Novos Rumos

1 Meu pingente se torna um mapa


Primeiramente, vou me apresentar. Meu nome é Leandro, tenho 14 anos e vivo em um abrigo chamado “monte azul” no vilarejo de Poliana no interior da Nova Jersey, ou como eu gosto de chamar “o lugar esquecido por tudo e por todos”, afinal o que posso pensar de um punhado de casas de velhas cercada por algumas colinas e planaltos verdes com uma única rua que sai da cidade.

Bom, vamos falar do meu orfanato, era, provavelmente, uma das maiores construções da cidade, um prédio velho de tijolos com dois andares e bem comprido com vários quartos, parte inúteis já que havia uns 25 moradores, entre dois e dezessete anos todos órfãos assim como eu. Como tantas crianças chegaram ali eu nunca soube e nem tive vontade de saber, para mim tudo que eu precisava eram bons livros e silencio para ler e nada mais era importante, mas nem tudo nessa vida é como a gente quer não é?

Depois do jantar eu costumo ficar sentado na minha cama lendo, no momento eu lia um livro da biblioteca do orfanato intitulado “mitologia grega”, um dos meus assuntos favoritos quando ouço passos e escuto uma voz estridente.

–Leandro! –esbravejou-Onde você estava hoje antes do jantar?

Revirei os olhos e respirei fundo, sem deixar de olhar para meu livro respondo sem emoção- Lendo, Sra.Bloon. Ela ri sarcasticamente — não se faça de desentendido seu delinquente, sei que você escreveu aquilo na parede do banheiro!

Lembrei-me do rabisco em tinta vermelha que vi no caminho para o jantar, dizia ougo como ”todos nessa droga de cidade são estúpidos”, não pude deixar de concordar já que, ao falar isso o escritor também estava incluso no “todos”, voltei minha atenção de volta para a megera a minha frente e disse:

– Senhora, antes do jantar eu fiquei aqui lendo, como estou agora, falei. Ela respirou fundo impaciente, olhou para mim como se já não suportasse minha presença, o que provavelmente, era verdade.

–Eu não vou perder meu tempo falando com você, tenho mais o que fazer quer, por favor, me acompanhe para o castigo.

Calmamente me levantei, deixei meu livro encima da cama e segui a tirana pelo corredor dos quartos, enquanto passávamos todos nos olharam com uma mistura de pena e medo.

A essa altura você deve estar se perguntado “quem é essa velha chata? Porque ele esta sendo culpado e não se defende?“. Bom quanto Sra. Bloom, ela é a suposta velha boazinha da cidade, usando sempre seu vestido de algodão amarelo, um pano de tecido também amarelo com para encobrir os cabelos brancos da idade, a pele enrugada e seca, todos acreditam que ela é um anjo quando a verdade é bem diferente.

Quanto ao castigo, eu realmente não tenho culpa de nada, eu realmente não fiz aquilo no banheiro e eu não me defendi das acusações por dois motivos, primeiro motivo: eu não me importava mais com isso, desde que me lembro, ela me odeia mais do que aos outros, tudo que acontece é minha culpa mesmo que eu estivesse dormindo na hora. Segundo motivo: se eu resistisse a ser mandado para o castigo, todos aqui pagariam.

Eu a segui até o fim do corredor, onde havia uma porta que dava para a parte de traz do prédio, pude sentir o frio ar da noite e ver os campos verdes sob a luz do luar, era uma bela visão. Dois metros pra direita da porta havia portas duplas que levavam para baixo do solo. E fomos até lá, depois de abrir, riu para mim de forma sarcástica e disse:

– Aproveite seus aposentos, delinquente. Soltou a mesma piada horrível de sempre.

Desci as escadas até o fim sem olhar para traz, observei o quadrado de concreto vazio com teto tão baixo que eu não conseguia ficar de pé direito, assim que ouvi a porta se fechando atrás de min tudo ficou completamente escuro, me sentei no chão frio e duro e comecei a falar comigo mesmo,

–Não há nada o que fazer, falei baixo, ninguém nunca veio me procurar, então, porque vou procurar uma forma de sair disso?

Apalpei minhas pernas até chegar aos meus joelhos, continuei até achar a pequena lanterna que deixava na meia pra momentos como este, tirei do pescoço o colar que sempre carregava, era algo simples, um cordão de nylon e um pingente de alumínio pintado de bronze em forma de ovo. Vasculhei-o com a luz da lanterna, como fazia sempre que ficava preso ali, procurava por algo que me desse uma pista do por que eu estou aqui, nunca encontrei nada, porem, hoje foi diferente.

Notei uma pequena fenda a base do pingente, eu pressionei para um lado da fenda e o pingente se abriu, revelando um interior todo laranja, do lado esquerdo havia uma gravura de um centauro com um arco e flecha, acima estava escrito bem pequeno “acampamento meio-sangue”. Do lado direito estava o mapa de Nova York, porem havia algo diferente naquele mapa, o estreito de long island estava em destaque, circulado em vermelho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.