Novo começo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O som dos flashes fotográficos já funcionavam mais como ruídos brancos no fundo de um filme que muitas vezes ela assistirá, agora pela primeira vez protagoniza. Na manhã de sete de março de 2020, a companhia big hit foi interditada, mediante a investigações a cerca de fraude e lavagem de dinheiro, tendo como destaque seus grupos multimilionários musicais como as principais fachadas, não se sabe até onde vai o conhecimento dos artistas a respeito das atividades ilícitas. Os grupos maiores estão lidando bem, os menores nem tanto, mas no geral a carreira musical de todos foi posta em espera, até o fim das investigações.
Seis meses depois.
SinB amassava a mão contra o celular na cabeceira, desativando o despertador, enfiando os pés em meias confortáveis, preenchia a tigela de cereal fitando a TV. Ao lado dela, Park-Soojo, amiga de infância que começou a dividir um apartamento com ela, os imóveis naquela região de Seoul só subiam alarmantemente os preços e SinB se encontrava no limite de suas finanças pessoais, salvas ao longo da carreira, contratualmente SinB ainda era pertencente a Big Hit e nao podia tentar fechar algo com outra empresa, não que alguma outra empresa fosse querer contratar uma cantora envolvida com escândalos de fraude, sendo sua culpa ou não.
— É hoje o grande dia? — Perguntava a menina enquanto bocejava trocando de canal.
— Ja pensou se elas vão reagir bem? Porque assim, tem muito tempo e vocês mal conseguiram manter contato, as vezes a relação de vocês é mais próxima na sua cabeça.
— Pelo amor de deus cala a boca, você combinou de me APOIAR, a gente não manteve contato porque foi o que os advogados pediram pra gente fazer, se encontrar e fica trocando mensagens assim, iam achar que sei lá estamos tramando algo.
— E vocês iriam estar? — Retrucou Park-Soojo com um sorriso malicioso.
SinB se erguia recolhendo sua tijela suja para ir lavar, enquanto mantinha a colher na boca falando de boca cheia. — Se estivéssemos eu com certeza nao iria estar morando nesse chiqueiro contigo.
O apartamento era algo que coexistiam numa linha tênue entre bagunçado-confortável e bagunçado-insuportável, o acúmulo de coisas questionaria se quem morasse ali era uma pessoa muito apegada sentimentalmente a certos tipos de objetos, e a verdade era que ambas possuíam problemas em deixar as coisas irem embora, SinB principalmente, depois do banho se fitando no espelho, apertando os dedos contra e pele, sentindo não ser mais a mesma dos seus dias de integrante de um dos Girlgroups mais respeitados da Coreia, e para surpresa de qualquer um, menos si mesma, ela sorriu para o espelho. Seguindo de se vestir, afundar os pés no sapato velho e enfiar todos os papéis que encontrava pela frente, junto de seu Ipad, na mochila, SinB partia atrás de algo. Traz comida na volta SinBzinha. — Suplicava Park-Soojo fazendo beicinho espreguiçada no sofá. Vou tentar amor, até mais tarde, me deseja sorte!
O Sorriso e otimismo de SinB viraram quando ela se deparou com a chuva inacreditável que começará a cair no instante que ela pisará para fora do apartamento. A cidade possuía cor mesmo quando se tornava cinza, não como esses locais que muitos dizem que a cor do lugar é seu povo, Seoul não possuia nada disso, seu povo era em sua enorme maioria, nojento, toda sua cor e beleza era vinda de como no fundo, cada aspecto da Coreia respirava arte, resistindo os séculos e os ataques, os medos e as dúvidas, o racismo e as incertezas, é em arte que a arquitetura se manteve clássica, mas nunca negando evolução, é em arte onde a música conquistou além dos mares, tomando de assalto o ocidente sem esquecer que vieram do oriente. E é assim que SinB podia pôr um sorriso no rosto de novo, abrindo seu guarda-chuva e vagando de instante a instante pelas ruas, com as mascará erguida no rosto, não pelo Corona Virus mas só para evitar de ser reconhecida, e perturbada.
No coração da cidade uma estrutura chamativa se iluminava inteira, era dia de evento na grande SM e SinB tinha alguém que queria encontrar ali. As meninas se espalharam após a tragédia, algumas conseguiram coisas melhores que a outra, felizmente no contrato delas com a Big hit, havia uma brecha jurídica que a SM foi capaz de explorar para agregar Eunha para a família, como modelo apenas, e lá ela se encontrava, posando para fotos mantendo um sorriso no rosto maior do que costumeiramente fora vista antes, por quem a conhece de verdade, como SinB conhece. Batendo palma do meio fio SinB, sorria através da mascará para a antiga amiga, que sensualizava em um vestido rosa colado, ela mal parecia conseguir respirar ali, não custou muito para reconhecer a visitante do passado.
Eunha pediu cinco minutos para o fotógrafo, deslizo os dedos um para cada lado no rosto tirando a franja um pouco, e desceu ansiosa as escadas até SinB acelerando o passo, até não conter mais correndo e abraçando-a. Houve um choque de reações químicas e biológicas, além das compreensíveis pelo homem, os braços magros dela cerrando a cintura larga da outra, as bochechas rosadas e quentes de maquiagem e iluminação se chocando contra as nuas e geladas da outra, por conta da chuva. Existiu choro, e ninguém sabe dizer por quais sensações exatamente, tais reações, vieram a tona, só foi visto uma fitando o rosto da outra, tocando a pele da outra, trocando sorrisos feito bobas com o coração cheio e a barriga atribulada, queriam perguntar coisas mas não queriam arriscar arruinar aquela expressão no rosto da outra, se o fotógrafo estivesse atento ele teria sido capaz de capturar pela primeira vez em camera, a forma mais pura e nobre de amor, entre duas pessoas que não fazem ideia de como viveram tanto tempo distante uma da outra, pois a sensação é de que só uma hora já viria a ser fatal.
Parece que SinB esqueceu como era o tom de voz da amiga, demonstrou surpresa com a doçura que escava pelos lábios dela, fazendo uma pergunta que carregava muito mais, não era o Que você ta fazendo aqui só, era por que não veio antes? Por que nao me ligou? Era, você ainda me ama?
— Sim. — Respondia a SinB, para a pergunta que só foi feita em sua cabeça, juntou a testa com a da amiga e segurou sua mão firme tirando-a de sua cintura. — Eu tenho algo pra gente, preciso de você e das meninas.
Eunha parecia confusa mas disposta a qualquer coisa pra passar mais tempo que seja próxima da SinB, sorriu com tamanha verdade e concordou, saindo andando com ela, ouvindo só o fotógrafo aos berros reparando que ela havia abandonado o ensaio fotográfico no meio.
Fale com o autor