Notas iniciais
Uhh, mais drama, sim por favor! Espero que gostem ;)

Nos dezessete anos que vivera, Stiles nunca se sentiu mais nervoso.

Toda aquela situação o consumia de dentro para fora, e o não saber estava fazendo-o perder a cabeça. Ela não conseguia parar de se culpar; não podia ter a deixado sozinha. Ele deveria ter ficado lá para protegê-la, mantê-la longe daquele psicopata.

Stiles pisou no acelerador com mais força. Nunca dirigira tão rápido, mas nunca se movera tão devagar.

Ele havia ligado para a polícia, como ela havia pedido, e sabia que eles não demorariam para chegar, mas ele queria ser o primeiro. Queria abrir a porta do motel a chutes, fazendo os dois pularem de surpresa. Queria enterrar seu punho no rosto daquele desgraçado, uma, duas, quantas vezes pudesse até que alguém o impedisse. Queria estar lá quando Lydia tiver certeza de que está segura, e a segurança seria encontrada seus braços.

Stiles quase não acreditava que ouvira a voz dele.

Claro, quando seu celular tocou e ele viu o número desconhecido na tela, seu coração quase pulou do seu peito. Por um breve segundo, ele se perguntou se Lydia havia conseguido trancar seu captor dentro do quarto, ou, ainda melhor, chutá-lo para fora. Mas quando ouviu uma voz masculina, sabia que algo havia dado terrivelmente errado. Conseguia ouvi—la ao fundo, implorando para que parassem, mas ele não pode focar na sua voz. Jackson entrou em sua mente como se o possuísse, e Stiles nunca quis tanto machucar alguém.

Mas então ela gritou, e depois tudo ficou silencioso. Ele podia jurar que ouviu uma batida.

Stiles chamou por ela. Quando ela não respondeu, ele chamou de novo, desesperadamente. Precisava ouvir algo, qualquer coisa. Ele gritou seu nome, e a sensação era que ele gritava para o nada; sabia que ninguém ia escutá-lo. Nem percebeu quando parou o carro no meio da pista, ou quando as lágrimas começaram a rolar. Mas, ao invés de ficar sentado lá, em silêncio, decidiu agir. Voltou a ligar para a polícia, e nem esperou a atendente terminar de falar.

— Houve... — Ele pigarreou, porque sua voz soava embolada e rouca. — Houve um acidente...

XXXXX

O limite de velocidade tornou-se uma piada enquanto Stiles dirigia o mais rápido que seu Jeep velho o deixasse. O grande relógio imaginário em cima da sua cabeça tiquetaqueava, lembrando-o de que o tempo precioso estava passando, e ele ainda estava longe.

Segurou a respiração quando passou pelo Califórnia Mote, o que significava que a distância diminuía. O medo quase o fez parar o carro, mas isso só aconteceu quilômetros depois, quando viu as luzes azuis e vermelhas. Estacionou no acostamento e pulou para fora do carro, correndo em direção ao carro da polícia que bloqueava o caminho.

Um policial alto veio ao seu encontro, mãos erguidas para pará-lo.

— Não pode ir adiante, filho, — disse numa voz grossa, mas Stiles mal o escutou.

Na sua frente estava uma cena que ele nunca esqueceria, e que o assombraria em seus pesadelos para sempre. O que uma vez foi um carro chique, agora deitava na estrada como uma pilha de aço amassado, vidro quebrado e sangue. Tanto sangue que parecia que o próprio carro sangrava.

Tudo estava vermelho.

Stiles só percebeu que dera alguns passos em direção á cena quando o policial colocou a mão em seu peito.

— Por favor, afaste-se.

— Não, eu... eu... — Ele não conseguia focar-se na simples tarefa de formar frases. Tremia tanto que nem sabia como fazer as palavras saírem. — M-Minha namorada...

— Ela está envolvida no acidente.

— Sim, ela... — Stiles soltou uma respiração pesada e desesperada. Fechou os olhos e esfregou o rosto com as mãos trêmulas, pedindo a seu corpo para se acalmar. — Merda, — murmurou.

— Filho, pode me dizer o que aconteceu? — o policial perguntou numa voz baixa, vendo o desespero do garoto.

— Ela ainda está lá? — ele perguntou de volta, levantando o rosto. — Alguém precisa tirá-la de lá!

— Não há nada que possamos fazer... Os bombeiros estão á caminho...

— Ela pode estar morta até lá! — ele disse, tentando empurrar o policial para fora do seu caminho. — Preciso fazer alguma coisa!

O homem o empurrou de volta.

— Garoto, vou pedir para que se acalme...

— Não me peça para me acalmar...!

Stiles estava prestes a dar um soco na cara do homem quando ouviu as sirenes atrás dele. O carro dos bombeiros chegou em alta velocidade, aproximando do carro destruído, acompanhado de duas ambulâncias. Os bombeiros começaram a tirar Lydia e Jackson do que restava do veículo, devagar demais para Stiles. Quando levantaram o corpo dela uma maca, ele esqueceu como se respirava.

Não, agora não, pediu a si mesmo enquanto tentava forçar o ar para dentro. Não iria ter uma ataque de pânico ali. Não podia. Ele gritou o nome dela, esperando que ela pudesse ouvir. As portas da ambulância foram fechadas. Ele gritou de novo.

Se pelo menos ele pudesse dizer a ela que tudo ficaria bem...

— Garoto? — o policial chamou, colocando a mão em seu ombro. — Vou precisar que me diga tudo que sabe, ok?

Cansado, impotente e devastado, tudo que restava a Stiles era assentir e falar.

XXXXX

Não é tarde demais, não é tarde demais, por favor, que não seja tarde demais, Stiles repetia em sua mente como um mantra, enquanto dirigia para hospital.

Ele queria estar lá com ela, segurar sua mão e dizer que tudo ficaria bem, mesmo que ela não pudesse ouvir. Ele diria mesmo assim, até que tivesse certeza de que era verdade. Stiles segurou o volante com mais força. O medo que sentia o levava de volta para quando ele era um garoto. Lembrou de quando era ele quem estava acordando numa cama de hospital, sozinho. Isso não podia acontecer com Lydia também. Ele simplesmente tinha que estar lá.

Estacionou seu Jeep na primeira vaga que encontrou e correu para as portas automáticas do hospital. Pela agitação no lado de dentro, eles já haviam chegado. Lydia estava lá. Ele tropeçou para dentro, e já ia correndo atrás dela quando duas mãos firmes seguraram seus braços.

— Stiles, — disse uma voz feminina.

— Onde está ela? Onde está Lydia? — ele perguntou, olhando freneticamente al redor, como se fosse a ver andando por aí.

— Stiles, me escute, — disse a mulher. Ele olhou para baixo e viu Melissa na sua frente, olhando-o com olhos preocupados. — Lydia e o garoto acabaram de chegar e foram direto para cirurgia. Tudo que podemos fazer agora é esperar.

Stiles balançou a cabeça. Ele tinha que vê-la. Por que ela já estava em cirurgia? Não podia estar tão mal. Não podia. Inspirou uma golfada de ar para acalmar-se, só para descobrir que não podia respirar. Sua mente ficou nublada e tudo começou a girar. Agora... não! Gritou para sim mesmo.

— Stiles, — Melissa chamou de novo, sua voz ficando urgente.

— Eu... Eu... — O peso do seu medo era demais em seu peito. Fechou os olhos e apenas desejou, que não tivesse deixado a casa, que ela não tivesse atendido a porta, até que Jackson não tivesse perdido a cabeça. Acima de tudo, desejou que fosse ele naquele quarto, desacordado, machucado. Se pudesse trocar de lugar com ela, ele o faria num piscar de olhos.

Uma lágrima caiu do seu olho. Será que era seu destino perder todos que amava?

— Shh, Stiles. Ela vai ficar bem, — sua tia tentou acalmá-lo.

— Eu não posso... — Ele soluçou. Melissa o puxou para perto, acariciando suas costas enquanto o sobrinho enterrava o rosto em seu pescoço. — Eu não posso perdê-la... Não posso...

— Shh, você não vai, querido. Não vai.

XXXXX

O tempo parecia se recusar a passar dentro do prédio. Poderiam ter passado horas, ou dias, Stiles não saberia dizer. Ele apenas sentou lá, desligado do que acontecia á sua volta, comendo apenas quando sua tia, preocupada, o obrigava. Sentia-se cheio e pesado com seus próprios sentimentos, como se estivesse vestindo uma quantidade ridícula de casacos sufocantes.

Stiles odiava hospitais. Havia passado tempo suficiente para uma vida inteira em lugares como aquele, e não planejava voltar tão cedo. Mas agora a ideia de simplesmente passar pelas portas automáticas e ir embora parecia absurda, e sair de lá sem Lydia era impensável.

A mãe de Lydia veio nesse meio tempo, desarrumada e desesperada. Implorou a Stiles para contar exatamente o que havia acontecido, e ele o fez, numa voz monótona. Saiu de perto quandoa mulher perguntou mais centenas de perguntas, deixando a tia as responder. Não muito depois, Natalie desabou em uma cadeira, chorando, e ele desviou o olhar; ela fazia exatamente o que ele queria fazer.

Quando o médico finalmente veio vê-los, Stiles não sabia que queria beijar ou socar o homem. Melissa segurou o braço do sobrinho, para dar suporte, ou procurar suporte. Natalie aproximou-se dele, rosto ainda úmido de lágrimas.

— Por favor, doutor, diga o que está acontecendo... — pediu com a voz frágil.

— Bem, sobre as condições do garoto... — ele começou.

— Ninguém quer saber do Jackson, — Stiles o interrompeu. — Fale sobre Lydia.

O médico limpou a garganta.

— Bom, aparentemente Lydia não estava usando cinto de segurança durante o acidente, portanto seu estado é mais... crítico. — Stiles enterrou as unhas nas palmas das mãos, parando de respirar. Não queria ouvir; queria poder acelerar o tempo para quando ele pudesse finalmente vê-la.

— Delicado... como? — Natalie perguntou.

— Ela teve vários ossos fraturados, e quebrou o braço e duas costelas. Vai levar algum tempo para que ela se cure, além dos cortes e contusões por todo seu corpo. — O doutor parou e respirou fundo, e Stiles preparou-se. — Mas o que mais nos preocupa é que ela também sofreu uma pancada forte na cabeça, o que levou a um sangramento no cérebro. Fizemos de tudo para estabilizá-la, mas...

— Mas o que? O que? — Natalie perguntou, aflita. O médico respirou fundo.

— Lydia está em coma. Podem haver algumas sequelas, mas não saberemos até que ela acorde, em alguns dias ou semanas, se tudo der certo. Mas estamos confiantes de que ela vá se recuperar completamente, por causa da idade. — Ele deu alguns passos em direção á Natalie, que chorava descontrolada, colocando a mão em seu ombro. — Sua filha parece ser uma garota forte. Ela vai sair dessa. — A mulher assentiu, abalada demais para falar. Melissa a abraçou.

Stiles não tinha dúvidas de que a confiança, atitude e inteligência faziam Lydia uma garota forte, durona. Uma parte da sua mente o dizia isso, repetindo que ela iria sair dessa, que ela ficaria bem. Mas essa parte era tão pequena que ele mal a notava. O resto da mente dele estava num completo caos. Ele sentia que a sala caía ao seu redor, as paredes se demolindo num estrondo, depois pegando fogo, virando cinzas. Lydia Martin estava morrendo. A garota que ele amava estava morrendo.

— Stiles, — Melissa chamou.

Ele a amava. E agora estava a perdendo. Por que demorou tanto tempo para que ele percebesse o que sentia? Parecia tão óbvio, algo que estava bem na sua frente e ele simplesmente...

— Stiles?

Ele havia escutado quando ela disse essas palavras. Quando estavam sozinhos á beira de um precipício, quando abriu seu coração pela primeira vez. Ele a ouviu sussurrar enquanto se abraçavam. Achou que estava enganado, mas agora tinha certeza. Stiles quase riu. Ele era mesmo um otário sem coração, que não reconhecera um sentimento como aquele? Porque a desolação que sentia não era algo simples; era o resultado da perda de um grande amor.

— Stiles, por favor, fale comigo, — disse Melissa, tocando seu braço.

— Eu... Eu... — ele murmurou. Existia mesmo algo a dizer? Desabou numa das cadeiras, cobrindo o rosto com as mãos e deixando as paredes virem abaixo ao seu redor.