Novos Tempos
2 Capítulo Um: O Correio-coruja
Notas iniciais
Capítulo Um: O Correio-coruja
Alvo Severo Potter estava na biblioteca, um fato relativamente raro para ele. Com a ajuda de Rose Weasley, sua prima super dotada, e Scorpius Malfoy, seu melhor amigo, ele estava finalmente terminando seu trabalho de História da Magia. Não que Alvo fosse um aluno desleixado, porém ele tinha uma preferência, assim como todos os Potter, por coisas mais práticas: como o quadribol e os feitiços. E foi exatamente por isso que deixou aquele trabalho monótono e entediante para fazer no último instante possível.
Agora em seu sétimo ano, Alvo ocupava a posição de apanhador no time da Sonserina e seu amigo Scorpius era o goleiro. Sim, Alvo foi o primeiro Potter a entrar na casa considerada como a casa dos bruxos das trevas e etc. E, apesar do medo que sentia antes de ser selecionado pelo Chapéu Seletor, agora ele sabia que essa foi uma boa escolha feita pelo Chapéu. No começo os olhares e cochichos deixavam-no extremamente irritado, porém aos poucos ele foi se acostumando. Afinal, carregar o sobrenome Potter é tão complicado quanto carregar um fardo de toneladas sem usar o Wingardium Leviosa. Todos esperavam de Alvo feitos inacreditáveis, talvez por ele ser tão parecido com seu pai, física e psicologicamente.
— Ufa, finalmente acabei! — enrolou o pergaminho e jogou-o sobre a mesa enquanto suspirava, cansado.
Scorpius deu uma risada divertida ao ver o amigo comemorando o fim do trabalho como se fosse o fim da Guerra contra Voldemort. O loiro, apesar de ter um ar descontraído, era quase tão estudioso quanto Rose. E por isso havia uma pequena rixa entre os dois, que logo acabou diminuindo pelo fato de terem algo em comum: o mesmo melhor amigo.
— Nem foi tão difícil, Alvo. — Rose censurou o amigo, porém sua voz continha um leve tom de divertimento.
Sua expressão divertida, porém, sumiu em seguida, no exato momento em que seus olhos castanhos se focaram no grande relógio de ouro maciço que decorava a parede da biblioteca.
— Estou muito atrasada para a aula de Runas! — ela praticamente gritou enquanto saía correndo sob olhares reprovadores de Madame Pince, a bibliotecária.
— Ela é louca. — o loiro soltou uma risada, ainda encarando a porta pela qual Rose havia desaparecido — Bem... Preciso ir ao corujal, você vem? — Scorpius chamou Alvo, porém ele negou com um aceno de cabeça.
Alvo queria simplesmente aproveitar o tempo livre dormindo, por isso dirigiu-se até as masmorras, com o objetivo de entrar no Salão Comunal e rumar ao dormitório para, enfim, dormir muito.
Porém, no meio do caminho, ele cambaleou ao sentir uma forte dor de cabeça. Sua visão estava ficando turva e logo ele se viu em um sonho estranho, repleto de gritos agonizantes e também um clarão verde. Havia também uma voz inquieta que dizia “a pedra... eu quero a pedra...”, embora ele sequer soubesse o que poderia ser essa pedra.
*
— Você tem certeza que está bem? — Rose perguntou pela quinta vez após Alvo ser liberado por Madame Pomfrey — O que realmente aconteceu com você?
Antes que formulasse uma resposta, Scorpius gesticulou irritado enquanto praticamente gritava:
— Se ele estivesse mal, não teria sido liberado. Não acha? — Rose contraiu seus lábios, porém não respondeu — Mas realmente, Alvo, o que aconteceu?
Alvo ficou pensativo por alguns instantes, lembrando-se de seu sonho confuso e ao mesmo tempo vívido. “A pedra...” dizia aquela voz impaciente. O clarão verde... Real demais.
— Eu desmaiei e o Joshua Parkinson me encontrou caído e então ele me carregou até a Ala Hospitalar. — ele disse dando de ombros, então acrescentou sem muita convicção: — Deve ser porque fiquei muito tempo sem comer.
Não iria contar aos amigos sobre seu estranho sonho, por ora. Ele conseguia imaginar os olhares penosos de seus amigos, juntamente dos comentários de Rose sobre um ótimo livro para aprender Oclumência. Por enquanto, seria melhor manter o ocorrido em segredo.
Eles continuaram o caminho até o Salão Principal silenciosamente. Rose parecia abrir e fechar a boca algumas vezes, como se estivesse pensando em algo para dizer, porém, sempre que isso acontecera, ela pareceu escolher o silêncio. Scorpius parecia estar um pouco sem graça por ter gritado com Rose, mas não pediu desculpas. Ele era orgulhoso demais para isso. Alvo tinha um palpite a respeito dessa implicância dos dois... Porém se algum deles o escutasse dizendo o que pensava, Alvo seria possivelmente transfigurado em geléia.
Eles sentaram-se a mesa para tomar o café da manhã. Mesmo após seis anos na escola, Alvo nunca se cansava dos pratos exuberantes que sempre havia. Hoje, por exemplo, jarras de todos os sabores imagináveis de suco enfeitavam a mesa, juntamente de cestas repletas de pães e muitos bolos. Havia bolo de limão, bolo de cenoura, bolo de chocolate. E, claro, as famosas tortinhas de abóbora. Mas o que atraía a atenção – e o estômago – de Alvo eram os ovos mexidos, os bacons fritos e as panquecas. Ele sempre enchia seu prato com essas comidas gordurosas e complementava sua refeição com um grande copo de suco de abóbora.
— Hmm, eu nunca vou enjoar disso. — Scorpius expressou o que se passava nesse momento pela cabeça do moreno enquanto enchia seu prato de ovos, bacon e muitos pedaços de bolo.
Rose, porém pegou apenas alguns pãezinhos e colocou um pouco de suco em seu copo. Ela comia ao mesmo tempo em que seus olhos percorriam avidamente o exemplar de O Profeta Diário que ela segurava em suas mãos.
— Aconteceu algo? — Alvo percebeu que seus olhos estavam preocupados e que uma ruga de preocupação surgiu em sua testa.
— Bem, nada noticiado oficialmente... Mas há muitas mortes de trouxas e nascidos trouxas. — ela ainda tinha suas sobrancelhas franzidas — Isso só pode ser obra de bruxos com seus ideais de que a pureza deve prevalecer aos sangues-ruins, como eles chamam. Isso me faz lembrar de... — ela se calou por um instante, mas depois decidiu prosseguir — Você-sabe-quem.
— Ele está morto, Rose... Pode chamá-lo pelo nome. — Alvo murmurou, mas sua mente agora trabalhava a mil. Poderia ser fato que os bruxos das trevas estavam retornando?
— É. — Scorpius concordou com o amigo — O pai do Sev que se encarregou disso.
Scorpius deu tapinhas no ombro de Alvo, como se estivesse parabenizando o amigo por algo. A conversa, porém não continuou, pois no momento seguinte a coruja alvíssima de Alvo pousou graciosamente a sua frente.
— Snow! — ele pareceu surpreso. Hoje não era domingo, dia que seus pais combinaram de sempre mandar cartas para os filhos.
Alvo então percebeu que ela não carregava uma carta, mas tinha apenas um bilhete amarrado a sua perna. O garoto não se demorou em abrir o papel dobrado, enquanto Snow dava bicadinhas no resto de bolos de Scorpius.
Quando tiver tempo passe no seu dormitório. Pedi a Snow que deixasse uma entrega lá para você. Há uma carta que explica melhor as coisas .
Abraços,
Harry.
— O que diz? — perguntou Rose com a curiosidade transbordando pelos seus olhos castanhos.
— Meu pai deixou algumas coisas para mim. Bem, não ele, na verdade... Snow. — esclareceu dando de ombros, enquanto seus amigos abriram sorrisos discretos — Deve ser alguma coisa que vovó Molly fez.
Rose balançou a cabeça, em negação.
— Se vovó Molly tivesse feito algo, duvido que seria apenas para um neto. Ela se sentiria péssima caso fizesse isso. — ela riu, mas Alvo franziu o cenho.
— Bem, só há um jeito de descobrir. — ele se levantou e dirigiu-se para as masmorras com Rose e Scorpius em seu encalço.
Caminharam até a parede, que se transformou em uma porta para eles e então adentraram pelo Salão Comunal que exibia inúmeros móveis luxuosos. Havia muitos sofás de um tom verde escuro. Além de um grande tapete felpudo branco, onde alguns alunos sentavam-se para jogar Snap Explosivo ou então para ler livros e fazer os deveres que eram passados nas aulas, havia também uma grande estante de madeira marrom escura, quase preta, recheada de livros. A maioria era sobre as Artes das Trevas, que foram surrupiados para lá visando impedir que eles fossem destruídos por Dumbledore, juntamente com os inúmeros livros sobre Quadribol.
Alvo caminhou direto para o dormitório masculino, sendo seguido pelos amigos.
Foi rápido para localizar o embrulho que havia em cima de sua cama. Não havia sido feito tão cuidadosamente, porém não estava malfeito. Apenas parecia ter sido feito às pressas. Ele abriu com a maior velocidade que pôde, sob os olhares curiosos de Scorpius e Rose. Enfim, abriu a caixa, revelando seu conteúdo.
— Oh! — foi tudo que saiu da boca da ruiva, que agora estava parecendo assombrada.
Havia um tecido e um pedaço de um pergaminho velho. Bem, seria isso que alguém que não conhecesse a Capa da Invisibilidade e o Mapa do Maroto diria. Mas é claro que, Rose sendo uma Weasley, reconheceria aqueles objetos de longe. Scorpius também havia ouvida falar sobre tais artefatos, seu pai sempre contava que Potter costumava quebrar as regras em Hogwarts.
— Uau. — Scorpius estava boquiaberto e seus olhos fitavam Alvo, repletos de curiosidade.
— Você consegue imaginar o por que...? — Rose não continuou sua pergunta, pois no momento seguinte Alvo notou uma carta e começou a percorrê-la avidamente com seus olhos verdes.
Olá, Alvo.
Se você está lendo isso é porque você realmente levou meu bilhete rabiscado às pressas a sério. Estou certo? Bem... Achei que já estava na hora de passar essas belezinhas para algum de vocês. Mas... James é encrenqueiro demais e Lily Luna é correta demais... Então resta você, que sei que será o único a dar a esses objetos um uso digno e ao mesmo tempo sensato.
Bem... Sua mãe está me chamando. Estou atrasado para chegar ao ministério e ela ainda não desistiu de tentar assentar meus cabelos com quaisquer feitiços que deveriam funcionar.
PS: Sua mãe acabou de lhe mandar um beijo. “Juízo!”, ela disse. Não revire os olhos, estou apenas parafraseando Gina.
Se cuide,
Harry.
A primeira coisa que fez Alvo ficar levemente preocupado foi o “Se cuide”, antes da assinatura do pai. Geralmente ele escrevia algo como “Até mais” ou “Até logo”. Bem, isso deveria ser neura da cabeça de Alvo.
Por algum motivo, seu estranho sonho voltou a sua mente. Vívido demais. Real demais. Embora se tratasse de algo que ele nunca ouvira falar. Mas os gritos estridentes e aterrorizados ainda podiam ser ouvidos por ele. E o clarão verde aparecia em sua mente quando ele ousava fechar os olhos.
Ele respirou fundo, vagarosamente, tentando – em vão – evitar seus pensamentos preocupados e levemente amedrontados.
— Al, você está bem? — ele assentiu para a pergunta preocupada de Rose, mesmo sabendo que ela perceberia que havia algo errado.
— Bem... Vamos utilizar os presentes, não? — Alvo vestiu a capa sem puxar o capuz sobre sua cabeça, se tornando apenas a figura de uma cabeça voadora.
Scorpius achou a cena hilária e não fez esforços para esconder sua gargalhada escandalosa. Rose se permitiu rir enquanto apanhava o mapa. É claro que ela, como filha de Rony e Hermione, sabia o que era e como funcionava.
— Juro solenemente que não vou fazer nada de bom. — disse e então o mapa começou a aparecer no pergaminho.
Primeiro as linhas, delimitando as salas, corredores, passagens secretas e escadarias. Então surgiram as pegadas com identificação. Por curiosidade, Alvo procurou o nome de Alice Longbotton no Salão Comunal da Corvinal e revirou os olhos ao perceber que ao lado estava Peter Chang, filho de Cho.
Alice era uma das melhores amigas de Alvo, embora Scorpius e Rose dissessem que havia algo mais na relação dos dois, – esse era o único momento em que eles concordavam um com o outro – ela era filha de Neville Longbotton, conhecido por matar a serpente, e última Horcrux, de Voldemort em um ato heróico que permitiu que Harry liquidasse o Lorde das Trevas.
Fazer o que... Nem sempre as coisas são perfeitas, pensou Alvo enquanto olhava distraidamente as pessoas se moverem no mapa. Não que ele sentisse ciúmes dela, mas Peter Chang era um perfeito idiota, que amava provocar Alvo quando capturava o pomo antes dele.
— Porque você acha que meu pai me enviou esses presentes? — ele perguntou aos amigos, após emergir de seus devaneios, com um leve tom de curiosidade em sua voz.
— Bem... Talvez seja pelo que ele disse na carta... — Scorpius deu de ombros e apontou para a carta aberta que agora estava um pouco amassada sobre a cama — A virtude está no meio. — ele parafraseou com voz teatral — Lily é boa demais, James é mau demais... E você é a virtude, meu caro.
Alvo esboçou um sorriso para o amigo e não insistiu no assunto, porém ele ainda estava com uma sensação estranha em relação ao motivo de seu pai tê-lo enviado aqueles presentes.
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