Novos Horizontes
2 Uma bola, um imã e um carinho improvável
Notas iniciais
( acho que faz mais sentido com o texto, mas ele não coube ali no espaço destinado para o título rs.)
Bem, o capítulo é praticamente todo inspirado nos olhares que a Giane dedicou ao Fabinho na cena em que ele delira sobre a bola. Vi a cena umas mil vezes e fiquei pensado no que ela podeira estar sentindo. Porém, ficou bemmmm dramalhão, desculpe por essa minha tendência. Eu espero conseguir colocar um pouco de humor quando ele acordar. Por que, afinal, na novela eles já estão lindamente implicantes rs. Porém, por causa da minha falta de tempo, por aqui ele ainda está desacordado. Espero que o capítulo não tenha ficado chato por isso.
Ah, e desculpe os erros, vou ir arrumando aos poucos, o capítulo está indo praticamente sem revisão devido a minha falta de tempo.
Obrigada e desculpe a minha falta de talento.
A noite caiu sem que ela conseguisse sair do lado dele, seu pai de vez em quando se oferecia para cuidar do menino, mas uma força inexplicável parecia prender Giane àquele quarto. Vez por outra, Fabinho parecia dormir tranquilo, mas na maioria do tempo seu sono era muito agitado, a febre provocava delírios que mostravam a ela o quanto o garoto era atormentado.
Ai ai, estava tudo errado, o Bento com a Amora e ela ali sem saber direito o que fazer com aquele menino, queria muito que aquela febre passasse, levar o garoto para o hospital naquele momento seria mandá-lo direto para a cadeia. Ah, e ainda tinha o Caio, no meio de toda essa avalanche ela acabou magoando o Caio sem querer, deixando escapar que não gostava tanto assim dele.
De repente, Fabinho começou a gemer mais alto.
Como se estivesse sendo puxada por um imã Giane correu para o lado dele.
____ A bola, a minha bola!____ Fabinho murmurou em lágrimas, num estado entre um sonho e um deliro febril.
A menina encostou seu rosto no rosto dele e percebeu que ele estava queimando em febre. Era impossível conter o desespero em seu coração, a pele do menino estava quente, muito quente. O jovem segurou o braço de Giane com força e voltou a murmurar sobre a bola.
A garota sentiu um turbilhão de sensações com aquele toque forte e desesperado. A mão do menino era tão macia e quente, talvez pela febre... era muito, muito quente. Aquele contato fez com que seu corpo estremecesse em um desespero inexplicável. Conhecia Fabinho há tantos anos e nunca tinha visto aquele menino tão fragilizado, nunca tinha estado tão perto dele assim, nunca tinha sentido o calor inebriante da sua pele, nunca tinha sentido tão próxima a sua respiração. Nunca tinha sentido absolutamente nada além de asco por ele. Agora, porém, ela estava ali, sem conseguir entender por que se sentia tão alarmada com o sofrimento dele. Sem conseguir entender como alguém em um estado tão frágil podia tocar-lhe daquela forma e em tantos sentidos.
A expressão no rosto de Giane era tão inexplicável quanto os seus sentimentos, seus olhos demonstravam um desespero mesclado a tantas outras emoções... compaixão, pena, medo... carinho. É, aqueles olhos, angustiados por um misto de sensações inexplicáveis, começavam a deixar transparecer a mais inexplicável delas. Dos olhos da menina transbordavam expressões improváveis de carinho.
Fabinho murmurava sem parar sobre a bola, Giane começou a sentir vontade de chorar por não saber o que fazer para tirar o garoto daquela angústia. Ela queria poder entrar dentro da cabeça dele e arrancar de lá toda aquela dor. E que diabos era aquela bola? Que bola era essa...
____ Você não vai dormir filha? A voz preocupada de seu pai interrompeu seus pensamentos.
____Pai, eu não consigo, eu não consigo deixar ele aqui desse jeito! ___ disparou Giane em um rompante. O tom de sua voz era muito angustiado, como se as palavras escapassem diretamente de seu coração sem serem filtradas pelo cérebro.
____ Minha bola, o carro!___ delirava o fragilizado menino ao seu lado, enquanto segurava com ainda mais força o braço da menina.
____ Pai, ele fica falando dessa bola, eu não sei por quê!___ sua voz saiu trêmula.
Silvério, o pai de Giane, percebeu que a filha realmente não ia sair do lado do menino e os deixou a sós, avisando que se ela precisasse de algo ele estaria na sala.
____Minha bola, minha bola. ____ o menino repetia.
Aquela bola já estava fazendo a garota ficar louca, quando, em um estalo, ela se lembrou de uma passagem de sua infância. Era a bola! Ah... a bola! Foi ela, ai, deus, foi ela a responsável pelo episódio da bola! Mas como assim? Com ele podia se lembrar daquilo? Ela tinha esquecido completamente do dia em que ela chutou com força a bola que o menino acabara de ganhar de presente de Natal e um carro passou por cima dela. Ah, agora ela se lembrava perfeitamente, o pequeno tinha surtado por causa da bola, dito coisa rudes para ela e chorado muito. Chorado como agora!
Giane olhou com ainda mais daquele improvável carinho para o jovem ao seu lado. Incrível como ele podia delirar sobre isso agora, tantos anos depois. Era incrível como ele assim debilitado lembrava tanto aquela criança, chorando por causa de uma bola perdida. A jovem se assustou com a intensidade daquele episódio para ele, uma coisa tão insignificante da qual ela nem se lembrava, era para ele um motivo de deliro. Ela se assustou com o quanto ele era sensível, logo ele, com toda a sua empáfia e arrogância. Ela nunca poderia imaginar o quanto ele era frágil, o quanto ele podia ser tão facilmente magoado! Durante o pouco que conviveu com Fabinho depois que ele voltou, ela chegou a achar que ele era até mesmo incapaz de sentir qualquer coisa que fosse.
Carinho, aquele carinho inevitável, aquele carinho inexplicável que antes era apenas uma pequena faísca explodiu no coração da menina. Quando criança, ela achou tanta frescura da parte dele, chorar por causa de uma bola, mas agora, agora ela simplesmente explodia em ternura por aquele menino. Ah... a bola, a bendita bola tinha sido culpa dela! E ele estava ali, depois de todas as coisas horríveis que ele passou, queimando de febre e se lembrando da bola que ele perdeu... por causa dela!
Giane mirou Fabinho com um olhar repleto de um carinho intenso e desesperado. Ela queria tanto poder protegê-lo, poder acalma-lo de alguma forma. Mas tudo que ela conseguia fazer era dizer para ele, mesmo que ele não pudesse escutar, que ela ia comprar uma bola nova, que ele não precisava chorar. Ah... como ela queria que ele parasse de chorar.
A confusão de pensamentos e sentimentos na cabeça dela não a deixou pensar em mais nada. Aquela sensibilidade recém descoberta era como um imã que atraía seu corpo para o de Fabinho. Guiada por um magnetismo instintivo Giane abraçou com força, com muita força aquele controverso jovem que chorava e era como se ela abraçasse ainda o garotinho frágil que ele fora.
O que ela sentiu com esse abraço, só podia ser resumido em uma palavra: inexplicável, como era inexplicável tudo que tinha acontecido naquele dia desde quando ela o encontrou desmaiado, como era inexplicável o rei da arrogância ser tão frágil. Como era inexplicável o quanto ela estava tocada com a fragilidade dele.
E era inexplicável, mas aos poucos ele foi se acalmando aninhado em seu peito e ela se sentiu também mais calma com aquele contado.
Inexplicavelmente, Giane não conseguiu mais soltar Fabinho e acabou adormecendo ali, ao lado do “menino grande”, sentindo o calor febril de sua pele.
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