Now I Met A Cover Boy

3 You're the only one that rocks my world


Fiquei o dia todo em casa. Esperando o tal telefonema. Ele me ligou justo quando eu estava tomando banho. Peguei minha toalha rapidamente e fui ao meu quarto atender.

– Alô?

– Nic? É o Kendall.

– Eu sei.

– Estava esperando minha ligação, né?

– Fala logo o que você quer.

– Nossa, quanta grosseria... Vai fazer alguma coisa hoje?

– Não, por quê?

– Quer ir ao cinema?

Legal. Agora ele estava bancando o romântico. Kendall não me enganava. Era só mais um daqueles garotos popularezões, gatões que roubavam suspiros das garotas e depois as decepcionavam. Eu era a próxima na lista dele.

– Você gosta mesmo de mim, né? — perguntei.

– Depois o metido sou eu.

– Não estou sendo metida, fala sério. Todo mundo já sabe que você gosta de mim.

– Você quer ir ou não?

– Sim. Que horas você passa aqui?

– Viu só? Sinal que você também está afim.

Sorte que estavámos pelo telefone. Senão eu juro que tinha dado um soco nele.

– Que horas você passa aqui, loirinho?

– James me disse que você e a Ana demoram pra se arrumar. Daqui uma hora e meia eu tô aí.

Kendall era rico. Bonito. Trabalhava com música. Tudo bem que não era tão famoso, mas antes de se tornar, seu ego era grande. E com razão. Coloquei uma das minhas melhores roupas. Vestido vermelho de paetê, brilhava muito, e era bonito. Fiz uma bela maquiagem e fiquei esperando aquele rapaz alto que tanto me chamava a atenção. Ele também era pontual. Chegou exatamente uma hora e meia depois, como o combinado. Buzinou.

– Estou descendo! — gritei.

Abri a porta pra ele. Estava lindo. Usava um gorro, uma blusa polo, calça jeans e vans.

– Nossa, que gata!

– Cala a boca. Vamos no cinema apenas como conhecidos, ok? Não quero nada com você.

Mentira minha.

– Que recepção agradável, Nicole...

Dei língua pra ele.

– Entra no carro.

Enquanto eu entrava ele observava minhas curvas naquele vestido. Kendall tinha um lado safado.

Fomos no cinema. Pro meu azar, ou talvez sorte, todos em cartaz eram de romance. Malditos escritores modernos.

– E aí, qual vai querer ver? Já decidiu?

– Aquele ali parece ser legal.

O que eu escolhi era o único filme onde o cartaz não tinha um casal beijando. Era apenas uma garota olhando pro garoto. Nada muito meloso. Mas obviamente, ainda de romance.

– Tá bom. Vou pegar pipoca. — respondeu.

Depois nós entramos na sala. O filme começou.

"Você é muito linda. Eu te amo"

"Não sou linda, mas, eu te amo também."

Estava entre as falas do filme. Estava quase vomitando de estar vendo algo tão romântico ao lado do Kendall. Mas ao mesmo tempo era bom. Eu não sei, ele me deixava confusa.

Quando o filme acabou nós voltamos no carro dele pra minha casa. Abri o vidro do carro. Ele quebrou o silêncio no caminho.

– Sabe, seu cabelo fica bonito assim, no vento...

– Ei Francis, nem tenta ser fofo, ok? Isso não cola comigo.

– Porquê você não gosta de mim? Ou melhor, porquê finge não gostar de mim?

– Já te disse o quanto você é metido?

– Mil vezes.

– Você parece quebrar o coração das garotas, então não seja estúpido pra tentar fazer isso comigo.

– Tudo bem. Não vou te forçar a nada. Mas lembre-se do que eu te disse: Você só fala isso porque não me conhece direito ainda.

– Que seja. Tanto faz.

Já estava de noite e ele me deixou em casa. Estava tentando me despedir logo dele, porque se eu ficasse olhando pra ele muito tempo eu sabia que iria acabar me apaixonando mais um pouco.

- Tchau, Francis.

– Não me chame assim, é Kends, já disse, Kends!

Eu também sabia provocar.

– Até mais, Francis.

Estava cansada e resolvi subi e me deitar. Coloquei meu pijama e li um livro pra consegui dormir. Minha rua era silenciosa, e não havia nenhum barulho a não ser o soar dos grilos naquela hora da noite.

Então de repente, escutei um som acalmante de um violão. Abri as janelas pra ver o que era, e pra minha surpresa, me deparo com Kendall tocando violão na porta da minha casa.

– Ei idiota, o que você está fazendo aí?

I don't know why you always get so insecure, I wish you could see what I see, when you're looking in the mirror...

A voz dele era a mais doce e perfeita que eu já tinha escutado. E aquela música era muito linda. Não tinha jeito, de todas as saídas que eu procurei pra não me apaixonar por ele, eu acabei cedendo. Era muita beleza e talento pra uma pessoa só.

Eu estava quase dançando e quase deixei escapar um sorriso. Mas resisti. Ele acabou de cantar.

– Gostou? Essa música eu escrevi pra você. Venho tentando compor desde o dia que nos conhecemos no bar.

– Compôs uma música pra mim?

– É claro. Isso foi gentil da minha parte, não?

– Kends, vá pra casa.

– Me chamou pelo apelido? Está começando a soltar seu lado doce.

Minha vontade era tacar um balde d'agua da janela em cima dele, não porque estava com raiva dele me provocar, mas eu estava com raiva por ele ser tão perfeito.

Eu fechei a janela. Não sei se ele foi embora. Tentei dormir. Mas a música ficava na minha cabeça. Acho que sonhei com Kendall e essa canção.