Numb
11 décimo capítulo ::
Notas iniciais
A casa era pequena demais para os três moradores dela. Apenas uma sala de poucos metros quadrados, uma cozinha junto com banheiro e um único quarto. Não era luxuosa, mas vivam com dignidade na medida do possível. A mulher carregava a criança em direção do quarto. A menina em seu colo era pequena e esguia, mesmo com dez anos aparentava ter sete ou oito anos, cabelos extremamente lisos até o meio de suas costas, pele extremamente branca e olhos castanhos. Usava seu vestido rosa de algodão, adorava dormir com ele.
— Chega Cookie, está na hora de dormir. — sua mãe, Renée, disse sorrindo.
— Temos mesmo que dormir mamãe?
— Você está com sono, meu amor. Vamos dormir e amanhã brincamos o dia todo, ainda vou preparar cookies para nós duas.
— Jura?
— Juro, claro que juro, Cookie! — sorriu e beijou a testa da menina. A chamava de Cookie desde os três anos quando a pequena revelou um verdadeiro amor por cookies e sempre que podia comia um ou mais.
(música: Hey Jude — Joe Anderson
http://www.youtube.com/watch?v=BJCkFmkOLWg)
Ela colocou a menina no sofá marrom da sala, encima de dois edredons dobrados para deixá-lo mais confortável. A casa não tinha outro quarto, apenas o do casal – Renée e Phil –, ela podia colocar a filha pra dormir com eles, mas não confiava totalmente no marido ao se tratar da filha, sua maior prioridade. Deitou a criança, sentou-se no chão ao lado dela e começou a alisar seu rosto.
— Hey, Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better. Remember, to let her into your heart, then you can start, to make it better… Hey, Jude, don't be afraid, you were made to go out and get her, the minute you let her under your skin, then you begin to make it better — começou a cantar para a menina, acariciando o delicado rosto dela — And anytime you feel the pain, Hey, Jude, don't carry the world upon your shoulders.
Continuou cantando a música e aos poucos a criança foi adormecendo. Renée não parou mesmo quando os olhos dela se fecharam totalmente, ela era tão linda dormindo... Tão angelical e absorta de todos os problemas da família, e era assim que Renée queria manter a filha, pura e longe de todos os problemas que estavam rondando essa família, problemas trazidos pelos vícios de Phil.
Tinha quase certeza que a filha estava adormecida quando a porta foi aberta abruptamente e Phill entrou na casa correndo, batendo a porta atrás de si. Estava completamente suado, um ferimento na boca e parecia com medo.
— O que aconteceu, Phil? — Renée se levantou assustada.
— Eles estão vindo... — estava ofegante demais para falar. — Pega a Samy e dá o fora daqui!
— Quem? Do que você está falando? Está bêbado?
— FAZ O QUE EU ESTOU MANDANDO, PORRA! — gritou nervoso.
Renée se assustou, nunca tinha o visto daquele jeito tão descontrolado. Claro que a bebida já o tinha deixado alterado, mas tinha algo estranho. Samantha acordou assustada com o grito e coçou os olhinhos, antes que Renée pudesse dizer algo para ela alguém começou a bater com violência na porta.
— O que você fez Phil? — Renée vociferou.
— Nada... Cala boca e talvez eles vão embora.
— ABRE ESSA PORTA, PHIL! — gritaram do lado de fora da casa enquanto continuavam a bater na porta.
Phil tremia encarando a porta com os olhos arregalados, Renée pegou Samantha no colo e sussurrou que tudo ficaria bem, a pequena estava tão assustada.
— Eu vou contar até três, Phil, se você não abrir essa porta eu mesmo a arrombo!
Dentro da casa os três permaneceram em silêncio escutando apenas o homem fazer uma contagem regressiva lentamente... Ele arrombou a porta. Pela porta entraram três homens de preto. O primeiro era realmente muito grande, alto e musculoso, pele azeitonada e cabelos curtos. Atrás dele mais dois homens, um tão alto quanto o primeiro, mas menos musculoso, pele branca e cabelos negros, sobre o canto do lábio superior uma pinta. O terceiro homem era alto e um pouco mais musculoso, uma barba rala por fazer e olhos claros, e carregava na mão uma serra elétrica.
— Vão embora, resolvemos isso lá fora. — Phil pediu.
— Não queremos brigar, queremos apenas o nosso dinheiro. Apenas isso! — o primeiro homem disse firme.
— Félix, eu... Eu não tenho o dinheiro agora... Só preciso de um tempo, alguns dias e eu vou conseguir. Porfavor!
— Já lhe demos muito tempo, Phil, queremos o nosso dinheiro. E vamos conseguir o pagamento de uma forma ou de outra! — falou cínica e olhou para Renée. — Você tem uma mulher linda e uma filhinha fofa!
Renée sentiu os pêlos da nuca se ouriçar com o elogio, apertou Samantha contra seu corpo e deu alguns passos para trás.
— Fique longe delas! — Phil mandou com raiva. Os três apenas riram.
— Valentia não combina com você, Phil. — Félix se aproximou de Phil e lhe deu um soco forte na boca que o faz cambalear para trás com a boca sangrando, o agarrou pelo colarinho da bolsa e o ergueu, seus pés quase saíram do chão: — Cadê o dinheiro?
— Eu já disse que não tenho o dinheiro... Só uns dias e...
— Nem mais um minuto! — o jogou para longe com toda a força que tinha, Phil bateu na parede e caiu sentado no chão. — Mas irei adorar receber o pagamento de outro jeito!
Sorriu malicioso e se aproximou de Renée. Ela colocou Samantha no chão, que se escondeu atrás das pernas da mãe se agarrando a ela, estava com medo e querendo saber quem era aqueles homens assustadores.
— Tão linda. — acariciou o rosto de Renée.
— Tira a mão de mim, seu porco nojento!
— Solta ela seu desgraçado! — Phil gritando quase se levantando.
— Santiago? Cuide dele! — Félix mandou.
O terceiro homem andou sorrindo até Phil, lhe deu um chute no rosto que fez com que ele se sentasse novamente e depois um na barriga que o deixou sem ar. Então ligou a serra elétrica que começou a roncar, um barulho estridente e assustador que ecoou pelo cômodo. Aproximou a serra elétrica ligada de Phil, que tentava se esquivar, então lhe cortou a perna. O sangue espirrou para todos os lados, Phil gritou de dor, nunca tinha sentido algo não doloroso. Os três homens riram alto.
— Não! — Renée gritou sentindo as lágrimas escorrerem. Samantha arregalou os olhos e não conseguia parar de olhar a cena, seu coração estava acelerado.
— Agora vamos dar um jeito em você, gostosinha! — Félix falou sorrindo e pegou Renée em seus braços, se inclinou sobre seu pescoço e começou a lhe beijar.
— Me solta, seu nojento. Me solta! — gritava se debatendo.
Félix deu um tapa forte em seu rosto, ela sentiu o gosto de sangue na boca acompanhando por uma dor e ardor. Então voltou a lhe beijar, abaixou sua fina blusa deixando seus seios a mostra, começou a apertá-los com violência enquanto beijava seu pescoço. Renée chorava tentando se debater.
— E você pequenininha... Vamos dar um jeito em você! — o outro homem pegou Samantha no colo para facilitar Félix com a mãe.
— Mamãe! — gritou se debatendo no colo do homem várias vezes maior e mais forte que ela.
— Deixa a minha filha em paz, deixa a minha filha em paz. Faça o que quiser comigo, mas deixa minha filha em paz!
— É fácil... Fica quietinha e sua filha vai ficar bem. — Félix disse sorrindo.
O homem com a serra elétrica mais uma vez passou no corpo de Phil, lhe cortando a outra perna. Ele ria histericamente com os gritos e choro de dor da vítima. Félix jogou Renée no chão, levantou sua saia e rasgou sua calcinha com facilidade, ela se debatia e tentava escapar dos braços do homem.
Samantha era segurada no colo pelo outro homem, mas ele a jogou no chão para ir se divertir com Félix, ela pensou em fugir, mas a porta estava trancada. Arrastou-se até a parede e juntou o joelho ao corpo. Assistia tudo com lágrima nos olhos, mas tentava não ver. Fechou os olhos e tampou os ouvidos chorando, mas conseguia escutar tudo. Os gritos de Renée e Phil, as risadas e gemidos de prazer dos homens.
— Para... Para porfavor... Para! — ela gemia tão baixo que ninguém a escutava.
Abriu os olhos pela primeira vez depois de vários minutos. Phil estava junto à parede, sem os braços e pernas, Renée estava no chão sem roupa com o outro homem, Colin, por cima dela. A cabeça de Renée caiu para o lado e encontrou o olhar da filha, Renée chorava e gemia de dor com o rosto sangrando, mas sorriu.
— Eu... Eu te amo. — sussurrou. Já tinha desistido de lutar, esperava apenas que aquela dor toda passasse. Sentia os homens a estuprarem e ela não podia fazer, apenas chorava. Piscou forte, juntou o pouco das forças que lhe restava e sorriu para a filha mais uma vez: — Canta... Fecha os olhos... Canta.
Samantha chorava aos soluços no canto da parede, os gritos dos pais a deixavam assustada, por que estavam fazendo isso? Fechou os olhos e tampou os ouvidos. Hey, Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better. Remember, to let her into your heart, then you can start, to make it better.
— E essa bonitinha. — Félix disse sorrindo ao se levantar de Renée, deixando apenas Colin se divertir com ela.
Andou até Samantha que chorava no canto, pegou-a pelo braço a erguendo do chão. O coração dela disparou e o medo a dominou.
— NÃO, ME SOLTA! NÃO... NÃO! — gritava tentando se jogar no chão para se soltar, mas foi em vão. Na violência de pegar menina, Félix acabou batendo a cabeça dela na parede, Samantha ficou tonta e quase desmaiou, mas infelizmente ficou acordada. Não estava entendo mais nada.
As mãos dele em seu minúsculo corpo. A boca dele. O cheiro de álcool e tabaco. Dor. Dor. Dor. Ela se debatia embaixo de corpo dele, mas não conseguia escapar, Félix se encaixou entre as suas pernas e ela gritou. Sua inocência se esvaindo. Dor. Aquele momento nunca seria esquecido, a dor que sentiu naquele momento nunca passaria. Aquele maldito momento que lhe deixaria muitas marcas e férias, algumas que passariam com simples cuidados médicos e outras que nem o tempo curaria.
A alguns metros dali o telefone de Charlie de tocou, foi avisado que os homens de Aro Volturi estavam na sua área e tinham entrado na casa de Renée. Chamou alguns homens, pegaram armas e os carros e foram rapidamente para lá. Charlie era um dos maiores criminosos daquela região, conseguia seu dinheiro com tráfico de drogas e de armas, sabia que não era uma atividade legal, mas continuava nesse mundo. Já matara muitas pessoas, mas nenhum inocente – pelo menos não propositalmente – poderia ser considerado um “criminoso exemplar”. Aquela era a sua área, não permitiria que os Volturi tentassem ou fizessem algo em sua região. Ainda mais com Renée.
Parou o carro na frente da casa deles, escutou o choro fino de uma criança e isso fez com que seu coração – há tanto tempo adormecido – despertasse e batesse desregular. Nem esperou nada ou fez nada, apenas invadiu a casa com os homens a cena lhe assustou. Os dois homens a mando de Charlie – dois morenos enormes, Sam e Paul – foram para cima de Colin e Santiago, apenas atiraram e os dois caíram no chão. Charlie foi para cima de Félix, ele tinha o dobro de seu tamanho, mas não se assustou. Lutaram alguns minutos, até Charlie deixá-lo no chão com o rosto sangrando. Ele pegou a criança no colo, tão pequena e assustada, chorando e em pânico, ensangüentada. Félix encarava Charlie com medo, realmente muito medo porque sabia qual seria o seu fim, sabia que Charlie nunca perdoaria quem fizesse mal a uma criança. Nunca.
— Charlie... Charlie isso não tem nada a ver com você, não precisa se envolver... Você sabe que ele virá atrás de você, eu só estava seguindo ordens. — falou com a voz trêmula e com muito medo, quase chorando.
— Você está na minha área, matou a Renée e maltratou uma criança, o que ela tinha a ver com a história? Que ele venha atrás de mim, estarei pronto para matá-lo assim como farei com você. Você sabe a minha regra, todos sabem: você pode matar quantos adultos quiser, pode até matar velhinhas tricotando em suas cadeiras de balanços que eu não vou ligar nenhum pouco, mas no momento em que fizer mal a uma criança a coisa fica pessoal e isso eu não admito, eu te mato com as minhas próprias mãos. — Charlie levantou a arma e apontou na cabeça do homem, apertou o gatilho e o homem morreu na hora, a criança em colo gritou com o sustou. — Calma criança, vai ficar tudo bem e eu vou te proteger!
Ele jogou a arma para um dos capangas e então segurou a criança direito no colo com os dois braços cobrindo com a própria jaqueta o corpo dela.
— Vai ficar tudo bem, eu te prometo. — falou sinceramente e andou para fora da casa com a menina no colo. Entraram no enorme carro em frente à casa, ele no banco de trás ninando a menina que chorava em seu colo e então partiram.
Charlie sabia dos vícios de Phil: drogas, bebidas e jogos. Por esse motivo qualquer um do seu bando estavam proibidos de vender qualquer coisa para Phil, sabia que ele nunca teria dinheiro e acabaria morto, então Phil começou a procurar os Volturi para comprar drogas, acabou devendo mais do que podia então toda sua família pagara pelo seu erro.
— Sue?! Sue me ajude aqui, porfavor! — Charlie a chamou a descer do carro com a menina no colo. Entrou na casa e Sue apareceu.
— Santo deus, o que aconteceu com essa criança?
— Leve-a para cima, dê um banho e cuide dos ferimentos, depois lhe dê algo para comer. Cuide bem dessa pequena.
— Pode deixar! — ela pegou a menina no colo com cuidado e subiu para o quarto.
Deu um banho com cuidado, ela tinha sangue e ferimentos por todo o corpo, marca de mordidas – o que a deixou totalmente surpresa. Suas genitálias completamente machucadas e ensangüentadas, após limpá-la passou ungüentos nas feridas. A menina estava acordada, mas com os olhos arregalados e chorando silenciosamente, mesmo que Sue dissesse coisas para lhe acalmar a menina continuava chorando. Colocou uma roupa na menina, era muito maior que a menina, mas serviria para o começo. Desceu para o primeiro andar, deixando a menina na cama e esquentou uma sopa pronta e deu para ela. Com dificuldade ela acabou comendo com pedaços pequenos de pão.
E assim Charlie e Sue cuidaram da menina e de seus ferimentos por dias, até ela está completamente recuperada fisicamente. Mas não psicologicamente, ela não falava uma única palavra mesmo depois de quase um mês. Quase sempre acordava suada e gritando no meio da noite chamando pela mãe ou gritando por socorro, então Charlie subia para seu quarto e a aconchegava nos braços para que se acalmasse e voltasse a dormir.
Samantha acordou ofegante.
Estava ensopada de suor e com lágrimas nos olhos. Após anos sem sonhar ou tentando não se lembrar do passado as lembranças lhe invadiram. Ela se levantou da cama e foi para o banheiro. Tomou um banho gelado e demorado, deixou a água cair sobre sua cabeça tentando apagar as memórias, mas não conseguiu. Saiu do banheiro, colocou uma calça jeans preta, uma blusa preta, bota de cano longo e sem salto com a calça por dentro, e um cardigan vinho um pouco mais largo. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto, pegou as chaves do carro e o maço de cigarros com isqueiro, desceu correndo sem pegar mais nada. Entrou no carro e dirigiu até o Central Park.
—
Samantha se sentou junto a uma árvore do Central Park, tocou a correntinha que Edward tinha lhe dado, mas então acendeu um cigarro. Jogou a cabeça para trás encostando-a na árvore.
Charlie sentou-se ao lado dela. Já tinha se passado dois anos desde a tragédia que ela tinha presenciado. Samantha tinha crescido e ficado mais forte, ainda se lembrava todos os dias da morte dos pais, mas não chorava mais. E ainda não falava. Dois anos inteiros e ninguém ali tinha escutado a voz dela, nem uma sílaba. Estavam sentados na beira do penhasco, os pés dela para fora da pedra e observava a altura. Tinha pensado em pular, mas não conseguia. Ficava apenas observando. Charlie tocou o ombro dela rapidamente para que percebesse sua presença.
— Você gosta mesmo daqui, não? Sempre vem pra cá! — disse calmo, após alguns segundos de uma leve risada — Esqueci que você não fala com a gente, ok... É um lugar realmente muito bonito!
Ele ficou em silêncio. Admirava Samantha, era tão miúda e tão forte, estava parecido com Renée. Tinha crescido vários centímetros em dois anos, mas continuava magrinha. Cabelos mais curtos, pele branca e olhos verdes. Ele não tinha uma opinião sobre o sorriso dela, nunca tinha a visto sorrir.
— Eu também gosto daqui, é um lugar muito especial para mim. Lembra-me sua mãe... Renée.
Samantha se surpreendeu com a revelação que ele tinha feito, olhou para ela surpresa e arqueou a sobrancelha. Como assim?
— Você não deve estar entendendo né? Eu conhecia a sua mãe. Antes de tudo acontecer, antes até de você nascer e um ano antes de ela conhecer seu pai... Eu conheci sua mãe. Éramos muito amigos, muito próximos. Na verdade Renée era melhor amiga de Sue. Mas na época já fazíamos esses negócios, eu não podia ficar com sua mãe. Nós dois namoramos e ela não se importava com o que eu era ou fazia, apenas me amava. Mas eu nunca arriscaria a vida dela, terminamos e ela seguiu a vida dela. Conheceu Phil e teve você, criança. Samantha! Era o nome que tínhamos pensado em dar para a nossa filha juntos, você sabia?
Samantha negou com a cabeça, os olhos brilhando com a história, mas sem sorrir.
— É. Se tivéssemos uma filha se chamaria Samantha. E a outra Isabella! — ele riu. — Queríamos ter duas filhas. Mas não deu certo, ela se casou e teve você, fiquei muito emocionado quando soube do seu nome e fui até te visitar na maternidade, você era tão pequenininha, nasceu prematura e lutou para viver. Eu conheci outra mulher e tivemos uma filha, a qual eu dei o nome de Isabella Marie Swan.
Dessa parte Samantha não sabia, uma interrogação se estampou no seu rosto.
— Bella... Minha menininha. Ela acabou morrendo logo depois de nascer, eu queria tanto uma filha, mas ela teve umas complicações e acabou morrendo. Você lutou e sobreviveu, a Bella lutou e acabou morrendo, mas fiquei feliz que você tenha sobrevivido e acho que foi por isso que te salvei naquela noite. Eu vi a Renée o grande amor de toda a minha vida morta e vi você no canto chorando tão indefesa, lembrei-me da minha filha que não teve o tempo de viver e você naquela situação. Eu gostei de você desde que era apenas uma recém-nascida, não te deixaria morrer, por você e pelo amor que sentia pela sua mãe.
Charlie estava evidentemente emocionado, Samantha viu sua visão ficar turva e as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Charlie sorriu e acariciou seu rosto.
— Eu sinto muito orgulho de você, Sam. Desde que nasceu você já é uma sobrevivente e lutadora, é mais forte do que muitos adultos e apesar de tudo está viva. Eu tenho muito orgulho de você e tenho certeza que sua mãe também teria.
Samantha engoliu seco e piscou forte, as lágrimas que passaram vários meses ausente por fim estavam escorrendo.
— Obrigada. — falou com um sussurro. Charlie sorriu e a abraçou, um abraço que retribuído.
Edward terminou o café primeiro que o restante de sua família, apenas Carlisle não estava na mesa como sempre. Deu um beijo rápido na cabeça da mãe e subiu rápido para o quarto, já tinha escutado o recado da Bella e só teria que ligar para ela. O telefone tocou várias vezes até cair na caixa de mensagens, ele tentou mais uma vez e aconteceu a mesma coisa, tentou pela terceira e última vez, o telefone tocou quatro vezes até alguém atender.
— Alô? — a voz masculina disse do outro lado.
— Bella? — arqueou a sobrancelha.
— Edward? Ah, oi é o Demetri, lembra de mim? Primo da Bella... Nos encontramos no clube, lembra?
— Claro, e ai Demetri. A Bella está?
— Não, também estava procurando por ela, mas saiu sem avisar para onde ia e deixou o celular em casa. Na verdade ela deixou tudo em casa, estou até ficando preocupado. Estava até pensando em te ligar pra ver se você tinha alguma noticia dela, a Bella nunca sai sem avisar.
— Não... Mas vou ver se consigo encontrar ela, qualquer eu te ligo, mas se ela aparecer pede pra ela me ligar ok?
— Pode deixar e obrigado. Abraço! — desligou.
Ele guardou o celular no bolso da calça e começou a pensar nas possibilidades, para onde ela iria? Estava com tanta saudade de sua Bella e tão preocupado, precisava vê-la.
— Tá, quer saber mais uma coisa de mim? Eu adoro o Central Park. Ele é lindo e faz com que eu lembre a minha mãe, o Charlie, você. — sorriu. — Acho que se um dia precisasse de um esconderijo seria aqui, definitivamente.
As palavras dela em sua cabeça foram como acender uma vela em meio à escuridão e assim iluminar o caminho, ele sabia ou pelo menos achava saber onde ela estava. Pegou as chaves do carro e desceu correndo, avisou apenas que iria atrás da Bella e que talvez ela viesse para almoçar, ligava para confirmar. Saiu da casa rapidamente e entrou no volvo disparando para o Central Park.
—
Samantha continuava sentada fumando e chorando em baixo. Estava se sentindo tão patética e nem entendia porque estava abalada daquele jeito, tudo tinha acontecido há tanto tempo, agora tinha 21 anos e já tinha passado por muitas outras coisas, tudo que a deixara mais forte, então por que estava chorando pela morte de Renée e Charlie? Por que estava se sentindo tão patética e suja? Sentia-se culpada pela morte dos dois, não tinha feito nada e a morte de Charlie tinha sido em sua frente, ela já tinha 17 anos e mesmo assim não fez nada. Respirou fundo e deu uma tragada no cigarro.
— Bella? Bella... Deus, o que aconteceu Bella? — se surpreendeu ao escutar a voz de Edward perto. Ergueu o rosto para encará-lo.
Edward se assustou com o jeito dela, estava ali sentada na árvore sozinha. Com um cigarro aceso em mãos, olhos vermelhos e levemente inchados, estava chorando e seu rosto encharcado deixava isso bem claro.
— O que você está fazendo aqui? — ela se levantou. Deu uma última tragada, jogou o cigarro no chão e o apagou com a sola da bota.
— O que aconteceu, por que você está chorando? — perguntou preocupado e esticou a mão para secar seu rosto, ela se esquivou.
— Nada, eu quero ficar sozinha.
— Hã? Ontem você me deixou uma mensagem dizendo que estava com saudades lembra? E agora quer ficar sozinha? O que aconteceu?
— Nada, me deixa em paz!
Deu as costas a ele e saiu andando dali, Edward levou alguns segundos para reagir e ir atrás dela, a segurou pelo braço com delicadeza e firmeza.
— O que aconteceu Bells?
— O que você não entendeu? Vai embora, me deixa em paz! — falou séria, mas ao ver a decepção estampada no rosto dele desabou, sentiu as lágrimas voltar a escorrer e se sentiu ainda mais patética.
— Bella...
— Eu menti, na verdade isso tudo é uma grande mentira! Todos que ficam perto de mim acabam se machucando e eu não quero isso para você, vai embora! — ela mandou chorando, seu corpo inteiro tremia com a violência do choro.
Edward não sabia o que fazer e não estava entendendo absolutamente nada, mas doía vê-la daquele jeito. Soltou o braço dela e se aproximou lentamente.
— Do que você está falando, Bella? — ela não respondeu nada, apenas o encarava em lágrimas. — Você quer que eu vá embora?
— Não... Não quero ficar sozinha de novo, droga!
Foi o suficiente para que ele lhe abraçasse, a aconchegou em seus braços e lhe apertou em seu corpo acariciando seus cabelos. Bella se apertou nele com toda a força que lhe restava, para que não perder nenhum segundo. Depois de vários minutos teve força para se soltar dele, respirar fundo e retomar o controle da situação.
— Está melhor? — ele perguntou segurando o rosto dela entre as mãos.
— Sim! — mentiu.
— Quer me contar o que aconteceu? Por que está assim e o no que você mentiu?
Ela hesitou e mordeu o lábio inferior. “Em tudo. Desde o meu nome até a minha idade, em tudo!” pensou com raiva, mas não podia responder isso. Tudo trazia conseqüências, ela tinha que pensar em exatamente todas as conseqüências antes de tomar qualquer atitude, por exemplo, contar tudo para o Edward podia fazer com que ela fosse presa, mas isso não nada comprado ao que Demetri podia fazer a ele para se vingar. Contar a verdade estava completamente fora de cogitação.
— Er... Meus pais. Eles não morreram em um acidente de carro, foram assassinados. Uns bandidos entraram na minha casa para cobrar uma divida do meu pai de sangue, o Phil, o espancaram, estupraram a minha mãe e mataram os dois na minha frente, não sei como sobrevivi. — ela ocultou a parte de ter sido estuprada também, mas continuou: — Eu fui então morar com Charlie, meu pai adotivo, anos depois ele também foi assassinado na minha frente.
— Deus...
— Morreram todos na minha frente, eu sobrevivi todas às vezes e eles morreram, entende? Sempre alguém se machuca a minha volta, eu não fiz nada. Eu estou sem pensar nisso há tanto tempo, mas ontem acabei tendo um pesadelo tão real, toda a cena de volta a minha cabeça e não consegui controlar. Acho que nunca chorei de verdade pela morte deles, apenas me encasulei.
— Bella...
— Eu não quero mais conversar sobre isso, eu estou tão cansada e dói muito lembrar. — falou baixinho.
— Tudo bem, então vamos para outro lugar. Para a minha casa!
—
Quando percebeu, Bella estava sendo puxada pela mão para o volvo do Edward, deixou o próprio carro estacionado no parque e foi com ele. No caminho ele ligou para casa e confirmou o almoço e então foram. Por mais que perguntasse, Edward disse que iam apenas almoçar na casa dele.
Ela ainda não conhecia totalmente a casa e se surpreendeu com o tamanho dela. Edward estacionou o carro e foram juntos para dentro, de mãos dadas. Abriu a porta e entraram, Bella se surpreendeu ao ver Demetri sentado no sofá conversando entusiasmado com Alice e outra mulher muito parecida com os irmãos Cullen, que deduziu ser a mãe deles. Os três ficaram em pé.
— Bella! — Alice disse animada.
— Mãe, essa é a Bella que lhe dissemos. — Edward disse orgulhoso. — Bella, essa é a minha mãe, Esme Cullen!
— Oh, você não me disse que eu iria vir conhecer a sua mãe Edward, poderia ter colocado uma roupa melhor — ela disse sorrindo — É um prazer lhe conhecer, Sra. Cullen!
— Que isso, você está ótima. — sorriu. — Porfavor Isabella, me chame de Esme e me trate como você, esse Sra. Cullen é muito formal e faz com que eu me sinta velha!
— Chamarei se a senhora, quer dizer você, me chamar de Bella! — sorriu, virou-se e ergueu a sobrancelha — Demetri, o que você está fazendo aqui?
— Eu o convidei, Bella. O Edward disse que ia te convidar para o almoço, então resolvi trazê-lo também! — Alice sorriu como se fosse a idéia mais inteligente do mundo.
— Seu primo é um perfeito cavalheiro, muito educado e simpático! — Esme disse.
Ela se poupou de responder, mas Demetri teria que lhe explicar direitinho o que tinha acontecido. Edward pegou a mão de Bella e a puxou para a cozinha, na beira do fogão viu uma mulher rechonchuda.
— Nanely, essa é a Bella. — Edward disse animado e orgulhoso novamente.
Nanely virou-se para ela sorrindo calorosamente. Os traços latinos eram evidentes em seu rosto; uma legitima mexicana.
— A famosa Isabella Swan? — perguntou com um inglês de sotaque carregado.
— A parte da famosa eu não sei, mas sou Isabella Swan. Me chame de Bella e é um prazer conhecê-la, a melhor cozinheira de comida mexicana no mundo.
— La mejor? Este chico es tan exagerado! — ela riu — Pero no exagerou a su respeto, eres muy guapa!
— Gracias! — sorriu.
Não ficaram muito tempo conversando, apenas algumas palavras e voltaram para a sala. Bella conversou com Esme e estranhou a ausência de Rosalie, mas não comentou, então foram para a sala de jantar almoçar. Rosalie apareceu pela primeira vez, acenou discretamente para Bella e Demetri, sentou-se na mesa. Nanely preparara uma comida mexicana e serviu, realmente muito deliciosa e todos comeram empolgados. Esme perguntou sobre Emmett.
— Ele foi para não sei a onde, fazer não sei o que com os pais. Acho que era algo referente ao futebol, sei lá. — Rosalie respondeu desdenhosa.
Depois do almoço, Rosalie subiu para o quarto, carrancuda, e os outros foram para a sala. Bella conversou alguns minutos com Esme e Alice, mas então Edward a chamou para conhecer a casa.
Andaram para a porta de trás da casa que dava no jardim e piscina. Era muito bonito e bem cuidado. Uma mesinha, cadeiras de piscina, era algo realmente como mansões de milionários. Foram em direção a um sofá numa parte coberta do jardim, sentaram-se lado a lado, Bella deitou a cabeça em seu peito
— Você tem uma casa realmente muito bonita.
— Acho que sim, minha mãe e minhas irmãs se empenham na decoração dessa casa, na verdade de todas as casas em que moramos e nos hotéis.
— Está bem, vamos brincar? — ela se animou. Sentou-se virada pra ele com perna-de-índio, sorriu.
— Do que?
— Bate bola, jogo de palavras. Eu digo uma palavra e você se quiser, ai tem que dizer o que vier primeiro na cabeça. Sem hesitar ou pensar muito!
— Eu topo, você começa! — sorriu.
— Sentimento?
— Amor! — respondeu sem hesitar. — Flor?
— De lótus. — riu com a própria resposta. — Livro?
— Dan Brown! — ela arqueou a sobrancelha sem entender, pensou que ele diria o nome de um livro ou algo do tipo. — É o meu autor favorito, então livro me lembra ele. Tempo?
— Hoje! Dúvida?
— Quando?! — respondeu e sorriu. — Desejo?
— Esquecer! Medo?
— Perder quem eu amo. Cor?
— Preto! Frase que te marcou?
— Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza. Nanely viva me dizendo essa, dizia que mesmo que eu fosse rico e maior que muitos lá, tinha que ser humilde e assim seria grande. — ele disse sorrindo. — Frase que te marcou?
— Hum... O mundo não é um mar de rosas, é um lugar ruim e asqueroso, e não me importo o quão durão você é ele te deixará de joelhos e te manterá assim se permitir. Nem você, nem eu, nem ninguém baterá tão forte quanto à vida. Mas isso não se trata de quão forte pode bater. Se trata do quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente. Quanto você pode receber e continuar seguindo em frente. É assim que a vitória é conquista. Agora se você sabe seu valor, vá e o conquiste. Mas deve estar preparado para ser atingido e não ficar apontando para os outros dizendo que não está onde queria por causa dele ou dela, de qualquer um! Covardes fazem isso, e você não é! Você é melhor que isso! — declamou a cena inteira sem hesitar com total perfeição.
— Uau, perfeito! Rocky Balboa?
— Sim, adoro esse filme e adoro essa cena. Charlie viu esse filme comigo e adorava essa frase “não se trata de quão forte pode bater, se trata do quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente”. Com certeza me ensinou muito! — sorriu para ele.
— Qualidades mais admiráveis para você?
— Lealdade e gratidão! O que você nunca perdoaria?
— Traição, mentira, falsidade. Acho que é tudo basicamente a mesma coisa, mas acho que seria bem complicado eu perdoar. Eu demoro a confiar totalmente em uma pessoa, então quando deposito minha confiança e expectativas em uma pessoa não gosto de me decepcionar. Não sei explicar muito bem, apenas ficaria com um pé atrás com a pessoa para sempre.
Ela engoliu seco e deu um sorriso tenso, o que ela estava fazendo se encaixava completamente no que ele tinha acabado de falar, ela tinha certeza. Soltou o ar com dificuldade, não importava. Ficaram ali mais alguns minutos, se beijaram e então voltaram para a sala.
—
Já estava há horas ali naquela casa, o que mais a incomodava era a presença de Demetri que já tinha conquistado Esme e Alice, Edward também claro. Ela mesma já tinha conquistado Esme e estava gostando da conversa, tomaram um café com biscoitos feito por Nanely e continuaram conversando. Edward pediu licença para colocar o celular pra carregar no quarto, tinha acabado a bateria, beijou a cabeça dela e subiu para o quarto.
Ele estava adorando a tarde, colocou o celular para carregar e se surpreendeu ao ver Rosalie na porta, ela entrou com cara de poucos amigos.
— O que foi Rose?
— Quando eles vão embora? — perguntou direta.
— Quando ela e eu quisermos, por quê?
— Ela está mentindo em absolutamente tudo...
— Rosalie não começa ok?
— Ela é uma vadia, não percebe? — perguntou nervosa.
— Chega Rosalie! — quase gritou.
— Então manda ela e o priminho embora, a casa é minha também e tenho esse direito, manda a Isabella embora!
Bella escutara tudo. Tinha dito que precisava falar com Edward e subiu acabou escutando absolutamente toda a pequena discussão, soltou um suspiro e Edward percebeu sua presença, ficou constrangido com a situação e Rosalie apenas revirou os olhos.
— Desculpe! — Bella falou baixinho e se virou para ir embora.
— Obrigado Rosalie — agradeceu irônico e saiu atrás de Bella — Bella? Bella espera porfavor, Bella!
A segurou no alto da escada, ela tentava virar o rosto.
— Desculpe-me pela Rosalie, eu sinto muito!
— Não precisa se desculpar, ela tem todo o direito de não me querer aqui, a casa é dela. — sorriu sem muita empolgação.
— A casa é minha também, não precisa ir embora, amor.
— Não vou forçar a minha presença a ninguém, eu vou embora ok? Conversamos amanhã, não se preocupa!
Ela começou a descer as escadas, Esme, Alice e Demetri que estavam na sala conversando se viraram para olhá-los.
— Então me deixa pelo menos te levar em casa, você está sem carro!
— Não precisa, o Demetri me leva.
Demetri sem entender nada concordou e se despediram calorosamente de todos, Bella abraçou Esme e Alice, beijou Edward e saíram juntos. No caminho para o carro de Demetri, ela pediu para que ele lhe abraçasse como se estivesse consolando-a, assim o fez. Então entraram no carro, acenaram e partiram.
— Para onde você foi mais cedo sem levar o celular, sem avisar ou nada do tipo? — ele perguntou sem tirar os olhos na direção.
— O que você estava fazendo aqui? — Samantha retrucou séria.
— Eu perguntei primeiro!
— Nunca ouviu falar, querido? A ordem dos fatores não altera o resultado! — falou irônica e riu.
— Você está brincando comigo, Samantha.
— E você abusando da minha paciência. Eu não mandei você ficar longe? Você está fazendo as coisas do seu jeito e eu do meu, então cala a boca e dirige estúpido!
Os Cullen voltaram para dentro da casa, Rosalie desceu as escadas e foi para a cozinha como se nada tivesse acontecido.
— O que aconteceu, por que eles foram embora?
— A sua querida irmã, Alice, sua querida irmã destratou a Bella! — ele esbravejou nervoso.
— O que?
— Mandou que eu a expulsasse, a Bella acabou escutando e óbvio que se sentiu ofendida, foi embora!
— Rosalie, que falta de educação! — Esme disse surpresa com a atitude da filha.
— Você não tinha o direito, Rosalie! — ele gritou.
A irmã voltou para a sala com um pacote de salginho em mãos, sentou-se no sofá com a cara amarrada.
— Eu não a arrastei pelos cabelos para fora dessa casa, ela foi porque quis!
— Eu a amo, Rosalie, entende isso de uma vez por todas. É a primeira vez que me sinto assim e não vou deixar nada estragar isso, principalmente você. Se você fizer algo que ameace estragar eu não olho na sua cara e você pode esquecer que tem um irmão. Estou falando sério!
O clima ficou tenso. Ele subiu para o quarto batendo os pés, deixando Rosalie sob os olhares da mãe e Alice. Era o presságio de uma guerra? É, muita coisa podia acontecer.
Notas finais
Agora que estou de férias vou dormir muuuito, mas tentarei escrever muito também, então próximo capítulo sairá na próxima semana provavelmente. Como a fic não será grande então já está no fim, pelo menos tecnicamente falando. Comentem, até o próximo. Obrigada, bjsbjs s22
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