Now You've Got To Breathe
26 Dias se Foram
Notas iniciais
Eu sei que vocês não lêem essa parte aqui mas eu queria compartilhar com vocês minha reação diante o que aconteceu quinta-feira: EU JÁ TAVA MAL DEPOIS DE SABER QUE ESSA IA SER A ÚLTIMA TEMPORADA, MAS DEPOIS VEIO O TRAILER E EU FIQUEI COMO??? DANDO VARIOS GRITOS SILENCIOSOS PIRANDO POR DENTRO O QUE FOI AQUILO JESUS??!! "NÃO SE ESQUEÇA DE MIM" ??? WTF JEFF, VOCÊ VAI MESMO FAZER COM QUE A ÚLTIMA TEMP SEJA A MELHOR NÉ SEU SACANA
Foi isso galera, espero que gostem do capítulo.
Duas semanas nunca passaram tão devagar. Mas, quando chegaram ao fim, Stiles definitivamente não estava pronto.
Passou cada hora dos quatorze dias que ela o dera tentando ajudá-la. Ia ao seu quarto todos os dias, e eles conversavam. Basicamente, Stiles contava como se conheceram, como viraram inimigos, depois amigos , mas ás vezes eles conversavam sobre coisas aleatórias. Ela ainda era a mesma Lydia de antes, inteligente e fácil de conversar. Ele amava falar com ela, mas o grande relógio imaginário sobre sua cabeça tiquetaqueava. Estava ficando sem tempo, fazendo tudo que podia, e não estava funcionando. Lydia provavelmente tinha notas boas o suficiente para se formar mais cedo, mas já que ele não tinha, foi obrigado a voltar á escola. Seria terrível ter que repetir o último ano, então ele tentava se concentrar. As pessoas o encaravam, faziam perguntas, queriam saber sobre Lydia, e queriam detalhes. " Foi um acidente de carro. Ela está se recuperando." Era tudo que ele os dizia. A única pessoa com quem ele sentia-se confortável em conversar era Allison, que era quem realmente se importava com Lydia. Afinal, ela também havia sido esquecida, e também visitava a amiga todos os dias. Quando Stiles não estava queimando todas as calorias que tinha tentando prestar atenção nas aulas, ele estava pensando nela. Tentava imaginar o que ela estava fazendo, se estava dormindo ou não, se acordaria com todas as memórias de volta. Ela teria ligado, pensou enquanto dirigia para o hospital. — Você não deveria estar na escola? — Melissa perguntou quando o viu. Era verdade, ele estava mesmo matando o último período. Foda-se a matemática. — Pois é, — respondeu, desinteressado, sentando-se. — Como você está? — ela perguntou, preocupada com o cansaço no rosto do sobrinho. — Digo, ela...? — Não, não. — Stiles suspirou e esfregou os olhos. — Ela não se lembra de nada. — Oh, Stiles... — Ela sentou ao seu lado e passou o braço pelos ombros caídos do garoto. Foi-se o tempo em que ele reagia mal a contato físico como esse; há momentos em que a pessoa só precisa de colo. Melissa entendia e detestava ver a dor em seus olhos. Aquele era o décimo terceiro dia, afinal. — Eu não sei mais o que fazer, — ele murmurou. — Fiz tudo que a internet e os médicos disseram. Eles basicamente dizem que eu tenho que dar tempo a ela, e tempo é o que eu não tenho. — E vocês não podem... tentar? — ela perguntou, incerta. — Ver se funciona? Stiles balançou a cabeça. Havia pensando muito naquilo, mas não havia jeito de salvar ser relacionamento. — Não, nós dois sabemos que não seria uma boa ideia. — Ele suspirou. — O que ela sente por mim agora é só um fantasma do que sentia antes. Não é nada real. — Mas podia acontecer de novo. Se ela se apaixonou por você uma vez, ela pode... — Não seria a mesma coisa. Melissa assentiu, entendendo que aquele não era um assunto fácil. Stiles havia feitos as mesmas perguntas a si mesmo. E se eles começassem tudo de novo? Sair juntos, ver onde vai? Ela podia se apaixonar por mim novamente? Podíamos fingir que isso nunca aconteceu? A resposta de tantas perguntas aparecia logo depois: não. Eles não podiam acontecer de novo. Mesmo que tentassem, sempre haveria um espaço enorme entre eles. O relacionamento seria vazio, porque toda a história deles havia sumido. Os momentos que viveram juntos sumido, e eles não podiam simplesmente refazê-los. Lydia sabia disso, e ele também. Stiles foi para casa mais cedo naquele dia. Lydia o olhou como se quisesse dizer alguma coisa, mas não sabia se devia ou não. Ele não se incomodou; sabia o que ela iria dizer. Sinto muito. Nós tentamos. E então ela diria adeus. Stiles não conseguiria aguentar. Ele não apareceu no décimo quarto dia. Naquela manhã, quando o despertador tocou, ele já estava olhando para o teto haviam horas. Nem sabia se havia dormido. Jogou as pernas para fora da cama, desligou o despertador e levantou. Arrumou-se em movimentos mecânicos, como se fosse sonâmbulo. Foi para a escola sem ligar o rádio, dirigindo em silêncio. Parecia estar flutuando, alheio de tudo que acontecia a sua volta, a mente, estranhamente vazia. Era a calmaria antes da tempestade. Quando as aulas do dia finalmente acabaram, ele foi até o Jeep e dirigiu para casa. Deveria ir para o hospital, mas talvez já houvesse decidido não aparecer, porque nem pensou duas vezes enquanto ia por um caminho diferente. Estacionou, entrou, subiu as escadas, e quando deu por si, estava encarando seu reflexo no espelho. Parecia cansado. Derrotado. A ponto de perder a cabeça. Stiles inclinou-se e lavou o rosto com água fria. — O que eu faço agora? — perguntou, voltando a olhar para o espelho. Era a tempestade chegando — Mas que porra eu faço agora? Stiles fechou os olhos e respirou fundo. Memórias começaram a passar como um filme acelerado atrás das suas pálpebras. Lembrou da primeira vez que a viu, quando entrou na sala de aula e lá estava ela, linda. Naquela época, nem pensaria no que ela significaria para ela; não apenas algo importante, mas seu tudo. Já não sabia como se segurar a todas as memórias dela, todos os sorrisos, todas as palavras, porque tudo o mais estava sumindo. Seu peito doía, e foi quando descobriu que não conseguia respirar. Estava engasgando com seus sentimentos, e não sabia como parar. Enquanto tentava forçar o ar para dentro, sua mente estava acelerada, sua pele estava quente como se seu sangue fervesse. Ouviu um barulho, e sentiu a dor vindo da sua mão. Levantando os olhos, viu o buraco no espelho, onde havia plantado um soco. Sua mão ardia com os cortes, ficando coberta de sangue. Stiles quase riu. Tinha que se lembrar de ficar longe de espelhos quando perdesse a cabeça.
Lavou a mão e a amarrou numa toalha. Sentou-se em sua cama, olhando pela janela, a pergunta sem resposta ainda em sua mente. O que iria fazer? O que iria acontecer? Não podia aceitar que nunca mais poderia ficar com ela, droga, talvez nunca mais pudesse vê-la. Mas ele não tinha escolha. Cada célula do seu corpo o dizia a mesma coisa, e não havia mais nada que pudesse fazer. Vá embora. Fuja. Stiles levantou, pegou sua mochila e a esvaziou na cama. Nela, enfiou tudo que precisava para ficar um tempo fora de casa. Achou outra mochila e fez o mesmo. Depois que terminou, pegou o celular do bolso e discou. — Hey, Stiles, — A voz de Scott veio do outro lado da linha. — Scott, — ele disse, limpando a garganta para se livrar do bolo que lá se formou. — Escute, eu... — Está tudo bem? — o outro garoto perguntou, preocupado. Stiles suspirou. — Não. Não está. Houve um segundo de silêncio entre os dois, que para eles, que se conheciam tão bem, serviu como um acordo. — Me ligue quando chegar aqui, ok? — Ok, — ele disse. — Obrigada, cara. — Tudo bem, te vejo depois. Colocando o celular no bolso, pendurou ambas as mochilas nos ombros e desceu as escadas. Saiu pela porta da frente e a trancou, sem olhar para trás. Foi até o carro com passos decididos. Estava na hora de seguir em frente.
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