Novos Experimentos INTERATIVA
6 Fascy & Clarissie
Notas iniciais
–Pegue um tomate, Jackson. –Pediu Isabelle enquanto lavava as mãos, o semblante animado.
O garoto apanhou a fruta em um cesto, a arremessando para a outra.
–O que estamos preparando? –Alice perguntou, sentada em cima de uma bancada de madeira. Seus longos cabelos escuros estavam armados em um coque alto e bagunçado, algumas mechas lhe caindo sobre os olhos.
–Ah, nada demais. Pensei que poderíamos fazer um bife com extrato de tomate. –Isabelle deu de ombros.
Jackson subitamente abraçou a garota por trás, um sorriso largo no rosto alvo. Ela corou com violência, a boca se abrindo automaticamente.
–Cara, faz muito tempo desde que não temos comida de verdade! –Ele a soltou, mas seus olhos escuros ainda a fitavam com uma animação quase infantil.
Isabelle o encarou perplexa. Suas mãos haviam parado no ato de cortar tomates e Alice cobria a boca, segurando um risinho.
–Não é nada demais. –A loira murmurou forçando um sorriso.
Jackson tombou a cabeça, girando o corpo repentinamente.
–Vou buscar a carne no sangradouro antes que você mude de ideia. –E, dizendo isso, saiu em direção à porta da frente.
Assim que o barulho dos passos do garoto se silenciou, Alice bateu de leve no ombro da outra, um sorriso torto esboçado no rosto.
–Você está mais vermelha do que os tomates. –Ela indicou a fruta que Isabelle ainda cortava.
–Ah, me dê um tempo. –A garota resmungou, mas ria.
–Ele é fofo, mas não é meu tipo. –A morena divagava, o olhar subitamente perdido.
–Qual é o seu tipo?
Alice sorriu balançando a cabeça, divertida.
–Sei lá... Eu não estou pensando muito nisso, essa situação aqui me preocupa mais. –Ela fechou a cara repentinamente ao se lembrar de onde estavam, mas não se recordar do porquê.
Isabelle apenas anuiu silenciosamente, recomeçando seu trabalho com os tomates.
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A mesa de jantar estava mais cheia do que nunca quando os garotos chegaram carregando as bandejas repletas de comida. Gabbe e Travis haviam se aninhado em uma das pontas para dar espaço aos novatos e lugares para os que cozinhavam, não que a proximidade dos dois fosse algo inédito.
–Esse cheiro... me digam que eu estou no céu. –Travis sorriu fechando os olhos assim que o bife se aproximou.
Isabelle sorriu orgulhosa enquanto dispunha o prato principal no centro da mesa, se sentando na borda vaga.
–Hum, nós devemos apenas ignorar a nossa falta de memória e comer como se tudo estivesse certo? –Aurora perguntou repentinamente, os olhos escuros fixos no bife.
–Vocês podem escolher ficar se remoendo apenas com as mentes vazias ou também optar pelo estômago vazio. –Travis deu de ombros enquanto escolhia sua parcela de carne.
A garota suspirou, se rendendo e tirando um pedaço para si.
O jantar foi pontuado por exclamações de deleite e por agradecimentos. Jackson era o maior fã da refeição, elogiando Isabelle a cada garfada e sorrindo como uma criança na manhã de Natal. A noite já havia há muito tingido o céu de negro, algumas poucas estrelas cintilando sobre os jovens, e fora preciso que Gabbe e Travis saíssem para procurar por tochas e lampiões para iluminar o quintal.
Arthur foi o primeiro a deixar o grupo, se erguendo repentinamente de seu assento.
Ele se afastou de toda aquela conversa, a cabeça ainda zumbindo com uma enxaqueca forte quando entrou no casebre. As vigas de madeira eram iluminadas por uma lâmpada solitária e o garoto teve de fazer muito esforço para não sair correndo dali assim que viu o estado deplorável da construção sobre sua cabeça.
Alice entrou na choça após alguns segundos, o rosto sonolento. Ao ver Arthur parado nos pés da escadaria, sentiu um sorriso aflorar no canto dos lábios.
–Está com medo, fedelho? –Ela ficou surpresa ao se pegar usando aquela palavra, mas gostou.
Arthur balançou a cabeça veemente, acabando de perceber a presença da garota.
–Só acho que isso pode cair.
Alice riu, passando pelo garoto para ir até o primeiro degrau, que rangeu sob seu peso.
–Vamos, não acredito que vou chegar lá primeiro.
–Isso obviamente não aguenta o peso de duas pessoas. –Arthur a encarou como se a garota fosse estúpida.
–Que se dane. –Ela sorriu, arteira.
Alice começou uma corrida frenética pelos degraus. O outro pareceu ser movido pelo desafio, os pés trabalhando mais rápido do que a mente quando a seguiu, investindo tudo o que podia para alcança-la. Os degraus rangiam com violência, protestando a cada pisada, mas aquilo não impediu que continuassem sua corrida.
Chegaram ao segundo piso colados e espremendo-se após o último degrau. A garota ria alto, atravessando o quarto para ir buscar um saco de dormir.
–Boa, corredor. –Falou assim que estendeu seu leito no chão.
O cômodo onde estavam era banhado pela luz singela de uma lâmpada amarelada e pelo luar que entrava pela janela. Uma brisa noturna e refrescante os envolvia, para alívio de ambos que estavam com os corpos quentes após a corrida.
–E aí, deu certo? –Alice murmurou após alguns instantes silenciosos.
Arthur havia apanhado um saco de dormir para si e agora observava a garota, surpreso.
–O que, exatamente?
–Eu te fiz esquecer dessa situação toda por algum tempo? –Ela sorriu.
O garoto soltou uma risada rouca, desabando ao lado de Alice.
–Bom trabalho.
–Eu só pensei que... Sua cabeça deve estar explodindo. Todo mundo trata vocês como se nada estivesse acontecendo, não foi bem assim quando cheguei.
Arthur a encarou, os olhos escuros pensativos.
–Sim, é bem frustrante, mas eu sei que vocês também não sabem de muita coisa. –Ele deu de ombros. –O Travis me contou enquanto esperávamos vocês preparem a comida.
Alice o encarou com um misto de pena e entendimento. O garoto parecia estar profundamente perturbado, os músculos rígidos e o olhar distante praticamente pedindo para que ela lhe desse algum tempo, então ela o fez.
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A Casa dos Mapas não era um lugar muito receptivo. A construção era tão arcaica que qualquer um pensaria que os próprios Clareanos a elaboraram, embora já estivesse lá quando o primeiro deles saiu da Caixa. O ar era úmido e fresco lá dentro por estar localizada na área do bosque, a iluminação forte se infiltrando pelas frágeis vigas de madeira clara.
–Tenho esperança que consigamos algo nessa área. –Jackson apontou para um dos esquemas do Labirinto.
–Área 7? Interessante. –Travis deu um sorriso sem-humor ao apanhar o mapa da mão do companheiro.
–Por que diz isso?
–Foi onde a Melanie estava quando o verdugo surgiu. Bom, imagino que isso até faça mais sentido se essas bestas estiverem guardando a saída. –Ele deu de ombros, apanhando um dos pincéis e marcando o número da área com verde.
Jackson sentiu arrepios, como sempre fazia quando o nome “verdugo” era citado.
–Acha que eles ficam por lá?
–Eles ficam em todo lugar, Jack. –Ele subiu em uma bancada, atirando os tênis que usava para longe.
O outro suspirou profundamente antes de apanhar um papel a fim de gravar o novo percurso que haviam feito. A cada final de dia, voltavam à Casa dos Mapas para marcar seu trajeto no Labirinto, comparando-o com os dias anteriores. Já haviam comprovado que o Labirinto se movia pela noite e, no momento, o maior medo dos garotos era o de que todo o seu trabalho tentando decorar caminhos fosse em vão com as constantes mudanças na estrutura do Labirinto, mas tinham de continuar tentando até ter certeza de algo.
–Acha que a Caixa já chegou? –Travis perguntou repousando um lápis em frente aos lábios, pensativo.
–Acho que sim. –Jackson deu de ombros, indiferente, sem tirar os olhos do Mapa que marcava.
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–Eu não aguento mais isso. –Aurora urrou assim que o arado lhe escapou da mão pela terceira vez, atingindo seu pé.
–Relaxa, as coisas ficam melhores. –Gabbe tentou acalmá-la, um sorriso simpático nos lábios fartos.
–Eu não quero que as coisas fiquem melhores. –Ela bufou, inquieta. –Odeio esse trabalho e odeio ter que ficar aqui, fingindo que está tudo bem quando não sabemos de nada!
–Se tiver alguma sugestão para darmos o fora daqui, estamos todos ouvindo. –Isabelle murmurou, prendendo os brilhantes cabelos loiros embaixo do chapéu.
–Tá, tanto faz, gente. Discutir não ajuda em nada. –Alice murmurou, o olhar distante. –Acho que já está na hora da Caixa subir.
Arthur a encarou, curioso.
–Ela sobe todos os dias?
A garota anuiu com a cabeça antes de caminhar até o elevador, sendo seguida por Gabbe. Ela tinha razão, a julgar pelo barulho mecânico que se propagava da Caixa, mas não podiam notar a comum respiração ofegante dos novatos lá dentro.
Apenas quando o elevador estacou se pôde ouvir algum movimento lá dentro e, em seguida, punhos batendo no teto da Caixa. Gabbe se adiantou para uma das portas, a empurrando, e Arthur se aproximou para abrir a outra.
Um feixe de luz cruzou o elevador, exibindo duas garotas que estavam em pé. Uma delas tinha cabelos loiros e lisos, algumas ondas se destacando aqui e ali. Seus olhos eram claros e verdes, praticamente reluzindo na penumbra relativa da Caixa, e pareciam analisar tudo ao seu redor, se prendendo aos diversos detalhes daqueles novos rostos.
A outra tinha cabelos castanhos avermelhados e parecia mais assustada. Seus lábios rosados estavam entreabertos e os olhos escuros estreitados, ainda se adaptando à nova claridade. A pele alva e coberta por sardas parecia não ver o Sol há um século quando ela estendeu a mão para fora da Caixa em um pedido silencioso por ajuda.
Gabbe apanhou a mão da garota, a erguendo juntamente com Arthur.
–Seu nome, fedelha. –Pediu a morena.
–Clarissie. –A voz da novata era rouca e baixa.
–Bom, eu sou a Gabbe. E esse é o Arthur. –Ela indicou o garoto, que acenou com a cabeça. –Ele era o fedelho até você chegar.
Isabelle e Aurora haviam ajudado a garota loira a deixar a Caixa, agora repetindo o mesmo interrogatório que Gabbe fazia. Seu nome era Fascy e ela não conseguia desgrudar os olhos dos grandes muros do Labirinto desde que colocara os pés na Clareira.
–Sejam bem-vindas. –Gabbe soltou um gritinho de animação. –Mais ajuda na colheita!
Isabelle e Alice se entreolharam, revirando os olhos em seguida. Aurora bufou alto e Arthur encarou o chão, desanimado. As novatas espiavam a reação de todos, atônitas.
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