Nuclear

1 Capítulo 1


- O que voce tem?

Dean lançou enquanto entrava no quarto de hotel, afrouxando a gravata e tirando o paletó do terno.

- Não muito. Voce? — Sam respondeu, olhando o irmão que sentou na sua frente.

- Fui ao hospício e falei com as tres vítimas. Cara, seja o que lá o que tenha feito aquilo com eles... — Dean interrompeu a frase e olhou para o chão, com um olhar preocupado.

- O que? — Sam estava curioso.

- Eles estão apavorados. O psiquiatra disse que só está conseguindo mante-los na clínica a base de remédios, muitos remédios. Basicamente, o unico jeito de que eles não gritem e tentem se matar é dopando os coitados.

- O doutor disse o que eles gritam?

- É aí que fica estranho. Achei que teria um padrão entre os tres, sobre o que eles tem medo, a criatura que os assustou. Mas o psiquiatra disse que cada um tem alucinações diferentes. Um deles jura que tem um assassino o perseguindo com uma arma, o outro acha que está em uma corda bamba entre dois arranha-céus. A garota acha que está se afogando.

Sam franziu o cenho. Algo estava errado. Tinha que ter um padrão entre os tres, não era normal tres jovens que foram a vida inteira completamente saudaveis — sem nenhum uso de medicamentos para controle emocional ou algo do tipo — em uma noite tentarem suicidio.

- Eles não tem nada em comum além de serem jovens e frequentarem a mesma faculdade. E, qual é, estamos em Berkeley: uma das mais famosas cidades universitarias.

- Bem, eles são da mesma turma. E tem uma garota da turma deles, que estava na mesma festa que eles na noite em que enlouqueceram.

- Sammy, várias garotas da turma deles devem ter aparecido nessa festa.

- É, mas tem uma desaparecida.

- Desaparecida?

- É, quer dizer, não. Ela não tem presença em nenhuma das aulas da grade dela desde o dia da festa. E faz mais de uma semana. Aqui consta que ela faltava bastante, mas aleatóriamente, não dias a fio.

- Voce acha que ela tem alguma coisa a ver?

- Bom... Se não tem, pode estar tendo um surto psicotico sozinha em algum lugar.

- Certo. De um jeito ou de outro, temos que acha-la.

Os irmãos estavam na frente de um grande casarão e se olharam da cabeça aos pés antes de tocar a campainha. Uma garota atendeu a porta de biquini com um vestidinho por cima.

Como Dean amava repúblicas. Ainda mais no verão da California!

- Pois não? — disse a garota, com um sorriso questionador no rosto.

Dean pigarreou, sem conseguir esconder a satisfação de estar ali.

- Sou Brian, esse é meu parceiro, Angus. Nós somos professores de apoio da Sarah. Ela está?

- Ah, Sarah? Não sabia que ela precisava de professores de apoio. Deve ser por isso que é uma das melhores alunas, mesmo não sendo daqui.

Sam levantou uma sobrancelha.

- Aliás, não sabia que a faculdade disponibilizava professores de apoio nesse curso.

- Não disponibiliza. Somos particulares — Dean sorriu.

- De que matéria são? Eu me interessei pelo trabalho de voces.

- Um pouco de tudo — Sam sorriu, desconfortável — Em qual matéria tem mais dificuldade?

- Teoria geral dos contratos. Tudo que envolva contratos e direito empresarial.

- Minha especialidade! Bem, voce disse que Sarah não é daqui...? — Dean mudou o assunto rapidamente.

- Nunca notaram? Ela é brasileira.

- Ah! Isso... Bem, ela não está?

- Ela morava aqui no começo do semestre. Cerca de um mes atrás se mudou para um apartamento na rua 6. É um prédio azul marinho de quatro andares, ela mora no 403.

- Muito obrigada!

- Posso pegar o contato de voces?

- Na verdade, estamos só de passagem pela cidade. Eramos professores dela no Brasil — Sam fez sua melhor cara de 'sinto muito' que tinha.

- Mas enquanto estamos na cidade... — Dean piscou, a entregando um papel com seu numero.

Sam queria ir ao apartamento de Sarah direto, temia que ela estivesse surtando ou até morta sem ninguém ter percebido. Dean queria ligar para Bobby, ou pesquisar mais que criatura poderia fazer aquelas coisas. Eles não sabiam com o que estavam lidando.

- Dean, ela é, no máximo, uma bruxa. Se for mesmo ela.

- Uma bruxa causa danos físicos, não psicológicos.

- Tudo bem, então um trickster. Só vamos logo!

Dean o olhou por um tempo, por ter levantado a voz em uma discussão um tanto quanto estúpida. Sam não era disso. Partiu o carro em direção a rua 6.

Quando chegou na frente da porta, Dean estava com uma arma carregada de sal presa a calça, uma estaca de madeira em uma mão. Sam com a faca que mata demonios presa a calça e água benta em outro bolso.

- Odeio não saber o que trazer — Dean murmurou, emburrado.

Sam rolou os olhos com o comportamento do irmão e foi bater na porta, já que a campainha não tinha tocado. Quando seu punho foi tocar na porta, ela se abriu.

- Cas?! — os irmãos completaram, confusos, juntos.

- O que estão fazendo aqui? — Castiel indagou.

- Pergunto o mesmo — Dean rebatou.

- Estamos aqui pela Sarah — Sam foi direto ao ponto.

- Cas? Quem está ai? — uma voz feminina de longe disse.

- Um minuto, Sarah — Cas disse, olhando para trás, antes de ir para o corredor e fechar a porta — Como sabem da Sarah?

- Na verdade, não sabemos. Estamos só investigando — Dean respondeu.

- Que bom que estão aqui. Tenho um trabalho para voces.

- Ordens do chefão lá de cima? Não, obrigado, passamos — Dean virou as costas.

- É sobre a Sarah. Ela está fora de controle e não posso protege-la de tudo com uma guerra prestes a acontecer.

- Quer que sejamos babás de uma colegial nerd?

- Dean. Vamos ao menos ouvir o que Cas tem a dizer.

Quando entraram no apartamento, não puderam não reparar o quanto era arrumado e aconchegante o lugar. Castiel os guiou até o quarto, onde fez um sinal para que esperassem fora. Uns dois minutos depois, voltou para os chamar, dando um aviso estranho.

- Só a olhem pelo espelho.

Adentrando o comodo, ao lado oposto do quarto, uma garota sentada em frente a uma penteadeira espelhada os encarava. Tinha os cabelos pretos presos desarrumadamente, a marca de biquini não passou batido por Dean, seus olhos escuros estavam vermelhos, pareciam fundos e rodeados por olheiras, parecia que estava um pouco abaixo do peso e abatida.

- Então, voces são os Winchester? — quando terminou a frase, sua íris ficou prateada, junto com o desenho de uma meia lua no meio de sua testa. Sumiu tão rápido quanto veio.

- Que merda é...?

- Somos — Sam respondeu — Voce é Sarah, certo?

- Sim. Desculpem não poder me apresentar direito, mas é mais seguro assim — ela deu um sorriso.

- Cas? — Dean pediu explicação com o olhar, vendo pelo espelho os orbes prateados e a meia lua irem e virem na face da garota como uma televisão com sinal ruim.

- Sarah é uma arma de Deus.

- Uma arma? Deus transformou uma garota em uma arma? — Dean repetiu.

- Sim. A fé dela sempre foi grande o bastante para ser considerada uma arma. Agora as coisas ficaram mais literais. Com uma possível guerra vindo, ela virou uma arma humana contra todas as criaturas. Inclusive anjos.

- Uou — Sam disse, chocado o bastante para se sentar na cama.

Havia algo nela que fazia com que ninguém naquele quarto conseguisse desviar os olhos de seu rosto. Era como se estivessem hipnotizados cada vez que seus olhos mudavam e a lua aparecia, e quando desaparecia ficavam esperando aparecer mais uma vez.

- Então por que precisa de proteção? — Dean perguntou.

- Eu não sei como controlar. Eu... Não sei — os olhos dela encheram de lágrimas — Vou enlouquecer Berkeley inteira. Isso se não ficar louca antes!

- É voce que está fazendo as pessoas virarem esquizofrênicos? — Sam perguntou, tentando entender.

- O que? — Sarah se alarmou.

- Ainda não havia a informado o resultado — Castiel suspirou — Sarah tem acesso a uma parte da mente humana onde está os medos. É uma parte geralmente adormecida, nem a própria pessoa sabe quais medos tem.

- Ela ativa essa parte?

- Sim. Por enquanto.

- O que quer dizer com "por enquanto"? — Dean estava a ponto de fazer Castiel desembuchar rapidamente com diferentes métodos de tortura.

- Descobrimos há pouco tempo seus poderes. Está apenas no começo. Por enquanto, só humanos são afetados pois ela ativa essa parte do cérebro humano. Em pouco tempo, ao invés de apenas ativar uma parte da mente, ela criará ilusões vividas a ponto de serem reais o bastante para matar.

- Ótimo! — Dean aumentou o tom de voz — Deus jogou uma granada na mão de alguém que não sabe usar!

- Ela só precisa de prática — Castiel respondeu.

- Ah, claro! Então vamos leva-la para o centro de treinamento de armas humanas divinas! Ah, espera... Isso não existe! — Dean gritou.

- É por isso que ela tem a mim.

- Anjo da guarda pessoal?

- Não.

- Bem, agora voce tem a nós também. Não precisa se preocupar — Sam levantou, botou uma mão no ombro dela e sorriu — Somos bem bagunçados também.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.