Novos Horizontes
10 E contra todos ....a amizade – Parte 2
Notas iniciais
Bem, esse capítulo tem a mesma proposta do outro, dar uma acelerada nas coisas pq quero escrever logo sobre eles juntos, porém ele está com a forma um pouco diferente.
A solução que eu achei para acelerar sem me perder e ficar vago foi entrar um pouco na cabeça deles. Espero que vcs gostem. Eu achei de certa forma que isso foi bom, pq o capítulo ficou mais leve, deu pra conter bem minha tendência ao dramalhão e colocar mais o jeitão deles.
O próximo, que será finalmente e muito atrasada, a cena do quase beijo, será mais intenso. Espero que vcs tenham paciência de ler, mesmo o romance já tendo explodido na novela.( E, nossa, como estou amando cada vez mais aqueles dois na novela).
Espero que vcs não achem chato por estar tão atrasado. (Espero tb que vcs ainda lembrem de mim, tem tanta fic legal surgindo deles todo dia, né)
No mais é isso, obrigada sempre sempre. E desculpe os muitos erros que devem ter. São 4 horas da manhã e só agora tive tempo de terminá-lo, revisar nem deu, então deve estar com muitas falhas de digitação.
Quando Giane voltou de seus compromissos, Fabinho já estava fechando a Acácia Amarela ao lado de Irene. A mulher agradeceu ao menino pelos momentos que passara com ele. Irene tinha mesmo muito carinho pelo menino. Fabinho, porém, não soube agradecer, esse tinha sido um dia muito intenso. Fabinho não sabia o que pensar, não sabia o que sentir. Não sabia demonstrar se sentia algo.
Quando os jovens ficaram a sós, Giane tocou novamente no assunto da estufa e esse assunto desconcertou o rapaz. Ela afirmava que ele precisava pedir desculpas, mas ele não sabia como. O garoto irritou-se, desconcertou-se mais e acabou deixando Giane falando sozinha. Ela tentou chamar por ele. Ela sentiu seu coração apertar-se ao vê-lo sair nervoso. Queira sentir raiva, queria deixar para lá, ele tinha feito tantas coisas. Ela sabia que não devia querer ficar sempre perto daquele menino. Mas ela queria, na verdade, era mais que querer... Giane simplesmente não conseguia se afastar dele.
Ela entrou no carro na loja, e encontrou um Fabinho que caminhava desnorteado pela rua. Ele estava se sentindo tão perdido naquele dia. Queria andar, queria fugir, mas a menina parou o carro perto dele e pediu com jeito de ordem que ele subisse. Aquela maluca, ele tinha confessado e ele não tinha pedido desculpas, mas mesmo assim, ela pedia que ele subisse.
Ele olhou para ela, eles se olharam... profundidade oceânica em cada um daqueles olhares. As dúvidas que ela tinha sobre estar fazendo ou não a coisa certa, em estar insistindo em estar do lado dele... sumiram. Os olhos daquele menino eram sinceros demais.
Fabinho entrou no carro, levemente contrariado. Porém sentia-se secretamente aliviado por ela ter relevado a falta de jeito que ele tinha em expressar seus sentimentos e a dificuldade que era senti-los nessa nova fase de sua vida.
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No mundo de Fabinho
Tudo que acontecia nesses dias, depois que Fabinho fora resgatado por Giane, causavam pequena revoluções no mundo do menino. Sua vida tinha virado de cabeça pra baixo e, agora, começava a se reorganizar de forma diferente, totalmente diversa do que ele poderia supor. Cada dia uma nova forma inusitada de ver o mundo e reagir às coisas. Revolução. O mundo de Fabinho estava em completa revolução.
É ,certo,contudo, que ele não mudara seu jeito de ser,sua personalidade forte e seu jeito impulsivo de despejar sobre todos suas opiniões ainda eram o mesmo. Porém, sua forma de ver a vida estava mudando completamente, de uma maneira radical, incontrolável. Ele estava aprendendo a rever seus objetivos e a separar o que era importante do que eram apenas torrentes de raiva, revolta e ilusão.
Toda essa revolução, no entanto, não era aleatória, tinha motivos fortes, alguns fortes demais. Tudo que fizera de errado para todos tinha se voltado principalmente contra ele mesmo. Tinha ido parar nas ruas, tinha problemas com a justiça, tinha magoado Margot, tinha dependido da solidariedade de pessoas que antes ele desprezava. Tinha dependido da solidariedade de Giane. Giane, o maior motivo de todos... a grande “culpada” por essa enorme revolução.
A relação dele com a menina se estreitava a cada dia. Cada detalhe, cada sorriso, cada implicância, cada olhar, cada toque sutil. Tudo aproximava sua cabeça e seu coração daquela maluquinha. Giane... quantas coisas tinham acontecido entre eles nos últimos dias, brincadeiras e confusões. É, por mais que gostasse da companhia de menina, ainda existiam terríveis confusões.
Primeiro foi Caio quem apareceu na Acácia Amarela e simplesmente deu um espetáculo ao ver que ele estava trabalhando com ela. Ah, Caio, que deprimente, que idiota, detestava aquele garoto. Detestava mesmo! Beijar a menina, e praticamente exigir que ela voltasse pra ele. Que espetáculo deplorável. Se não fosse tudo tão confuso, tudo tão difícil, teria achado enorme graça no comportamento de Caio.
Ah...mas tudo é tão confuso agora, ver o riquinho beijando quase a força a menina ali na sua frente e não poder fazer nada. E o pior de tudo, ouvir dela que ele (Fabinho) era o último homem com quem ela ficaria foi difícil de verdade. Uma sensação estranha, um aperto no coração, como se algo alegre recém-descoberto, tivesse de repente ficado triste. Droga, que espécies de pensamentos eram esses, o que acontecia com ele. Por que parecia tão difícil ouvir isso? Ainda mais por que ela estava certa, o que ele tinha pra oferecer a ela, além de um monte de confusão? Aliás, por que se preocupava com isso? Ele não queria mesmo oferecer nada a ela. Ou queria? Confusão...
Pelo menos Giane tinha dado um fora no Caio, e esse saiu de lá todo cabisbaixo. Ele não pode controlar sua boca, teve que mandar um “thau querido” para ele. Garoto deprimente. Depois que Caio saiu teve vontade de dizer alguma coisa pra Giane, queria falar “você fez certo”, queria falar, “talvez eu possa ser homem pra você sim, afinal nosso mundo anda tão mudado, nossos universos parecem tão próximos.” Mas isso era um absurdo. Ele não tinha que falar nada disso pra ela, essa história de se sentir próximo dela só podia ser coisa da cabeça dele. Além do mais, mesmo que existisse uma vaga possibilidade dessas coisas também estarem passando pela cabeça dela , isso nem seria o melhor pra ela. Então, acabou falando que ela estava errada em dispensar o “partidão” do Caio. Ai, essas palavras que escorregam da sua boca, que coisa.
Depois foi o Bento que resolveu voltar mais cedo da lua de mel. Bento, o senhor certinho, o cara do bem. Ah... tinha casado com a cocotinha, que burrice, e mesmo assim não saia de perto de Giane. Cheio de seus valores e pudores,o grande justiceiro, como era de se esperar,o expulsou da Acácia Amarela a socos e gritos. Porém ouvir o que ele e Giane tinham pra dizer? Claro que não... tudo que era falado para Bento sobre Amora entrava por um ouvido e saia pelo outro. Cara burro! Não adiantava falar da mensagem, falar que não foi ele a incendiar a toca, era inútil. Também, Bento que se ferrasse com a Amora. Quem mandou ser cego? Ele não tinha nada a ver com isso. Queria mesmo era distancia deles.
No entanto, não queria distância de Giane, e ser expulso da Acácia, acabava o afastando dela. Ah, por que não queria distância dela? Por que não conseguia mais ficar longe da maloqueira. Aquela linda maloqueira maluquinha.
As coisas aconteciam rápido e mudavam rápido, sua mãe tinha conseguido alugar uma casa ali, ele não estava mais na casa de Giane. Não ia mais poder implicar com ela da manhã até o final do dia. Não poderia mais perder horas olhando suas fotos... Nossa, era incrível isso, tinha passado a ver Giane como a menina mais linda de todas. Sentia-se bem em olhá-la. Sentia tantas coisas ao tocá-la. Achava tão bonitinha a forma com que ela reagia. Como na vez que ele tirou a menina da “porta” da casa do Bento quando ela estava ouvindo o barraco por causa do lance dos sapatos. Era bom tocá-la, mesmo que de brincadeira, mesmo que de forma quase inocente, infantil. Sentia-se bem perto dela, sentia-se melhor, uma pessoa melhor. Não se lembrava de toda a raiva. Tudo junto dela parecia tão mais ameno, tão mais em paz. Ele precisava tanto de paz.
Que loucura, que estupidez, pensar coisas tão doces. Ele era o último cara que ela queria, ela provavelmente ainda gostava do Bento, sempre gostou. Que estupidez, logo ele, cara, pensar coisas doces... pensar insistentemente, inevitavelmente nela. Louco, estava pensando tanta coisa louca ultimamente. Estava fazendo tanta coisa louca, estava se deixando ser próximo de alguém, estava virando amigo de alguém, e esse alguém era a Giane. E era linda, e era doce, mesmo quando estava muito irritada com ele _o que era quase sempre_ ela era doce... Perto dela o mundo dele era adocicado, de repente o mundo parecia ter gosto de sorvete...
Ah.., tinha que parar de pensar nessas coisas. Calma, precisava ter calma, ia começar um novo trabalho e, quem diria, na Crash Mídia. Tinha que penar nisso, tinha que tirar aquela menina e esse mundo com gosto de sorvete da cabeça. Pelo menos um pouco, pelo menos até a próxima vez que cruzasse com ela e, inevitável e inexplicável, o resto do inverso parecesse completamente parado.
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No mundo de Giane
Os dias estavam sendo agitados, resgatar aquele moleque tinha sido uma decisão impensada que tinha revirado o mundo de Giane. Tudo acontecia em um turbilhão e ele, Fabinho, sempre por perto.
Caio tinha surtado, estava com ciúmes de Fabinho, mas era incrível isso. Querer mandar na vida dela e ainda por cima achar que ela poderia ter alguma coisa com aquele cara. Ela não podia ter nada com ele, não podia nem pensar nisso, não podia... era uma maluquice extrema!
Tudo bem que o menino, mesmo mantendo seu jeito debochado e irritante, tinha mudado muito. Ela não sabia se ele tinha se dado conta disso, ou se um dia ele ia admitir isso, mas ele estava mesmo mudado. Sempre precisava de uns puxõezinhos de orelhas, mas estava se tornando uma pessoa melhor.
Ainda fazia seus comentários inapropriados sobre o dinheiro do Caio, sobre ela ainda gostar do Bento, mas suas atitudes e a sinceridade de seu olhar demonstravam que ele não era mais aquele cara mesquinho e cheio de ódio. Fabinho, às vezes, parecia mais uma criança carente, fazendo charminho por que ela não lhe lembrou do remédio, ou coisas do tipo. Vê se pode, era um irritante, adoravelmente irritante. Ah... esses pensamentos agradáveis a respeito dele, tinha que contê-los. Não podia demonstrar que pensava assim. Não podia ficar nessa paranoia de pensar demais nele.
Queria ele sempre por perto, isso era certo, estava mesmo sentindo amizade por ele. Era incrível, mas ultimamente, com essa coisa do Bento casado com a Amora, Fabinho era quem estava sendo seu melhor amigo, seu companheiro, quase um irmão implicante. Ela queria pensar nele assim, como uma espécie de irmão. Era isso... tinha que pensar nele assim. Não podia ficar pensando no calor daquele toque. Não podia pensar no quanto gostava da textura da pele dele quando eles se tocavam. Não podia, não devia pensar no quanto ela tinha começado a achar ele tão lindo. Não podia pensar que todas as vezes que o menino sorria, o mundo parecia mais iluminado. Era uma um absurdo pensar assim, maluquice total.
Ela tinha outras coisas para se preocupar, tinha sua carreira, tinha a Acácia, tinha o Bento e sua cegueira pela Amora. Era tão difícil isso, ver Bento caindo em cada mentira daquela sonsa. Não acreditar no Fabinho tudo bem, mas não acreditar na Malu, e não acreditar nela! Todo amor que ela julgava sentir pelo Bento tinha se transformado em um carinho muito grande. Ele sempre fora um amigo tão bom, um cara tão do bem e, de repente, estava afundado naquele casamento sem propósito, tinha perdido toda sua alegria e sua serenidade. Era triste ver o amigo assim.
Malu, incrível como ela agora simpatizava demais com a Malu. Uma garota especial, tinha certeza que elas seriam grandes amigas. Uma pena Bento ser irmão da Malu, se ele estivesse com ela, ele não estaria assim tão triste. Se bem que, se não fosse o Bento e sim Fabinho o filho do Plínio, Fabinho nunca teria melhorado. O dinheiro teria lhe subido à cabeça de vez, e ela não teria a oportunidade de estar conhecendo um outro lado daquele menino. O melhor lado dele, que ela nem sabia que existia.
Ai, pronto, lá estava ela pensando novamente nele, e pensando coisas agradáveis. Como era inevitável isso. Chegava a assustar e assustar muito. Porém, era fato, Fabinho tinha um outro lado desconhecido por quase todos, talvez até por ele mesmo, mas que ela estava passando a conhecer muito bem, um lado companheiro, amigo...doce, talentoso. Quem diria, ele tinha mesmo talento e agora ia trabalhar na Crash Mídia. Estava tão feliz por ele, queria que a vida dele entrasse nos eixos. Se sentia meio responsável por ele, como se ela tivesse um papel fundamental no surgimento desse Fabinho melhorado. Pensando bem, ela tinha mesmo esse papel, pois até pra ele aceitar o emprego ela teve que praticamente mandar. Orgulhoso, marrento, quase recusou essa oportunidade. Ele precisava mesmo de cuidados, de supervisão, era uma criança grande.
Ele precisava dela, dando puxões de orelhas, e , principalmente, para ajudá-lo a se defender de todos. Afinal, ainda eram muito poucos os que acreditavam na sua mudança. Ela tinha que ajudá-lo, e mais que isso, ela QUERIA ajudá-lo.
Incrível como agora, era normal pensar nele de forma carinhosa. Pensar... nele. Por que será que ela nuca conseguia parar de pensar naquele moleque? Fabinho... seu mais novo e inusitado amigo. Como era bom tê-lo por perto, mesmo quando ele estava enchendo a paciência. Como era bom ouvir sua voz, ver seus sorrisos. Ai, como era fácil se perder nesses pensamentos, e inevitável não se embolar com esses sentimentos. Que mundo estranho, mundo, inexplicável e inevitável, em que ela estava espantosamente próxima à Fabinho.
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