávamos menos dias juntos, as vezes apenas um dia na semana. Isso era horrível... mas necessário.

Ouvi a campainha tocar e desci as escadas para abri a porta, me deparando com uma baixinha toda vestida de rosa, com uma batom dourado nos lábios.

– Ooooiii! — Ela falou me abraçando.

– Oi, Alice. — Retribui seu abraço. — Trouxe uma primeira versão do vestido que irá usar nas regionais.

– Preciso ter medo? — Perguntei, já imaginando algo cor de rosa e cheio de brilho.

– Não, bobinha. — Ela falou revirando os olhos e sorri, enquanto subíamos a escada. — Sei que vai amar.

Chegamos ao meu quarto e ela tirou uma caixa da sacola que carregava, me passando um vestido azul claro, um pouco rodado, quase parecido com um vestido de bailarina.

– É lindo Alice. — Falei.

– Eu sei. — Falou convencida e rimos. — Mas eu tive uma ideia, que sei que você vai gostar.

– Qual? — Perguntei, vendo-a tirar da sacola uma caixinha pequena.

– Olha isso. — Ela falou abrindo a caixinha e me passando o que parecia pétalas de flor, só que eram azuis. — São pétalas artificiais e eu pensei que podíamos colar isso em volta de seu olho. — Explicou, colocando uma pétala perto de seu olho. — Vai ficar perfeito.

– Ok, mas com que vou colar isso na pele? — Perguntei indignada, não acreditando em sua ideia.

– Ah, sei lá... podemos colar com aquela cola que usa para fixar cílios falsos. — Ela falou sorrindo.

– É, pode ser... — Falei tentando imaginar como ficaria.

– Então, vai provar, preciso ver se as medidas ficaram certas.

– Ok. — Concordei pegando o vestido e indo para o banheiro vesti-lo.

Tirei a roupa rapidamente e coloquei o vestido azul, que ficava bem acima do joelho, olhei no espelho que havia no meu banheiro, tentando ver se a minha cicatriz não iria aparecer. No dia da competição não teria problema, já que eu uso meia calça da cor da pele, o que tampava a marca na parte interna de minha coxa. Reparei que o vestido ficou um pouco largo, será que eu havia emagrecido mais?!

– Alice, ficou largo. — Falei saindo do banheiro.

– Ficou perfeito, já mandei fazer maior pois você vai engordar até o dia da competição. — Afirmou.

– Será? Está sendo difícil engordar. — Falei sorrindo, sem ânimo.

– É por isso que trouxe algo que minha avó fazia. — Ela falou tirando da sacola um pote médio, onde tinha um pó escuro. — Você vai colocar uma colher disso no liquidificador com um copo de leite.

– O que é isso? — Perguntei tentando decifrar o que tinha ali dentro.

– Vários tipos de vitaminas, faz bem para pele, aumenta as defesas do corpo, dá energia, aumenta o apetite e faz o cabelo crescer mais rápido, com brilho e maciez. — Explicou sorrindo. — Fique traquila, nossa avó fazia eu e Edward tomar isso quando éramos pequenos, lembro que Edward reclamava um pouco pois tem um gosto meio ruim. — Ela falou vendo minha cara de assustada. — O que não mata, engorda. E já que você esta precisando engordar...

Ri ao ouvir toda a explicação.


...


Estava sentada no sofá lendo um livro, Alice tinha acabado de ir embora quando ouvi a porta se abrir.

– Oi, Carli... — Minha voz falhou ao ver Renée entrar e atrás dela Carlisle.

Renée tinha uma expressão que me lembrava a medo e ao mesmo tempo felicidade, se é que isso era possível, enquanto se aproximava de mim. Carlisle continuou no mesmo lugar, perto da porta, encostado na parede.

– Podemos conversar? — Minha tia perguntou e fiquei meio paralisada. — A sós. — Pediu e apenas assenti.

Vi ela caminhar para o escritório e fui atrás dela, olhando para trás e vendo Carlisle sorrir de canto, um sorriso cansado.

– Isabella... — Ela começou fechando a porta assim que entrei no escritório silencioso. — ... em primeiro lugar quero te pedir desculpas. Nunca devia ter dito o disse, quero realmente que me desculpe, não tinha a intenção... — Pediu com pequenas lágrimas se formando em seus olhos.

– Tudo bem, Renée. — Falei baixo a interrompendo.

– Eu e Carlisle conversamos durante essa tarde e decidimos que vamos nos separar. — Falou, mudando de assunto. — Você é menor de idade e eu ainda tenho a sua guarda, mas como sei que você não vai querer ficar comigo... já dei entrada nos papeis para passar todos os direitos de sua guarda a Carlisle. — Ela falou e sinceramente não soube o que dizer.



Notas finais
Então pessoal,
Estou pensando em escrever que Alice e Bella vão a uma festa a fantasia... mas agora eu pergunto: Do que elas iriam fantasiadas??
Beijoss
Até a próxima.