Novo Recomeço

13 Memórias do Passado


Notas iniciais
Oláa! Como prometido: o segundo de hoje eheheh ^^ Boa leitura*

«“Você... Por que você vem todos os dias?”

A ruiva prendeu a respiração, surpresa com a pergunta inesperada. Era a primeira vez que ele falava com ela.

“Eu estou esperando por alguém...”

Então ele virou o rosto para encará-la e Orihime pensou ter visto um traço de curiosidade naquela expressão apática dele. Ele era exatamente como fora, quando deixado em Las Noches... Antes de seus resquícios desaparecerem como cinzas tocadas pelo vento.

“E você já o encontrou?”

Ele recebera uma segunda chance, tinha certeza. E agarrada nessa expectativa, Orihime pensara no que diria e o que faria com ele em seu mundo. Havia tantas coisas que ela queria dizer, tantas coisas para lhe mostrar... Havia tanto o que sentir.

“Ainda não”.

Ela tinha esperanças de reencontrá-lo. De que ele lembrasse dos momentos que haviam compartilhado. Inoue acreditava que tudo seria diferente... Porque ele já não tinha mais um lugar vazio em seu peito.

“Por que você não desiste, mulher?”

Orihime sorriu com o apelido pelo qual fora chamada. Sentiu vontade de dizer-lhe que estava próximo de encontrá-lo. Mas aquilo o confundiria e então achou melhor esperar um pouco mais... Ele se lembraria de tudo, naturalmente.

“Porque eu preciso vê-lo... Eu quero lhe dizer que sinto sua falta, desde que nos separamos”.

Ele não disse mais nada. Inoue observou-o virar as costas e caminhar para a saída, sem se despedir. Ela tampouco se importou. As coisas estavam mudando desde o dia em que se surpreendera com aparição dele.

Pouco a pouco seus gestos... E agora suas palavras começavam a aproximar aquele homem de seu Ulquiorra.

Orihime sorriu e ajoelhou-se novamente para orar. Amanhã poderia perguntar ao estranho qual era seu nome. Ou então lembrá-lo de como ela o costumava chamar.»

(Fanfic Intuição de Daijo, Capítulo Único)

Ulquiorra estava abancado num banco no jardim completamente encharcado pela noite anterior, assistindo o nascer do sol. Como se o espada já presumisse por aquele momento, ele sente duas presenças atrás de si, não precisando de desviar o olhar para saber quem eram.

– Demoraram.

– De bom humor hein Ulquiorra?

– Perdoa o nosso atraso Ulquiorra-san.

Um largo e jocoso sorriso cintilava no rosto do sexto espada, pronto para começar a sua sessão de provocações contra Ulquiorra. Por sua vez, o quarto espada mantinha-se em silêncio, aguardando pelas investidas do azulado. Isolada ao conflito, Nell os encara aleatoriamente com receio de uma das bocas inconvenientes da pantera irritasse o moreno.

– Não devias estar na casa da humana?

– Não sei do que estás a falar.

– Não é óbvio? Tu estás rendido aos encantos da princesinha.

– Gimmy-kun!

Mesmo não o demonstrando, Ulquiorra ficou incomodado. Ao deparar-se com o riso triunfante do azulado, decidiu seguir o seu jogo.

– O teu atraso também reflecte alguma atracção pela ex terceira espada, Grimmjow?

O espada rapidamente perde o sorriso, que é substituído por uma fortíssima coloração escarlate. Ao passo que Neliell ri abertamente com um ligeiro tom róseo, desviando o olhar para o piso, ao mesmo tempo que movimentava a anca, cobrindo o seu rosto com as mãos.

– Itai, que vergonha... Já todos sabem sobre nós, Gimmy-kun.

– Deixa de dizer disparates mulher, não há nada entre nós! E eu não te devo satisfações por me atrasar!

– Deves. A partir do momento que prejudicas nossos planos ou esqueceste-te disso?

Ulquiorra levanta-se ríspidamente do banco com as mãos enterradas nos bolsos, nitidamente severo. Os dois espadas desmancharam suas expressões desafogadas, entrando no clima proporcionado pelo quarto espada.

– O que faremos?

– Que raio de pergunta é essa? Lutaremos, óbvio!

– Mas sozinhos? Contra eles todos?

Grimmjow não consegue arranjar uma resposta aprazível para Nell, perdendo seu entusiasmo. Ambos encaram Ulquiorra, como se este fosse o portador da solução para o problema.

– Não podemos envolver mais ninguém, prejudicamos humanos e shinigamis neste mundo, atraindo mais hollows do que o comum. Temos de resolver este confronto e o faremos sozinhos. Eu me encarregarei da Halibel-sama, vocês dos restantes.

– E se falharmos Uquiorra-san?

– Os shinigamis eliminarão facilmente os restantes.

O silêncio pairou com a resposta final do espada embora o azulado decida voltar a questionar o Ulquiorra porém prudentemente, algo incomum nele.

– Alertamos o shinigami da loja? Para se prepararem caso falhemos?

– Sim, entrarei em contacto com ele sem termo-nos que deslocar até lá.

Os dois espadas perceberam de imediato os motivos ocultos de Ulquiorra: Ele não queria ir até à loja para não correr o risco de encontrar Orihime.

Urahara tomava o chá que Ururu trouxe, estava mais absorto que o comum. Ele ficou deveras preocupado pelo estado em que encontrou Inoue. Se ele não tivesse aparecido ela podia ter ficado num estado crítico. O shinigami rapidamente notara que esta não se alimentava direito, estava debilitada fisicamente. Sair com aquele tempo só agravou seu estado. Estava tão desesperada para encontrar o espada que nem reparou que esta saíra de casa em roupa de dormir. O ranger da porta despertou-o de seus devaneios, deparando-se com Yourichi.

– Como ela está?

– A febre baixou, esta rapariga tem sorte. Parece que é protegida a todo o momento... Como a encontras-te naquele estado?

– Devia estar à procura dele.

Youruichi suspira longamente, sentando-se cruzando as pernas. Ela leva uma mão até o pescoço, massageando-o, tentando livrar-se da carga que os problemas exerciam sobre aquele lugar.

– Já esperávamos por isso. Tiveste notícias dele?

– Irão lutar em Hueco Mundo.

– Sozinhos!?

– Se falharem seremos responsáveis para eliminar os restantes.

– Isso é uma loucura Kisuke! Nunca irão conseguir!

– É uma decisão que eles tomaram, teremos de respeitar a sua decisão. Além do mais eu acredito no potencial de cada um deles.

A ex comandante das operações secretas arregala seus olhos felinos, ela conhecia o cientista há séculos mas por vezes ele ainda a conseguia surpreender completamente, como agora. Logo, ela sorri abertamente, por vezes para além de força e potencial é preciso ter confiança.

– Disseste o mesmo com o Ichigo. Sim, eles irão conseguir, tu sempre acertas Kisuke.

Urahara ri presunçoso, abrindo o leque ocultando seu rosto para disfarçar o ligeiro rubor, provocado pelo elogio e pelo sorriso orgulhoso da felina.

– Por falar nele, deverão estar aí a chegar.

– Chamaste-os?

– Alguém tinha de alertar a Soul Society.

– Compreendo. Espero que o Ichigo não se exalte demais com a decisão dos espadas…

– Ora essa é uma coisa na qual eu já não acredito Yoruichi-san, precisaremos de reforços para aguentar a fúria do Kurosaki-san.

Ambos riem até que como se fosse capricho do destino, o ruivo surge arrobando a porta com Ishida, Sado, Renji e Rukia atrás dele. Urahara ajeita seu chapéu, enquanto via a expressão furiosa nas orbes acastanhadas.

– Isto vai ser complicado.

Orihime permanecia no repouso absoluto, enquanto o rapaz misterioso continuava ao seu lado, velando pelo bem-estar da ruiva. No entanto, o olhar esmeralda reflectia seus pensamentos agoniantes.

– Eu te protejarei oka-san… Mais ninguém te magoará. Aquilo não irá se repetir, não importa o preço que tenha de pagar por isso…

– O que dizes Urahara-san? Ficaram todos loucos!? Não podemos ficar aqui quietos a ver, precisamos de agir!

– Pensei que os visses como inimigos Kurosaki-san.

– Bem sim… O Ulquiorra e o Grimmjow, mas a Nell me ajudou! E mesmo que tenha lutado contra os outros, eles estão a sacrificar-se por nós, a ajudar-nos, não podemos simplesmente virar-lhes as costas!

– Calma Ichigo… Os espadas tem razão… Esta é uma luta deles. Não devemos interferir.

A Rukia tentava recuperar o bom senso no substituto de shinigami, trazê-lo à razão e evitasse que este cometesse alguma loucura. Ichigo ao deparar-se com a súplica no olhar lilás, suspira fundo procurando acalmar-se. Obviamente que os espadas não queriam a sua ajuda, eram orgulhosos demais para isso, e se ele partisse para os socorrer só os iria irritar e frustrá-los, como se ele não confiasse no poder deles. O Kurosaki assume uma postura austera e madura, prosseguindo mais calmo o diálogo.

– Há hipóteses de vencerem?

– Mínimas.

– Não me agrada esta ideia de eles lutarem sozinhos quando os podemos ajudar.

– Não é assim tão simples Ichigo. A Soul Society pode interpretar mal e ver-te como um aliado dos arrankares, considerando-te traidor.

– A Soul Society e as suas regras estúpidas! Tudo isto é culpa daquele cretino do Aizen!

Com a confusão que se instalou na sala, nenhum dos presentes, detectou uma presença alheia à conversa, que escutara tudo encostada na porta entreaberta. Orihime… Ela despertara recentemente do seu sono profundo. Encontrado-se sozinha no quarto, ergueu-se, procurando pelos restantes membros acabando por ouvir a conversa.

A ruiva afasta-se da porta, invadindo o subsolo da loja Urahara abrindo um portal que a levaria até a Soul Society: ela estava determinada, sabia o que tinha de ser feito. Sem olhar para trás, ela penetra pelo portal, porque desta vez tudo seria diferente. Ela finalmente recordou o que tinha esquecido, reencontrando as memórias de seu passado.

Notas finais
E assim me despeço dos meus leitores queridos