Nuances da Noite

2 Alarde - Parte I


Laura acordara com os passarinhos cantarolando e a fria brisa de junho fazendo-a estremecer. Mesmo descabelada, decidiu descer a fim de descobrir o porquê do alvoroço que ouvia.

– Oh, pelos deuses! O que está fazendo tão cedo aqui, Diogo?

– Gostaria de dizer que vim para vê-la, mas infelizmente estou aqui para dar más notícias. — Sua preocupação fez com que Laura prendesse a respiração com medo do que estava prestes a ouvir. Antes que Laura pudesse reagir, Diogo caíra aos prantos deixando-a de coração partido. Afinal, o que estava acontecendo?

– Diogo, por favor, você não precisa ficar assim. Estou aqui com você! — E manteve a expressão mais calma que pode.
Diogo enxugou suas lágrimas e recompôs-se mais rápido que imaginara. Respirou fundo e criou coragem para começar a falar:

– Laura, precisamos partir agora mesmo! Não posso nem pensar em lhe acontecer algo. Por favor, venha comigo e eu lhe explico no caminho.

– Diogo, as coisas não são tão simples! Ainda ontem você me prometeu, disse que ia esperar. — Laura já não podia esconder tão bem seu nervosismo.

– Eu sei, Laura, mas os paladinos estão vindo para cá! Eles podem achar que você é uma bruxa, não se importam com a verdade. Laura, você pode mor... — Sua voz falhou.

– Diogo, acalme-se! Hoje será um dia cheio e você precisa me ajudar. Por favor, ficará tudo bem. — Disse, com a mais doce voz.

Diogo parecia totalmente incrédulo de estar sendo ignorado, mas ela sabia que ele jamais lhe negaria nada. Apesar de se sentir culpada por estar sendo manipuladora, tinha certeza que era o melhor que poderia fazer por ele. Antes que qualquer outra coisa inesperada acontecesse, Abigail, mãe de Laura, entrou na sala com seus belos cachos dançando com o vento.

– Diogo, que surpresa! Por favor, venha fazer-nos companhia na mesa de café. Os assuntos podem ser tratados lá.

Quanto mais analisava Abigail, mais tinha certeza que era dela a origem de toda a nobreza e bondade que Laura tinha. Laura sorriu-lhe com ternura e puxou-lhe em direção a copa. Seus cachos louros também dançavam, mas pareciam estar ritmados aos batimentos cardíacos de Diogo.

– Aonde encontra-se o senhor Mazpallo? Está em alguma viagem a trabalho? — Perguntou Diogo.

– Sim, mas será rápido. Prometeu-nos estar de volta até antes do fim de junho. — Respondeu Laura, cantarolando com alegria.

Quando já estavam devidamente acomodados e servidos, Diogo quebrou o silêncio e começou a falar:

– Senhora Mazpallo, não podemos deixar Laura à mercê da sorte! Sei que ouviu bem quando disse sobre os paladinos, ela precisa sair daqui o mais breve possível.

– Diogo, querido, entendo sua preocupação, mas Laura não é assim tão frágil como parece. Sei que este não deves ser um motivo de alarde para nós.

– Por favor, a senhora não entende... — Diogo sentiu a voz falhar — Eles estão trazendo Alamir para queimar cidades que possuem bruxas. Nosso vilarejo todo será queimado!

Neste momento, Laura percebeu que talvez a única opção que lhe restava, era realmente a que menos queria: ceder aos desejos de Norman.

Notas finais
Hey, desculpem pelo conteúdo confuso, mas logo as coisas começam a se encaixar ;) PS: o próximo capítulo será para conhecer quem é Norman.