Notas iniciais
Voltei! Peço perdão pela demora, me enrolei com umas coisas da faculdade, mas finalmente saiu. Espero que gostem! No capítulo anterior, Darcy finalmente descobriu que Elisabeta estava de volta á São Paulo, mais perto do que ele imaginava, e o reencontro inesperado dos dois finalmente aconteceu.

Por Elisabeta

Fiquei paralisada com a visão de Darcy na rua. Não esperava vê-lo tão depressa, e mais ainda, ser invadida por um turbilhão de sentimentos e memórias. Mas logo voltei a realidade lembrando do garotinho que segurava minhas mãos, Darcy não poderia nos ver agora, ainda não. E um medo me invadiu,não consegui me mover, por mais que meu impulso fosse de sair correndo.

Por sorte ele passou distraído conversando com um senhor e não nos notou, só então pude respirar mais aliviada e ouvi a voz do meu filho me chamando:

— Mamãe, mamãe!! — Thomas me chamava impacientemente.

— Oi, meu amor. Perdão, a mamãe estava distraída.

— Tá, mas ficar aqui tá chato, mamãe, eu quero passear!

— Claro meu amor, vamos. — disse carinhosa depositando um beijo na sua bochecha.

Seguimos nosso caminho e levei meu menino para passear em alguns pontos da cidade, tinha medo de encontrá-lo novamente mas não podia ficar trancada em um quarto com meu filho, Thomas não merecia isso.

Já estava me recuperando do susto quando tive mais um encontro inesperado, dessa vez era minha amada irmã, por sorte ela estava sozinha, eu esperava encontrá-la mais tarde mas o destino não quis assim e acabamos nos esbarramos em uma esquina, não pude conter o sorriso ao vê-la.

— Elisa!? — Ela disse assustada.

— Jane, minha irmã que saudade!! — disse emocionada abraçando Jane com somente com um lado já que o outro estava ocupado segurando a mão de Tom.

— Também senti sua falta!! — disse no fim de nosso abraço.

— Você está sozinha? — falei olhando para os lados desconfiada.

— Sim, Camilo está no trabalho.

— Ah que bom! — disse em alívio.

— E quem é esse garotinho? — ela perguntou ao notar o meu filho ao meu lado.

— Jane, esse é Thomas, o meu filho. E meu amor, essa é a sua tia Jane. — Jane fez uma cara de surpresa mas logo tratou de se recuperar.

— Você é lindo Thomas, a cara do seu pai! — ela disse sorrindo e bagunçando os cabelos do meu filho — Ian vai adorar conhecer o primo.

— Obrigada titia, você também é linda!

— Lindo e encantador, que beleza de sobrinho que eu tenho! — Jane disse impressionada com meu menino.

— A senhora conheceu meu pai? Como ele era? — disse em expectativa e Jane olhou pra mim e pelo temor no meu olhar ela entendeu que era um assunto delicado.

— A sua mãe vai te contar, mas uma coisa pode ter certeza, encantador como você!

Nós tínhamos muito o que conversar mas eu não podia ir até o cortiço, não podia correr o risco de Camilo me encontrar ainda, ele era o melhor amigo de Darcy, não podia arriscar. Então seguimos para a pensão onde estávamos, enquanto Thomas brincava distraído eu e Jane conversamos sobre o tempo que passei longe, me falou sobre o emprego de Camilo, sobre meu sobrinho Ian, Julieta e eu também contei a ela meus motivos para omitir o meu filho nas cartas que trocávamos, falei sobre nossa vida durante esses anos, disse a ela que havia enviado uma carta para papai pedindo que ele viesse me visitar em São Paulo pois tinha uma surpresa para ele e que em breve ele viria, também falei sobre o emprego que havia conseguido e o fato de precisar encontrar um lugar para deixar Thomas enquanto trabalhava.

— Eu fico com ele, Elisa! — disse prestativa.

— Não, Jane, não é justo, você tem sua família, seu filho para cuidar e Camilo pode descobrir. Não sei se seria uma boa ideia.. — eu disse receosa.

— Que nada Elisa, nesse horário Camilo está no trabalho e Ian está na escola, não me custa nada te ajudar.

— Ah minha irmã, eu não sei o que seria de mim sem você. Muito obrigada! Mas oh, é por pouco tempo, pretendo matricular Thomas em alguma escola logo e também preciso contar a Darcy a verdade. Aí Jane estou com tanto medo.

— Vai da tudo certo Elisa, vamos resolver um problema de cada vez. Darcy vai adorar saber que tem um filho.

— Não sei, tenho medo que ele me acuse Jane, como fez naquela carta há anos atrás.

— Elisa.. aconteceu muita coisa desde que você foi embora e eu não te disse porque enfim, você me pediu para não falar de Darcy e Darcy queria te contar pessoalmente .. — Jane dizia rapidamente

— Calma Jane, respira, do que você tá falando?

— Bom, eu não posso te falar, Darcy quer ele mesmo falar então eu acho melhor você procurá-lo logo.

— Tá bom, tá bom. Mas enquanto eu não o procuro não conte do meu retorno a ninguém, nem a Camilo pode ser?

— Claro minha irmã, agora eu vou indo, preciso buscar Ian na casa de Dona Julieta mas amanhã bem cedo estarei aqui para ficar com meu sobrinhozinho lindo. Aí Elisa eu estou apaixonada por ele — Jane disse agarrando Thomas e beijando sua bochecha arrancando risadas dele.

Na manhã seguinte deixei Thomas com Jane e segui para a biblioteca para o meu primeiro dia de trabalho. Estava quase na hora do meu almoço, mas antes de sair fui ajudar dona Margarida a guardar alguns volumes nas prateleiras e conversávamos animadas quando sinto minha nuca esquentar, uma sensação estranha, como se alguém estivesse me observando e essa sensação me faz procurar o que estava me incomodado e quando finalmente encontrei fiquei fraca, por pouco não deixo os livros caírem das minhas mãos, fiquei paralisada, não conseguia me mover e nem falar, a única coisa que conseguia fazer era olhar para aquele par de olhos verdes que me fitavam impressionado. Meu Deus, eu estava frente a frente com Darcy depois de anos, eu mal conseguia respirar.

Ainda estou em transe mas percebo que ele está vindo na minha direção, não sei o que dizer, que reação ter .. ficamos nos olhando em silêncio por alguns segundos quando eu resolvi quebrar o silêncio:

— Darcy!

— Elisabeta!

— O que você tá fazendo aqui? — perguntei com certo temor em minha voz, o que fez ele se remexer no lugar e fechar um pouco sua expressão.

—O que eu to fazendo aqui? — perguntou em tom indignado — O que você está fazendo aqui?! Diferente de você eu nunca fui embora, permaneci aqui. Quando você voltou? Porque não me avisou?

Eu tento me recuperar do susto pela palavras que saíram da boca de Darcy, ele não era de agir assim, costumávamos ser sinceros um com o outro, mas ele parecia um tanto desequilibrado, tinha raiva na sua voz e ele parecia lutar consigo mesmo, com seus sentimentos. Meu primeiro impulso foi de rebater a sua acusação, fazê-lo lembrar do porque eu saí de São Paulo sem olhar para trás, fazer ele se sentir culpado, talvez fosse o que ele merecia. Mas aquele não era o lugar adequado, já havíamos nos excedido demais, o tom da nossa “conversa” já despertava a atenção de alguns leitores que estavam no local. Tentei amenizar.

— Darcy — disse seu nome com um desprezo que não me era proposital — eu não preciso te lembrar porque as coisas aconteceram como aconteçam, mas esse não é o local apropriado para termos esse tipo de conversa, vamos deixar para outra hora. — disse com tranquilidade mas com firmeza.

Ele me olhava com uma expressão perturbada, parecia que não sabia o que estava fazendo ou porque estava agindo daquela maneira, mas eu não tive pena e me virei para me retirar, quando Darcy fechou sua mão no braço me forçando a olhá-lo. Mas quando me virei novamente minha expressão não era mais amigável, ele ultrapassou todos os limites com aquela atitude e toda a raiva que estava tentando conter desde que ele fez aquela pergunta estúpida foi liberada:

— Como outra hora? Você não vai fugir de mim novamente, Elisabeta. — agora ele me olhava com receio e ao notar meu olhar de fúria pareceu se arrepender do seu gesto soltando meu braço na mesma hora.

— Eu não estou fugindo! É você quem está me incomodando no meu local de trabalho, e sim eu voltei, mas não te devo satisfação alguma a respeito do faço ou deixo de fazer, eu não entendo como você tem tamanha cara de pau de vir até aqui, falar essa montanha de impropérios depois de tudo o que você me fez! — falei bem acima do meu tom habitual.

— Elisa, eu .. eu preciso te falar.. — ele gaguejava.

— Nada que vier de você me interessa Darcy, não de você, e vamos parar com essa conversa por aqui, estamos fazendo um espetáculo. Por favor, pare de me importunar, já não está satisfeito? Saia daqui. — já dizia sem conseguir olhá-lo.

— Claro! Fique tranquilo, não vou mais te incomodar — ele ainda estava nervoso mas conseguiu se conter e me respondeu de maneira fria.

Depois que Darcy foi embora, tentei me recuperar desse reencontro desastroso, e segui meu caminho, inundada por várias emoções.

Quando cheguei na pensão desabafei com Jane, relatei a ela meu encontro com Darcy, remoía suas palavras e recordava da sua expressão, ele parecia realmente perturbado. Jane me repreendeu dizendo que não podíamos agir dessa forma, que deveríamos tentar nos entender, por nosso filho, que eu precisava ouvir o que ele tinha para me dizer e que eu precisava contar a ele sobre Thomas, ele tinha o direito de saber. E por fim, tentou me tranquilizar dizendo que tudo ficaria bem, que iria se ajeitar.. mas as suas palavras tiveram efeito momentâneo porque assim que ela saiu eu não consegui mais conter minhas lágrimas. Ver Darcy depois de tantos anos reacendeu em mim uma antiga chama que eu acreditava estar apaga, ele estava mais bonito do que a anos atrás, parecia mais forte, seus olhos continuavam fascinantes e sua boca.. mas bastou abrirmos nossa boca para nos transformarmos no Darcy e na Elisabeta que éramos quando nos conhecemos, que brigavam por tudo e qualquer coisa, fazendo ou não sentido. Nós éramos assim. Sempre fomos assim. Quando ele tocou no meu braço senti a mesma eletricidade que sentia quando ele me tocava, de repente me peguei pensando no seu toque, nas suas mãos ágeis na nossa noite, antes de tudo aquilo acontecer, antes dele se mostrar um arrogante, e me recriminei por pensar nele com essa saudade toda, ele não merecia. Agradeço a Deus por meu filho está dormindo, ele não poderia me ver dessa forma, então procurei me recompor logo.

Quando ele despertou eu encontrei forças e conseguir disfarçar, aproveitei a tarde toda com meu filho, por enquanto ficaria apenas no turno da manhã na biblioteca. Quando anoiteceu Tom parecia super animado com tudo o que fizemos na nossa tarde, e já demonstrava sinais de cansaço, dei um banho no meu garoto e o coloquei para dormir, hoje ele disse que não queria histórias, queria que eu cantasse e assim o fiz, não existia nada que ele me pedisse — que estivesse ao meu alcance, claro — que eu não fizesse. E mesmo nesse dia difícil pude dormir tranquila agarrada ao meu anjinho.