Numa noite de festa
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Voltando aqui com mais um drama, dessa vez baseado em acontecimentos reais!
Espero que gostem e que quem shippa SasuNaru não queira me matar! Amo vocês ^^
Boa Leitura!
O dia se iniciou como todos os outros. Abri os olhos e contei mentalmente até 3 à espera do toque do despertador. Porém, antes que este tivesse a chance de fazer uma tentativa de me acordar, o celular ao lado da cama vibrou, exibindo o número de Sakura na tela. Observei minha imagem refletida ali, cansada e pálida, e suspirei. Se ela estava ligando tão cedo em um sábado, só podia significar uma coisa: a reunião de formandos da academia.
Ela e Ino vinham planejando o evento há meses e todos estavam animados. Todos, menos eu. Já havia dito a Ino que não iria comparecer por conta de certos acontecimentos recentes que ainda me deixavam irritado e magoado. Porém, continuar evitando Sakura podia acarretar um grave risco à saúde ou podia indicar um possível desejo suicida. Pensando nisso, decidi que ainda gostaria de viver um pouco mais, então deslizei o botão verde pela tela e atendi.
— Naruto! Como assim você não vai aparecer para a festa?! — A voz dela pipocou, irritada.
— Bom dia para você também, Sakura.
— Bom dia nada! Quero a explicação na minha mesa agora.
— Eu já disse a Ino que estava com uns problemas e sem vontade de ir. — Passei as pernas para fora da cama e me sentei. O despertador escolheu esse momento para tocar, mas, rapidamente, estendi a mão e o desliguei.
— Ah, não faz isso comigo, Naruto. — Sua voz adquiriu um tom implorativo. — Passei meses organizando isso para vir você e desistir de última hora?! Poxa! Até o Sasuke, ocupado do jeito que está, vai aparecer!
Meu corpo congelou na ação de calçar os chinelos e a cabeça girou sem acreditar.
— O quê? Como conseguiu esse milagre? — Demandei. Minhas últimas conversas com o moreno não haviam terminado bem e, desde então, ele vinha me evitando. E, cada dia sem notícia, era como se uma parte de mim deixasse de existir.
— Garotas tem os seus truques. – Eu podia ouvir a risada que denunciava a sua vitória. — Você vai ver se aparecer por aqui. — E, dizendo isso, desligou.
Fitei a tela, sem acreditar. Ela sempre tinha que ser assim, ter a última palavra nos assuntos. Joguei o celular na cama, exasperado. Que opção eu tinha agora? Precisava ver se ele estava bem depois da última briga, precisava vê-lo de algum jeito e logo, só assim para que meu coração parasse de bater tão dolorosamente no peito. Suspirando, levantei por completo da cama e fui tomar um banho, rezando para que a noite não demorasse muito a chegar.
***
O local estava irreconhecível. O antigo ginásio da escola se encontrava coberto de tecidos vermelhos, brancos e azuis. Globos de luz pendiam do teto e estrelas fluorescentes podiam ser vistas ondulando sobre o tecido. Do lado direito havia uma mesa com comida e bebida e, do lado esquerdo, um DJ se concentrava em tocar música eletrônica. Na entrada, Ino recepcionava os convidados sorrindo largamente para os elogios que recebia pela organização de tudo.
— Então você realmente veio, Naruto. — Ela disse ao me avistar. — Aquela Sakura... nunca desiste até conseguir o que quer.
— Você não pode falar nada se faz a mesma coisa que ela. — Shikamaru apareceu ao meu lado, olhando feio para a loira que sorria como se nada houvesse sido dito. Ele enfiou as mãos no bolso da calça e se voltou para mim. — Já que ambos fomos obrigados a vir, que tal entrarmos juntos?
Assenti, distraído, em busca de qualquer sinal de Sasuke que pudesse ter deixado passar. Sakura havia dito que ele viria, certo? Ou isso fora apenas uma isca para me arrastar até ali? Enquanto Shikamaru comentava sobre o quanto as mulheres podiam ser aterrorizantes, minha mente vagava até a última vez que vira Sasuke.
***
Eu havia acabado de chegar da faculdade e estava prestes a tomar um banho e relaxar, quando a campainha começou a tocar repetidas vezes, como se a pessoa que estivesse do outro lado houvesse segurado o botão e não quisesse soltá-lo. Corri até a porta, assustado. Só havia uma pessoa que fazia aquilo e nunca com aquela pressa toda. Essa insistência só podia me dizer que alguma coisa acontecera.
— Já abri! Já abri! Não precisa quebrar a campainha. — disse ao afastar a porta para que Sasuke pudesse entrar. Ele caminhou para a sala como um raio e lá ficou dando voltas de um lado para o outro, aparentemente pensativo demais para falar o que quer que houvesse acontecido. Fiquei alguns segundos absorvido pelos seus movimentos elegantes, leves, fluidos. Amava a forma como ele retirava o cabelo dos olhos, o movimento dos ombros e as passadas ritmadas as quais combinavam com sua respiração acelerada. Fechei a porta e me escorei nela, tentando disfarçar que o observava. — Também não precisa fazer um buraco no chão. O que aconteceu?
— O Itachi fugiu. — disparou sem rodeios. Minha expressão devia revelar o choque que estava sentindo pois ele andou até onde eu me encontrava e segurou as mangas da minha blusa, os dedos se fechando com força. — Eu preciso saber, o que devo fazer? — meu coração doía ao vê-lo daquele daquela maneira. Ultimamente vinha sendo cada vez mais comum ele correr para minha casa quando as coisas na sua não estavam bem.
— O Itachi fugiu?! — repeti sem acreditar. — Mas como? Do nada? Simples assim, só fugiu?
— É, Naruto, ele apenas fugiu. — seu olhar caiu para o chão como se também não aceitasse a ação do irmão mais velho.
— Mas porquê?
— Eu te contei sobre o dia que ele resolveu revelar o namoro secreto para os nossos pais, não foi? — assenti, lembrando da semana passada na qual ele aparecera tarde da noite e contara sobre o jantar tenso que havia acontecido. — Meu pai ameaçou deserdá-lo se ele seguisse adiante nesse relacionamento com o Shisui ao que ele respondeu que fosse em frente pois era exatamente o que queria.
— Eu sei.
— Depois dessa noite, não consegui mais entrar em contato com ele. É como se ele tivesse desaparecido do planeta! — exclamou, voltando a caminhar de um lado para o outro. — E algumas semanas atrás ele já havia me dito que estava pensando em fugir caso a reação do meu pai fosse negativa. Você pode muito bem ver que foi, não é? — a voz se partiu em uma risada sem humor.
— Ei, se acalma. — segurei seu braço antes que ele completasse mais uma volta. — Pode ser só um mal entendido.
— Ah, claro! Apenas um mal entendido! E ele esqueceu de atender a porcaria do telefone por uma semana?! — ele puxou o braço, livrando-se do meu aperto. — Não me vem com essa de se acalmar, Naruto! — cada palavra parecia um tapa na cara. — Eu vim até aqui pensando que você me ajudaria a procurá-lo e escuto um "se acalma"?
Eu queria ajudá-lo, daria de bom grado tudo que ele me pedisse. Sempre havia sido assim. Ele aparecia aqui com um problema e eu movia céus e terra para solucioná-lo apenas para vê-lo feliz. Porém, ultimamente eu estava ficando cansado. Cansado de não receber nenhuma demonstração de carinho em troca ou mesmo a mínima fagulha de interesse. Apenas mais problemas derramados sobre minha cabeça. E agora essa? A culpa era minha por sugerir não procurá-lo?!
— É isso mesmo! — revidei, me deixando levar pela impulsividade pela qual era conhecido. — De que adianta sair e por aí feito um louco sem nem saber por onde começar?
— Ele deve estar com o namorando, óbvio!
— E você sabe onde ele mora? — Ele se calou, a boca torcida em uma linha irritada. Os minutos se arrastavam enquanto ele ponderava minhas palavras, o tic-tac do relógio em consonância com as batidas do meu coração.
— Pois bem, — ele ergueu a cabeça, decidido. — se você não vai me ajudar, eu vou procurar sozinho. — e se dirigiu a porta.
— Ótimo! Pode ir! Quando não conseguir nada vai voltar aqui e admitir que eu estava certo! — gritei. Ele saiu sem dizer uma palavra e, ao ouvir a porta bater, me arrependi de tudo que havia dito. Mas agora já era tarde.
***
— Você está bem aéreo hoje. — Shikamaru comentou ao perceber que eu não havia ouvido uma palavra do que ele vinha me falando.
— Sinto muito por isso, eu só... estou procurando o Sasuke. — ele assentiu, como se houvesse entendido e apontou para a entrada.
— Então você está com sorte, ele acabou de entrar. — voltei o olhar para a direção que ele apontava no momento que o Uchiha passava pela porta. — Não ligue para mim, eu acabei de ver o Chouji na mesa dos salgados e vou lá falar com ele. Vai até lá. — despediu-se com um aceno de cabeça. Respirando fundo, puxei as mangas da camisa e endireitei a postura, me dirigindo até ele. Porém, antes que pudesse alcançá-lo, Sasuke me avistou e caminhou a passos largos, me interceptando na metade do caminho. Abri a boca para cumprimentá-lo ou para pedir desculpas pelo que dissera da última vez, mas ele sequer pareceu notar. Me envolveu em um abraço apertado, sussurrando em meu ouvido:
— Você estava certo, foi tudo um mal entendido.
Minha respiração travou no peito ao sentir a proximidade do seu corpo contra o meu, o cheiro do seu perfume a envolver o ar e a sua respiração quente em meu pescoço. Era confortável e tinha cheiro de casa. Ergui os braços, devolvendo o abraço.
— Tudo bem agora que você sabe. Mas eu disse que estava certo. — ele soltou uma risada fraca e contida e um sorriso bobo espalhou-se pelo meu rosto.
— Senti sua falta, idiota.
— Eu também, seu cabeça dura. — permanecemos abraçados por mais alguns segundos, o calor circulando entre os corpos era inebriante, aquecia o meu peito com uma sensação quente e delicada que parecia expandir a cada minuto. Era como se aquele abraço fosse uma necessidade depois de tudo que havia acontecido, uma demonstração do que ele senrtia que eu tanto desejara. Sasuke... pensei. Então é isso que significa amar?
Antes que eu tivesse a chance de dizer algo, um pigarrear divertido atrapalhou o clima. Me afastei de Sasuke como um raio, torcendo para que os sentimentos não estivessem escritos em meu rosto. Agora não era a hora certa para contar, mais tarde, antes do fim da festa, eu o faria.
— Garotos, que tal deixarem isso para mais tarde? — Ino apareceu, arrastando Shikamaru por um braço e Choji pelo outro. Sasuke rolou os olhos, ignorando a provocação, e eu passei as mãos pela calça para enxugar o suor nervoso que se acumulava nas palmas. — A Sakura já vai dar início a festa.
Sasuke fez um gesto, indicando para que nos apoximassemos mais do local onde a rosada se encontrava. Como seus amigos mais próximos, era meio que um dever nosso estar perto dela nessa hora. Enquanto ela discursava sobre nostalgia e os velhos tempos, eu pensava sobre qual seria a reação de Sasuke quando confessasse o que senria por ele. Tentava me convencer de que ele também devia sentir o mesmo, do contrário, por que outro motivo me abraçaria daquele jeito? Esse pensamento me deu a confiança necessária para decidir. Ao término do discurso de Sakura, eu o puxaria até uma das portas que levavam para fora da quadra e contaria a ele. Mais esperançoso, voltei a prestar atenção as palavras que a rosada proferia.
— Estou muito feliz por todos estarem aqui hoje, e, aproveitando a ocasião, gostaria de compartilhar uma novidade! Sasuke e eu estamos namorando oficialmente!
Vários gritinhos partiram das garotas que correram para Sakura para dar os parabéns e pedir por mais detalhes. Enquanto isso, as vozes e conversas que preenchiam o ambiente pareciam uma rádio mal sintonizada em meus ouvidos. Eu tinha certeza que minha boca devia estar aberta em choque. A decepção queimou o sentimento bom e preencheu o peito com amargura e pensamentos ruins. Por que justo agora? Eu me perguntava. Por que justo hoje? Como isso aconteceu? Não devia ser ela, devia ser eu!
O último pensamento me deixou assustado com a linha que minha mente estavam seguindo. Estava a ponto de desejar que algo ruim acontecesse a Sakura, minha amiga desde sempre. O que eu havia me tornado? Trair uma amizade por um coração partido. O que valeria mais?
Arrumei a expressão e lancei um sorriso para a rosada que me encarava, curiosa sobre minha opinião. Fiz um gesto vago indicando que precisava de um pouco de ar e saí da quadra pelas portas duplas do fundo, as mesmas portas pelas quais eu planejava arrastar Sasuke para longe da festa.
Do lado de fora, respirei fundo e ergui a cabeça para contemplar as estrelas. Meu coração ainda doía, um forte aperto que me fazia ter vontade de voltar lá e arrancar Sasuke dos braços dela e substituí-los pelos meus de onde ele nunca mais sairia novamente.
— Então você está aqui. — a porta se abriu e Shikamaru passou por ela, a expressão despreocupada, mas os olhos firmes e analíticos.
— Eu só precisava de um pouco de ar, muito abafado lá dentro, sabe... — ele assentiu, como se compreendesse muito mais do que eu estava dizendo.
— Depois de um choque daqueles, qualquer um precisaria de ar fresco. — ele se juntou a mim na ação de contemplar os céu noturno. — Venho observando vocês a noite toda. Ia contar para ele? — assenti, incapaz de responder em voz alta. A pressão no peito, a decepção, aumentava. Mordi os lábios na intenção de impedir que a queimação nos olhos se espalhasse e caísse na forma de lágrimas. — Entendo. — ele deu um suspiro cansado e prosseguiu. — Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada.
— Você pode estar certo. — fechei os olhos com força, vendo formas amarelas pipocarem na escuridão e empurrei os sentimentos para o lugar mais profundo que existia em meu interior. Mais tarde eu os reviveria e choraria toda a dor e decepção de um amor não correspondido. — Obrigado, Shikamaru. — ele apenas assentiu, ainda observando o céu.
Voltei para dentro, agora decidido. Uma vez eu havia dito que jamais recuaria diante um objetivo, porém se as duas pessoas que mais me eram importantes nesse mundo queriam ficar juntas, qual motivo eu tinha para impedi-las? Pelo contrário, devia a eles o meu apoio, principalmente após passarmos por tantas coisas e tanto tempo juntos: todos os anos de escola, as broncas dos professores, as festas, as lágrimas derramadas quando algo não corria bem, a morte dos meus pais e o apoio que eles haviam me dado. Tudo fora compartilhado e havia se tornado lembranças preciosas para mim.
Quanto a dor em meu peito... Bom, diziam que os corações partidos podiam ser consertados, bastava apenas nunca deixar de procurar. Um dia, um novo sentimento iria preencher o vazio deixado. E, embora ate lá essa dor permanecesse, seguiria acreditando que esse dia chegaria.
Notas finais
Pra compensar a triteza, logo logo apareço com um fluffy bem açucarado para vocês ^^
Obrigada por ler!
Beijinhos ^3^
Fale com o autor