Notas iniciais
Olá! Eu quero informar que cada personagem sairá da Caixa um dia após o anterior, por isso pode ser que demore um pouco até que os seus personagens apareçam na fic. Espero que tenham paciência. PS: Sei que esse não é o ritmo de aparecimentos no livro Maze Runner, mas é a melhor maneira que encontrei.

O ambiente era frio e instável, sacolejando e subindo aos arrancos. O silêncio e o escuro prevaleciam no estranho elevador, induzindo a garota ao desespero súbito de se ver presa. Isabelle arfava alto enquanto tocava as paredes frias de metal tentando obter qualquer sustento em algo maciço. Contudo, sua mente ainda a respondia com um vazio interminável quando a garota se perguntava sobre a situação em que estava e aquela ausência de informações e de lembranças fez com que se alarmasse.

–Acho que tem alguém na Caixa. –Uma voz abafada veio do exterior, seguida por passos.

–Isso está subindo de novo. –Outra voz se manifestou do lado de fora, carregada de tensão.

Finalmente o compartimento estacou e ouviu-se mais passos no teto. Alguns grunhidos se seguiram e então uma grande fresta de luz se propagou dentro do elevador, revelando a garota que ainda se aninhava em um dos cantos, receosa. Grandes portas de correr no teto eram abertas à força por duas pessoas até que o espaço era o suficiente para um corpo passar.

–Você está bem? –Um garoto alto e de pele alva indagou enquanto se agachava sobre o elevador. Seus olhos amendoados e castanho-escuros fitavam com intensidade o compartimento, alertas.

Isabelle anuiu com a cabeça. Ela não havia se machucado, afinal, embora sua mente parecesse latejar, repleta de perguntas.

–Jackson, a ajude a sair da Caixa. –Uma garota negra murmurou para o garoto que havia falado mais cedo.

Ele obedeceu, estendendo um braço para dentro do elevador.

Isabelle encarou o gesto com desconfiança, mas ergueu uma mão trêmula para apanhar a do garoto, apoiando os pés nas paredes do compartimento e se içando para cima.

–Meu nome é Isabelle. –A garota gaguejava, o frio do compartimento ainda a assombrando. –É tudo que lembro...

–Eu sei. Tudo bem, Isabelle. –Jackson soltou um sorriso empático, embora os olhos estivessem repletos de tristeza. –Certo, você já deve saber, mas meu nome é Jackson, ou Jack. Você escolhe. –Ele deu de ombros. –Essa é Gabbe –Ele indicou a garota negra.

–Onde estamos? –Isabelle perguntou enquanto se sentava no chão de tijolos cinzentos.

Na sua frente, um grande campo circular se estendia com o mesmo padrão de tijolos, delineado por enormes muros. Céus, eram mesmo enormes. Isabelle não conseguia parar de encarar as construções cinzas e cobertas de hera, que pareciam ser capazes de cobrir o céu e todas as estrelas com seu comprimento.

–Chamamos esse lugar de Clareira. –Gabbe respondeu. –Mas não sabemos muito bem onde isso fica.

–Sabemos pouco mais que você. –Admitiu Jackson, que havia se levantado e agora cruzava o pátio de tijolos, se afastando.

Isabelle quis seguir o garoto e explorar mais o novo ambiente, contudo ainda se sentia desconfortável ao lado daquelas pessoas. Não sabia em quem confiar e o vazio de sua mente a atormentava, embora a garota ainda se lembrasse de coisas conceituais, sendo apenas privada de lembranças de sua vida anterior.

A Clareira se estendia por algumas centenas de metros, ininterrupta. A garota queria apenas achar algum lugar para se isolar o suficiente para poder confrontar suas lembranças, tentando forçar uma informação a vir à tona.

–Você deve estar muito confusa. –Gabbe, que continuava com Isabelle, murmurou após algum tempo. –Eu ainda estou.

Isabelle encarou a garota. Ela tinha longos cabelos cacheados e castanhos que estavam presos em um rabo-de-cavalo, os olhos azul-escuros a encarando fixamente com curiosidade.

Isabelle nem ao menos se recordava de sua própria aparência e perceber isso fez com que se assustasse.

–Quer ir até o casebre? –Gabbe perguntou por fim, amigável.

A garota ficou curiosa sobre o tal casebre, mas balançou a cabeça em negação.

–Não, eu quero ficar sozinha. –Murmurou, a voz oscilante.

–Entendo. –Gabbe respondeu com um sorriso triste.

Ela se ergueu e seguiu Jackson, deixando Isabelle ao lado da Caixa. A garota se sentia incompleta e confusa tentando buscar respostas na própria cabeça, que insistia em latejar com qualquer esforço a mais.

Pensou em retornar à Caixa, mas ainda tinha arrepios sempre que lembrava da sensação de estar sendo içada naquele elevador. Recolheu por fim as pernas, agarrando os joelhos com as mãos até que os nós dos dedos adquirissem um tom avermelhado.

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Jackson estava irritado. Quantos mais os Criadores enviariam, afinal? Ele se lembrava de ter visto algo sobre Campos de Concentração em um passado muito antigo e recordava-se dos conceitos... seria algo como isso? Estava triste pela garota e por toda confusão que vira naqueles olhos verdes e alucinados. Ela parecia ter passado um mês na Caixa a julgar pelo quanto estava pálida e por suas olheiras intensas sob os olhos.

–O que aconteceu? –O colega devia ter reparado na frustração de Jackson, porque o encarava com curiosidade.

–A garota que chegou na Caixa. Você deveria vê-la, está completamente perdida.

–Todos nós estávamos quando chegamos. –O garoto deu de ombros.

–Mas eu nunca tinha visto de outro ângulo que não o meu. –Jackson enrugou a testa.

–Ah, ela vai superar. Estamos aqui, não estamos? E bem até agora. Só com as mentes meio...

–Quebradas. –Gabbe completou adentrando o casebre pela porta precária de madeira. Sua voz era fria e distante.

–Isso. –O outro concordou com um sorriso sem-humor.

–Travis, quando vai ter um pouco de empatia? –Jackson revirou os olhos escuros.

–Os verdugos não tiveram empatia pela Melanie. –O outro grunhiu ao se recordar da garotinha. –Não sobreviveremos de empatia aqui, Jack.

Jackson manteve silêncio. Não havia como discutir com Travis quando o garoto tinha a mente formada em relação a algo e, embora isso irritasse aos outros dois, eles tinham de compreendê-lo. Ele fora o primeiro a chegar ali juntamente com outro garoto e uma menina de doze anos. Infelizmente, era o único que se conservara para estar naquele casebre até os dias atuais e Jackson ainda podia ouvir seus gritos de terror durante as noites se referindo ao que chamava por “verdugos”. Tanto ele quanto Gabbe jamais haviam visto tais criaturas, mas também não esperavam por isso. As descrições de Travis eram o suficiente para fazê-los terem pesadelos com a simples menção do nome verdugo.

Foi quando a novata entrou no casebre, os cabelos loiros e lisos uma confusão emaranhada. Seus olhos verdes estavam levemente mais calmos, embora ainda conservassem algo da loucura inicial.

–Oi. –Ela murmurou, a voz ainda trêmula.

–Olá. –Jackson acenou.

–E aí, fedelha? –Travis deu um sorriso torto e convencido.

Ela estreitou os olhos para o garoto, irritada.

–Me chama de Isabelle.

–Não me importa qual é o seu nome, fedelha.

A garota grunhiu e encarou o ambiente ao redor: Um casebre rústico com algumas tábuas do assoalho faltando. Tudo parecia prestes a cair sobre a cabeça dos jovens e cada segundo em pé era mais do que Isabelle esperava da construção. A única decoração do lugar era um retrato em preto-e-branco que ficava sobre a precária escadaria e que ilustrava uma mulher já com idade avançada, os olhos gentis encarando todos no cômodo. Por algum motivo, o retrato dava calafrios em Isabelle.

–Sinto interromper a conversa, mas já está entardecendo, Travis. –Gabbe falou, os olhos repentinamente arregalados enquanto ela encarava uma janela.

–Mértila. Aquele garoto é mesmo um trolho... –O garoto se adiantou para seguir o olhar de Gabbe, para os muros.

Isabelle franziu o cenho ao ouvir as palavras desconhecidas e Jackson lhe deu um sorriso amigável.

–Você se acostuma. –Murmurou, mas seu semblante ainda denunciava preocupação.

–Se ele não voltar... –Travis começou a se adiantar para a Clareira, deixando o casebre.

–Tem mais pessoas aqui? –A novata perguntou encarando Jackson.

–Só mais um garoto.

Foi quando o barulho começou. Era ensurdecedor, como se milhares de blocos se esfregassem uns contra os outros. Isabelle levou as mãos até os ouvidos institivamente, se adiantando para a janela a fim de ver o que acontecia. Ó céus. Ela sentiu a boca abrir em um baque surdo enquanto encarava um muro e seu movimento impossível... Aquilo não podia estar acontecendo.

–Mértila! –Gabbe gritou, irada. –Ele não vai conseguir voltar.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Os reviews são indispensáveis para os que elaboraram personagens, quero saber se estão satisfeitos. E o ritmo de mortes talvez também tenha uma relação com o número de comentários, afinal aqueles que se comprometeram com a fic tem de se fazer presentes u.u Beijos, Dê