Novos Horizontes
9 Capítulo 8 - Laços de Sangue
Notas iniciais
Estava sentado no chão quando as garotas voltaram com a Diana. Assim que elas entraram, ficaram chocadas com o corpo do Kaio.
– Você… — A Clara tentou falar, mas não conseguiu terminar a frase, mas nem era necessário, a cena dizia por si só.
– E eu achando que você era melhor que ele. – A Diana disse. Ela pegou o corvo que sempre andava com ela e o lançou, ele ficou sobrevoando em volta da casa e voltou. – E o outro irmão?
– Paulo, você tá bem? – A Carla se aproximou e perguntou. – É óbvio que não tá. – Ela se sentou do meu lado e perguntou de novo. – Fala, você tá bem? O que que aconteceu?
– O que que ele tem? – A Diana perguntou. A Clara foi até uma gaveta e retirou uns sacos, estilos aqueles de laboratórios. Retirou outros instrumentos, e foi até o corpo do Kaio, retirou um pedaço da pele, uns tufos de cabelos e um pouco do sangue, guardou tudo e fez a mesma coisa comigo. Eu nem me importava, era muito pra processar. “Eu matei.”. era a única coisa que eu conseguia pensar. Eu acabava de matar alguém. Mesmo que ele pegou a flecha e fincou no próprio coração, eu retirei a vida dele no final. A Carla me levou até o quarto:
– Boa noite. – Ela disse e fechou a porta. Eu retirei as roupas, vesti qualquer coisa e deitei, demorei a pegar no sono, mas no final eu consegui. Mesmo que por pouco tempo.
Flashblack On
– Está prestando atenção? – Um garoto extremamente pálido disse. Os olhos dele estavam vermelho sangue, as presas um pouco maiores e apesar da pele branca, em contraste com o cabelo liso e negro, estava vermelho de raiva. – Você só sabe causar intriga! Que ver todo mundo brigar, quase se matar, e ainda fica rindo, como se fosse um espetáculo pra você? Qual que é o seu problema? – Atrás dele o Kaio olhava pra mim com raiva, junto com uma garota de costas, só via o vestido azul simples e os cabelos castanhos cacheados. Dois guardas apareceram e me levaram até a sala do diretor. Ao passar pelas celas, todos, sem exceção, me olhavam com raiva e repulsa. Por fim chegamos à porta, onde dava em um corredor que terminava em uma sala verde-claro. Em frente a mesa de carvalho estava um cara que pela postura com certeza foi um general.
– Sente-se. – Eu me sentei calmamente. – Isso é de praxe, como você sabe. Identificação.
– 62B – Disse indiferente.
– Poder.
– Leitura, adaptação e absorção de DNA.
– Definição.
– Posso ler o DNA com o toque; faço com que o meu corpo replique e adapte o DNA analisado. E agora posso absorver o DNA de outros como eu. – O Diretor olhou pra mim desconfiado. – Mas é temporário, a não ser…
– A não ser…
– É uma teoria, mas com DNA o suficiente posso fazer com que seja permanente, mas acho que o choque possa matar a pessoa que eu analiso, já que eu não posso interromper o processo.
– Testes.
– Apenas nos treinos. – Ele voltou a olhar. – E em uma ou outra briga.
– Liberado. Vinte dias na solitária. – Saí rapidamente e esperei que me guiassem até a cela. Entrei e deitei na cama. Retirei de dentro um livro e comecei a ler quando escutei uma voz feminina dentro da minha cabeça.
“ – Quanto tempo?”
“ – Vinte dias.”
“ – vou avisar os outros.”
Flashblack off
Acordei com um grito, desci as escadas correndo. Junto ao corpo do irmão estava o Kaique, apesar de saber que não eram irmãos, mas agiam como tal. Ele chorava compulsivamente, parou apenas quando me viu, se incendiou e atirou uma torrente de chamas em mim, me dando tempo de apenas proteger o rosto. Mas não queimou.
Sentia as chamas queimando as minhas roupas, me envolvendo, mas não queimava. Ele parou as chamas e me olhou confuso. Por sorte pegou apenas a parte de cima.
– Sentem-se. – Disse de forma firme. A Carla chamou a Diana lá fora, o Kaique saiu daquele modo, mas sacou uma arma e apontou pra mim. “Como ela não derreteu?” eu pensei. Andei até o sofá e sentei. As garotas vieram e sentaram no sofá da frente. – Querem saber o que aconteceu? – Todos ali concordaram. – Primeiro de tudo preciso que o Kaique e a Diana me ajudassem. Alguém… — Parei a frase com o disparo do Kaique, passou bem perto do rosto, assustando a todos. – É algo que o SEU irmão disse!
– O que? – Ele disse sussurrando.
– Antes de morrer ele pediu desculpas por que ele falhou com você. E depois olhou pra mim e disse que se lembrava e que não era eu.
– Ele disse com essas palavras? – A Diana perguntou.
– Quer conferir? – Ela esticou uma das mãos, mas logo a retraiu. – Desculpa, pareceu um pouco rude, mas é uma sugestão. Assim você via que era verdade.
– Como saber se é uma lembrança falsa?
– É muito difícil forjar uma lembrança, tem que convencer primeiro de tudo que aquela é a imagem verdadeira, e mesmo que consiga, posso discernir qual das duas versões é a verdadeira, por causa do formato das sinapses e onde elas ficam. As lembranças ficam em uma parte e as imagens, pensamentos e sonhos em outra. – A Diana disse calmamente.
– De toda forma, ele morreu antes de dizer o nome, disse apenas a primeira letra, F. Quantos vocês se lembram com F? – Eu olhei pro corpo. – Deixa pra lá, a gente tem que enterrá-lo primeiro.
…
Providenciamos um enterro na floresta, a Diana sabia de um lugar onde pudesse enterrá-lo e não fosse incomodado, todos falaram algumas coisa, até mesmo as garotas, exceto eu. Entramos, subi e peguei outra blusa e desci. Eles estavam na sala, a Clara tentava limpar o sangue no chão, ou outros estavam sentados ao redor da mesa, sentei na ponta oposta.
– Me desculpa Kaique, é sério mesmo. – Ele saiu do lugar dele e veio na minha direção. Ele se preparou pra me bater, mas desistiu no final.
– Você não é ele mesmo. Ele não se desculpava nem quando era forçado. Tsc. – Ele voltou e sentou na cadeira. – O poder do meu irmão, o que você pegou, é permanente?
– Acho que sim. – Disse um pouco desacreditado. – Pelo que eu senti sim. Não deu pra pensar, era mais como se o meu corpo fizesse de forma mecânica. E de certa forma, ele me deu o poder. – Todos olharam de forma confusa. – Quando absorvo o poder de alguém sem permissão, o organismo me rejeita, mas posso forçar e é isso que causa a dor. Quando o organismo não rejeita, eu libero naturalmente uma espécie de comando que anula a dor. Ele não gritou, então só posso pensar que ele me deu o poder.
– E o seu poder? – Estiquei a mão e me concentrei, as vinhas saíram como sempre, causando certa repulsa em todos. Elas entraram rapidamente e minha mão se incendiou, custei a entender como desligava. Assim que o fogo sumiu, suspirei e coloquei a cabeça em cima da mesa.
– Acho que ainda funciona, mas preciso coordenar com o novo. – Ficamos calados por um bom tempo, a Clara terminou de limpar e se sentou na mesa com a gente pra descansar. – Eu era tão repulsivo assim?
– A gente basicamente te odeia. – A Diana disse.
– Toda vez que eu olho pra você, sinto vontade de te matar.
– Eu me odeio. – Disse colocando as mãos no rosto.
– Não se odeie, você não é ele. – A Clara disse. – Além do mais, saiu outros dois vídeos e mais algumas ocorrências. Creio que sejam vampiros.
– Onde? – Disse sem me levantar.
– Na região da primeira ocorrência.
– Já vou me arrumar e vou pra lá.
– Eu também vou, tenho contas a acertar. – Disse o Kaique, se levantando.
– Antes de ir, tenho uma pequena pergunta pra vocês. – A Clara calmamente se levantou. – Os seus poderes vem a partir de algum outro EVO ou é outra coisa?
– Não que eu me lembre… — A Diana disse.
– Acho que não… — O Kaique falou com uma das mãos na cabeça.
– Vem sim. – Todos olharam pra mim surpresos. – É uma lembrança quebrada, sobre eu ser o Projeto 62B, uma cópia quase perfeita do original. E que graças aquele traço puderam me criar pra criar mais. Foi mal às frases ficaram meio vagas.
– Não. É isso mesmo. Eu disse que enviei aquele DNA pro laboratório, mas eu menti. – Ela voltou a se sentar e olhou pro chão. — Eu não devo ter cuidado direito da seringa na hora da transfusão, então um pouco do seu sangue deve ter entrado em contato com o meu, e no dia seguinte senti os meus pensamentos mais rápidos. Pensei bastante a respeito e a única conclusão foi essa. Então eu peguei um pouco mais e injetei em mim. Eu passei mal o resto do dia e dormi, quando acordei no dia seguinte, minha cabeça foi a mil, tudo que eu aprendi vinha de repente, tinha muitas ideias, pra tudo que eu olhava, na hora vinha dezenas de informações a respeito. Eu quase surtei. Dei a desculpa de que era cólica e fiquei no quarto o tempo que pude até aprender a desligar.
– Pera, você tem algum poder? – A Carla olhou pra ela surpresa. — Durante esse tempo todo você tinha isso e não falou pra gente? – Ela olhou pra mim, eu estava sentado com as duas mãos juntas apoiadas no queixo. Depois eu levantei e toquei ela, senti as vinhas lerem o DNA.
– Superinteligência. – Disse com um pouco de desinteresse. – O potencial dela subiu de 10% pra 17%.
– Eu não entendi.
– O potencial cerebral humano normalmente é entre 9% e 11%, se não me engano pessoas como Einstein tinham 12%. Se 12% as pessoas te consideram um gênio, o que 17% te tornam?
– Por quê? – A Carla disse chorando. – Por que não contou?
– Sem drama Carla. – Eu disse com calma. – Clara preciso que responda duas coisas com sinceridade. A primeira é: o quão inteligente você é?
– Em quantidade? – Eu rolei os olhos. – A tá. Acho teria alguns diplomas de ensino superior, além de alguns PHD’s, principalmente em física, química e biologia.
– Segundo: o que você construiu com as suas máquinas?
– Acho que n…
– O que você construiu?
– Um pequeno laboratório. Estava estudando o seu DNA, assim como o da Carla. Precisava descobrir…
– Descobrir? – Disse a Diana, agora todos pareciam interessados.
– Uma maneira de cancelar isso.
– Se tivesse uma maneira… — O Kaique disse. Ele fechou os olhos por um instante. – Mas olha só, NÃO TEM! – Ele falou gritando, ele realmente estava bravo, eu sinceramente não entendia o porquê. Senti minha cabeça doer um pouco, diversas coisas voltavam, principalmente cálculos, que eu gostava bastante. Ideias não paravam de aparecer, era muito rápido, não dava pra analisar tudo, até que eu levei as duas mãos aos ouvidos, numa tentativa vã de parar a dor; gritei alto o bastante pra assustar a todos. Fiz força pra me concentrar e desativar a habilidade, assim que consegui parei de gritar, estava ofegante e encharcado de suor.
– Como você suportou isso? – Disse tentando recuperar o fôlego.
– Eu me tranquei no quarto, não se lembra? Doí bastante não? Eu demorei a me acostumar, mesmo assim vez ou outra a dor volta. Pra isso preciso descobrir como cancelar, preciso perder esse poder.
– Você não é a única com problema. Todos temos limitações e consequências dos nossos poderes, mas mesmo assim não quero perder os meus. – A Diana disse de forma séria.
– Eu não ligo, pouco me importa o de vocês, a dor…
– Meu corpo doí toda vez que controlo algum animal, me sinto tonta e cansada. As vezes perco o controle, ou uso o meu poder sem querer. Eu não controlo isso, me causa dor, mas mesmo assim eu não fujo dele.
– Diana é uma decisão dela. – Eu disse com calma. – Mas, eu sei que você nem vai ligar pro que eu vou dizer, mas se quisermos proteger as pessoas de outros como nós, como o Vlad, você vai precisar dele. Acredite. – Eu me sentei ficando na mesma altura dela. – Maninha, é como a Diana disse, todos nós temos problemas com os nossos poderes. Todas as noites eu sinto dores nos músculos por conta das absorções, sem contar que se eu absorver demais eu perco o controle.
– Eu passei a sentir incomodada com o Sol, mas nada se compara a sede, sinto que a cada dia que passa fica mais difícil de controlar.
– Eu ainda não controlo totalmente as chamas, as vezes acordo com o lugar onde eu estou cheio de marcas de fogo, ou com o lugar ruindo por causa de um incêndio.
– Viu?
– Eu sei, mas eu não quero.
– Aí teimosa como uma mula. – A Carla disse. – Tudo bem, mas agora o foco devia de ser os vampiros.
– Venham comigo. – Ela seguiu sozinha até a porta debaixo da escada. Eu a segui e fiquei impressionado com o que eu vi.
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