Numb

13 décimo segundo capítulo ::


Notas iniciais
Então aqui está capítulo novo, eu gostei e está bem fofinho. Vocês tem que escutar as músicas para dar clima ok? As músicas da banda Camila e da minha Taylor Swift são perfeitas (sim, a Taylor Swift é totalmente e somente minha, ela ainda não sabe, mas um dia vai saber KKKK) Enfim, espero que gostem. *-*'

Seu corpo estava mole, mas não era algo ruim, era uma sensação ótima. Ainda com os olhos fechados recapitulou tudo que tinha acontecido na noite passada, principalmente o sexo com o Edward. Ah, que sexo! Ergueu a mão, coçou os olhos e por fim os abriu. Estava sozinha na cama. Olhou para o próprio corpo e ainda estava nua na cama, puxou o lençol branco para se cobrir e sentou-se.

— Edward? — o chamou com a esperança que ele estivesse no banheiro, mas nenhum tipo de resposta escutou de volta, estava sozinha.

Precisava trocar de roupa, mas antes seu grupo implorava por um banho. Estava pronta para se levantar quando a porta do quarto foi aberta, ficou realmente com medo de ser outra pessoa da família ou Nanely que lhe pegasse nua na cama dele, mas era o Edward. Ele entrou no quarto sorrindo, fechou a porta atrás de si com o pé e se aproximou da cama. Carrega com ele uma bandeja de café muito bem arrumada – duas xícaras, um copo de suco, algumas frutas, iogurte, pedaço de bolo e pães doces, geléias e torradinhas. Bella sorriu.

— Bom dia, amor! — ele falou sorrindo.

Já estava vestido e glorioso, irresistível. Cabelos bagunçados como sempre, mas úmidos. Uma bermuda cáqui e blusa xadrez azul de flanela. Ele colocou a bandeja com cuidado na cama a apoiando nos pés retráteis dela.

— Bom dia. Uau, café na cama, que bonitinho! — falou baixinho e o admirando, fez beicinho: — Pensei que acordaríamos juntinhos.

— Eu acordei juntinho de você, mas você demorou a acordar e eu não quis te incomodar. Já é tarde e eu acabei acordando primeiro então aproveitei para tomar banho e preparar algo para comermos. A Nanely está de folga e só volta semana que vem.

— Hum... Obrigada! — sorriu. — Posso tomar um banho primeiro? Rapidinho.

Ele assentiu sorrindo. Bella se enrolou com o lençol para ir pro banheiro, pegou as próprias roupas do chão, beijou rapidamente os lábios do Edward e entrou no banheiro. Deixou o lençol encima do cesto, pegou a toalha que tinha usado no dia passado e tomou um banho rápido lavando até os cabelos. Secou o corpo e colocou a roupa, secou os cabelos deixando eles úmidos e penteou com os dedos, e voltou para a cama.

— Foi rápida. — Edward comentou sorrindo ainda na cama.

— É porque estou com fome, não consigo funcionar bem com fome, então me apressei para matar quem está me matando. — riu ela ao se sentar na cama atrás da bandeja e na frente de Edward.

— Então come tudo!

Foi o que fez, começou a comer. Começou pelo pedaço de bolo de chocolate, mesmo sem calda estava fofo e molhadinho, comendo-o com o café com leite delicioso. Após se deliciar com o bolo e o café, deu uma mordida no pão doce com um gole de suco. Edward apenas lhe observava com um sorriso bobo nos lábios comendo suas torradinhas com geléia e às vezes bebia o suco. Então eles acabaram. Ela estava apenas terminando de beber o suco e a bandeja já deixada de lado.

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Camila — Aléjate de Mí

— Por que você está me olhando assim? Estou com o rosto sujo? — Bella perguntou confusa, mas com humor, após beber o suco e colocar o copo vazio encima da bandeja.

— Não, é que você está linda. Seu rosto está amassadinho, fica muito fofa! — piscou e sorriu tocando a bochecha dela.

— Como você é bobo, Edward.

— Apaixonado eu diria, é uma melhor definição. — sorriu.

— Acho que são sinônimos. — ela riu zombeteira.

Edward se esticou para frente e lhe beijou. Um simples selinho que durou um pouco mais que o previsto, mas ele se sentou novamente ali na frente dela, segurou as mãos dela encima de suas pernas cruzadas na cama.

— Eu gosto tanto de você sabia? Na verdade não, para ser sincero... Eu te amo!

— Você... Você me ama? — perguntou com dificuldade e abaixou o olhar.

— O que foi?

Y aléjate de mi, amor! Yo sé que aun estas a tiempo, no soy quien en verdad parezco y perdón no soy quien crees, yo no caí del cielo.

— Você não devia dizer isso. Você sabe um pouco do meu passado, mas se você soubesse tudo que eu já fiz para sobreviver, todos meus defeitos, se soubesse de tudo na verdade... Não me amaria, ou não diria que me ama realmente. — falou chateada com a própria declaração.

— Pelo contrário, eu te amaria ainda mais. — ele sorriu e acariciou seu rosto — Quem ama perdoa se a outra pessoa estiver realmente arrependida. Quando se ama, ama por inteiro e não apenas as qualidades ou lado bom da pessoa, eu te aceitaria de qualquer jeito. Eu não sei e nem me interessa o que você fez, eu já te perdoei e sigo te amando.

Ela o beijou. Seus lábios tocaram o dele com delicadeza, as mãos grandes dele segurando seu rosto e o acariciando. Ela parou e ficou apenas lhe olhando.

— Então, por que você me ama?

— Eu te amo porque você é minha. Eu te amo porque você precisa de amor. Porque eu preciso de alguém para amar, porque você me faz bem e me faz feliz. Eu te amo porque me sinto como nunca me senti ao seu lado e não quero perder isso por nada!

Bella quis dizer “eu te amo também”, mas não conseguiu. Apenas o abraçou deitando a cabeça em seu ombro e sentiu-o acariciar suas costas. Ela repensou tudo que já tinha dito e não se lembrou de nunca ter dito “eu te amo”, engoliu seco e ficou ali o abraçando. Respirando seu cheiro, tentando não pensar em nada mais e só aproveitar aquele momento.

Si aun no me lo crees, amor! Y quieres tu correr el riesgo, verás que soy realmente bueno en engañar y hacer sufrir a quién mas quiero.

—

— Eu já disse que você pode ficar aqui, Bella. Você pode almoçar aqui, não vai ter nada muito extravagante, mas vai ter comida. — ele pediu sorrindo.

Ela sabia que tinha que embora, com certeza os outros três (Demetri, Riley e Victória) estavam lhe esperando e fariam perguntas, então era melhor não abusar. Pegou suas coisas e estava se preparando para ir embora, esperou Edward levar a bandeja para a cozinha, pegou a blusa branca e a guardou, pediu para que Edward avisasse a Alice (que ainda estava dormindo) que lavaria a blusa que ela lhe emprestara e entregava depois. Desceram.

Rosalie estava sentada na sala folheando uma revista, Edward a cumprimentou e Bella apenas acenou com a cabeça. Ele se lembrou que tinha que buscar o celular no quarto e uns documentos, iria levar Bella em casa e depois passar no hotel, a deixou ali com Rosalie.

“Obrigada Edward” – ela agradeceu mentalmente. Rosalie não gostava dela, era um fato, então não tinha porque tentar puxar assunto ou ser agradável. Ficou ali parada esperando-o até Rosalie se levantou a encarando, se preparando para dizer algo.

— Olá Rosalie! — falou desconcertada tentando parecer simpática enquanto ela lhe encarava cheia de hostilidade.

— Você não precisa sorrir desse jeito sonso e se fingir de boazinha comigo, Isabella e você sabe disso. Eu não acredito em nada do que você fala ou faz! — falou hostil.

— O que?!

— Você pra mim não passa de uma vadia pronta para dar o golpe no meu irmão!

— Rosalie, você não pode me acusar de nada! — disse horrorizada.

— Então em diz que é mentira, Isabella? Diz que você não é uma vadia se aproveitando da paixão do meu irmão e tudo pelo dinheiro? Finge-se de boazinha e que não liga para o dinheiro dele, mas na verdade é tudo que você quer. É só o que você quer!

— Você é louca! — suas feições estavam uma mescla de susto, horror e surpresa.

— E você é uma vadia! Não sei exatamente como você vai fazer isso, mas vai. Está com o Edward apenas pelo dinheiro dos Cullen, mas eu não vou dizer você brincar com meu irmão por muito tempo.

Bella então engoliu seco e respirou fundo. Suas feições se relaxaram e não demonstrava sentimento algum, apenas uma mascara de seriedade e serenidade.

— Eu estou cansada de você, dos seus comentários e olhares. — seu tom ficou mais duro e agressivo, o que no começo assustou Rosalie. — Escuta aqui Rosalie, eu tenho problemas muito mais importantes do que você e não me importo nenhum pouco com que você pensa de mim, estou pouco me fodendo para o que você pensa de mim, então é simples, fica longe do meu caminho e eu fico longe do seu, está me escutando?

— Sua... Vadia!

— Para os outros, você não passa de uma louca paranóica que cismou comigo desde o começo então se tudo isso for verdade... Quem vai acreditar em você? — perguntou baixo e então um sorriso cínico se formou em seus lábios.

Rosalie o sangue ferver e não tinha dúvidas, estava mais que certa sobre Isabella, estava pronta para responder quando Edward desceu as escadas sorrindo e pegou a mão de Bella que apenas acenou para Rosalie sorrindo se despedindo.

A casa estava estranhamente silenciosa. Demetri e Victória comiam no balcão da cozinha sanduíches, há quanto tempo eles não comiam uma refeição de verdade, era uma pergunta quase impossível de responder. Estavam sobrevivendo à base de sanduíches, pizzas ou coisas congeladas, com cervejas ou refrigerante, mas em breve essa situação mudaria, todos concordavam, tinham apenas que pegar o dinheiro do Cullen e tudo mudaria completamente.

— Onde está a Samantha? O quarto está todo arrumado, ela já saiu? — Riley perguntou entrando na cozinha, foi direto na geladeira.

— Ela nem dormiu em casa. Passou a tarde na casa dos Cullen e deve ter dormido por lá. — Victória respondeu sorrindo cinicamente.

— Ah. — foi tudo o que conseguiu dizer tentando controlar a onda de ciúmes que passava por seu corpo. É tudo um plano, controle-se Riley. Deu um longo gole na cerveja que tinha em mãos.

— Isso não está me cheirando nada bem. — Victória comentou baixinho.

— O que? — questionou Demetri curioso.

— Esse envolvimento da Samantha com os Cullen. O plano era apenas com Edward, agora ela está se envolvendo com a Alice, a Esme, e se ela se envolver demais e esquecer por que nos aproximamos deles?

— O que? Claro que não.

— Temos que concordar com ela, Riley, a Samantha está muito diferente. Temos que conversar com ela.

— Temos que colocá-la contra a parede, isso sim. Tem muita coisa em jogo, Demetri, nossa liberdade e nossas vidas. — Victória falou firme. — Ou você acha que se o Cullen descobrir toda a verdade sobre o plano, tudo sobre o nosso passado e todos os nossos podres vai ficar de boca calada? Ele vai jogar toda essa merda no ventilador, vai no máximo salvar a Samantha enquanto nós? Estaremos completamente fodidos.

Demetri concordou com a cabeça e colocou um enorme pedaço de sanduíche na boca, só a idéia de ser preso lhe causa asco, não queria e não iria ser preso por causa da Samantha. Victória sorriu vitoriosa com isso, não era apenas algum tipo de vingança infantil contra Samantha, apenas não queria que ela estragasse tudo por algum tipo de paixonite por Edward Cullen, queria o dinheiro. Riley ficou calado, pegou a cerveja e saiu daquela cozinha, estaria do lado da Samantha, apesar de qualquer coisa, acreditava nela.

Droga! Era tudo que ela pensava. Edward conversava e tagarelava sobre várias coisas no caminho para casa, mas não conseguia se concentrar, apenas sorria e assentia. Tinha dado a Rosalie o que ela queria: uma prova de que era uma vadia, droga. Mas o que podia fazer? Em uma situação comum Samantha pensaria logo em como se livrar definitivamente de Rosalie, afinal era uma ameaça clara contra seus planos, mas era a Rosalie. Rosalie Cullen. Irmã de Alice e Edward Cullen. Edward Cullen. E esse definitivamente era o problema.

Nem se deu conta do tempo, voltou à realidade apenas quando Edward parou o carro em frente a sua casa. Virou-se para ele sorrindo.

— Sabe o que eu acabei de lembrar? — ele perguntou sorrindo.

— Não, o que?

— Você nunca me convidou para entrar na sua casa. Nunca vou conhecê-la?

— Não! — ela riu. — É uma casa comum e simples. Muito menor que a sua e bem mais bagunçada. Pronto, é como se você tivesse entrado lá dentro.

— Isso não vale, sabia? — perguntou com humor. — Não é justo!

— A vida não é justa, acostume-se! — sorriu. — Vou entrar.

— Está bem. Nos falamos depois, já estou com saudades.

— Exagerado, mas está bem, obrigada. Tchau!

— Tchau! — ele pegou o rosto dela entre as mãos e lhe beijou. Ele nunca se cansaria de beijá-lo ou de tê-la em seus braços, era bom demais. — Eu amo você!

Ela sorriu e desceu do carro. Edward nem reparou que me momento algum ela tinha retribuído o que ele lhe tinha dito, o “eu te amo”, apenas voltou a dirigir sorrindo e já contando os minutos para voltar a encontrá-la.

“Adeus Isabella, olá Samantha!” ela pensou com humor e riu com o próprio pensamento. Entrou dentro da casa. Os três estavam sentados no sofá conversando e assim que ela entrou viraram a atenção para ela, ficaram encarando-a.

— Por que vocês estão me encarando desse jeito? — ela perguntou tirando a sandália e a deixando ali mesmo.

— Onde você estava? — Demetri lhe perguntou.

— Com o Edward. Eu dormi lá.

— Samantha, Samantha, Samantha. — Demetri quase cantarolou e ficou em pé, andou até ela com uma expressão séria. — Será que você não está se envolvendo demais com o Cullen e se esquecendo do plano?

— Do que você está falando? Quer dizer, do que você está me acusando?

— Se você não está colocando o plano de lado para viver esse conto de fadas de Edward ama Bella!

— O que? Eu sou a que mais está se esforçando para colocar essa porra de plano para frente. Vocês ficam aqui na casa arrumando tudo no computador, enquanto eu estou lá com o Cullen agüentando suas melações dele de “Oh Bella, eu te amo”, agüentar a irmãzinha tagarela e a irmãzinha paranóica. E vocês? O que vocês estão fazendo? — perguntou gritando.

Os três não responderam nada, apenas Riley estava satisfeito com o que ela disse, orgulhoso por ela saber se defender e perceber que ela estava fazendo tudo pelo plano.

— Sim, eu passei o dia na casa do Cullen e dei um grande avanço. Eu encontrei o notebook principal dele, mas vocês sabiam que tem senha para mexer nele? Algum de vocês tem a senha? — perguntou retórica e riu sem humor algum: — Não. Mas eu tenho, já tenho a senha para dar continuidade no plano. Agora é só instalar o pen drive, passar o programa pro notebook e roubar o dinheiro. Eu estou passando por cima de tudo para seguir em frente com esse plano e honrar com as minhas principais regras: lealdade e gratidão. Então pensem em tudo que eu estou fazendo por todos nós, por esse maldito plano, e então me critiquem.

Ela pegou a sandália no chão e subiu extremamente irritada para o quarto sem falar nenhuma palavra. Bateu a porta, jogou a cama na cama e a sandália no chão. Andou para o banheiro, precisava de um banho demorado.

Um banho de água gelada ajudava a tentar esclarecer seus pensamentos. Deixou a água cair sobre sua cabeça, seus músculos, seu corpo. Fechou os olhos e ergueu o rosto para a água.

— Pelo contrário, eu te amaria ainda mais. — ele sorriu e acariciou seu rosto — Quem ama perdoa se a outra pessoa estiver realmente arrependida. Quando se ama, ama por inteiro e não apenas as qualidades ou lado bom da pessoa, eu te aceitaria de qualquer jeito. Eu não sei e nem me interessa o que você fez, eu já te perdoei e sigo te amando.

Pode ver o rosto do Edward em sua cabeça. E se...? Ela se amaldiçoou por isso. Não podia pensar nos “se”, não podia considerar qualquer outra opção.

Desligou o chuveiro, enrolou uma toalha no cabelo e foi secando o corpo com outra, colocou uma calcinha masculina e vestiu uma roupa – short de algodão e uma blusa masculina larga que tinha pegado de Riley há algum tempo. Deixou as toalhas encima da pia do banheiro, apagou a luz do quarto e caminhou até a cama. Fechou os olhos, desligou o cérebro para não pensar em mais anda, em alguns minutos acabou adormecendo novamente.

**

Samantha acordou horas mais tarde, quase dez horas da noite. Estava bem. Não, na verdade estava ótima. O sexo sempre fora uma das atividades favoritas dela, mesmo após ter sido violentada e ter lembranças horríveis sobre sexo, era uma das coisas que mais gostava de fazer. E com Edward então? Ah, com ele era algo mágico e mais do sexo, era amor. Ela conseguia se saciar com ele, ficar cansada e desejar apenas dormir com a cabeça em seu peito recebendo um cafuné nos cabelos, coisa que nunca tinha desejado antes. Com ele era mais que bom.

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Taylor Swift — Innocent

— Oi Samy, acordou. — Riley entrou no quarto sorrindo como sempre. — Pensei que estivesse ainda dormindo ainda, vim ver como você estava.

— Eu estou ótima, obrigada pela preocupação! — sorriu sinceramente.

— Ah, queria dizer também que acredito em você. Eu confio em você e nada do que eles disseram vai mudar o que eu penso sobre você, Sam, vou te apoiar acima de qualquer coisa.

Era bom para ela ouvir aquilo. Saber que Riley continuava ao seu lado era bom, ele era sincero e inocente apesar de tudo. Ela sorriu.

— Senta aqui comigo! — pediu.

Ele sorriu e assim o fez, sentou-se frente a ela na cama que já estava sentada com os joelhos dobrados junto ao peito.

— Riley, você já se questionou por que estava nesse mundo?

— Hã?

— Por que você está nesse mundo? Por que comete crimes? Por que está nessa vida? — ela perguntou calmamente lhe olhando nos olhos.

— Uau, você me pegou de surpresa... Na verdade não sei por que exatamente faço isso, mas sei por quem. Pelo meu irmão e por você, de certo modo.

— Por quê?

— Eu e meu irmão fomos abandonados quando éramos mais novos. Ele tinha 15 anos e eu 10, mas parecia ter uns 7 de tão pequeno. Nunca conhecemos nosso pai e nossa mãe nos deixou em casa, disse que voltaria e nós esperamos. Sobrevivemos uns dias com a comida que tinha, Demetri cuidou de mim, me protegia e me colocava para dormir quando estava com medo, até que passou uma semana, alguém denunciou que estávamos sozinhos na casa e fomos mandados para um abrigo. Você sabe o que é viver em um abrigo público quando se é criança, Sam?

Ela balançou a cabeça negativamente, ele prosseguiu:

— É horrível. Pessoas mal pagas que estão ali para cuidar das crianças acabam descontando toda a frustração em você e crianças podem ser muito cruéis. Tudo ali era horrível, quando se está sozinho? Tudo é pior ainda. O Demetri era mais velho e sabia se defender, mas eu? Dependia dele para tudo – lutar por comida, por roupa, por espaço, por absolutamente tudo. Nesse abrigo tinha um grupo de meninos e meninas mais velhos que colocava o terror ali, mandavam em tudo e em todos, eles convidaram o Demetri para se juntar a eles, mas com uma condição: ele teria que me deixar de lado, eu seria apenas mais um para eles e assim ele ganharia regalias e privilégios, mas o Demetri não aceitou. Disse que éramos um pacote fechado, ou eles aceitavam os dois ou não teria nenhum. E assim foi. Depois disso passaram a perseguir Demetri e eu, meu irmão reagia, mas às vezes era difícil passar por um grupo de mais de 10 meninos. Demetri me escondia e apanhava, depois voltava e cuidava de mim. Ele me protegeu enquanto estávamos ali, um se apoiava no outro, ele era tudo que eu tinha. Então ele fez 18 anos. Naquela época era a idade para sair dali e eu tinha 13 anos, ele saiu e jurou que voltava pra me buscar, eu disse que não precisava e que era para ele seguir, mas ele não o fez. Em uma noite ele invadiu o abrigo para me buscar, roubamos alguma comida e algumas roupas, então fugimos. Desde então moramos na rua. Roubamos, traficamos, realmente fizemos muita coisa para sobreviver, coisas que não me orgulho, mas não me arrependo. E sobrevivemos.

Samantha engoliu seco. Não conhecia toda a história por trás dos irmãos Bewley, era até fascinante escutar e dava um pouco de pena. Todos ali tinham sofrido até cair nesse caminho.

— Se não fosse pelo Demetri eu podia estar morto, ele é meu irmão e eu o amo mesmo com todos os defeitos. Estou nesse mundo por ele, foi sempre por ele. O ajudo nos golpes e em qualquer coisa sem hesitar, eu devo minha vida a ele. Lembra das suas principais regras? Gratidão. Eu sou muito grato ao Demetri e vou ajudá-lo. E nesse golpe Cullen principalmente, é diferente para ele... É a nossa vida.

— Por que é tão importante roubar os Cullen? Por que não pode ser outro?

— Porque tem muito dinheiro envolvido, Samy. Você não entende? Eu e Demetri sempre sonhamos em sair desse mundo. Sei lá, em ter uma casa grande, morar bem, construir alguma coisa, mas sair desse mundo. Sim, por mais que pareça estranho, nós queremos sair dessa vida e esse golpe vai fazer isso por nós. Com o dinheiro que vamos conseguir com isso tudo não vamos mais roubar, Samy, será nossa aposentadoria e é por isso que topei. Vamos fazer isso e parar. Vou ajudá-lo exatamente por isso, vai ser a última vez e então ele estará a salvo antes que algo pior aconteça com ele, não quero perder meu irmão.

— Você é um bom menino Riley. — Samantha falou esticando o braço e acariciou a bochecha dele, ele riu baixinho.

— Só você considera. Eu também estou nisso tudo por você, Samy. Vamos pegar o dinheiro e ir embora para sempre, morar bem longe, lembra? Morar na Austrália juntos?

Ela riu com aquelas palavras. Tinha dito que queria morar na Austrália apenas uma vez e durante uma pausa do sexo. Ele ainda lembrava.

— Você ainda lembra. — falou com um sorriso iluminado no rosto.

— Claro, já estou planejando e consigo ver tudo, você não? Eu e você juntos, vamos morar em uma casa frente a uma das mais belas praias da Austrália, vamos ter nossos três filhos e eles vão parecer com você. Iremos passar o dia com eles brincando, vamos brincar na água e fazer castelinho de areia com eles, vamos andar de mãos dadas beira mar enquanto eles mergulham, então vamos voltar cansados para casa e dar-lhes banho, vão comer alguma coisa e então vão para a cama. Você vai ajeitá-los embaixo das cobertas e eu vou contar uma história, beijo de boa noite e então vamos dormir juntos, abraçados, felizes. Vamos ser uma linda família! — ele sorriu animado e distante, sonhando com essa possibilidade. Então seus olhos se focalizaram no rosto de Samantha: — Você já imaginou isso? Já imaginou o quanto vamos ser felizes?

Ela imaginou. Por alguns segundos viu a cena em sua cabeça e parecia realmente um lugar feliz, ela via a cena por fora, era como se fosse um vídeo e ela estivesse apenas assistindo. Três crianças brincando na água (dois meninos e uma menina), a menina parecia a mais nova e estava interessada em pegar conchinhas e pedrinhas bonitas enquanto os meninos brincavam de jogar água um no outro, era possível escutar suas risadas infantis e inocentes, tão deliciosas. Samantha viu a si mesma, a Samantha da visão sorria ao lado e de mãos dadas com Riley, ambos com roupas de verão e sorrisos animados no rosto. Riley falou algo para os filhos que riram e então se virou para Samantha e a beijou. Eles eram um casal, eram uma família, eram felizes!

— Imaginei. Realmente imaginei. — falou com uma leve risada e suspirou.

— Claro que manteria contato com o meu irmão, mas seriamos apenas nós dois e nossos filhos, uma nova vida!

— Você falando assim eu até me animo, sabia? Você consegue ser tão persuasivo quando quer. Enfim, é um belo sonho.

— Não é sonho, é futuro! Ou um sonho de futuro? De qualquer maneira pode e vai se realizar. — Riley riu.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Não tenho, apenas quero muito e vou lutar por isso.

— Você realmente é um bom menino, Riley. Mesmo com toda essa sujeira que lhe cerca você continua sendo um inocente. — sorriu. — E isso é bom.

— Samy, eu não sou tão inocente assim e...

— Você é sim, por mais que não perceba! Você devia sair desse mundo, não é algo que dê futuro. Devia parar agora enquanto está por cima do que arriscar um pouco mais e sair por baixo, eu não quero que nada aconteça com você.

— Isso quer dizer que você se preocupa comigo? E isso quer dizer que você gosta de mim?

— Sempre gostei. Entre vocês três acho que o único que realmente me preocupa é você.

— É bom te ouvir falar isso! — sorriu.

— Quer dormir aqui comigo? Só dormir, little boy. — ela o chamou batendo no colchão ao seu lado. Sorriu.

Riley tirou o chinelo que usava e se deitou no lugar vazio ao lado dela. Ajeitaram-se na cama, se aconchegaram – Riley deitou a cabeça no peito dela e fechou os olhos escutando o seu coração bater e sentindo seu cheiro, era o lugar que ele queria ficar para sempre, nos braços dela. Samantha começou a acariciar seus cabelos ainda com os olhos abertos pensando em toda a conversa com o Edward e toda a conversa com o Riley. O que está acontecendo? Deu um beijo rápido na cabeça de Riley e fechou os olhos, dormindo tudo parecia muito mais fácil, então queria voltar a dormir, era melhor.

Who you are is not what you did, you're still an innocent.

Notas finais
Fui rapidinha com o capítulo porque estava empolgada para escrevê-lo, sei lá porque KKK Eu achei fofinho, gostei dele. Tá, mas quem tem que gostar é vocês então um foda-se pra mim KKKKKK Gostaram? Esse é o antepenúltimo capítulo da Numb, sim está acabando e agora comecem a fazer suas apostas: O que ela vai fazer? Qual vai ser a reação do Edward com tudo isso? O que vai acontecer? [aaaa] Espero que comentem, adoro ler e respondo todos os que vocês deixam. até o próximo, bjsbjs s22

PS: agradecimento especial de hoje: Me muero com as recomendações, comentários, absolutamente tudo e dessa vez vou agradecer a carlynhaswan. Amor muuuuito obrigada pela sua recomendação, adorei realmente *-*'
Claro agradeço também a quem lê e comenta, obrigada também, agradeço a quem lê e não comenta (podiam comentar né? não mataria, mas ok, obrigada de qualquer jeito), obrigada a todos em geral, vocês são demais *-*' +1