Nunca Disse Adeus
9 Capítulo 9: A Mais Pesada Lágrima
Notas iniciais
Todos já haviam ido embora, principalmente Lou que se foi sem se quer se despedir de mim. Depois de arrumarmos a bagunça eu fui para o quarto, descansar. Mas infelizmente eu não consegui pregar o olho.
Lou me fez pensar se não haveria mesmo um jeito melhor para isso. Eu ainda o amo e o quero perto de mim, mas eu não poderia jogar o meu emprego fora, eu lutei muito para conseguir isso e eu não sei que decisão tomar. Não vou dizer que não passa pela minha cabeça largar tudo e ficar com ele, mas eu não posso fazer isso eu estou feliz onde eu estou agora e não quero abrir mão disso. Escuto uma batida na porta do meu quarto, me tirando de dentro da minha cabeça confusa.
– entra! – levanto a cabeça para ver Lindsay na porta, minha filha estava mais linda do que nunca. Eu finalmente encerrava com glória o meu papel de mãe, depois de muitas conturbações meu trabalho deu resultado e não há coisa mais gratificante. Eu forço um sorriso para ela.
– não force um sorriso para mim, eu odeio quando você faz isso. – ela diz sorrio triste, ela revira os olhos.
– que grande diferença. – ela ironiza vindo até mim na cama e se deitando ao meu lado fazendo cafuné na minha cabeça. Um lapso de memória me invade e sou levada para noite em que Eddie morreu, eu chorava e ela me consolava, isso era tão errado. Lindsay era uma grande garota, passou por tantas coisas e se tornou uma grande mulher da qual eu nunca vou me cansar de sentir orgulho, e agora eu já tinha os olhos cheios de lagrima e o que eu mais queria era chorar, mas me seguro eu estava ali para ficar feliz ao lado dela e não para sofrer pelo amor que eu sinto pelo Lou.
– vai atrás dele. – ela diz.
– não Lindsay, eu não vim até aqui por ele, eu vim até aqui por você, para ver você, para matar a saudade que eu estava de você. E eu não suportaria ter que me despedir novamente, é demais para mim. – minha garganta parece fechar e meus olhos se enchem de lagrimas. Ela abre a boca para falar, mas eu a corto. – fim de assunto Lindsay.
– tudo bem eu só queria ajudar. Olha o colar que o George me deu de aniversario! – ela me mostra o colar em seu pescoço.
– é da banda que eu gosto, como ele sabia?
– não sei filha, ele gostou mesmo de você talvez tenha descoberto.
– aposto que foi você quem disse.
– eu posso ter comentado e se ele lembrou é sinal de que ele se importa.
– você acha? – minha filha pedindo conselhos para mim era um tanto quanto irônico. Ela sabe que eu sempre estrago tudo por que ela faria alguma coisa da qual eu dissesse?
– é claro que eu acho.
– como ele é? – ela pergunta.
– é uma ótima pessoa, meu amor. Mas agora me diz como está a faculdade?
– sabia que você ia perguntar.
– está no contrato de mãe que eu assinei. Cláusula 18 artigo 9 se preocupar com os estudos do filho mesmo depois de velho e estar sempre...
– está bom mãe eu já entendi. – ela diz e nós duas sorrimos, era tão bom ter ela por perto novamente. Eu daria tudo para que ela voltasse a ter dois aninhos e dependesse de mim para tudo.
– eu estou adorando o curso e meus amigos, é tudo perfeito.
– eu fico realmente feliz que você esteja dando um rumo a sua vida.
– eu sinto sua falta. – ela diz e é como se eu levasse uma facada no coração.
– eu também filha, todos os dias da minha vida, não tem um só em que eu não pense em você. – eu tentei não chorar, mas não deu, eu sentia muita falta dela, a saudade é a pior coisa do mundo, te faz lembrar-se dos momentos bons e acordar para a falta deles.
– mãe, eu não quero te ver chorar. – ela diz já chorando também. Eu dou um sorriso em meio às lágrimas que caiam.
– eu te amo demais, você é a coisa mais preciosa da minha vida, viu? – eu lutava para conseguir dizer as palavras tão dolorosas de sair.
– você também mãe! Eu te amo. – eu a abraço forte e deixo as lagrimas caírem.
Nós iríamos embora hoje à noite e eu queria rever o pessoal do lab. me despedir, então assim que acordei me arrumei e fui para o lab. eu tomava coragem para entrar, já daqui de fora dizendo a mim mesma, repetidas vezes, “não vai chorar”, mas já sabendo que seria em vão.
Caminho para dentro em passos firmes como eu sempre fiz. Todas as memórias me voltam tudo que eu vivi ali dentro, todas as pessoas que fizeram parte da minha vida estavam ali atrás das portas de vidro por onde eu passei milhares de vezes.
Meu coração aperta ao passar pela porta e perceber que pouca coisa mudou, eu ainda reconhecia algumas pessoas, também não fazia muito tempo.
– Cath? – escuto sua voz familiar e me viro.
– Nick! – ele me abraça.
– veio relembrar os bons tempos?
– é!
– vem estão todos na sala de convivência comendo como sempre. – sorrio e ele me puxa pelo ombro, como se eu não soubesse o caminho. Os corredores eram os mesmo, as cores eram as mesmas, os objetos, eu parecia ter voltado no tempo. Passamos em frente a minha sala e me paro na porta olhando, essa sim estava completamente diferente, nada ali indicava que ela algum dia tinha sido minha.
– tudo bem?
– tudo, é só que... É como se essa sala nunca tivesse sido minha.
– na sua memória você sabe que ela foi sua. E não existe um pedaço de você com ela, mas eu tenho certeza que existe um pedaço dela com você. A memória é muito importante é ela que determina quem nos somos e no final é isso que nos tornamos apenas uma memória para quem nos ama, e eu te garanto que se depender disso você nunca será esquecida. – eu já quebrava minha promessa de não chorar, Nick sempre foi muito importante na minha vida e eu me lembrarei dele sempre.
– vamos? – ele diz e continuamos.
Fui recebida por todos com abraços e tomamos um café conversando sobre banalidades e sobre o caso em que eles estavam.
– ela foi amarrada pelos pés. – DB diz. Eu pego a foto da mão dele e analiso.
– ela foi amarrada por um canhoto, a ponta direita está por cima. – eu digo colocando a foto de volta na mesa e comendo uma torrada.
– o namorado é canhoto. — diz Nick sorrindo para mim.
– afiada como sempre! – diz Sara também sorrindo.
– uma vez CSI sempre CSI é como andar de bicicleta. – eu digo.
– vamos trabalhar parece que resolvemos o caso.
– vou querer minha comissão por isso viu? – eu grito e DB sorri balançando a cabeça e saindo com o resto da equipe. Eu olho todos saírem e permaneço sentada.
– você não tem vontade de voltar? – Greg me pergunta e agora percebo que ele não se moveu
– às vezes sim. Mas ai eu me lembro dos motivos que me fizeram ir embora.
– que eu até hoje não entendo quais foram. – ele me diz.
– nem eu mesmo sei ao certo. Parecia que eu perdi a pena, eu via uma vitima, uma família que perdeu alguém muito importante e eu não conseguia sentir mais nada, não consegui sentir mais compaixão, eu só ficava pensando em acabar logo com isso para eu poder ir para casa, e isso estava me fazendo mau. Eu acho que se você vai fazer alguma coisa ou você faz direito ou você cai fora não existe meio termo. – ele balança a cabeça em afirmativa
– você sempre foi alegre Greg, está sempre vendo o lado bom das coisas, não abandone isso ouviu? Jamais. – eu digo e nos olhamos por um longo momento até que eu decido quebrar esse clima ruim.
– vamos, você tem um caso para resolver o que está fazendo aqui ainda? – eu pergunto e ele sorri.
– sim supervisora. – ele diz e eu sorrio e ele se vai. Mas meu sorriso se vai junto. As coisas não tinham ido tão bem quando eu era supervisora e depois que Grissom saiu, eu fui me perdendo aos poucos, ele era a cola que nos unia e eu não fui o suficiente para manter a equipe junta. Talvez se tivesse sido diferente, se ninguém tivesse saído ainda estaríamos unidos, mas com a morte do Warrick parece que alguém jogou solvente na nossa cola e tudo foi se perdendo.
– você aqui? – ele me pergunta da porta, e o que eu posso fazer é sorrir, mesmo que fosse difícil.
– tudo bem?
– sim e você?
– bem, relembrando?
– bem, eu diria matando a saudade.
– ela morre? Me diz como por que está difícil viu.
– infelizmente eu não sei.
– você aqui me trás muitas lembranças.
– isso é ruim para sua tentativa de assassinato. – eu digo e o vejo sorrir, meu coração aperta ainda mais.
– que tomar um café comigo? – ele me pergunta.
– não! Me despedir de você outra vez é demais para mim. – eu digo e me levanto e simplesmente saio passando por ele, lutando comigo mesma para não chorar e para não parar e ficar ali para sempre. Eu vou embora e ele fica mais uma vez, e eu vou carregando comigo a mais pesada das lágrimas aquela que não cai.
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