Numb
14 décimo terceiro capítulo ::
Notas iniciais
Andava com tanta leveza que tinha a impressão de estar flutuando. Olhou para os lados tentando entender onde estava logo à frente uma enorme árvore lhe pareceu extremamente familiar e isso fez com que percebesse – estava no Central Park. Olhou o próprio corpo e estava com uma roupa desconhecida, um vestido preto e uma bota de cano alto preta também, cabelos soltos sobre o ombro e nada mais. O parque estava vazio, mas se aproximando da árvore viu alguém de costas. Era uma mulher, tinha certeza pelo cabelo e pela roupa, um vestido branco e uma bota branca. A mulher se virou.
Samantha se assustou ao ver o rosto da mulher, era seu próprio rosto. Era como se olhar em um espelho, mas era impossível já que estavam com roupas diferentes. Então percebeu que estavam com a mesma roupa, apenas de cores diferentes – branco e preto.
— Olá Samantha! — a voz da mulher em sua frente saiu musical e doce, tão tranqüilizante que fez com que Samantha se sentisse mais calma.
— Q-quem... É você?
— Eu sou você. E você sou eu. Nós somos a mesma pessoa!
— Não, não somos. Quem é você? — perguntou ríspida.
Samantha encarava aquela mulher da cabeça aos pés e uma coisa lhe chamou atenção, ela carregava no pescoço o colar de flor de lótus que Edward tinha lhe dado, olhou para o próprio pescoço e estava sem o colar. Sua mente se clareou, sabia quem era aquela mulher na sua frente.
— B-Bella...?
— Olá Samantha! — ela sorriu feliz.
— Você não é real, é só personagem que eu inventei para dar o golpe nos Cullen e isso é apenas um sonho.
— Eu sou tão real quanto você, Samantha. Eu sou uma parte de você agora, eu sou Bella e você Samantha. — sorriu.
— Não é não. Isso aqui é um sonho, sonhos não são reais!
— Só porque uma coisa não acontece no mundo físico, não significa que não seja real, Samy. Por exemplo, você sonha com o que aconteceu com você há anos atrás e mesmo assim foi real, não é?
— É diferente. Você é um personagem, não é real.
— Eu sou uma parte de você, Samantha. Eu sou o que você seria se nada daquilo tivesse acontecido, se não tivessem destruído a sua vida e roubado a sua inocência tão cedo.
— Cala a boca e vai embora. Você não existe, é apenas uma mentira. Você é apenas um pedaço de uma grande mentira! — Samantha gritou com raiva.
Bella soltou o ar pesadamente e encarou Samantha com complacência.
— Não Samy, eu sou você. Eu sou uma parte sua adormecida e você sabe disso. Você muitas vezes quer se libertar do seu lado Samantha e ser apenas eu, ser apenas a inocente Bella.
— Porque ser você é mais fácil. — Samantha falou baixinho e com os olhos marejados.
— E você é eu, Samantha. Só tem que se libertar de você mesma e ser eu. Você é uma pessoa boa.
— Eu boa? — riu sem humor e amargurada. — Eu roubei. Eu matei. Eu menti. Eu enganei pessoas inocentes. Eu fiz muitas coisas erradas, não sou uma pessoa boa!
— Te machucaram, pequena Samy e a culpa não é sua. Eles roubaram a coisa mais valiosa da sua vida e você quis se vingar do mundo por isso, mas não conseguiu. Apenas se escondeu dentro de uma casca dura e baniu qualquer tipo de sentimento de você, a culpa não é sua. A culpa não foi sua.
— Eu escolhi ser assim. O mundo é um lugar cruel, então temos que ser mais ainda para sobreviver, foi a minha escolha!
— O mundo é um lugar horrível, mas existem pessoas boas. Os Cullen, por exemplo, o que eles te fizerem?
— Eles não vão nem sentir falta do dinheiro, eles são mais ricos que vários países subdesenvolvidos juntos!
— E o Edward? Você acha que o Edward não vai sofrer em me perder? — ela fez uma pausa e continuou: — Ele não merece isso.
— Então fique com ele. Eu sou Samantha, não Bella.
— Você vai precisar se decidir, Samy. Fazer o certo ou...
— Fazer o que é preciso. — Samantha completou.
— Não é preciso fazer isso, tenho certeza.
— E o que você sabe sobre a vida ou sobre o que é preciso? Você é apenas uma mentira, um personagem que eu criei, não tem a mínima noção sobre nada.
— Eu estive sempre dentro de você. Quando eles estavam matando os seus pais e depois tomaram seu corpo, quem estava chorando? Quem estava gritando? Quem estava implorando para que lhe soltassem? A Samantha que eu estou vendo na minha frente não faria isso, essa Samantha na minha frente agüentaria tudo calada e depois se vingaria. Eu chorei, eu gritei, eu implorei.
— Eu estava lá também.
— Eu sei, estávamos juntas. Éramos e somos a mesma pessoa.
Samantha se calou sentindo as lágrimas em seu rosto. Via a si mesma em sua frente, via seu lado Bella em sua frente. Mordeu o lábio inferior com força sem dizer nada, não sabia o que dizer.
— Você vai ter que decidir quem merece sua lealdade e sua gratidão, Sam. Quem merece sua verdade e sua mentira. Quem merece seu amor! Você vai ter que tomar decisões.
— Eu não quero decidir nada, eu não consigo. Eu sou fraca e patética.
— Não, você é humana! Você pode chorar, você pode ter medo e sonhos, você errar ou acertar, isso é ser humano, isso é viver. É arriscar, é se jogar, cair e levantar. Posso te dar um conselho?
— Não. Não aceito conselhos de amigos imaginários. — falou dura e virou-se para ir embora. Precisava acordar, queria acordar.
***
Samantha já estava acordada há vários minutos e se sentindo uma idiota. Tinha tido o sonho mais estúpido da vida, como podia sonhar com a Bella? Ela era Bella, não é? Estava se sentindo realmente idiota. Tomou um banho gelado e se trocou, calça jeans e camiseta, uma bota e soltou os cabelos. Pegou um casaco de moletom preto com bolsos grandes, no bolso colocou o celular, canivete pequeno e o maço de cigarros. Acendeu um antes mesmo de sair de casa, precisa espairecer.
Foi fumando no carro até o Central Park, estacionou o carro foi direto para a Starbucks. Uma mesa bem afastada e um cappuccino. Um tempo sozinha era tudo que precisava. Em poucos minutos trouxeram seu pedido e ela bebericou. Sua mente voou longe...
Renée segurava sua mão saiam de casa em pleno domingo de manhã. O dia estava nublado, mas não importava, domingo para Renée era dia de ir à igreja.
— Por que temos que ir a igreja todos os domingos, mamãe?
— Oras Samy, para agradecer. Para fazer pedidos, para desabafar. Eu irei me confessar enquanto você fica sentadinha lá.
— E por que a senhora se confessa? — a menina arqueou a sobrancelha. Sempre cheia de dúvidas e porquês.
— Porque faz bem. Quando você se confessa não é julgada, amor, apenas escutada e perdoada. Eles te compreendem e isso faz com que você se sinta mais leve. Quando você crescer e já tiver idade para isso vai se confessar, vai ver o quanto é bom. — Renée tocou a cabeça da filha carinhosamente.
— Senhora...? Senhora? — ela escutou uma voz desconhecida, piscou forte e voltou à realidade, uma garçonete estava parada ao seu lado.
— Sim, desculpe.
— Claro. A senhora deseja mais alguma coisa?
— Não, é só isso mesmo. — Samantha ficou em pé e colocou uma nota de alto valor na mesa se dirigindo a saída. — Pode ficar com o troco, obrigada.
Saiu dali rapidamente e voltou para o carro. Não sabia exatamente para onde estava indo, apenas precisava encontrar algo. Fez a volta pelas ruas de Nova York voltando para o subúrbio, andou por vários minutos e por vários quilômetros até encontrar o que precisava: uma igreja. Estacionou o carro e desceu.
A igreja era muito antiga, velha e pequena. Entrou devagar e escutou o barulho dos seus passos naquele chão de madeira ecoando pela igreja vazia. Os bancos de madeira, algumas imagens de santos que Samantha não tinha a menor idéia de quem eram, desenhos no teto e paredes. Não sabia se devia se benzer ou não, apenas andou até o inicio da igreja encarando o altar, confusa.
— Deseja alguma coisa, minha criança? — escutou uma voz masculina. Era o padre.
Não sabia o que responder, nem sabia o que estava fazendo ali. O padre era um homem gordo e muito alto, negro, com uma barba branca e sem nenhum fio na cabeça. Usava sua batina preta e tinha um sorriso simpático no rosto.
— Não sei... Queria falar, mas não sei. — Samantha falou com a voz vaga.
— Desejas se confessar? — ela assentiu. — Então vamos, estou aqui para isso.
Ela andou com ele até o confessionário. O homem entrou no pequeno confessionário, que Samantha jurava ser pequeno demais para ele e ela sentou-se no baquinho, tinha apenas vários furos por onde escutaria ele e ele a escutaria.
— O que lhe preocupa, minha criança?
— Primeiro... Tudo que eu disse fica apenas entre nós, não é?
— Claro! Tudo que for falado aqui fica apenas entre nós e Deus. Sigilo de confissão. A não ser que você confesse um crime hediondo, mas qualquer outra coisa fica apenas entre nós.
— Hum... Ok. Eu não sei como começar ou como falar, isso aqui é bem confuso.
— Converse comigo como se eu fosse um amigo antigo seu ou como se fosse apenas você e Deus, estou aqui apenas para escutá-la e não julgá-la.
— Eu fiz muitas coisas erradas, seu padre. Muitas coisas erradas mesmo, então se existe isso de céu e inferno já tenho meu lugar garantido com o capeta.
O padre pigarreou. Será que é pecado falar do coisa ruim na igreja? Samantha se perguntou e sorriu desconcertada.
— Desculpa. Na verdade nem sou católica, sou uma pessoa tão desprezível que nem amigos eu tenho. E os que eu tenho não posso falar sobre isso, pois eles nem sabem quem eu sou de verdade. Eu minto padre. Eu estou mentindo para pessoas que estão gostando de mim de coração aberto e cheias de sinceridade.
— Então por que não paras de mentir, criança?
— Porque isso pode ter conseqüências para todos. E esse “todos” incluem eu, essas pessoas bondosas que gostam de mim e outras nem tão bondosas assim que estão comigo apenas por conveniência e que quando morrer vão comigo para o inferno. Eu estou tão confusa!
— Entre o que?
— Entre o que se deve fazer e o que eu quero fazer. Não sei mais o que quero ou o que devo fazer, estou me sentindo como nunca me senti antes.
— Assim como, criança?
— Humana! Eu estou com medo e é uma coisa que não sinto desde que sou pequena, estou confusa, estou... Cansada.
— Não tente carregar um fardo maior do que consiga carregar, menina.
— Eu não sei como fazer isso. Tem um homem, ele gosta de mim e disse que me ama, mas ele não gosta exatamente de mim, gosta de uma parte de mim, da parte que eu finjo ser, da minha parte boazinha. E tem outro homem, ele gosta de mim e também disse que me ama, mas ele ama o meu verdadeiro eu, o meu eu cheio de defeitos e um eu que nem eu mesma queria ser.
Ela ficou confusa, pensou em Edward e Riley, engoliu seco.
— Acho que você não entendeu o que eu quis dizer, não é?
— Por que não tentas encontrar o meio termo entre seus dois lados? Encontra o equilíbrio entre essas suas duas partes já que elas se completam?
— Porque se eu desistir de tudo algo muito grave pode acontecer com as pessoas que eu aprendi a gostar. Esse é o ruim de ter sentimentos humanos, sabia? Você começa a temer pela vida dessas pessoas e sabe que sempre algo pode acontecer, um acidente, uma doença, uma morte, e se essa pessoa partir vai levar um pedaço seu com ela. Dói demais. As mentiras que eu contei os fazem felizes, a verdade pode machucá-los.
— A mentira só faz as pessoas felizes a curto prazo, mas a longo? Não é legal. Ser feliz na mentira pode ser bom no começo, mas cedo ou tarde a verdade vem à tona e machuca ainda mais.
— E se ele não me perdoaria.
— O perdão é algo que se conquista com sinceridade. Expresse seu sincero arrependimento e deixe o tempo se encarregar do resto, ele te perdoara.
— Não dá. Se a verdade vier à tona algumas pessoas vão ficar com muito ódio de mim e dele, então vão tentar machucá-lo e isso vai ser pior que a morte, mas se eu continuar na mentira ir até o fim e depois sumir, todos vão ficar bem. Ele vai ficar com ódio de mim no começo, mas vai superar e vai ficar bem, mas eu...
— Você não. Você vai se sentir horrível e vai sentir saudades desse tal homem, vai sentir saudades das pessoas que gostaram de você de verdade. Vai se sentir destruída e todos os dias, vai se lamentar por ter feito isso e não aquilo. — o padre falou e Samantha se assustou, ele a estava entendendo perfeitamente.
— Talvez. Mas também vou me sentir assim se contar a verdade e algo acontecer com ele.
— Você ainda não entendeu criança? Qualquer atitude sua vai ter consequência. No momento em que você começou algo errado no fim vai ter uma consequência. Você pode ir com isso errado até o fim ou dar um fim agora de um jeito certo. Mas qualquer que seja sua decisão vai ter consequência.
— É... Obrigada por ter me escutado e conversado comigo, eu preciso ir embora.
Ela se levantou rapidamente sem dar chance para que ele dissesse algo, apenas saiu correndo e respirando para que as lágrimas não caíssem por seu rosto. Entrou no carro, bateu a porta e saiu dali. Quando parou em um sinal vermelho acendeu um cigarro e deu uma longa tragada.
— É mamãe não foi tão legal quanto à senhora me disse, ou talvez a senhora não tivesse tantos pecados quanto eu. — falou com si mesma, soltou a fumaça e acelerou quando o sinal abriu. Droga!
***
Demetri esperava Samantha na sala. Tinha subido para seu quarto e não a encontrou, preferiu não ligar, apenas esperou. Enquanto a esperava pegou o notebook e conectou o pen drive com o Asphyxia, programa que teria que passar para o computador do Edward para aplicar o golpe. Deu uma checada em todo o programa e ele estava completamente pronto para ser usado. Era a hora certa. A porta da entrada foi aberta e Samantha entrou.
— Que bom que chegou, preciso falar com você. — ele disse prontamente.
— O que foi agora? Do que você vai me acusar agora? — revirou os olhos.
— Nada. Apenas não temos mais porque prolongar isso, está na hora. Aqui está o pen drive, foi o mais discreto que eu consegui. — estendeu a mão e entregou a ela.
Samantha se surpreendeu com o tamanho do pen drive, era realmente muito pequeno, medindo somente 18 x 15 x 7 mm e com apenas 2,5 gramas. Era preto completamente discreto. Ela o segurou com o dedo indicador e o dedão.
— Conecta isso hoje assim teremos acesso às contas e qualquer coisa relevante dele, depois você só vai precisar de uma assinatura, pegamos a assinatura amanhã, hoje você conecta isso.
— Mas hoje? Mas você não acha muito precoce? Talvez seja melhor esperar e...
— Nem pensar. Com a briga que tivemos ontem? Está na cara que não vamos conseguir nos suportar por muito mais tempo, somos muito diferentes Samantha, todos nós, então melhor terminar isso logo. Dê um jeito e vá para a casa do Edward, em alguns minutos você passa o programa e reinicia o computador, então me avise. Só isso!
— Tudo bem.
Escutaram uma buzina em frente à casa, ela andou até a janela e viu o carro do Edward, não tinha lembrado de ter marcado nada, mas era bom sair com ele.
— É o Edward.
— Está bem, vá com ele e faça o que eu disse. Escuta aqui Samantha, esse golpe é a minha vida e eu estou disposto a fazer de tudo para que dê certo, então nem brinque ou sonhe em me passar a perna, está me entendendo?
— Sim, Demetri. — respondeu sorrindo cinicamente. — Tchau!
— Escuta aqui Samantha — ele segurou o braço dela com violência. — Se eu sonhar que você está dando para trás, eu juro que mato o Edward e você, está me escutando? Já fiz coisas piores, eu mato os dois.
Ela puxou o braço e não respondeu, jogou o maço de cigarros encima da mesinha de centro e junto o canivete, colocou o pen drive no bolso da calça e saiu da casa. Andou até o volvo e parou inclinada na janela, Edward sorria.
— E então Srta. Swan, aceita meu convite para um almoço? Lembra que a Nanely está de folga? Então, dona Esme preparou a macarronada dela!
— Devia ter me avisado antes né? Óbvio que eu aceito, Sr. Cullen! — sorriu e entrou no carro.
—
— Ah, é um grande prazer lhe conhecer, Isabella.
— Porfavor me chame de Bella, Sr. Cullen, eu prefiro assim. — ela disse sorrindo após soltar a mão dele.
— Então me trate como Carlisle, ficamos combinados assim? — sorriu.
— Claro Carlisle!
Edward levara Bella para sua casa para almoçar e para sua surpresa estavam todos ali também (menos Rosalie que tinha saído com Emmett, claro que tinha saído por saber que Bella iria almoçar ali). Bella cumprimentou e conheceu Carlisle, falou com Esme, Alice e Jasper. Ela percebeu a proximidade entre Alice e Jasper, mas perguntaria o que estava rolando depois.
Depois de vários minutos foram todos almoçar na mesa grande. A mesa estava posta com os pratos, copos e talheres, salada, arroz, temperos e o tão esperado macarrão feito por Esme.
— Bella, se você achar o macarrão da minha mãe ruim, finge que está bom ok? É o que fazemos sempre! — Edward falou faceiro ajudando ela a se servir.
— Edward! — Esme o repreendeu fazendo todos rir — Bella, se você não gostar do macarrão pode dizer e eu esquento uma torta que a Nanely deixou pronta, não coma apenas para não fazer desfeita, querida.
— Claro que não Esme, eu tenho certeza que está ótimo. O Edward é um bobo!
Então terminaram de se servir e comeram. Ela não podia ignorar o fato de que eles eram uma família feliz. Mesmo com Carlisle e Esme trabalhando tanto quando estavam juntos, como nesse almoço, eles eram uma família normal e feliz. Ela sentiu inveja. Queria ter tido oportunidade de ter almoços assim com sua mãe e Charlie, queria ter a chance ter outros almoços como esse com os Cullen. Espantou todos os pensamentos e continuou almoçando normalmente.
—
No fim do almoço rasgou elogios a comida de Esme que agradeceu. Os quatro (Alice, Jasper, Bella e Edward) subiram para o quarto. Foram direto para o quarto de Alice, mas Edward nem deu tempo de Jasper sentar.
— Jasper, lembra que você disse que poderia arrumar aquela nova planinha pro hotel? Será que pode fazer isso agora? — ele falou animado e sorriu faceiro: — Ai, eu já deixo você e a minha irmã em paz.
— Claro! — Jasper respondeu prontamente. Adorava mexer em computadores e qualquer coisa referente, era realmente um nerd virtual.
— Eu mereço mesmo. — Alice revirou os olhos. — Bella isso pode demorar e além do mais vai ser chato, eles vão ficar conversando sobre novos programas para o sistema do hotel e blábláblá, vamos ficar aqui eu tenho algumas novidades para te contar.
Ela concordou. Despediu-se rapidamente de Edward e viu os dois irem para o quarto dele, ficou com Alice. As duas sentaram-se frente a frente na cama como duas melhores amigas para que Alice contasse as novidades.
— O que está rolando entre você e o Jasper?
— É essa a novidade, estamos namorando! — Alice falou extremamente animada, quase dando um gritinho para comemorar. — Ontem ele disse que me amava e que não disse antes por pensar que eu não quisesse nada com ele, ai eu disse que gostava dele também então ele me beijou!
— E ai? Conta!
— Tá, ficamos nos beijando por vários minutos. Ele começou a me alisar, mas eu expliquei que sou virgem e que não queria ir tão rápido, ele foi super fofo e me entendeu. Ai falou que não queria só ficar, queria me namorar e eu disse que adoraria. Hoje ele chegou aqui em casa e pediu minha mão em namoro pro meu pai, agora estamos namorando! — sorriu.
— Uau Alice, eu estou tão feliz por vocês dois, formam um lindo casal, parabéns! — Bella a parabenizou sinceramente. Antes Jasper que Demetri.
— Ele me disse que você conversou com ele e o incentivou, nunca vou poder te agradecer. Se eu estou tão feliz assim e com o Jazz é por sua causa, muito obrigada Bells, sério.
— Deixa de ser boba, não precisa me agradecer.
— Preciso sim. Eu nunca tive uma amiga de verdade. Tinha algumas colegas, herdeiras mimadas que iam as compras comigo, mas você é diferente. Obrigada por ser minha amiga. Minha melhor amiga! — Alice sorriu.
Bella não sabia o que falar, apenas sorriu e abraçou Alice. Escutou a própria voz em sua cabeça, mas não era a voz Samantha e sim Bella, o sonho. “Você vai ter que decidir quem merece sua lealdade e sua gratidão, Sam. Quem merece sua verdade e sua mentira. Quem merece seu amor! Você vai ter que tomar decisões.”
Após os abraços começaram a conversar sobre assuntos normais, Alice pegou uma revista feminina encima da mesinha de computador.
— Vamos fazer teste de revista, Bella?
— O que?
— Eu faço as perguntas da revista e nós respondemos. Vamos!
Elas começaram com perguntas fáceis sobre gostos, como agiam com os garotos e outras coisas típicas de revistas de adolescentes, ficaram se divertindo com as respostas alheias e esperando Jasper e Edward voltarem.
— Essa é a penúltima: Já ficou só por ficar e acabou se "apaixonando"? — Alice perguntou sorrindo.
— Eu gosto tanto de você sabia? Na verdade não, para ser sincero... Eu te amo!
— Então, por que você me ama?
— Eu te amo porque você é minha. Eu te amo porque você precisa de amor. Porque eu preciso de alguém para amar, porque você me faz bem e me faz feliz. Eu te amo porque me sinto como nunca me senti ao seu lado e não quero perder isso por nada!
— Bella? Bella? — Alice a chamava rindo. — Em que planeta você estava?
— Foi mal. Agora a pergunta? Hum... Acho que sim. E você?
— Não. Gosto do Jasper desde que sou criança, então nunca tive oportunidade de me apaixonar por outra pessoa. E esse que você se apaixonou, é o Edward? — perguntou faceira, Bella sorriu. — Tá bom, nem precisa responder, esse seu sorriso bobo foi melhor que qualquer resposta.
— Qual é a última?
— Prefere morrer por quem ama ou viver sem a pessoa amada?
— Está bem, você responde primeiro.
— Eu prefiro morrer por quem eu amo, sem dúvidas. E você?
— Viver sem a pessoa amada. Eu não sou altruísta suficiente para morrer por alguém. Por exemplo, se eu morro por um homem, enquanto eu vou ser devorada e depois vou apodrecer embaixo da terra, ele vai ficar o que? Algumas semanas de luto e depois continuar com a vida. Morrer por alguém requer muito altruísmo, muita bondade e não sei se conseguiria. E você, por que morreria?
— Ah Bella, quem eu amo pode ser qualquer um de vocês. Eu não estou pensando apenas em um homem, mas pode ser meus irmãos, meus pais, você e o Jasper, eu não ia agüentar. Então acho que preferia morrer.
— É um bom modo de pensar, admito. — Bella riu.
— Pronto Bella, eu estou aqui para te salvar da chata da minha irmã. Alice pega seu namorado e devolve a minha. — Edward disse brincando, Alice lhe mostrou a língua.
Edward e Bella foram para o quarto dele rindo. Entraram e ele fechou a porta, sorriu para Bella e a jogou na cama caindo sobre ela com cuidado. Suas bocas tocaram, transformando em um beijo mais profundo, suas línguas se encontraram entrelaçando-se. Edward desceu a boca para o pescoço dela beijando, ela riu.
— Edward sossega, não vou fazer nada com você hoje e aqui.
— Por quê? — perguntou decepcionando lhe olhando nos olhos.
Ela girou seu corpo junto com dele invertendo assim as posições, sentou-se encima de sua barriga e sentiu suas mãos em sua cintura.
— Porque seus pais estão em casa e sabe como eu ficaria constrangida se eles vissem ou escutassem algo? É. Está fora de cogitação.
— Como você é moralista, Swan. — ele brincou rindo.
Bella saiu de sua barriga e deitou ao seu lado com a cabeça em seu peito. Ela sentia o pen drive no bolso traseiro de sua calça jeans e isso a lembrava o que tinha que fazer, mas como?
— Não é legal ficar assim? — Edward perguntou baixinho acariciando seus cabelos.
— Ótimo.
— Você já teve a sensação de que algo ruim vai acontecer?
— Que?
— Não sei explicar, apenas estou sentindo isso. É como se a qualquer momento pudesse acontecer algo, não sei. Eu só sei que não quero sair do teu lado, queria que isso durasse para sempre.
Bella suspirou se sentando, Edward fez o mesmo.
— Nada dura para sempre, Edward.
— Então vamos fazer durar para sempre, só basta nós dois querermos.
— As coisas não são tão simples assim.
— O que...
— Nada. Só me abraça, quero eternizar esse momento em minha mente. Seu cheiro, seu toque, seu calor... Tudo. — falou sorrindo.
Ela o abraçou com força. Seus braços envolta de seu pescoço e seus dedos quase penetrando em sua pele, precisava daquele abraço. Respirou fundo o cheiro, as sensações que o corpo dele causava no seu, o calor.
Eu sinto muito, me perdoa Edward, me perdoa! Ela implorou mentalmente sentindo os olhos voltar a arder, não podia chorar, respirou fundo retomando o controle. Afastou-se e o encarou nos olhos.
— Vamos sair um pouco? Espairecer, amor. — ele a convidou acariciando seu rosto.
— Vamos, claro!
— Eu só preciso tomar um banho, você me espera?
— Claro, demore o tempo que quiser. Eu posso entrar na internet enquanto isso? — ela pediu, ele concordou.
— Você lembra a senha?
Ela assentiu sorrindo e o viu entrar no banheiro. Andou até a porta do banheiro para se certificar que ele estaria no banho, escutou o barulho do chuveiro ligar. Não teria chance melhor. Tirou o pequeno pen drive do bolso, sentou-se em frente ao notebook. “Digite a senha”, ela rapidamente digitou a senha do Edward e clicou no enter. Conectou o pen drive no notebook, em alguns segundos uma nova janela apareceu “transferir o arquivo Asphyxia?”.
Sentiu o coração acelerar e as mãos tremerem, clicou rapidamente no enter e começou a transferência de arquivo. Levaria cinco minutos até o fim. Sentiu as lágrimas escorrerem lentamente por seu rosto, descerem por suas maçãs do rosto, algumas morrerem em sua boca e outras escorrem por seu pescoço. A adrenalina percorria todo seu corpo e ela mantinha o ouvido apurado para escutar quando chuveiro desligasse.
07% concluído...
13% concluído...
25% concluído...
36% concluído...
47% concluído...
59% concluído...
62% concluído...
71% concluído...
84% concluído...
Os minutos se passaram e o faltava muito pouco. Enquanto o arquivo era transferido e a evolução era mostrada em uma pequena janela, a única coisa que ela conseguia encarar era a palavra abaixo da janela da transferência do programa “cancelar”. Mas não clicou, escutou a voz de Demetri em sua cabeça e não clicou.
— Escuta aqui Samantha — ele segurou o braço dela com violência. — Se eu sonhar que você está dando para trás, eu juro que mato o Edward e você, está me escutando? Já fiz coisas piores, eu mato os dois.
Apenas encarava a porta do banheiro e logo depois a tela do notebook.
99% concluído...
100% concluído.
Programa transferido com sucesso. Asphyxia em operação.
Para ter completo êxito na utilização reinicie o computador.
Ela abriu a janelinha “iniciar” do notebook e então clicou em reiniciar. Aos poucos viu todas as janelinhas se fecharem, o notebook se apagou completamente e ela se questionou se algo tinha dado errado, mas logo as luzes voltaram a se acender. Ela desconectou o pen drive, fechou-o e guardou no bolso novamente. Assim que a tela voltou ao normal Edward saiu do banheiro apenas de toalha.
— Está tudo bem, ai?
— É, está sim. — respondeu sem se virar e enxugou as lágrimas.
Disfarçadamente pegou o celular do bolso e digitou com rapidez no Blackberry uma mensagem para o celular de Demetri. “Pronto, passei o Asphyxia para o computador dele, faça sua parte!” – enviou.
Demetri estava sentado na sala bebendo sua cerveja diária e vendo televisão esperando apenas uma ligação de Samantha ou se preparando para matar o Cullen se ela não agisse com o combinado, escutou seu celular, o toque de nova mensagem. De: Samantha – “Pronto, passei o Asphyxia para o computador dele, faça sua parte!”
— Isso, porra! — gritou se colocando de pé. — Riley? Victória? Samantha passou o programa pro notebook, venham!
Pegou o próprio notebook encima da mesinha de centro e foi para a cozinha, o colocou aberto no balcão e o sentou-se. Riley e Victória desceram animados dos quartos e foram para a cozinha, cada um de um lado do Demetri vendo-o mexer. Ele entrou nos arquivos do “meu computador” e clicou no ícone do Asphyxia, entrou.
1 computador conectado – Edward Cullen.
— Está mesmo conectado? Não pode ser algum tipo de golpe da Samantha? — a ruiva perguntou cheia de desconfiança.
— Só há um jeito de saber.
Demetri guiou o a seta do mouse até o ícone “copy” e clicou, digitou o nome do computador “Edward Cullen” e então clicou em “enter”
Iniciando cópia do disco rígido do computador – Edward Cullen.
— É, não é um golpe da Samantha, a vadia fez tudo como combinamos. Estamos dentro! — Demetri urrou de felicidade. — Agora é uma questão de meia hora para termos acesso a todas as senhas que ele digitou no computador e assim vamos roubar toda a parte dele da grana, depois com uma simples assinatura estaremos milionários!
— Isso porra! — Victória gritou rindo. — Um brinde para comemorar o nosso maior e mais bem sucedido golpe. Adeus Cullen!
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Gatitas do meu coração, quem quiser é claro, participem da minha comunidade "Candy Stories". Fanfics e one-shots exclusivas lá. Enfim, quem quiser participar e ajude a divulgar claro, link:
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Notas finais
PS: agradecimento especial de hoje: Queria agradecer hoje especialmente a RaizaPattz e Ju Swan Cullen pelas recomendações mais que fofas, perfeitas *-*' Adorei realmente e reli-as várias vezes, obrigaaaada mesmo meninas s22
Claro agradeço também a quem lê e comenta, obrigada também, agradeço a quem lê e não comenta (podiam comentar né? não mataria, mas ok, obrigada de qualquer jeito), obrigada a todos em geral, vocês são demais *-*' +1
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