Numb
5 quarto capítulo ::
Notas iniciais
O sol estava radiante meio ao céu sem nuvem alguma, manhã mais que perfeita para atividades ao ar livre. Alice, Rosalie e Edward, os irmãos Cullen, estavam na piscina aproveitando. Rosalie deitada em uma cadeira de praia ao lado da piscina, usando um biquíni azul turquesa que valorizava suas belas e definidas curvas, seu corpo e rosto estavam com protetor solar. Alice, ao seu lado, estava sentada na borda da piscina com os pés dentro da água e o rosto para o céu, suas curvas não eram tão acentuadas como as de Rosalie, mas o biquíni cor-de-rosa, sua cor favorita, lhe caia perfeitamente bem. Edward estava dentro da casa pegando o celular que tinha esquecido, pegou-o e colocou encima da mesa com os lanches bem afastado da piscina e sob uma toalha grossa de banho. Saiu correndo, pulou na piscina segurando as pernas no peito e atirando água para todos os lados.
— Edward! — Rosalie reclamou abrindo os olhos quando sentiu a água gelada lhe atingir de surpresa. — Seu desgraçado, meu cabelo!
— Qual é Rosalie? Estamos na piscina, temos que nos molhar. — ele brincou animado. — Não é, Alice?
— Claro! — ela respondeu rindo, ainda sentada e sem se irritar com a brincadeira do irmão. Sabia que tinha algo diferente nele, estava mais feliz. — Não liga Rosalie, o Edward está todo animado depois do encontro com a... Bella!
— Ah, a Bella. A menina que todo mundo conheceu e eu não? — Rosalie perguntou indignada e se sentando.
— Todo mundo? Que exagero! — Edward respondeu revirando os olhos e sorriu: — A Katie Holmes, Jennifer Garner ou a Sandra Bullock não sabem ainda.
— Edward e sua fixação pelas três. — Alice comentou e Edward lhe mostrou língua, ela fez o mesmo.
— Elas nem te conhecem ou são suas irmãs. E só pra dizer, citar elas três foi extremamente gay da sua parte. — fez beicinho. — Eu quero conhecê-la, Edward.
— Ela é incrivel Rosalie, super fofa e simpática, eu adorei ela! — Alice disse sorrindo com a intenção de provocar a irmã.
— Tudo bem Rose, eu vou apresentar a Bells a você não precisa se preocupar, mas tudo ao seu tempo certo? Ainda estamos nos conhecendo, não quero apressar nada e arriscar estragar algo.
— Qual é? Por que apresentando ela a mim vai estragar algo? Você a apresentou a Alice. — respondeu indignada novamente e bufou. — Chatos, sempre me excluem de tudo.
— Oh meu deus, como ela é ciumenta. — Alice brincou mexendo no pé dela.
— Eu vou te apresentar ok? Ainda essa semana, agora não precisa de ciúmes. — ele andou até a borda da piscina onde Rosalie estava e tocou sua barriga. — Sorri vai, tira esse bico da cara.
— Para Edward! — ela tentava controlar o sorriso.
— A água está deliciosa, entra.
— Não quero!
— Mas eu quero, então... — ele sorriu faceiro e Rosalie entendeu o que ele pretendia fazer, arregalou os olhos.
— Não Edward, não... — foi tarde demais, Edward a puxou para a piscina com cadeira e tudo.
Rosalie foi pro fundo enquanto a cadeira ficou na superfície, Edward a tirou da piscina para que não se machucassem e depois puxou Alice também para a piscina. Rose ficou irritada por ter molhado o cabelo, mas depois relaxou brincando com os irmãos na piscina. Carlisle e Esme já tinham saído para o novo hotel, demorariam a chegar. O casal Cullen sempre fora muito ocupado, os três sabiam disso e já tinham aprendido a não se chatear com isso, se acostumaram.
Ficaram vários minutos na piscina antes de saíram para lanchar ali mesmo, na mesa ao lado preparada pela empregada da casa com várias coisas. Os três se sentaram conversando. O telefone de Edward tocou, no visor mostrava o nome de Bella, um enorme sorriso brotou em seu rosto instantaneamente, ele terminou de mastigar e engolir o sanduíche que tinha na boca e atendeu.
— Alô, Bella? — falou tentando controlar a animação.
— Alô, Bella? — Rosalie o imitou com uma voz afeminada, Alice riu.
Ele mostrou a elas o dedo médio, se levantou e se afastou pra ter privacidade.
— Oi Edward, desculpa está ligando assim do nada, é que... Será que podíamos sair? Eu... Eu não quero ficar em casa ou... Ai desculpa, estou me sentindo uma completa idiota. — ele escutou a voz dela meio embriagada, sentia que ela parecia estar triste.
— Aconteceu alguma coisa Bella?
— É, aconteceu, mas... Podemos conversar pessoalmente? — a voz dela era chorosa.
— Claro, onde nos encontramos? — perguntou preocupado.
— No Central Park, pode ser? Em frente ao Starbucks.
— Tudo bem, eu só vou me trocar e estou indo para lá agora, está bem? Fica calma, Bells.
— Tá bom, eu também estou indo, tchau... Obrigada!
— Não precisa agradecer, até. Beijo! — ele desligou.
Ele explicou para as irmãs que iria sair, não disse o que estava acontecendo, nem ele mesmo sabia, mas entrou para casa. Subiu para o quarto e tomou um banho rápido para tirar o cloro da piscina no corpo, vestiu uma calça jeans e uma camisa de flanela xadrez azul e uma sandália masculina marrom. Pegou as chaves do carro e celular saiu rapidamente de casa, estava preocupado com a Bella.
Bella esperava do outro lado da rua em frente ao Central Park. Usava um vestido preto frente única que ia até o meio de suas belas coxas justo apenas na cintura, ideal para o calor, uma sapatilha preta delicada nos pés e uma bolsa mediana transversal. Não tinha passado muita maquiagem deixando sua pele mais pálida e ficou coçando por um tempo os olhos deixando-os vermelho. Viu o volvo prata chegando e procurando um lugar para estacionar, respirou fundo e se preparou para o espetáculo. Manteve sua concentração e sentiu seus olhos começarem a marejar, era boa em fingir choro desde pequena.
— Bella?! — Edward a chamou.
Bella passou a mão rapidamente no rosto, fingindo querer esconder as lágrimas, mas sem a menor intenção de disfarçar, queria que ele percebesse. Virou-se para encará-lo.
— Oi Edward, obrigada por ter vindo. — sorriu timidamente e o beijou no rosto para cumprimentá-lo.
— Não precisa me agradecer, fiquei feliz pela sua ligação, mas o que aconteceu? Você estava chorando? — perguntou preocupado e tocou o rosto dela.
— Eu estou bem, é que... Não tinha com quem conversar.
— O que aconteceu?
— Eu fui demitida... Acabei de ser demitida e só por que... Ah, deixa pra lá. Isso nem é da sua conta e eu te chamei para ficar contando os meus problemas, desculpa. — abaixou o rosto, constrangida.
— Não seja boba, vamos nos sentar e você me conta tudo está bem? Vamos Bella, eu quero saber.
Ele pegou sua mão e a puxou para umas pequenas mesas que as pessoas usavam para conversar ou lanchar, sentaram-se frente a frente e Edward ficou segurando sua mão, acariciando-a.
— Diz!
— Edward...
— Por favor? — ele pediu. — Se algo está te chateado realmente me importa, o que aconteceu?
— Eu trabalhava em um pequeno bar perto de onde eu moro, não é um bar muito bem freqüentado ou dos que você está acostumado a ir, mas era um trabalho e eu precisava do dinheiro né? Mas o dono do bar começou a tentar certas... Intimidades comigo, eu me esquivava, mas ai ele... — ela parou no meio da frase e abaixou o rosto chorando.
— Ele fez alguma coisa com você Bella? — Edward sentiu uma onda de raiva lhe tomar.
— Não! Eu consegui fugir, mas ele tentou. — mentiu. Ela ergueu o rosto. — Ele me agarrou enquanto eu estava na dispensa e começou a me beijar, não estava bêbado ou algo do tipo, mas me agarrou. Eu não quis dormir com ele e lhe dei um tapa no rosto, ele me demitiu por isso.
— Oh Bells... Eu sinto muito. — ele disse sem saber o que dizer, apenas acariciando sua mão. — Você quer ir a policia? Podemos dar queixa desse homem.
— Não, eu só quero esquecer... Eu te chamei por isso, quando estou com você consigo esquecer meus problemas. — ela sorriu timidamente. — Gosto da sua companhia.
— Obrigado por ter pensando em mim, eu também adoro ficar com você. Não fica assim ok? Você é muito melhor que isso, vai conseguir outro emprego rapidamente.
— Obrigada.
— Mas e nesse tempo? Você não vai passar nenhum tipo de dificuldade né? Eu posso...
— Não completa essa frase, não te chamei para pedir seu dinheiro. Edward, eu sou pobre e sei disso, qualquer pessoa maldosa que me vê com você vai logo pensar que é por causa do seu dinheiro, não quero isso.
— Eu sei disso, desculpe se te ofendi.
— Tudo bem... Eu sou meio orgulhosa assim mesmo! — ela riu. — Eu tenho um dinheiro guardado no banco, está tendo algum rendimento então vou conseguir me manter por alguns meses, sou só eu mesma né?
— Tá bom, mas me prometa se precisar de alguma coisa não vai hesitar em me pedir? Você sabe que não seria problema alguma.
— Eu sei, mas não quero está bem? Agora não quero falar disso, me faça esquecer meus problemas! — ela sorriu. — Tá, eu mudei de idéia.
— Sobre o que? — ergueu a sobrancelha.
— Sobre não querer nada, eu quero. Pague-me um iogurte e eu ficaria muito lisonjeada, senhor Cullen. — sorriu formalmente.
— Pago se você não me chamar mais de Sr. Cullen. Pareceu um daqueles idiotas de terno e gravata que pensam que tem um rei na barriga e o mundo nas mãos só porque tem algum hotel ou alguns milhões na conta. — ele revirou os olhos.
— Qual é? Com alguns milhões na conta eu também sentiria como se tivesse um rei na barriga. — ela riu. — Vamos, pare de enrolar e vamos buscar os nossos iogurtes, você vai tomar comigo!
Eles se levantaram juntos e foram até a Menchie'sFrozen Yogurt, queficava do outro lado da rua há alguns poucos metros da cafeteria. Os dois ficaram vendo o cardápio por vários minutos e então decidiram. Edward foi para a fila pedir e pagar, Bella ficou perto da saída o esperando. Ela estava se sentindo entediada, mas conseguia fingir e manter o sorriso animado no rosto pelo “bem maior”. Edward voltou com os iogurtes em copinhos rosa e uma colher em mãos, os dois saíram juntos as risadas da loja e andaram de volta para o Central Park. O sol estava forte então procuraram um lugar com sombra, andaram para a parte de árvores e gramado, sentaram sob a sobra de uma grande árvore, recostados em seu grande tronco.
— Isso está ótimo. — Bella disse levando uma colherada cheia de iogurte e pedaços de morango a boca.
— Gosta de iogurte? — ele perguntou comendo o dele. Sentia um estranho interesse em cada mínimo e corriqueiro detalhe de sua vida.
— Gosto, desde criança sempre tomei e gostei muito de iogurte. Iogurte, café da Starbucks, pizza de mussarela, lasanha e coca-cola. — ela falou sorrindo e riu. — E o que você mais gosta de comer?
— Gosto...
— Não precisa me responder, aposto que é champanhe e caviar. — ela zombou e riu da própria piada, ele revirou os olhos.
— Não tem graça. Caviar são ovas de peixe e é horrível, nunca viu Nemo? Os peixes são amigos, não comida! — levou uma colherada de iogurte a boca e sorriu.
Bella gargalhou do que ele tinha dito com a boca cheia de iogurte, levou a mão à boca que insistia em se manter aberta enquanto ela ria.
— Está bem, o que você gosta de comer?
— Eu adoro uma comida mexicana. Tacos, Burritos, Quesadillas, Nachos com muito queijo... A empregada da minha casa, a Nanely, é mexicana, então faz uma comida mexicana perfeita, melhor de que as dos melhores restaurantes mexicanos do mundo; é algo caseiro sabe? Então qualquer coisa mexicana eu aprovo. Mas eu também adoro massas e nada supera o macarrão da minha mãe, é a única coisa que ela sabe cozinhar, mas fica muito bom. — ele riu.
— Uau, eu vou querer um dia provar a comida da Nanely, já tentei fazer comida mexicana, mas coloquei tanta pimenta que quase sai cuspindo fogo.
— Não vai querer experimentar a macarronada da dona Esme?
— Eu não tenho a ilusão de que Esme Cullen pare um dia para cozinhar para mim.
— Ela não é exatamente o que aparenta Bella, minha mãe é uma mulher incrivel e muito humana. Ela está por cima, mas continua tratando os que estão por baixo como iguais, eu a admiro muito! — ele falou um pouco ressentido.
— Oh, eu não quis ofender, de verdade.
— Não ofendeu, eu sei a imagem que minha mãe passa sempre ao lado do Carlisle e por ser rica, passa a imagem de uma socialite milionária fútil e idiota, mas ela é muito mais do que aparenta. — ele sorriu sentindo um orgulho da mãe — Está bem, você sabe muito sobre mim e eu não sei nada sobre você, é injusto.
— Grande parte do que eu sei vierem de revistas de fofocas ou digitando Cullen na Wikipédia.
— Mas você sabe de qualquer jeito!
— Está bem, o que você quer saber? — ela perguntou prontamente e levou uma colher do iogurte que estava amolecendo no copo.
— Tudo... Mas aceito um pouco menos. O que você quer contar?
Ela respirou fundo e engoliu seco lembrando da história que tinha criado com Demetri, Riley e Victória sobre a própria vida e sorriu.
— Hum... Eu me chamo Isabella Marie Swan, meus pais se chamavam Renée e Charlie Swan, nasci em Forks, mas fui morar em Phoenix quando eu tinha uns cinco anos por causa dos meus pais, quando completei doze anos voltamos para Forks e fiquei por lá até completar meus estudos com dezoito anos, então me mudei sozinha para New Hampshire, comecei a fazer vários bicose fiz faculdade em Dartmouth. Meus pais morreram em um acidente de carro quando eu tinha dezenove anos. Atualmente moro aqui em Nova York, tenho vinte e um anos, estou desempregada, solteira e sem nenhum outro familiar. — mentiu com uma facilidade que até ela acreditaria em tudo tinha dito, sorriu com o sucesso. — Viu? Minha vida não é tão legal quanto a sua.
— Eu sinto muito pelos seus pais. — falou sinceramente.
— Sem problemas, eles morreram juntos e estão felizes aonde quer que estejam.
— Sua vida não foi fácil, mas não foi das piores certo? — ela assentiu comendo o iogurte. — Eu seria muito hipócrita se reclamasse da minha vida tendo gente em situação muito pior que a minha, mas às vezes queria ter menos.
— Por quê?
— Nunca sei quando uma pessoa está comigo por eu ser o Edward ou por ser um Cullen herdeiro do império hoteleiro, acredite tem uma grande diferença. É muito estranho ter sempre um pé atrás com as pessoas. Até quando criança eu queria menos, eu tinha tudo que uma criança pode querer, mas tudo que eu realmente pedia de noite antes de dormir era que meus pais chagassem de viagem para brincar comigo, pedia em todos os aniversários e natais que meus pais trabalhassem menos e se dedicassem mais a mim e minhas irmãs, mas fazer o que né? É o que tem!
Ela engoliu seco e sentiu uma emoção diferente. Não sabia o que, mas algo que ele tinha dito fez com que ela sentisse o que nunca sentiu em toda a vida. Talvez culpa? Ela ignorou o que sentia e seguiu.
— Sinto muito... Também. — ela disse tocando seu braço e o viu abaixar a cabeça para comer o iogurte. — Tá, falamos do passado e agora vamos falar do futuro, o que você pretende pro futuro?
— Eu gosto de cuidar dos hotéis, fiz administração exatamente para isso, mas quero cuidar de todos sabe? Cuidar dos hotéis pelo mundo e assim poder viajar bastante.
— Também queria viajar, colocar uma mochila nas cosas e o pé na estrada, viajar para todos os lugares possíveis. Demais! Quando morava em Forks vivia acampando, escalando, coisas com aventura. Era legal!
— Quem sabe não viajamos juntos? — ele perguntou sorrindo e ela riu. — Espera, tem iogurte na sua bochecha.
— Eu como igual uma retardada, sempre me sujo. — ela começou a passar a mão na bochecha tentando limpar. — Saiu?
— Não, ainda tem um pouco aqui.
Ele se aproximou para limpar encima dos seus lábios, tocou lentamente com os dedos limpando. Sentiram um a respiração do outro, Bella encarava a boca dele e seus olhos, levou a mão a sua nuca e Edward a beijou. Ela permaneceu com os lábios fechados apenas sentindo os dele, até sentir a sua língua e então os abriu dando passagem. O beijo começou lentamente, bocas se encaixando e se adaptando ao ritmo do outro e quando perceberam já estavam no perfeito sincronismo de um beijo de tirar o fôlego.Bella sentia algo diferente no beijo dele, não era um beijo tão voraz e agressivo quanto dos que tinha provado, era macio e quente, algo que não lhe dava somente tesão, mas sensações inéditas a ela.
— Uau. — foi tudo que saiu pelos lábios dela, juntamente com um suspiro, quando separou os lábios dos dele.
— Foi bom ou ruim? — ele perguntou sorrindo e acariciou seu rosto.
— Ótimo! — sorriu e o beijou novamente.
Sentia necessidade de tê-lo novamente, enquanto beijava tentava não pensar em mais nada, apenas aproveitar o beijo, mas pensava em como não viciar naquela boca... Era bom. Segurou o rosto dele entre as mãos e parou o beijo com um selinho.
— O que vamos fazer agora?
— Vem comigo, vou te levar para um lugar para almoçarmos juntos! — Edward disse sorrindo, deu rápido beijo nela e se levantou.
— Aonde? — ela perguntou ainda sentada.
— Surpresa! — ele riu e a ajudou a se levantar.
Jogaram os copos do sorvete no lixo e andaram juntos para o volvo do Edward. O carro ia à velocidade limite pelas ruas de Manhattan, ela percebeu que o caminho era o do mais novo hotel dos Cullen na cidade, se animou com o pensamento, estava cada vez mais intima. Os dois foram conversando sobre os mais diversos assuntos até chegar ao lugar. Era o maior hotel que ela já tinha visto, deveria dar um lucro e tanto. Paredes brancas, grandes pilastras, manobristas em frente. Encima uma enorme placa com o nome Cullen e a letra C do logotipo e o leão do brasão da família.
— Uau, é um hotel muito bonito! — Bella elogiou olhando pela janela.
— É. — ele suspirou. — Na verdade é um dos mais bonitos da família, meus pais capricharam nele. Mas o melhor é a comida, definitivamente. Minha mãe conseguiu convencer a Naomi, mãe do Jasper, a colocar um Whitlock’s, restaurante dela, nesse hotel e está fantástico.
— É isso que viemos fazer aqui? — ela perguntou sorrindo.
— Sim, vamos almoçar! — ele sorriu e parou o carro.
Ambos desceram do carro e Edward entregou as chaves do carro ao manobrista. Entraram lado a lado no enorme hotel. Edward era reconhecido e cumprimentado por todos os funcionários e alguns hospedes. Se a fachada do hotel encantou Bella, o interior surpreendeu ainda mais e agora ela entendia a fama da Esme como decoradora, estava tudo muito perfeito e luxuoso.
— Edward, Bella! — eles escutaram a voz de Alice, que andavam saltitante até eles com um enorme sorriso nos lábios.
— O que você está fazendo aqui? — Edward perguntou arqueando a sobrancelha.
— Ia ficar em casa sozinha? Até parece. A Rosalie veio comigo e o Emmett também, viemos almoçar aqui no restaurante. — sorriu. — E como você está Bella?
— Atá. Também viemos almoçar!
— Eu estou ótima, obrigada! E você?
— Também, tirando o tédio de ficar sozinha enquanto a Rosalie e o Emmett quase transam no meio do saguão, está tudo ótimo! — as duas riram.
Não conseguiram nem começar algum assunto porque um dos funcionários do hotel, o gerente, se aproximou dos três. Era um homem de meia idade, mas garboso. Seus cabelos elegantemente penteados com gel e levemente grisalhos, usava um terno risca de giz preto e sapatos italianos.
— Senhor Cullen? Eu sinto muito perturbá-lo, mas tem uma ligação.
— George, você não pode resolver? Não estou aqui a serviço. — Edward reclamou.
— Eu sinto muito senhor, eu tentei dizer ao senhor Denali, mas ele insiste em só falar com algum Cullen, principalmente você ou seu pai. — George explicou-se. — O senhor Carlisle, deixou bem claro que não poderia perder o contato com o Denali, que era de extrema importância que ele fosse bem atendido e continuasse com a negociação... É o meu emprego em jogo, eu sinto muito.
— Sem problemas, só um minuto então, já estou indo.
George assentiu e saiu andando. Edward se virou para as meninas revirando os olhos e bufou.
— Aposto que é tudo mais um capricho da Tanya. — Alice resmungou.
— Tanto faz, vou logo me despachar deles e já volto Bella! Fica com ela enquanto isso, Alice, sem surtos com ela hein?
Edward seguiu para a recepção do hotel e atendeu ao telefone. Alice entrelaçou o braço ao de Bella e a carregou consigo para lhe mostrar todo o enorme e novo hotel. Mostrou-lhe o saguão inteiro, contou a história de alguns quadros, tapetes, contou algumas histórias enquanto Edward permanecera no telefone.
— Uau, é um hotel muito bonito realmente! — Bella suspirou sorrindo.
— É, é um dos mais bonitos e entrou na lista dos meus preferidos, mas têm melhores. Os de Londres, da Austrália, do Brasil e do México são melhores, todos na lista do “top 10”!
— Oi meninas, estou de volta. — Edward voltou sorrindo.
Explicou-lhes que tinha demorado por ficar um tempo conversando com o Sr. Denali e depois com sua filha, Tanya Denali, que tinha uma paixonite incomoda por Edward desde o dia que as duas famílias jantaram juntas. Os três andavam juntos para a recepção. Emmett e Rosalie se beijavam encostados no balcão.
— Vou te apresentar a nossa irmã, a Rosalie, ela está bem curiosa para lhe conhecer! — Edward disse sorrindo segurando a mão da Bella. — Rose? Rosalie? Oh casalzinho tem como parar o beijo alguns minutos?
— Esse seu irmão é chato pra cacete hein? — Emmett reclamou alisando a cintura da namorada e ambos se viraram para Bella.
— Bella, essa é a minha irmã Rosalie e seu namorado Emmett, Rosalie e Emmett essa é a Isabella.
— Me chamem de Bella, porfavor! — sorriu. — É um prazer conhecê-los!
— Ah finalmente estão me incluindo em algo e eu finalmente vou conhecer a famosa Bella. O prazer é todo nosso! — Rosalie disse sorrindo pelos dois e a cumprimentou.
Almoçaram juntos e foi uma ótima ocasião para se conhecerem. Bella permaneceu sentada com eles, sorrindo e acompanhando o assunto. Estava se sentindo tão entediada, mas sabia atuar bem e fingir que estava em um dos momentos mais feliz de sua vida, mas interiormente mal podia esperar para sair dali. Estava se sentindo tão sufocada, mas ria e conversava como se estivesse adorando aquele momento. Respira. Inspira. Respira. Inspira. Controlava a respiração, era algo mais interessante do que a conversa que os Cullen e Emmett estavam tendo com ela.
Depois de um almoço fantástico os cinco comeram a sobremesa especialmente feita para eles e depois se saíram do restaurante junto. Alice brincava a todo o momento que estava de vela, mas seguia conversando normalmente. Eles pararam no saguão quando o gerente, novamente, chamou Edward para resolver um problema.
— Uau, você é realmente importante para o hotel. — Bella brincou.
— É, mas só agora no começo porque é novo e a equipe está em adaptação, depois de um tempo esse hotel vai poder seguir sem eu ou meu pai tranquilamente. — ele sorriu. — Já volto ok? Só um minuto.
— Tudo bem, senhor Cullen. — ela brincou sorrindo. — Posso ganhar um beijo?
— Com toda a certeza! — ele tomou seu rosto entre suas mãos e colou seus lábios aos dela. Um beijo rápido e quente. Sorriu. — Só um minuto?
Do outro lado do saguão Rosalie estava conversando com o Emmett sobre a possibilidade de irem para um dos quartos do hotel para aproveitar os colchões novos, riam e se beijavam, eram um casal apaixonado mesmo depois de anos de namoro, conseguiam manter a chama da paixão acesa. Rose não poder não olhar a cena do irmão e da Bella se beijando, sorriu ao ver o quanto ele estava sorrindo como um bobo para ela; estava apaixonado. Mas algo a deixou confusa, assim que ele saiu andando de perto ela reparou que Bella mudou. O sorriso e expressão animada que antes habitavam seu rosto sumiram rapidamente, ela revirou os olhos, insatisfeita com algo, e começou a mexer no celular impaciente. Rose ficou encarando-a tentando ver o motivo daquilo, mas não viu. Depois de alguns segundos encarando, Bella percebeu seu olhar nela e sorriu constrangida, Rosalie acenou sem sorrir, pegou a mão de Emmett e saiu puxando-o. Ela sentia que estava algo errado, não sabia o que, mas tinha algo errado com essa Bella.
Bella percebeu o olhar de Rosalie, mas não deu muita importância ao jeito, queria só ir embora logo dali. Edward voltou alguns minutos depois, se despediram de todos e ela percebeu que Rose estava diferente com ela, mas tentava disfarçar. Os dois então voltaram para o carro e saíram.
— O que achou das minhas irmãs? — ele perguntou enquanto dirigia.
— Hum... São legais! Diferente das pessoas que eu convivo, eu confesso que achei que elas seriam insuportáveis de tão enjoadas, metidas e esnobes, mas elas são bem legais! Sério! — sorriu.
— Conviva com elas todos os dias, elas são insuportáveis.
Os dois riram e seguiram o caminho. Estava quase no fim da tarde quando Edward estacionou em frente à casa da Bella.
— Não precisa descer, fico bem aqui. — ela falou sorrindo para ele.
— Nossa... Obrigado pelo convite, mas não posso entrar hoje. — Edward disse sarcástico e com uma ponta de ressentimento.
— Oh, não fui isso que eu quis dizer, só queria te poupar do trabalho, mas se você quiser pode... — tentou consertar constrangida.
— Estava brincando, eu sei que estava. Vemos-nos depois?
— Claro, me liga ou eu te ligo, nós marcamos algo. — sorriu. — Tchau!
Ela ia descendo quando ele a puxou delicadamente pelo braço e a beijou. Beijo que durou mais que os dois imaginavam e que foi encerrado com selinhos e sorrisos. Ela desceu do carro e bateu a porta, acenou e entrou na casa. Viu pela janela o carro se afastando. Pode respirar fundo e acabar com a atuação de Isabella Swan, voltou a ser Samantha. Não tinha ninguém na sala e não escutou barulho algum, subiu para o quarto e tirou a sapatilha, jogou a bolsa na cama e tirou o vestido. Ficou a vontade apenas de cueca feminina e uma blusa branca que ia até um pouco acima do meio de suas coxas com palavra “jail” escrita. Pegou o maço de cigarros encima da mesinha de cabeceira, acendeu um e deu uma longa tragada, sentiu falta o dia todo da nicotina. Desceu.
Os três estavam na cozinha. Demetri sentando em frente ao balcão com o notebook encima, digitando e uma garrafa de cerveja ao lado, Victória bebia e fumava, Riley apenas fumando, ambos esperando Demetri.
— Bella, que bom que você chegou! O cartão de memória com o programa está pronto. — Demetri disse dando um gole na garrafa long neck.
— Meu nome é Samantha, não Bella. — ela o corrigiu e tragou o cigarro, segurou à fumaça e a soltou pelo nariz. — Que programa?
Passou por Riley e lhe deu um beijo rápido depois andou para perto de Demetri encarando a tela no notebook, a tela estava toda preta com vários números e códigos brancos passando rapidamente, encima escrito em letras extragrandes vermelhas “processo concluído”
— Do plano Cullen. Você só vai precisar colocar o pen drive no notebook principal dele, o que ele utiliza para todas as ações, passar o programa para o computador dele e assim poderemos mexer em todo o computador dele, todas as ações e ter acesso a tudo do nosso computador. — ele disse orgulhoso e deu outro longo gole na cerveja.
— Ou seja? Teremos acesso à conta bancaria dele e poderemos transferir o dinheiro para a nossa conta. — Riley complementou a explicação do irmão.
— Tá, mas você disse o computador principal? Como assim?
— Ele deve ter um notebook principal, esse notebook com certeza é o cérebro dele, onde ele faz os acessos a conta e tudo mais importante, é ele que precisamos. Você só precisa colocar, transferir tudo que dura alguns minutos e pronto. Depois só vamos precisar de uma assinatura para confirmar a transferência e estaremos ricos pra caralho! — Demetri explicou sorrindo.
Os três – Demetri, Riley e Victória – gargalharam e Samantha levou o cigarro à boca e deu uma longa e lenta tragada. Precisava pensar em como teria acesso ao computador pessoal dele, conseguiria tinha certeza, só precisa de um jeito. Às vezes ser Bella não era tão difícil assim, ela sabia.
Alice e Rosalie conversavam no quarto da Alice. Alice estava arrumando o guarda-roupa, guardando as roupas novas, tirando as roupas que não queria mais para a doação, organizando as que guardaria. Rosalie estava sentada na cama com o notebook navegando na internet. O assunto era Bella, a novidade dos últimos dias.
— Eu falei que ela era legal, Rosalie, eu realmente adorei a Bella. E o Edward? Você viu o sorriso e brilho nos olhos dele quando está perto dela? Eles são tão bonitinhos juntos, formam um casal e tanto. — Alice disse empolgada.
— Não sei... Não gostei muito dela. — Rosalie falou confusa e fechou o notebook.
Alice se surpreendeu com a resposta, deixou as roupas ali mesmo e sentou-se na cama em frente à irmã.
— O que? Por que não? Ela é super simpática, animada, fofa... Ela é perfeita para o nosso irmãzinho que não sai com ninguém há tempos.
— Não sei Alice, ela é estranha e... Não sei se ela está sendo totalmente sincera. É como se estivesse fingindo o tempo todo sabe? Eu vi quando ela estava sorrindo animada para o Edward e foi só ele sair de perto para ela revirar os olhos e pegar o celular impaciente, é como se fosse tudo encenação!
— Hã? Podia ter sido outra coisa, não tire conclusões precipitadas. Além do mais pra que ela faria isso?
— Somos ricos, Alice, não seria a primeira a tentar se aproveitar disso! — Rosalie foi direta.
— É por isso que o Edward não sai ninguém, sempre desconfiando com aquela paranóia dele de que a pessoa coloque na frente ele ser um Cullen e não somente o Edward. Rose, não estraga isso porfavor? Ele está gostando dela mesmo, deixa que ele aproveite ou quebre a cara, não diz nada. — Alice pediu desanimada.
— Não vou dizer, não sou uma bruxa má, eu gosto de ver meu irmão feliz. Vai ver foi só impressão, com o tempo posso aprender a gostar dela. Vamos esperar né? — Rosalie sorriu e Alice assentiu.
Ela voltou para as roupas e guardar as que faltavam, Rosalie se despediu e foi para o quarto levando o seu notebook consigo. Sabia que não estava errada, era mais do que impressão era seu sexto sentindo, sua intuição feminina alarmando para essa Bella, mas o que podia fazer? Tinha que ter certeza.
***
Há vários e vários quilômetros dali, em um bar de stripers, um homem estava no balcão com um pequeno copo de aguardente de cana, cachaça, a sua frente.Ele era loiro e tinha os cabelos cumpridos e pele branca, era bonito e usava roupas surradas. Virou o copo da aguardente de uma vez só, fechou os olhos sentindo a ardida descer pela sua garganta, pediu outra para o garçom que enxugava uns copos. No palco com um poste de pole dance uma mulher apenas de calcinha fio dental dançava sensualmente, o bar estava escuro e alguns homens apreciavam a cena, o cheiro de cachaça, cigarro e incenso aromatizante dominava o lugar. Alguns minutos depois outro homem entrou no lugar e andou direto ao loiro. Esse segundo era negro e usava os cumpridos cabelos com dreads que davam a impressão de estar sujos, jeans, camiseta preta e jaqueta de couro marrom.
— Fala James! — tocou suas costas e se virou para o garçom: — Ei amigo? Uma pura pra mim.
— Diz Laurent! — James o cumprimentou e virou o copo novamente.
— Você não sabe quem eu vi companheiro e quando eu lhe dizer vai ficar totalmente surpreso.
— Quem? — James tirou sua atenção do copo e olhou o amigo.
— Samy. Sim a Samantha! — falou com um sorriso cínico nos lábios.
O garçom serviu sua aguardente. Laurent pegou o pequeno copo e tomou de uma vez, a bebida desceu rasgando e ele sorriu apreciando a sensação.
— Bora pra mesa para conversarmos melhor. — James propôs e assim o fizeram.
Sentaram em uma mesa afastada junto à parede, tendo uma visão completa do show da striper. James pediu para que ele explicasse.
— Ela estava no bairro nobre de Manhattan, acompanhada! — Laurent disse.
— Com quem? Um dos parceiros de crime dela?
— Ai que você se engana, ela estava acompanhada por um dos homens mais ricos do mundo. Eu perguntei ao manobrista do hotel, o homem com ela era nada mais nada menos do que Edward Cullen, herdeiro da rede Cullen de hotéis.
— O que? Como assim?
— Não sei, mas deve ser um novo golpe dela ou algo do tipo, ela deve estar usando um nome diferente. Ela estava vestida de um jeito diferente, vestidinho e sapatilha, sem aquele sorriso cínico de sempre, com certeza está se disfarçando.
— Samantha, quem diria que eu a encontraria de novo. — James disse ressentido.
— O que pretende fazer agora? Pode ser a chance de vingança.
James permaneceu em silêncio alguns segundos pensando e então sorriu.
— Já sei, vamos fazer com que a descubram.
— Como?
— Vamos matar o Edward Cullen! — ele falou firme batendo os dedos na mesa.
— Por quê? — Laurent franziu o cenho confuso.
— Você é burro ou o que? Ele é extremamente rico e conhecido, ele morre na frente de todos e com a Samantha ao seu lado, vão começar a investigá-la e todos os podres vão ser revelados. Matar ela seria muito fácil, ela tem que ser presa. Se for presa vai pegar perpétua ou pena de morte, isso seria pior, eu sei o quanto ela aprecia a liberdade.
Laurent sorriu por fim entendendo o plano e entrando no clima, James sorriu também. Só teriam que planejar tudo, mas matá-lo não seria difícil.
— Vão querer alguma coisa? — a garçonete do lugar perguntou. Era branca, olhos claros e cabelos loiros extremamente lisos e cumpridos. Usava apenas o avental que ia até o meio de suas coxas, sem nenhuma roupa por baixo.
— Você, isso está no cardápio? — James perguntou maliciosamente.
— Não, mas podemos dar um jeito. — a menina sorriu.
Os dois aproveitariam a noite para beber e transar, no dia seguinte seria de uma grande missão a fazer. Se vingar da Samantha, pobre Edward que pagaria pelo erro dos outros. Era o pensamento dos dois.
Notas finais
PS: Agradecimento especial a Sammy (a da vida real, aqui no Nyah Famke) você pediu e eu comecei a numb aqui no nyah, então ela está aqui especialmente dedicada a você , obrigada! s22
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