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16 Você é Uma Barata?


Notas iniciais
Boa leitura! S2

"Bom dia flor do dia, vamos enfrentar mais um dia nesse mundo sombrio? Oba.
Parece que respirar será nossa maior prioridade, não é mesmo Narutinho?!
Você não pode me ouvir, mas eu consigo, consigo sentir a dor que passará em um momento próximo. Você vai gritar, e eu estarei aqui observando toda essa agonia e refletindo: somos tão insistente em viver.... viver... e viver. Até onde é possível suportar?! "

Kushina foi acordada por uma enfermeira enquanto a funcionária tirava a pressão de Minato, ela foi gentil o suficiente para pedir desculpas e deixar o quarto. Já sem o mesmo sono de antes a ruiva pegou o controle da tv. — Eu não faria isso se fosse você, rainha — o botão de ligar foi pressionado com carinho. Ela decidiu dar um beijo matinal no marido dopado de remédios. — Fazemos muitas coisas no automático não é mesmo? As vezes nosso cérebro tem um leve atraso, principalmente ao acordamos, só que com Kushina foi diferente. Ela gelou ao ouvir o nome de seu filho no principal jornal do país. — Levou dois minutos para conseguir prestar atenção nas palavras do repórter recém contratado:

— A polícia está procurando nesse exato momento. Um império construído sobre inúmeras fraudes... _ dizia ele. _ A empresa grandiosa era apenas uma fachada luxuosa...

A mulher pegou o celular com as mãos trêmulas, só queria ter a certeza.... na verdade, nem ela sabia o que pensar ou fazer, apenas pegou o aparelho e ligou para o filho:

— ATENDE _ gritou em cima da tela de chamada. _ O quê tá acontecendo... o quê?

— Fala... _ Naruto deu sinal de vida. A voz de sono entregava sua falta de noção da situação.

— FILHO, por quê... o quê... onde você... o que aconteceu?

— Como assim, mãe?
Por que tá gritando?
Aconteceu alguma coisa com meu pai? FALA!

— Não, seu pai está bem. MAS...

— Então não me assusta desse jeito. Agora preciso desligar, tenho muita coisa pra resolver hoje, tchau _ desligou três segundos depois de reprovar a atitude da mãe.

— FILHO? Naruto? _ Kushina deixou o celular cair e levou as mãos em cima do coração palpitante.
A Uzumaki correu até o banheiro, o estômago revirado fez ela vomitar de ansiedade. Voltou para pegar o celular, tentou ligar inúmeras vezes para o pirralho, mas Naruto havia desligado o aparelho.
Impulsionada pela falta de informação a mulher decidiu ir atrás, _ como assim fraude? E agora... Vão prendeu meu filho?!

Kushina pediu um taxi com urgência.

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Naruto pegou o mesmo caminho, a única exceção foi parar em um café e desfrutar do momento de paz — talvez um "presente" da vida. — Pegou toda sua ignorância e arrogância junto de uma caixa de donette's e finalmente chegou na empresa. — normalmente ele paga o celular durante a manhã e lê todas as notícias, porém olha só que curioso: quando ele é a estrela, decidiu deixar o aparelho de lado. Eu sei que é estranho, mas eu queria ter visto a cara do loiro vendo sua foto estampada no jornal, adoraria. Quando uma rotina é quebrada parece que um efeito borboleta surge. —
O primeiro aviso de seu subconsciente que algo poderia estar errado foi a falta de carros no estacionamento, local que sempre foi difícil achar uma vaga. Outro sinal foi a falta de uma recepcionista no balcão, que por ironia estava todo revirado, com papéis decorando o piso branco. Ainda assim Naruto seguiu pelo corredor largo, ele pegou o elevador sem fila.
Nessa hora seu cérebro já estava explodindo com um alerta vermelho de perigo, — mas conhecemos essa cabecinha, sabemos que ele tem sede por coisas arriscadas. E pense bem: como ele vai reagir quando o responsável por controlar as rédeas é outra pessoa e não ele mesmo? Pois é, eu também não sei responder. — Naruto deixou o alerta de lado e adentrou sua sala completamente vazia:

— Mas que... merda é essa? _ questionou enquanto olhava toda aquela bagunça. Até mesmo todos os arquivos estavam pra fora da gaveta, papéis e pastas. A palpitação no coração veio como quem não quer nada, levando embora toda a paz do rapaz maroto, _ Caralho.... Até onde você chegou? SASUKE...

Naruto levou as mãos na cabeça implorando que tudo não passasse de uma brincadeira vinda de seu amigo, tipo jogos mortais no caso. — Pisaria em uma barata? O quê? Hã? Oi?... sim, estou falando com você humano. Por acaso teria coragem de pisar em uma baratinha? Vamos, você já deve ter feito isso que nem fica abalado mais. Agora troque a barata por quem mais ama nesse mundo todo, mundo esse que não deixa a gente ter muitos momentos de paz quem dirá pessoas infinitas. Acredito que agora tenha mudado seu sorriso bobo para um semblante assustado, coisas ou coisas de carne e osso não tem importância nenhuma até que tenhamos dado à elas.
Barata: Naruto
Pé: Sasuke
Simples assim. — Ele já planejava deixar a sala aos prantos quando antes de tomar essa decisão escutou um riso no fundo do corredor, uma gargalhada assombrosa e descontrolada, porém conhecida. Naruto permaneceu parado, estátua humana.
O pior é que ele nem precisou deixar seu posto, a risada veio até o mesmo, ela não parou um segundo até chegar dentro da sala que o pássaro amarelo estava:

— Eu consigo sentir.... a excitação vindo _ Fugaku sentou na cadeira principal e esticou os pés sobre a mesa bagunçada. _ Aceita um café?
Fiz questão de fazer, ainda está quentinho.

— Cadê o Sasuke?

— Ah ele não quis vir. É realmente uma pena, ele vai perder o espetáculo. _ Tirou um cigarro amassado do bolso, _ mas não se preocupe, Itachi foi buscá-lo.

— Olha, eu devo admitir que para um falido, você tem coragem. Sabe quanto vai custar essa merda toda?
Isso mesmo, vai custar a sua vida.
Vou cobrar até mesmo o açúcar gasto no café.

— Naruto, hoje é o dia mais feliz da minha vida. Hoje, preciso agradecê-lo por existir. Bendito seja o dia em que o Minato conseguiu concebê-lo, você... _ Fugaku ergueu as mais aos céus, encenando uma peça dramática, de péssima atuação. Apontou para o rapaz usando o cigarro de ponta cinzenta, _ filho.
Você, você foi quase uma bênção pra mim. A sua mente vazia cheia de incertezas trouxe-me a oportunidade perfeita. Nem mesmo Shakespeare escreveria algo tão perfeito.
Veja bem: seu pai é um inútil agora, mas antes me deu um puta trabalho. Ele era irritante de tão inteligente, apenas oferecendo esmolas para mim. Olha para esse império, custava dividir igualmente?
Ele nunca confiou em mim, nunca.
Mas aí você nasceu, coincidência ou não aproximou-se do Sasuke, formaram uma amizade ridícula e sem a minha bênção.
Foi aí que eu passei a bolar o melhor plano da minha vida: ter de volta tudo o que é meu por direito.

O rapaz expressou um sorriso de canto, não conseguia entender nada que saía daquela boca mergulhada no gosto amargo do cigarro, que agora estava na metade.

— Itachi sempre dizia: " pai, cuidado com esses dois. O Naruto parece um retardado de tanto que ele ama e confia no Sasuke, eu não quero meu irmão sendo zuado por todo mundo."
Mas não, isso entre vocês não passa de um milagre, sem essa amizade eu não teria conseguido fazer meu filho servir pra alguma coisa. Assim que verifiquei essa obsessão que você tinha no Sasuke comecei a agir, aos poucos tudo se encaixou como mágico e.... Voilà. Chegou o momento...

— Cala essa merda de boca ou eu mesmo faço isso.
Só eu sei o quanto você é um péssimo pai, ontem eu consegui sentir o Sasuke pedindo socorro pelos olhos... Você não merece o amigo que teve e muito menos o filho que têm.
Mas antes de chamar o segurança, preciso quebrar essa sua cara.
Você ta acabado!

Fugaku jogou o cigarro contra Naruto, as cinzas mancharam sua vestimenta cara.

— Hora de ir para o calabouço princesinha, nem mesmo esse tênis pertence mais à você.
E _ aproximou-se sussurrando, _ se eu fosse você daria um jeito de fugir do país o quanto antes. Ahhhhh haha.
Tinha esquecido: eles já estão vindo.
Assim que o Minato chegar no inferno ele verá.... o desperdício que foi criar você.

Um soco desesperado veio de Naruto, mais um e mais um. Ele deitou o Uchiha pai no chão e desferiu alguns golpes no rosto da vítima.
Como era bom descontar anos de raiva no Fugaku, Naruto sentia tanto desprezo por aquele pedaço de carne que sequer notou pessoas entrarem na sala. Antes de pegar mais impulso uma mão misteriosa segurou seu braço direito:

— Naruto Uzumaki, você está preso! _ uma algema foi colocada junto das palavras de claro tom. O policial investigativo puxou o Uzumaki pelo braço e o empurrou contra a parede, _ tudo que disser deve e será usado contra você.

De repente a sala toda estava cheia de pessoas, agentes e policiais de farda limpa.
Naruto sentiu os olhos de todos como agulhas perfurando seu corpo, o tipo de atenção que odiaria ter.

— Você está bem, pai? _ Itachi ajudou o maníaco a ficar de pé novamente. _ Desculpa a demora, tive que arrastar o Sasuke pra cá.

Naruto teve o rosto delicado sendo esfregado contra a parede, era possível ver as marcas em sua bochecha. — Eu acredito em anjos caídos, pois ele com certeza é um. Que belo desastre, literalmente. — Já Sasuke, sem comentários para esse humano fraco, marionete de terceiros. O Uchiha oprimido sequer levantou seu olhar covarde para olhar o resultado de sua escolha, mas seus olhos entregavam o desespero:

— Pai.... _ mordeu a própria língua.

— Sasuke... VAI ME DIZER AGORA QUE MERDA VOCÊ? _ Naruto exigiu uma resposta enquanto o policial procurava algum tipo de objeto em seus bolso. Quando finalmente conseguiu ficar de frente para todos, vossa majestade encarou os olhos negros, _ Eu... eu confiei em você cara.
Eu salvei sua vida... Quando esse merda ai que você enche a boca pra chamar de "pai" tentou te matar.
Eu, fui o único que te deu uma chance de provar seu valor, eu..
SALVEI SUA VIDA.

Silêncio no teatro: atenção plateia, esse é o momento em que todos levam a mão na boca. Imaginem uma placa escrito "Tô passada(o) "

— CALA A BOCA...
SÓ CALA ESSA BOCA.... _ Sasuke arremesso o celular contra a parede. _ Família, a minha família é a única coisa que me importa. Isso já está decido.

— É pra rir agora ou depois de você saber que naquele dia eu vi Fugaku enfiando sua cabeça na piscina?
Mesmo tendo cinco anos de idade, lembro-me como se fosse hoje.
Tentei arranjar um jeito de chamar a atenção dele, corri pra tentar te salvar e chamei meu pai depois de ver você todo roxo.
Por quê acha que ele me odeia tanto?
Ele te queria morto... Porque encima da sua morte teria a compaixão do meu pai.

Sasuke, Fugaku e Itachi, todos eles ficaram paralisados depois do loiro abrir a boca, nem mesmo o dedo mindinho mexeu.

— Em, seu FILHO DA PUTA.
EU CONFIEI EM VOCÊ, EU QUASE MORRI POR VOCÊ.
QUE PORRA VOCÊ FEZ? _ Naruto finalmente expulso o choro parado na garganta, lágrimas de medo. E vale lembrar que ele não parou pra pensar sobre um policial ter-lhe algemado, só vai cair a ficha no momento em que o corpo físico sofrer. _ FALA COMIGO!

— Filho.. _ o pai tocou o caçula.

— Vai apelar usando mentiras?
Típico de um bosta como você _ Itachi usou de argumentos desnecessários. _ LEVEM-NO.

Naruto foi puxado como um cão acorrentado no próprio medo.
Mas...

— Espera _ Fugaku tocou o belo rosto do rapaz, _ já que Minato não pode vir, sou o mais próximo que você têm de um pai, vou dar-lhe um conselho:
Um cara bonito como você pode deixar os presos um pouco, vejamos, inquietos.
E digamos que estão esperando ansiosamente sua chegada.

Naruto cuspiu na cara do indivíduo, esse foi seu"obrigado" pelo conselho. Antes de deixar o palco, antes do adeus, ele olhou mais uma vez para trás buscando o contato visual com Sasuke. — Sorria loirinho, a vida é tão bela! sorria AGORA. Força um sorriso alegre. Sorria para a vida, sorrir é sorrir. Desculpe-me, estou repetindo essa palavra medonha na tentativa de ver ela perdendo o sentido... ah desculpa, acho que não vai funcionar. No caso de você mesmo ser o sofredor lembre-se: F E L I C I D A D E é só uma palavra, não dê tanto valor à ela, a danada é tão real quanto as fotos de revista. — Na realidade Naruto sabe, sabe que algo terrível foi consumado, que não terá perdão.

— OLHA PRA MIM, SASUKE! _ implorando por atenção, só que o Uchiha não faz uma linha muito carente. _ Se você não se matar antes, pode deixar que eu mesmo faço esse favor e acabo com VOCÊ assim que me livrar do seu golpe.

E assim Naruto Uzumaki foi arrastado até o calabouço. — E olha, vou dizer uma coisa: para um herdeiro, a cela era precária. Poxa, um traseiro real vai sentar ali e.... puts, sequer uma cama confortável. Eu adoraria ver a cara das pessoas que ele humilde vendo sua chegada ali, sonhar não custa nada. Calma lá que ainda é cedo pra esse momento. — Na porta do presidio os repórteres buscavam a melhor foto do herdeiro, pessoas sedentas por informação. — Apressadas não acha? Nem mesmo o próprio acusado sabe ainda. —
Naruto estava pálido, mais do que o natural dele, nada fazia sentido ainda.

Ele foi levado até o interrogatório, uma salinha pequena com uma mesa e duas cadeiras, ah e o clássico vidro grande como uma janela na parede.
Naruto ficou sozinho ali por uns quinze minutos, apenas sendo observado através do vidro. — algemado, coitado não acha? Não?
Foi o que imaginei, enfim. — Na cabeça passava apenas uma coisa:

— Que inferno, que porra é essa? Do que estão me acusando? _ analisou as mãos presas, olhos arregalados e garganta seca, _ e agora?
Você tá acabado, Sasuke. Não dá pra explicar o ódio que estou sentindo.
Seu filho de uma puta.

O investigador entrou sem pedir uma licença, — Carlos, porque ele tem cara de Carlos — sentou-se de frente para o rapaz, seus olhos eram sedentos:

— Olha, os jovens hoje em dia são assustadores.
Com essa carinha e essa inteligência, você poderia ter chegado longe. Mexer com o submundo do crime é perigoso seu burro, parece que nascer rico não foi suficiente para satisfazê-lo. Era mesmo necessário brincar com fogo?

— E posso saber qual é a acusação?

— As acusações!

— Como assim? _ Naruto inclinou o corpo para frente. _ Que merda isso significa?

— Significa que só um milagre vai te tirar daqui com vida.
O que queria? Rir do governo na cara e sair ileso?

— E O QUE EU FIZ? Inferno!....

Uma pasta criminal foi jogada em cima da mesa:

— Fique à vontade.

— Só na presença do meu advogado, _ preferiu o silêncio tendo em vista a situação.

— Eu sei.
Só te trouxe aqui pra desejar boa sorte, você vai precisar. _ O homem de meia-idade ficou de pé, _ vamos, hora de conhecer seus companheiros de cela e que Deus te ajude.

— Como assim?
Eu exijo uma cela separada _ Naruto levantou-se, _ só pode ta brincando com a minha cara.

— E eu desejo um unicórnio para minha filha, pois é, pode gritar ou reclamar o quanto quiser. Aqui você não passa de um criminoso qualquer, vai receber os mesmos direitos que todos.
Assim que seu advogado aparecer vou interrogá-lo. _ Abriu a porta depois de uma reverência forçada, _ venha princesa, seus súditos aguardam.

O corredor mais tenebroso: mãos saiam das grades, mãos machucadas e sujas. Vestes laranjas sujas. Um cheiro de esgoto por todo lado. E os gritos... ahhh os gritos, quer saber mais sobre eles? Eram macabros.
Aqueles braços mecânicos tentavam tocá-lo de toda forma.
Um conseguiu segurar Naruto pela blusa:

— Oi, bonequinha _ sussurrou frio. _ como você é gostoso!
Vem mais tarde me visitar e quem sabe eu consiga protegê-lo dos outros.

O policial empurrou Naruto para voltar a andar. Era possível sentir o gosto do medo dele há quilômetros de distância.
Pela primeira vez na vida, estava com medo, — olha, vamos ajudá-lo nisso?
O que acha de explicar como é sentir medo, como é estar em uma situação agonizante. Poxa vamos, você é melhor do que todo esse ódio aí e eu sei que até o final deste capítulo você vai sentir pena. Não é uma barata, mas sentirá pena. — O corredor chegou ao fim, Naruto foi deixado lá depois de receber seu uniforme chamativo e passar por uma sessão de fotos.

— Nossa, é um sonho ou realmente temos alguém de berço aqui? _ um dos presos desceu da cama para receber o rapaz. _ Olha só pra esse rostinho, como você é lindo cara.

— NÃO TOCA EM MIM! _ alertou com a voz trêmula.

— Owwwww
Gostei, uma mocinha selvagem.

Naruto sentiu o corpo começar a tremer na medida que olhava seus companheiros de cela. Sentou-se na cama esperando um momento de paz para pensar sobre tudo, mas....

— Ei, não dê as costas pra mim garoto.

Talvez por impulso ou por falta de opção, Naruto socou a cara do homem em sua frente. Talvez isso tenha desencadeado o que está prestes a acontecer, mas eu acredito que era inevitável de fato.

— Só não te mato agora porque já tenho planos _ cuspiu a informação na cara do coelho assustado.

Esse é o momento, mas qual momento?
O que você decide continuar ou parar. — Essa humilde pessoa que vos fala têm uma informação valiosa: o mundo é assim, péssimo.
Não adianta nada questionar tudo e todos, nada vai mudar e ninguém vai escapar. Agora olhando o lado místico da coisa, eu acredito em carma e também acredito que tudo ecoa no universo, consequentemente tudo o que você faz volta na mesma intensidade. Ah por favor deixem-me acreditar que temos uma alma, acha mesmo que esse vazio por dentro é fome? Poupe-me de uma terapia. — Naruto foi levado contra a própria vontade até o canto da cela, dois presos o seguraram pelo braço impedindo qualquer movimento:

— Olhem, olhem bem pra esse rostinho.
Imaginem quantas mulheres chuparam o pau dele e quantas ficaram só na vontade.
Como você é belo, parece um anjo de tão lindo, só de encarar esses olhos claros já me dá tesão _ deslumbrado enquanto segurava o rosto do loiro. _ Garoto, se cooperar terá futuro aqui, mas senão... morte na certa. Muitos vão tentar te fuder, acredite em mim.
A sua sorte é que eu vou ser o primeiro e garanto que vou tentar ser gentil pra não estragar toda essa beleza.

— Por favor... por favor... eu pago o que for preciso, até tiro vocês três daqui.
Dou a minha palavra, mas não faz isso comigo _ foi a primeira coisa que veio na cabeça do rapaz, resolver tudo usando o que move o mundo: o dinheiro.
Mas um lugar onde as pessoas perderam sua liberdade, ele não é tão valioso assim e até inútil. _ Eu tenho muito dinheiro... Muito.

A garganta: seca.
O coração: disparado.
A mente: um caos.

— Ouviram isso?
Seremos burguês _ abriu o ziper do macacão devagar. _ Escuta aqui garoto, você tem que me pagar para mantê-lo vivo, comer você é só um bônus.
Ah vamos lá, nunca participou de uma suruba ou sentiu um tesão por um amigo?
Vai ser divertido.
Eu também entrei aqui com tanto preconceito, hoje em dia vejo que homem ou mulher não faz diferença, temos que sentir as pessoas.

— Eu imploro... Não faz isso... por favor... Não faz isso _ Naruto sente medo de perder seu escudo, de quem ele será depois disso. Ele tem medo da fragilidade, por isso humilhou tantas pessoas como Hinata, para sentir-se no controle de tudo. Imagina só ferir o ego de alguém que é puro ego? Será o fim pra pessoa.

— Aqui você perceberá que o prazer é mais valioso que sua merda de dinheiro minha princesa, agora fique quietinho _ deixou o pênis amostra enquanto os outro tiravam a roupa de Naruto. – Você foi enviado dos céus pra mim.
Amarrem as mãos dele pra ficar mais fácil.

Naruto abaixou a cabeça, encarar o chão não fez diferença alguma.
A dor veio junto da sensação de morte e sim... ele desejou a morte na hora que aquele homem começou a introduzir.

Nada: ele não conseguiu sentir nada, pelo simples fato de não estar acreditando. Mas olha que curioso: em sua mente veio uma lembrança embaçada, uma moça de cabelos negros implorava para ele, o que ela implorava? Ele não fazia ideia.
Tem momentos que duram uma eternidade pelo simples fato de que eles não saem da nossa cabeça e esse é o momento para Naruto.

Ele apanhou toda hora que tentava resistir, já pode imaginar o quão machucado ficou. O Uzumaki foi jogado no canto depois dos três estarem satisfeitos.
Sangrando, dolorido e chorando.
Um dos presos vestiu o rapaz e chamou o guarda alegando que ele tentou arrumar briga, o guarda fingiu acreditar e assim levaram o rapaz para a enfermaria.
Naruto foi limpo e deixado no soro. Um dos enfermeiros foi até ele levar um analgésico:

— Beba, vai ajudar na dor garoto.

— Me deixa morrer _ quase não saiu de tão fraco que estava. Os olhos brilhantes de tristeza.

— Acha que é o fim?
Eles comeram seu cu não sua alma.
Nunca sofreu na vida, estou certo?
Essas pessoas aqui nunca terão os privilégios que você têm, pra sociedade não passam de baratas inúteis.
Aproveitar de você é uma foma de se vingarem da sociedade capitalista.
Perdi minha filha há um ano atrás. Linda e cheia de sonhos nos deixou, tudo porque não tive dinheiro para seu tratamento.
Isso sim é sofrimento, eu não tive escolha, mas você tem... Você pode escolher engolir esse orgulho de merda e sair daqui.
A escolha é sua e ainda assim se quiser morrer... Fique à vontade.

Desejo de alma do Uzumaki para hoje:
" Eu queria voltar na infância, onde passava horas brincando e admirando meus sonhos futuros. Lá eu era livre, eu tinha tudo em minhas mãos.
Agora, minha infância parece tão distante, parece que foi uma fantasia de tão surreal.
Ela realmente existiu?
Eu posso voltar para lá? Por favor me deixa voltar. Aqui é doloroso de mais, eu me recuso a aceitar essa realidade. Eu não imaginei ela quando era pequeno então ela está errada.

Naruto deitou de lado e deixou as lágrimas caírem sobre o colchão velho da cama, mordeu os lábios para impedir que alguém ouvisse suas fraquezas.
1
2
3 minutos.
5 horas, mas o tempo não passava. A dor física e mental era mais forte que tudo, até mesmo mais forte que o desejo de vingança contro os Uchihas.

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Sasuke não quis discutir ou questionar nada sobre a revelação de Naruto, ele apenas saiu escondido da empresa depois de ver seu pai empolgado dando entrevista para todas as emissoras locais.
O rapaz pegou seu carro e dirigiu sem rumo, apenas parou em um posto para abastecer o tanque e voltar a dirigir sem destino.
Ai foi que ele lembrou de um sorriso doce numa conveniência 24 horas, na mesma hora programou o gps e seguiu em busca daquele sorriso.
Estacionou de qualquer jeito para entrar logo no local. Sasuke abriu a porta, correu para abraçar Sakura depois de ignorar os outros clientes do lugar. Ele deixou os olhos expressarem suas emoções e apertou o abraço:

— Moço.... _ Sakura ficou sem reação. _ O que aconteceu?

Sasuke não respondeu, apenas ficou ali mantendo aquele abraço. — Abraçar é um treco muito louco não acha?
É tão simples, porém salva vidas quando não sentimos mais vontade de viver. Parece até que durante ele abre-se uma dimensão paralela e ai finalmente podemos descansar chorando.
Ah já sei, vou chamá-lo de "abrigo dimensional" o que acha? Perfeito esse nome para ele.

— Vem comigo _ pediu enquanto secava o rosto vermelho.

— O quê?
Tá maluco? Não posso sair do meu turno. Esse emprego é a única coisa que me permite ter um teto ainda.
Sinto muito, mas vai ter que sair, preciso trabalhar.

— Me deixe ficar então, posso ajudá-la como garçom.
Prometo que não vou fazer merda.

Sakura...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.