Novo Recomeço

11 Sacríficio de Outono


Notas iniciais
Oeee! Onegai me perdoem por não ter postado na semana passada! O pc atrofiou e não pude escrever o capítulo ;-; Por isso só atualizei as outras fanfics… Bom espero que gostem, digamos que estes capítulos agora vão ser meio depressivos mas logo vão perceber o porquê eheh. Boa leitura*

"Olhei ao redor e só pude ver uma enorme cabeleira laranja muito familiar ao longe, se afastando aos poucos entre as enormes dunas de areia. Aquela mulher... havia me curado? Mas como? Por quê? Agora não importava, eu já estava bem, eu estava vivo e continuaria sozinho como sempre fui!

Solidão.

Quando a sensação de solidão me veio a mente, uma pontada forte abateu meu peito, como se algo estivesse se comprimindo dentro dele. Levei novamente a mão ao buraco em meu peito. O quê foi isso? É isso que os humanos dizem que sentem quando estão a beira da solidão? É isso que chamam de tristeza?

Por quê isso agora? Como isso foi acontecer... logo comigo?"

(Horizontes de Debby Chan, Capítulo Único)

Na natureza, cada estação do ano ocasiona mensagens e convites específicos. No entanto, muitas vezes os humanos não conseguem enxergar esses sinais porque insistem em achar que não são parte integrante do meio ambiente. Cada estação do ano os convida a novas posturas e lhes oferece uma série de aprendizagens para a vida. O outono, é uma época especialmente recheada de significados que podem enriquecer suas percepções. Esse período chega logo após o verão, aquela estação de tempo quente, aberto, de plena luz e em que nossos movimentos tendem para o mundo externo. Não é à toa que para chegar a uma estação intermediária precisam das "águas de Março", uma chuvinha persistente que vai resfriando o tempo aos poucos.

O outono é uma época de transição entre os extremos de temperatura verão-inverno. Qual é a principal imagem que vem à mente quando se pensa nesta estação? É bastante provável que a maioria das pessoas responda a essa pergunta lembrando da clássica imagem das árvores perdendo suas folhas. Mas por que tem de acontecer essa perda? Se as árvores não as deixassem ir, não sobreviveriam à próxima estação. As folhas se queimariam com o frio do inverno e, assim, os ciclos de respiração da árvore se findariam bruscamente, o que resultaria no fim da vida. A natureza revela mais uma vez a beleza de sua sabedoria: é preciso entrega, é preciso deixar ir o que não serve mais, para proteger o que é mais importante.

O que a princípio pode parecer uma perda é na verdade um ganho: ela ganha mais tempo de vida, e chega renovada às próximas estações.

– Como ela está Yourichi-san?

– Fora de perigo, consegui estancar seu ferimento… Mas vai deixar sequelas.

– Não te culpes, fixes-te o que podias.

– Mas não foi o suficiente! Kisuke, como achas que ele vai reagir?

– É imprevisível… Quem diria que o quarto espada se apegaria tanto a uma humana, principalmente aquela que ele teve de raptar.

– Melhor sairmos para ele ficar mais à vontade com ela.

Urahara, acompanhado de Yourichi, dirigiu-se à porta que ao abri-la depara-se com o espada encostado na parede, com uma expressão indescritível. Não foi preciso os shinigamis falarem para Ulquiorra perceber que o estado da ruiva melhorou. Sem se pronunciar, o arrankar passou por eles e indo ter com Orihime que repousava.

O quarto era iluminado pela lua minguante. Ulquiorra com a sua mão, subtilmente, remexia nos cabelos ruivos. Porém como se recebesse uma descarga eléctrica, afastou sua mão bruscamente.

Era culpa dele.

Orihime estava naquele estado delicado porque ele a envolveu em seus assuntos. Ele estava demasiado ligado a ela. Ele fantasiou como ela. Ele não era um humano para perder-se em devaneios e sentimentos humanos, ele era um arrankar. Era solitário, era um ser morto.

Quem observasse Ulquiorra parecia que este encarava o sono profundo da mulher sereno. Mas ele, interiormente, encontrava-se num antagonismo perturbador. Uma luta entre o dever e o querer. Entre o certo e o alucinante.

Um murmúrio captou a atenção do espada, assistindo a mulher acordar preguiçosa. Ao encará-lo ela sorriu, como se não tivesse estado perto da morte uns minutos antes. A humana ergueu seu tronco desajeitadamente devido ao machucado, apoiando-se no ombro do espada para se assentar.

Indelicado, como se repudiasse seu toque, Ulquiorra afastou a mão dela de si refugiando-se perto da janela, longe da ruiva. Orihime perdeu seu equilíbrio desabando novamente na cama, engolindo um gemido de dor em sua garganta. Encarou incrédula para ele, constatando que ele estava deveras furioso.

– Ulqui-kun… Eu sei que estás chateado mas eu tive de ir, eu tinha que te ajudar e…

– Não digas disparates mulher. Eu não preciso da ajuda de um humano inútil, nem sabes te defender a ti própria, o que poderias fazer por mim?

A resposta de Ulquiorra foi uma lâmina que trespassou o peito de Inoue. Suas palavras eram impiedosas. O espada sabia que a estava a magoar, esse era o seu objectivo.

– Porque dizes essas coisas?

– O que pretendias que eu te dissesse? Eu não sou Kurosaki Ichigo para te consolar, mulher.

Foi golpe baixo, o moreno sabia disso. Sentiu-se um monstro, que deveras era, ao ver os olhos acinzentados começarem a lacrimejar. Seus lábios entreabertos, surpresa com as suas palavras. Ela inclinou a cabeça encarando suas mãos em seu colo.

Ele não devia ter sido tão rude mas era necessário. Ela não se podia envolver no mesmo mundo a que ele estava preso. Ela não podia corromper sua alma pura por causa dele. Era necessário sacrificar sua vontade pelo bem dela.

Inoue permanecia em silêncio, enquanto as lágrimas deslizavam por sua face avermelhada. Ulquiorra ia sair quando ela arranjou coragem para voltar a falar.

– Tu não vais voltar.

Não era uma pergunta. Ele olhou por cima do ombro e a viu na mesma posição, com um sorriso triste desenhado em sua face.

– Porque tem de ser assim?

– Eu não pertenço a este mundo.

– Por favor, não vás.

– Nada do que digas mudará a realidade, mulher.

Orihime ignorou a dor de seus machucados, levantando-se bruscamente, abraçando as costas de Ulquiorra. Ela enterrou seu rosto nas vestes brancas, procurando consolo, quando suas mãos apertavam o tecido perto da zona do peito do espada. Como se aquele toque o demovesse, que ele ficasse ao lado dela. Como se suas mãos frágeis pudessem impedir que ele de facto se mexesse.

O arrankar ficou abalado pelo toque inesperado, mesmo não o demonstrando. Ele queria ficar mais tempo, mas sabia que não seria capaz de partir se não fosse naquele exacto momento. Atencioso, segurou nas mãos da humana, quebrando o abraço, voltando a olhar para ela.

– Adeus, mulher.

Cauteloso, beijou a testa de Orihime demoradamente. Desaparecendo em seguida.

A ruiva desmoronou sob os seus joelhos, cruzando os braços sob o peito, querendo confortar-se do buraco que se abrira em seu peito. Sentiu quando braços pequenos a abraçaram, e que ela prontamente correspondeu ao gesto, mesmo não sabendo a quem pertenciam, simplesmente precisava daquele carinho.

– Ela deve estar inconsolável…

– Melhor a deixarmos sozinha para processar a informação.

– Compreendo a atitude de Ulquiorra mas temo que isso possa acabar mal Kisuke, e se ela não superar?

– Teremos de invadir Las Noches e sequestrar um certo espada para resolver os estragos que causou.

Yourichi sorriu divertida com o comentário do lojista. Para o ex shinigami tudo parecia simples… Talvez de facto o fosse, mas eles sempre davam um jeito de complicar tudo. A felina bebeu seu chá, vislumbrando a lua. Onde poucos segundos antes Ulquiorra desapareceu pela calada da noite.

Orihime acabou por adormecer nos braços desconhecidos, enquanto o seu portador acariciava os cabelos dela como Ulquiorra fazia anteriormente.

– Vou cuidar de ti, okaa-san.

A Lua Minguante ficou oculta pelas nuvens, solitária e incompleta. Representando o declínio, a morte que antecede a nova vida... O início dos obstáculos.

Notas finais
Bom até à próxima semana (se o meu computador me permitir). Obrigada por lerem, e muitos beijinhos. Jya née!