Nudez Mortal
5 Frente à frente com Edward Cullen
Notas iniciais
FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR
– Eu servi mais uma década da minha vida a esse estado e se eu perceber que vocês não estão fazendo tudo o possível para colocar o desgraçado que fez isso atrás das grades, eu farei com você seja demitido do seu cargo comandante. – O Senador falou com ódio nos olhos direcionados a Carlisle. – E você tenente Swan, correrá atrás de bandidos de mãos leves nas ruas pelo resto da sua vida.
POV Bella
Saí da sala do Carlisle bufando de raiva, mas com total confiança de que o Comandante não ia repassar para aquele Senador pomposo nada que comprometesse a investigação. E ainda tinha aquele assessorzinho que tentou justificar a atitude do seu patrão!
Pedir desculpa uma ova! Até parece que o patrão dele estava abalado com a morte da neta, mas se o assessor diz quem sou eu para discutir.
Depois de finalmente se alimentar devidamente, ela passou a tarde pesquisando e entrando em contato com os nomes que constavam na agenda de Jéssica. Solicitou entrevista com alguns na Central. Decidiu ir pessoalmente ao apartamento do pervertido que tentava fazer filme pornô na entrada do elevador. Pesquisou e descobriu que ele também era uma acompanhante licenciado o que ia ser de muita ajuda nas investigações, afinal de contas eles eram colegas de profissão.
Bella apertou a campainha e colocou o distintivo na câmera para que ele fosse avaliado pelo morador.
Damon Salvatore era um homem com uma beleza incrível, alto, forte e uns olhos de um tom de verde lindo. E tinha um sorriso...
- Olá tenente. Em que posso ser útil? – Ele falou e deu um sorriso que por alguns segundos roubaram o foco de Bella.
- Bom, quero fazer algumas perguntas sobre Jéssica Stanley. – Falou ela entrando mesmo sem ser convidada.
- Tudo bem, eu permito que você entre em meu apartamento e invada minha cozinha. – Damon falou divertido vendo que ela ia direto para a cozinha. Era estranho, mas ele gostou daquela policial cara de pau.
- Posso pegar uma Pepsi pra mim? – Perguntou já com uma latinha aberta na mão.
- Pode sim. Sinta-se em casa Tenente. – Falou ele pegando uma Pepsi para si.
- O senhor está esperando alguém agora? Alguma cliente? – Perguntou já com o ar de policial estampado na cara.
- Não. Agora só tenho uma cliente a noite, vou leva-la para jantar. – Informou ele. – Olha, sinto muito pelo que aconteceu com a Jéssica, fiquei bastante abalado.
- O Senhor conhecia a vítima há quanto tempo?
- Pode me chamar de Damon, afinal de contas eu ainda sou muito jovem para ser chamado de senhor. – Falou ele sentando e indicando uma cadeira para ela sentar.
- Eu sou vizinho dela há quase quatro anos e até já trabalhamos juntos às vezes, sabe como é. O cliente às vezes gosta de uma festinha e sempre quando isso me acontecia eu sempre a escolhia e ela também.
- Fora o trabalho vocês já se envolveram? – Perguntou ela enquanto tomava nota e gravava toda a conversa.
- Sempre que sentimos vontade e quando queremos fugir de clientes. Não posso negar que ela era uma mulher que exalava sexo e além de tudo tinha uma beleza de parar o trânsito. E eu não fico muito atrás não e sei que ela gostava de homens top de linha. – Falou com um sorriso brincado nos olhos e nos lábios.
- Onde você estava na noite do crime nos horários entre 23 horas e 04 horas da madrugada?
Com um olhar agora assustado ele pensou durante uns poucos segundos. Talvez ele não tenha sequer imaginado que pudesse ser um suspeito. É bom que ele pense que está na minha mira, talvez assim ele nos passe alguma novidade que clareie um pouco mais o caso, pensou Bella com um olhar avaliador.
- Bom. Eu estava na companhia de uma cliente, aqui mesmo no meu apartamento. Isso não é muito comum, mas é que essa é uma das minhas melhores clientes e ela tem preferência por algo mais íntimo. Eu gostaria de manter o nome dela em sigilo, mas se realmente for importante eu posso informar endereço e o nome dela.
- É claro que eu gostaria de saber o nome dela, mas não se preocupe, só quero confirmar seu álibi com ela. – Ela falou com uma expressão que transmitia tranquilidade.
Engraçado, por mais que tivesse que coloca-lo em sua lista de suspeitos, ela tinha ido com a cara dele. Mas preferia não demonstrar isso.
- Que horas você e sua cliente chegaram aqui?
- Por volta de 21 horas.
Ela então se lembrou da cena que tinha assistido no disco confiscado da câmera de filmagem. – Sabe Senhor Salvatore, quer dizer, Damon, você pode ter sua licença cancelada por aquela cena um pouco... Picante na frente do elevador.
– Desculpe, prometo não me empolgar mais tanto assim! – Falou Damon tentando se manter sério.
– Ok. Agora me passe os dados dessa cliente e ninguém sai ferido.
– Espero que você não me faça perder essa cliente. Ela é uma pessoa maravilhosa, em todos os sentidos. – Falou ele pegando sua agenda eletrônica e repassando os dados para Bella.
– Tá certo. Jéssica conversava ou comentava com você sobre os clientes que ela atendia?
– Nós fomos amigos tenente e sempre quando tínhamos tempo conversávamos sobre eles, embora isso seja errado. Mas era inevitável não falar sobre o nosso trabalho quando estávamos juntos. Era engraçado por que ela nunca se referia aos seus clientes pelo nome, mas sim com apelidos que ela mesma criava. Lembro-me de alguns bem engraçados, como o tatu, palhaço, peruquinha... — Ia falando ele enquanto lembrava os momentos, ele sabia que ela ia fazer falta.
– Ela reclamava de algum cliente para você? Algum cliente nervosinho?
– Não. Por incrível que pareça, ela conseguia de certa forma colocar moral em todos. Ela me falava que não tinha mais saco para ser mandada por mais ninguém, isso vem dá família dela sabe.
- Então você afirma que Jéssica Stanley não se dava bem com a família e sempre que tinha motivo enfrentava sua família? – Ela ia pesquisar mais a fundo as relações familiares do Senador.
- Sim. Certa vez ela me ligou e pediu que eu fosse até o apartamento dela para conversarmos. Ela estava com raiva do seu avô por que ele mais uma vez tinha dado uma entrevista em que elogiava sua família, dizia que sua família era uma das mais sérias que existiam e que não havia nenhum problema entre eles, uma família normal sabe?
Damon ia fazendo surgir à imagem de uma pessoa que não suportava a arrogância do avô.
- Ela resolveu trabalhar como acompanhante licenciada para chocar o avô sabe, mas acabou descobrindo o prazer que existe nesse trabalho, ela descobriu que amava fazer sexo. Então ela decidiu continuar trabalhando para se senti bem, mas pelo visto esse trabalho a matou né?
- Sim, parece que sim. – Falou Bella levantando para ir embora. – Se tiver que se ausentar da cidade me avise. Se precisar saber de mais alguma coisa entro em contato com você.
- Então acabou! É só isso mesmo?
- Que eu saiba, por enquanto sim.
- Sabe tenente, você é uma pessoa bem legal para uma tira... – Ele chegou bem perto dela e passou a mão levemente pelo pescoço dela. – Ele viu que ela semicerrou os olhos e o olhou com cara de desconfiada. – Bella, você já tem que ir?
- Por quê?
- Bem, sabe o que é? É que eu meio eu me encantei com seus olhos cor de chocolate e esse seu queixo dá uma vontade de acariciar... — Falou ele chegando bem perto, quase encostando os lábios no dela.
Bella segurou o riso e de forma bem séria colocou certo espaço entre eles. – Você está tentando me subornar Damon? Sim, por que você tem que ser muito bom...
- Sou melhor do que você possa imaginar tenente. – Falou ele interrompendo-a e novamente diminuindo o espaço entre eles.
- Então, Damon, eu vou ter que autuar você por tentativa de suborno contra uma tenente. – Ela falou e segurou a gargalhada que ameaçou sair quando ela o viu pular com uma cara assustada para bem longe dela.
Ela deu um tapinha no braço dele de maneira amigável e falou já indo em direção à porta. – Valeu pela oferta.
Ele olhava para ela enquanto ela seguia em direção ao elevador e antes que ela chegasse até ele, ele a chamou.
- Bella?
Ela virou para olhá-lo antes de chamar o elevador.
- Se mudar de ideia, você sabe onde me encontrar! – Ele sorriu quando a viu sorrindo para ele.
- Tudo bem Damon, você está no topo da minha lista.
Em todos os sentidos, ele estava no topo de sua lista. Ela ia averiguar o álibi dele. Não era impossível acontecer de ele deixar sua cliente dormindo enquanto ele ia fazer uma visitinha noturna a sua querida vizinha.
E como morador do prédio ele tinha como ter acesso às câmeras e assim fazer aqueles trabalhinhos com as imagens.
Mas ela tinha gostado dele e esperava de verdade que ele não fosso o assassino.
Bella Swan não gostava muito de ir a funerais, mas esse ela tinha feito questão de comparecer.
Era um momento bastante propício para olhar de perto todas as pessoas que estavam em volta de Jéssica Stanley. Avaliar os familiares e amigos da vítima e olhar suas reações.
O Senador estava com um ar sombrio próximo ao corpo da neta, ao seu lado estava o assessor Michael Steve, sempre pronto a ajudar o Senador quando esse necessitasse. Também estavam ali perto os pais de Jéssica.
Eles eram muito jovens e estavam arrasados. Como se sentem os pais de uma garota que é assassinada? Como os pais se sentiam com a perca de um filho amado?
Como os pais de Bella se sentiriam com a morte dela? Acho que ele iam se sentir no céu, pensou ela. Quem era minha mãe? Onde ela estava enquanto meu pai abusava de mim? Onde eles estão agora?
Bella detestava quando um caso a fazia pensar na sua vida. Decidiu voltar seus pensamentos para a família da vítima. O pai de Jéssica, Thomas Stanley era quase que uma cópia do pai, mas só que ele demostrava mais sentimentos. Elisa Forbes estava ao lado do marido com um vestido discreto e com a expressão no rosto de que perdera algo de muito precioso, seus olhos não paravam de verter lágrimas.
Bella sentiu pena daquela mulher e por algum momento imaginou como seria ser amada assim por uma mãe.
O Senador Stanley tinha também uma filha. Nichole Stanley tinha seguido os passos do pai na política e nesse momento estava com uma expressão de pesar no rosto e sua mão estava agarrada firmemente na do seu marido Jymme Carter.
Havia muitas pessoas da família ali e era difícil para Bella olhar tantas expressões de tristeza em um mesmo lugar.
Foi então que em meio a tantos rostos ela a viu e não teve como não reconhecê-lo logo no primeiro olhar. Ali, em meio aquela multidão de pessoas estava Edward Cullen.
Ele estava sozinho. Tinha ao seu redor uma aura de solidão que a fez tremer involuntariamente. Ele notava que as pessoas o olhavam disfarçadamente, outras olhavam de forma descarada. Algumas mulheres lançavam olhares de flerte em sua direção, mas ele os ignorava como ignorava a todos os outros.
Lá estava ele, com um olhar que não expressava qualquer sentimento. Nenhum tipo de pesar ou tristeza. Ela só conseguia ver frieza.
Sim. Edward Cullen era um homem frio e calculista. Um homem que não demostrava nada. Um homem que havia criado um forte escudo protetor ao redor de si que nada nem ninguém era capaz de quebrar ou ao menos arranhar.
Mas Bella sabia que ali tinha força, garra e determinação. Não era qualquer pessoa que conseguia subir na vida sendo tão jovem.
Ele mantinha seu olhar em frente, enquanto a cerimônia prosseguia. Foi então que de repente ele olhou pra trás. Exatamente seis filas de cadeiras atrás. Olhou firme e manteve preso aos seus os olhos dela. Ele olhava fixamente para os olhos de Bella Swan.
Bella não sabe de onde tirou forças para manter seu olhar fixo aos dele. Ela sentiu todo o poder que emanava dele somente através daquele olhar. Um minuto foi o tempo que seus olhares se prenderam antes de alguém se meter entre eles quando todos se levantavam e seguiam em direção à saída da igreja.
Bella até que tentou olhar para o mesmo lugar e encontrar aquele olhar, mas ele já havia sumido.
Bella seguia em direção ao estacionamento enquanto ia recitando para o seu gravador suas impressões das pessoas que estavam na igreja. Ela parou antes de falar em Edward.
- O que leva um homem como ele a estar presente na cerimónia fúnebre de uma pessoa que tinha visto apenas uma vez na vida? De acordo com minhas pesquisas, eles haviam se encontrado apenas uma vez em um jantar no Chile. Será que apenas esse encontro bastou para que eles se envolvessem tanto assim? – Questionava ela ao gravador.
Ela seguiu em direção ao cemitério onde Jéssica ia ser enterrada. E foi pela primeira vez falar com a família da vítima.
- Senador Stanley, Senhora. Meus pêsames.
- Poupe-nos de seus sentimentos e faça justiça a minha neta Tenente. – Disse o Senador de forma rude.
- Eu estou fazendo tudo o que é possível.
Ela ia saindo quando o assessor Michael se colocou na sua frente.
- Olha tenente Swan, a família do Senador e o próprio Senador agradecem sua presença aqui, mas seria um pouco inconveniente que eles tivessem que dá de cara com a detetive responsável pelo caso. – Falou ele com um sorriso que não chegava aos olhos.
- Tudo bem. Já entendi que você quer que eu caia fora, mas só me responda uma coisinha. – Falou ela olhando firmemente para o rosto de Michael. – Onde esteve na noite do crime?
Por algum momento o seu sorriso falhou, mas logo ele se refez.
- Tenente, eu não gosto muito desse termo.
- Nem eu. Mas você não me respondeu ainda. Qual o seu álibi? – perguntou novamente frisando o último termo.
- Estava em Washington trabalhando em um projeto com o Senador. – Falou ele sorrindo abertamente dessa vez. — Como pode ver tenho um álibi bastante forte, se quiser pode confirmar com o Senador. Você não vai encontrar abertura muito larga para passar tenente.
- Nova York não fica tão longe assim de Washington, nada que um avião não possa ajudar.
Ela ia se afastando quando virou para ele e falou. – Você pode se surpreender com o número de pequenas aberturas que eu já passei isso é uma de minhas maiores qualidades.
Ele não sorria mais quando ela saiu.
Ele tinha um bom álibi, isso era inegável. Mas ela ia averiguar isso o mais rapidamente possível.
Foi nesse momento que ela o avistou novamente. Edward Cullen conversava amigavelmente com Elisa Forbes. Era uma conversa bem amigável e Bella se surpreendeu quando ele a beijou no rosto e abraçou amigavelmente Thomas Stanley.
Bella viu quando ele seguiu sozinho a caminho do seu carro. Ele estava com as mãos nos bolsos do casaco, talvez para se proteger do frio.
Ela lembrou que estava sem luvas e colocou as mãos no bolso do casaco que estava usando enquanto o seguia. O frio ficou mais cortante do que nunca.
Antes que ele chegasse ao carro ela o chamou.
- Cullen.
Ele parou e vagarosamente virou para olha-la. Ele a encarava de forma fria enquanto ela seguia em sua direção.
Ela foi bem devagar, pois ela queria dá tempo a si mesmo para controlar seu corpo e seus pensamentos antes de falar com ele. Ela também queria fazê-lo esperar, afinal ela não era como as outras que corriam para os seus braços na rapidez de um raio.
- Eu gostaria de um tempo seu para fazer algumas perguntas sobre o assassinato de Jéssica Stanley. – Ela disse enquanto mostrava o distintivo para ele.
- Não sabia que policiais tinha o hábito de ir aos funerais das vítimas de seus casos Tenente Swan.
A voz dele era linda. Forte, mas com um toque de suavidade. Demonstrava um leve sotaque irlandês, não muito perceptível. Mas ela estava atenta a tudo.
- Você era amigo da vítima? – Ela perguntou. Mesmo sabendo a resposta, ficou interessado na resposta que ele iria dar.
- Não. Eu não era amigo da vítima. Era amigo da família dela. – Ele falava enquanto notava que ela esfregava as mãos por dentro do bolso do casaco. – A senhorita está quase congelando tenente
Ela tentou fazer com que suas pernas parassem de tremer. Parou de esfregar as mãos, mas logo se arrependeu, pois suas pernas tremeram mais ainda.
– Somos amigos há muito tempo. Amigos bem próximos. — Ele olhava para ela, agora com bastante interesse. Estava quase vendo a hora que os dentes dela iam começar a bater com tanto frio. O vento frio espalhava os fios que ela havia deixado solto do coque que ela havia feito. Fios esses que brincavam pelo rosto dela. Um rosto inteligente, forte, sexy. Qualidades, na opinião dele, para olhar mais de uma vez para uma mulher. – Você não acharia melhor que fossemos conversar em outro lugar? Um lugar mais quente.
Notas finais
Até a próxima.
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