Numberman
7 Interrogatório
Cisco se contorcia de dor. Petrov tinha apertado demais as cordas que o prendia na cadeira.
Ambos estavam em uma sala escura, fria e com um cheiro excessivo de mofo. Cisco estava no centro, sentado com apenas uma luz em cima da sua cabeça. Um verdadeiro cenário de interrogatório:
– Olá, Francisco Ramon. Seja bem-vindo ao seu novo lar. Temporariamente.
– Quem é você? O que você quer? Tire-me daqui! Socorro! Socorro! Fui sequestrado!!
– Não adianta gritar. Ninguém vai te ouvir. Apenas fique em silêncio e tudo ocorrerá conforme eu quero. Aliás, estou cansado de ficar aqui em pé. Acho que vou ir direto ao ponto. Você tem uma coisa que eu quero e preciso. Muito.
Um silêncio feito para o prisioneiro refletir. Falhou:
– Não entendi. Por favor, não tenho nada. Apenas me tire daqui. Estou com medo. Socorro!!
Petrov deu um soco em Cisco. Ele caiu com cadeira e tudo, batendo a cabeça. Petrov o colocou de volta ao lugar, tirando-o do chão, mas com a pancada, Cisco havia desmaiado.
Alguns minutos se passaram e Cisco acordou, agora sem a fita que estava amarrada em seu rosto para impedir sua visão:
– Onde está a famosa pedra filosofal?
– Pedra filosofal? Do que está falando? – perguntou, confuso.
– Uma pedra laranja e brilhante, no formato de uma pirâmide. Você realmente tem ela e vai ser obrigado a me dar a sua localização, antes que algo aconteça com você. Com as pessoas que você ama.
– E-Eu não sei do que você está falando. – Cisco fechou sua expressão. Um rosto frio e determinado a esconder algo realmente importante.
– Eu sei que você está mentindo. Vou te contar uma coisa: ninguém mente para mim.
O silêncio e tranquilidade tomou conta do lugar. Cisco começou a se debater na cadeira e gritar:
– O que você vai fazer comigo? Aonde você está? Por favor, não faça nada comigo.
– Voltei. – disse Petrov, com um maçarico.
O som do instrumento fez Cisco gritar de medo.
– Vou te dar algumas oportunidades. Vou fazer algumas perguntas. A cada pergunta não respondida, uma parte do seu corpo será queimada. Vou fazer de você um boneco de plástico e te derreter lentamente. Verei o plástico se tornando uma mistura de água, sangue e colágeno.
– Não!!! Por favor!!!
Cisco estava quase chorando de medo.
Petrov pegou uma cadeira lá do canto e sentou bem próximo de Cisco – o suficiente para começar a tortura – e fez a primeira pergunta:
– O que é esta pedra filoso1fal?
– E-Eu realmente não sei! Eu juro por tudo.
– Por todos?
– Sim! Exatamente! Por todos!
– Por Caitlin?
– Sim!
– VOCÊ ESTÁ MENTINDO!
Petrov ligou o maçarico e se aproximou da mão do interrogado. Cisco gritou de dor quando sentiu sua mão ser lentamente destruída pelo maçarico:
– PARA! POR FAVOR! PARA!
Petrov se sentiu o máximo e parou. Fez a segunda pergunta:
– Onde está a pedra?
Cisco começou a morder os lábios – de dor e de auto repulsa por estar quase abrindo a boca.
O maçarico começou a ser ativado novamente e o seu barulho amedrontava:
– Vou repetir: onde está a pedra?
Houve, ali, uma hesitação, mas a pergunta foi respondida com desespero, medo e arrependimento:
– No laboratório.
– Qual laboratório? – depois de um tempo sem resposta, a mesma pergunta.
– No laboratório do Harrison.
Petrov sorriu e comentou:
– Realmente isso deve ser um alívio para você. Desculpa por isso, mas realmente não queria ter torturado você. Apesar que queimei apenas um terço da sua mão esquerda.
– Seu maldito. Você vai pagar caro pelo que está fazendo. Ele virá atrás de você.
– Ele quem?
– Você saberá!
Petrov deu uma “coronhada” com o maçarico na cabeça de Cisco, que novamente caiu com a cadeira e desmaiou. Pegou o telefone e iniciou uma ligação:
– Alô? Dr. Albert? Eu descobri a localização da pedra. Ela está naquele laboratório que você comentou, onde Cisco trabalhava. Falando dele, ele está aqui comigo. Tirei a informação dele... Não. Não fiz nada com ele. Ele está bem. Eu prometo... Sim, claro. Vou libertar ele. E enquanto o plano? Qual é ele?... Entendi. Vou fazer exatamente o que você pediu.
Petrov desligou o telefone e desatou o nó da corda que prendia Cisco:
– Até mais! – Despediu-se, saindo pela única porta dali.
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