Nuances da Noite
3 O Príncipe de Fogo
Notas iniciais
– Norman, acorde!
Uma doce voz fez com que Norman pudesse despertar de mais um de seus sonhos sobre sua infância. Dessa vez, estivera sonhando com o dia em que conheceu Laura e a forma como ela encontrou o caminho certo para voltarem.
Era um dia nublado, mas Norman decidiu sair para caçar pássaros. No caminho para a floresta, encontrou uma garotinha que olhava, completamente distraída e feliz, as formigas carregarem folhas.
– Olá! O que há de tão interessante com essas formigas? — Perguntou, Norman.
– Eu não sei... — Respondeu Laura enquanto pensava — acho que a persistência e a motivação em ajudar umas às outras.
– Por que você não vem comigo à floresta? Vou caçar alguns pássaros! — Disse Norman, com entusiasmo para conhecer melhor aquela menina tão encantadora.
– Olhe só para o tempo! E se acabarmos presos por conta de tempestades? — A preocupação era clara em seus lindos olhos ansiosos.
– Sou Norman Berdanile e eu te garanto que não vai chover. Afinal, estamos no outono. — Com essas palavras, ou dois seguiram para adentro da floresta.
Passado algum tempo desde que chegaram para a caçada, o tempo começou a piorar de tal maneira que não puderam fazer outra coisa se não esconder-se e esperar passar. Os trovões podiam ser ouvidos tão de perto que até mesmo escondidos debaixo de uma grande pedra seus corpos tremiam de medo.
Fora necessário esperar por quase duas horas; e quando a chuva finalmente cedeu, já estava escuro — uma noite sem lua.
Norman podia lembrar-se com muita clareza a forma como Laura trouxe-os de volta ao vilarejo de forma rápida e objetiva, sem perder-se uma única vez. Cada detalhe em Laura era como mágica para Norman; ele não podia querer ninguém mais do que a queria.
Deixou essa história de lado, correu vestir e descer para tomar café com seu pai. Augusto Berdanile era o homem mais frio e duro que Norman já conhecera, nunca tivera qualquer resquício de afeto vindo dele. Ao contrário, apenas ordens bem dadas de como agir, vestir, comportar, comandar.
Ambos eram extremamente parecidos: altos, fortes, determinados, cabelos ruivos e uma expressão impenetrável.
– Bom dia, papai. Espero que tenha dormido bem — Disse, Norman, da maneira mais indiferente possível.
– Olá, Norman. Hoje precisaremos viajar para ver a Laura. Parece que a família dela quer falar conosco. Prepare suas coisas — Disse Augusto sem sequer tirar os olhos da carta que lia.
– Eu... Eu vou preparar minhas coisas então. — Norman mal podia esconder o sorriso no rosto, levantou no mesmo momento e deixou de lado seu café.
Enquanto arrumava seus objetos, começou a se perguntar que tipo de assunto a família dela queria tratar e o quão ruim seria, uma vez que Laura jurou nunca mais chegar perto dele.
Fale com o autor