Novo Velho Mundo
12 Brigas
Notas iniciais
POV’s Maison
─Mãe, Sra. Pepper, as duas poderiam nos dar licença? Eu queria conversar com a minha amiga aqui.
Matt começou ainda com um sorrisinho no rosto. Eu já estava começando a ficar nervosa com a situação. Matthew não sabia do meu lado “agente secreto” e a Sra. Pepper não tinha ideia de que eu o conhecia. Estou ferrada.
─Que coincidência, eu não sabia que vocês se conheciam. ─ Pepper disse alternando o olhar entre eu e Matt.
─Nós... nos conhecemos há pouco tempo. ─ Falei tentando parecer calma.
─ Isso! ─ Matt disse passando o braço pelos meus ombros num meio abraço ─ agora temos que ir, tchau mãe.
─Matthew! ─ Minerva exclamou num tom de voz firme
Eu me sentia uma intrusa naquele momento. Matt fechou os olhos com força como se esperasse que a mãe fosse lhe dar uma bronca (O que parecia estar prestes a acontecer), mas ele apenas suspirou e esperou que a mãe continuasse.
─Já está ficando tarde e você não me disse que iria sair. ─ Ela falava de um jeito intimidador, mas com uma pontada de preocupação.
─Eu não tenho que reportar tudo para você, Comandante. ─ ele respondeu meio irônico
Eu e Sra. Pepper assistíamos a discussão como se estivéssemos vendo um filme. Eu posso nunca ter tido uma mãe, mas sei como é estar em uma discussão dessas e ainda por cima com telespectadores. É humilhante.
─Sim, você tem! Você sabe que...
Ela se conteve como se estivesse guardando algum segredo. Interessante. Mas no fim a mulher apenas passou as mãos pelos cabelos castanhos e disse.
─Tudo bem, apenas esteja em casa logo.
Ela deu as costas para a gente e foi embora acompanhada pela Sra. Pepper. Ficamos paralisados por um instante tentando entender o que havia acontecido, mas eu tinha a pequena impressão que Matt já sabia.
─Vamos. ─ ele falou virando-se na direção contraria.
Caminhamos até chegar a uma praça onde alguns adolescentes jogavam soccer, o que me deixou com um pouco de saudades da escola onde eu era líder do time.
─Por onde você quer começar? ─ Matt falou sentando-se em um banco atrás de mim
─O que você quer saber primeiro?
─Não sei olho amarelo, que tal pela parte do homem virando cão. É um bom começo.
Eu suspirei dando um leve sorriso. Por mais que ele fosse meio irritante eu não queria assusta-lo, virar seu mundo de cabeça para baixo.
─Acredita em deus? ─ perguntei olhando em seus olhos.
─Você está perguntando isso para o filho de uma cristã que passa praticamente todos os dias na igreja? ─ ele respondeu arqueando uma das sobrancelhas ─ Sim, não sei se ele liga para a gente, mas eu acredito que ele exista.
─E anjos?
Ele engoliu em seco e passou a olhar para frente ─ Sim.
A reação dele me surpreendeu, mas decidi ignorar e continuar.
─Se eu dissesse que anjos podem andar entre nós, que parecem humanos, mas só na aparência mesmo ─ sorri lembrando-me de Castiel ─ São ferozes, sem emoção e lindo... ─ ele me encarou achando graça ─ Okay, risca essa última parte, mas em fim, eles são reais assim como varias criaturas sobrenaturais que você conheça.
Ele parecia assustado, mas eu notei um pouco de entusiasmo no rosto dele.
─ Você quer dizer como naqueles livros, aquele dos irmãos marombados que caçam monstros enquanto falam sobre seus sentimentos?
─ Exatamente! ─ falei contendo o riso. fiquei imaginando a reação do Dean ouvindo isso.
Matt apenas ficou me encarando com a boca entreaberta como se tivesse levado um tapa.
─ Não vai dizer nada? ─ perguntei inclinando a cabeça para a esquerda.
─Dizer o que? Acabei de saber que monstros são reais! ─ ele falou balançando os braços ─ Eu brinquei do jogo do copo quando eu tinha dez anos, eu posso ter vendido minha alma para o diabo sem saber!
Tudo bem, agora o desespero dele chegava a ser engraçado.
─ Fala sério, você não vendeu a sua alma... eu acho. Enfim, aquele cão/homem estava atrás de mim então...
Ele me encarou como se eu fosse um problema de matemática. ─Por que?
─ Nem eu sei ao certo. Só sei que uns anjos idiotas o mandaram para me pegar, eles querem alguma coisa e acham que eu estou com ela.
Matt não mudou de expressão apenas cerrou os punhos com força.
Ele estava prestes a dizer algo quando uma bola branca atingiu o banco parando bem ao seu lado.
─Hey! Joga pra cá! ─ Um dos rapazes gritou
Ele era bonito, tinha vários músculos e seu cabelo loiro tinha um corte bem curto. Matthew pegou a bola e jogou em sua direção, mas de alguma maneira ele chutou com tanta força que a bola foi parar em cima de uma árvore do outro lado do campo em que estavam jogando.
─ Mandou bem, Messi. ─ falei sarcástica
Ele não respondeu, apenas engoliu em seco e esperou a reação dos garotos que vinham em nossa direção. O rapaz loiro parecia exageradamente furioso.
─Aquela ─ ele falou segurando a gola de Matt, que parecia calcular suas chances contra o loiro. ─ Era uma bola autografada!
“Que tipo de idiota joga com uma bola autografada?” pensei. Mas até que estava ficando animada com a situação. Fazia tempo que eu não arrumava uma briga com gente normal. Havia mais três caras além do loirinho, será que...
─Rapazes ─ falei ficando entre Matt e o loiro ─ Vamos resolver isso como adultos.
─Fica fora disso, gatinha.
Antes que alguém pudesse evitar, eu dei uma cabeçada forte em seu rosto fazendo com que ele caísse no chão.
─Eu não gosto que me chamem assim.
Os três rapazes foram ajudar o outro que continuava caído. Enquanto isso, eu puxei Matt pelo braço fugindo dali o mais rápido possível. Nós paramos ofegantes perto de um beco. Depois de recuperar o fôlego eu comecei a rir e Matt apenas ficou olhando.
─ Por que eu sinto que vou viver menos ficando perto de você, olho amarelo?
─ Talvez seja verdade ─ falei entre risos ─ mas quem nunca quis dar uma lição no valentão da escola?
─Não vou nem responder ─ Ele riu junto comigo mas parou observando o céu ─ Melhor eu ir já vai anoitecer.
Nos despedimos e fomos em direção opostas. Minha moto ainda estava em frente à igreja que por sorte não era longe. Eu já estava na metade do caminho quando por distração acabei esbarrando em um homem que vinha em minha direção.
─Foi mau...
Quando olhei para o seu rosto percebi que tinha esbarrado em um Dean Winchester bem ranzinza.
─ Já te disse ─ comecei ─ Que seus olhos ficam lindos ao pôr do sol?
─Nem precisava dizer.
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POV’s Sam
Maison pode ter saído por vinte minutos mas para Dean foi como uma semana, ele não parava de reclamar.
─Dean, eu não morri! Relaxa.
─Relaxar? Como eu posso relaxar se você volta e meia tenta cometer suicídio!
Ele tinha razão. Por mais que houvesse passado apenas alguns minutos Maison estava sendo perseguida, poderia ter acontecido algo irreversível. Mas me recuso pensar nessa possibilidade.
─ Eu estou armada e sei me cuidar.
─Como assim armada? ─ perguntei
Ela bufou ─ Peguei algumas coisas do Impala.
─ Mexeu no meu carro! ─ Dean gritou
Dean parecia que ia explodir então por precaução fiquei do seu lado.
─ Só no porta-malas. Eu precisava me proteger.
─ Tipo, como protege seu celular.
Droga.
─Como assim meu... ─ Maison começou a tatear os bolsos da calça ─ Você pegou meu celular!
Dean balançou o aparelho com uma das mãos. Eles começaram uma discussão que parecia ser interminável. Até que intervi.
─Chega! Vocês parecem duas crianças! Dean dá o telefone para ela e Maison dê as armas para o Dean.
Ambos fizeram cara feia mas devolveram as coisas.
─ Eu quis dizer todas as armas.
Ela revirou os olhos e entregou um revolver para mim.
─ O Colt? Sério? ─ perguntei
Mas ela apenas deu de ombros. Ficamos um tempo assim, sem falar nada, até que Maison quebrou o silêncio.
─Quer saber eu vou para o meu quarto. O dia foi longo e eu preciso de um cochilo.
Ela já estava adentrando no corredor do bunker quando Dean resmungou baixo.
─É, vai lar sonhar com seu namoradinho.
Maison parou.
─ Namoradinho? ─ Maison perguntou sem olhar para trás.
─É, o Derek. ─Dean falou ignorando sua reação
“Maison tem namorado?” pensei “Como Dean sabe o nome dele?”
─ O-onde ouviu esse nome? ─ Ela perguntou como se tivesse lido meus pensamentos
Ela ainda não havia se virado, mas parecia tensa.
─ Uh... outro dia, eu estava passando pelo seu quarto a noite e ouvi você resmungar esse nome enquanto dormia ─ eu não parava de encara-lo ─ Derek, Derek, Dere-
Antes que eu pudesse impedir, Maison desferiu um soco na boca de Dean.
─Não diga o nome dele! Você não tem o direito de dizer esse nome! ─ Eu a segurei pelas costas enquanto a mesma gritava ─ Não diga o nome dele!
Dean apenas a encarava assustado tampando a boca com a mão, o soco foi forte.
─ Maison, calma! ─ Falei ainda segurando-a
Depois de um tempo ela finalmente se acalmou e eu a soltei. Dean estava com o lábio sangrando, mas ela não pareceu notar apenas se virou e foi embora para o seu quarto.
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