Novo Recomeço
21 Mãos Unidas
Notas iniciais
«Orihime abriu os olhos para um novo dia. Talvez fosse só impressão sua, mas o sol estava definitivamente mais brilhante hoje. Em sua mente, alguma melodia alegre cujo a letra ela não conhecia, tocava persistentemente, e ela tinha certeza que enquanto andava pelas ruas e fazia as coisas mais simples do seu dia-a-dia, sua felicidade estava clara para quem quisesse ver.
Sentia-se tão feliz, a ponto de simplesmente sorrir não parecer o suficiente para expressar-se. Queria dançar, e saltitar, e queria dizer a todos, o quão perfeita a vida podia ser, o quão certo tudo estava para ela.
Mas tinha algo que queria fazer ainda mais. Pegou o celular em suas mãos e o olhou ansiosamente, queria tanto ligar para ele, queria ouvir sua voz e talvez até encontrá-lo. Não se viam havia uma semana, apesar de conversarem por sms de vez em quando. Mas por outro lado, não queria soar pegajosa, não suportaria a idéia de Ulquiorra se cansando dela, não queria isso!
Mesmo assim...!
Tentou guardar o celular outra vez na bolsa. E então o pegou outra vez. Ligou o visor e desligou de novo. Não devia! Mas queria tanto! Queria ao menos conversar um pouco, ouvir sua voz lhe dizendo qualquer coisa, queria ouvi-lo dizer que sentia sua falta, que queria encontra-la.
Orihime sabia que muito dificilmente poderiam se encontrar, afinal com as provas finais se aproximando, nenhum dos dois tinha muito tempo, e além disso, havia alguns dias, ela estava trabalhando de meio periodo numa padaria adorável que abrira recente. Apesar de ser um pouco longe de sua casa, com o fim do ano se aproximando, conseguir um dinheiro extra parecia uma ótima idéia.
Mas no fim das contas, nada mudava o fato de que sentia falta de Ulquiorra. Não podia evitar, eles mal tinham começado seu relacionamento e tão pouco podiam aproveitar. Sentia-se miserável só de pensar no assunto, queria tanto poder aconchegar-se em seu abraço, perder-se em seu olhar, sentir-se amada e segura em seus braços.
“Como foi seu dia? ;)
Sinto sua falta!
–O”
Finalmente enviou, suspirando ao deixar-se afundar em sua solidão, enquanto vestia seu uniforme para trabalhar.
Seu trabalho naquela padaria costumava variar, às vezes atendia no caixa, às vezes arrumava os produtos que chegavam, às vezes organizava as prateleiras, às vezes simplesmente limpava. Era cansativo, mas não se queixava, o salário era bom e o trabalho não era tão ruim assim. Hoje trabalharia atendendo as pessoas, o que normalmente era seu favorito, exceto que com os feriados se aproximando, parecia ser uma época especialmente romantica, e atender pessoas comprando tortas e bolos para seus amados, no fim das contas lhe deixava com um gosto amargo na boca.
Gosto amargo esse que tinha sumido completamente ao notar que seu sms havia sido respondido.
“Meu dia foi normal.
E quanto ao seu, o que está fazendo?
Também sinto sua falta.
Vamos nos ver nesse sábado, tudo bem pra você?
–U”
E de repente era como se flutuasse outra vez. E o sorriso de mais cedo voltou a brotar em seus lábios, ele também sentia sua falta! E não só isso, queria encontrá-la! Apenas 2 dias e ela o veria mais uma vez! Apenas 2 dias.»
(Fanfic Like Ghosts In The Snow escrita por Drunk Senpai, Capítulo 27: Daydreaming, Living A Nightmare)
– Papai já está na hora! Prometeste que irias ensinar-me o novo cero!
– Hime, nós vamos ao parque para chamar menos a atenção.
– Porque a mamãe não vem connosco? Eu quero que a mamãe venha junto!
Orihime começou a rir gentilmente, acenando negativamente com a cabeça pela impaciência exagerada de seu filho.
– Kiichi-kun não estás a esquecer-te de nada?
– Por favor mamãe, eu prometo ser um bom menino até o final da semana se vieres connosco…
– Só esta semana?
– Duas semanas?
– Combinado. Nada de disparar ceros aos meninos que tu não gostas.
– Mas mamãe ele não passa de um lixo que se vangloria!
– Kiichi… O que nós já conversámos sobre isso?
– Desculpa mamã. Para a próxima eu não o mando para o hospital durante dois meses.
– Nada de ceros.
– Os punhos não são ceros.
Ulquiorra sorriu discreto, como sempre o faz, esse gesto apesar de minucioso foi nítido para Orihime que recriminou o gesto de seu companheiro com o olhar.
– Ulqui-kun… O que andaste a ensinar ao nosso filho!?
– Nada. Só uns conceitos chave.
– Como “lixo”…?
– Alguns humanos são isso mesmo.
– Kami! O que eu farei com vocês os dois?
Ulquiorra ignorou a lamúria de sua esposa. Tinha que admitir que achava engraçado todo aquele drama. Apesar de se ter convertido em um humano não perdeu totalmente seus poderes, nomeadamente o cero. E curiosamente seu filho o herdara, o que era uma tremenda dor de cabeça para a sua ruiva.
Sete anos atrás, após Ichigo ter derrotado Aizen, Ulquiorra e o substituto de shinigami se tornaram quase amigos. Pelo menos conseguiam conviver numa divisão sem tentarem se matar, para grande alívio de Rukia e Inoue. O ex quarto espada nunca fora tão feliz, se é que esse o termo correcto. Ele não costumava usar muitos vocábulos humanos, ele considerava a caracterização de felicidade dos humanos ínfima, comparada àquela que ele de facto sente, sempre que acordava todas as manhãs e observava a ruiva adormecida em seu peito, respirando suavemente contra sua pele, compreendia que o conceito de paz era insuficiente para designar o que ele sentia em seu peito. Nunca supôs que a pele dos humanos fosse tão aprazível. Aliás, nunca esperava que viver com uma humana fosse tão reconfortante. Ele acabou por encontrar o que tanto procurava, no sítio que menos esperava.
– Vamos então!?
O filho deles segura em uma mão de cada um de seus pais, e as une, entrelaçando-as sorrindo. Inoue não evitou ficar corada com esse gesto singelo e inocente. Ulquiorra por sua vez desenhou um pequeno sorriso em sua face reparando na fisionomia de seu filho. Ele o reconheceu. Tanto pela reaitsu como pelos seus traços conhecidos. Foi o rapaz que ele vira em determinada ocasião, e quem cuidou de Orihime na sua ausência lhe enviando uma carta. Ele não percebeu como o conheceu antes do tempo, era uma incógnita para ele… Mas nunca se importou em de facto descobrir a razão. Nem sequer comentara suas suspeitas com Orihime, tendo a certeza que ela deveria ter a resposta. Isso não lhe era relevante.
Uma criança simboliza esperança, unindo os destinos de seus pais para toda a eternidade. Ela será a recordação deles com o passar do tempo, a descendência dos valores e história do casal.
Tão alucinados no diálogo com seu filho, não notaram que desta vez suas mãos estavam unidas, o desejo que ambos compartilhavam desde Hueco Mundo agora se cumpria. Caminhando juntos, como uma verdadeira família que nem a repetição do destino pode quebrar.
Obrigada Ulquiorra,
Por me descobrires quando estava perdida.
Obrigada Orihime,
Por me revelares o coração.
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