Novo Recomeço
10 Lágrimas Eternas de Ulquiorra
Notas iniciais
"Ulquiorra virou-se lentamente, para então poder ver as lágrimas que teimavam em existir nos olhos de Kurosaki Ichigo e Orihime Inoue. Sentia-se culpado por aquelas lágrimas, e isso era o pior.
Sentir.
Esses sentimentos que apareciam agora, despertando estranhas reações nos que estavam aos seus arredores, devia ser algo causado por esse tão falado coração. Ele já ouvira essa palavra tantas vezes da boca da menina-mulher Orihime que se achava imune às tragédias que ele trazia.
Mas, vendo aquelas lágrimas, um singelo pensamento rompeu em sua mente e foi-se como vento.
Talvez sua existência não estivesse sido, totalmente, em vão."
(Fanfic Of the fall of kingdoms de Ironborn, Capítulo 1: Sobre a queda de reinos)
Urahara bebia seu chá tranquilamente, admirava o líquido esverdeado como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Uma súbita corrente de ar apossou-se da humilde divisão, destacando-se entre ela uma bela gata negra, com duas salientes pérolas douradas.
– Encontraste-os Yourichi-san?
– Nunca subestimes a deusa do trovão.
A felina converteu-se novamente numa bela mulher, revelando seu torneado corpo desnudo. O lojista já se acostumara em ver a nudez da mulher, porém não conseguia evitar um singelo rubor que possuía sua face sempre que este episódio se repetia. Ela gatinhou até umas gavetas do cómodo, cobrindo-se com uma túnica larga pertencente ao shinigami. Adequadamente vestida ela acompanha Kisuke em sua monótona bebida.
– Eles estavam na outra extremidade do Japão, numa aldeia completamente desconhecida. Perfeito para dois espadas se refugiarem da curiosidade alheia.
– Eles estavam juntos? Não deveriam ter-se separado?
– E estiveram longe durante um tempo, mas Nelliel recebeu informações e procurou pelo Grimmjow. Eles já se preparavam para virem procurar Ulquiorra.
– Que informações são essas?
– Os espadas pretendem atacar a Soul Society.
– Pelos vistos o caso é sério mesmo… Tinha esperanças que deixassem de lado essa ideia.
– Eles serão dizimados Kisuke.
– Talvez eles os três os possam impedir. Porque não vieram logo contigo?
– Assuntos particulares.
Yourichi começou a gargalhar ao recordar do melodrama da esverdeada. Por sua vez, o loiro ao encarar a expressão peculiarmente maliciosa da mulher gato, Kisuke acompanhou o raciocínio dela, juntando-se à gargalhada. Nelliel era uma mulher singular, única na sua forma de ser.
A ex espada pretendia sair e aproveitar uma noite a mais, uns momentos para passear, com Grimmjow antes da guerra. Afinal nunca se sabe as pretensões do futuro para suas vidas, tudo é inesperado, uma profunda incógnita. Eles poderiam nem voltar vivos, e ela queria saborear seus últimos momentos de paz.
Mesmo Grimmjow tendo resmungado no início, e querer partir o mais cedo possível para a guerra, animado com as novas lutas, o mesmo acabou por ceder pelo pranto inconsolável da Nell.
Acabaram por decidir divertirem-se no Festival da Felicidade, Kiku no Sekku, que decorria na aldeia ali perto, que era comemorado todos os anos no nono dia do nono mês. Neste dia, costuma-se comer iguarias feitas com uma flor, crisântemo, e também há uma tradição em que se deve colocar pétalas dessa flor em um copo com vinho para trazer felicidade, prosperidade, longevidade e saúde
O crisântemo, chamada de Kiku, é uma flor muito apreciada pelos japoneses. É considerada a "Flor Nacional do Japão", além de ser um dos maiores símbolos da Família Imperial Japonesa. Pode parecer apenas uma bela flor para muitas pessoas, mas para os japoneses o crisântemo tem um significado especial.
É considerada uma flor que simboliza o Outono, pois é durante essa estação que o seu desabrochar se torna mais intenso, além de também ser considerada o símbolo do sol por causa da perfeição e mestria de como abre suas mais de 300 pétalas, o que lhe proporciona uma aparência única, distinta e elegante.
A ex capitão foi quem propôs ao casal para partirem nesse festival, sem contudo mencionar que quem costumava participar nesse evento eram os apaixonados. Uma oportunidade perfeita para Nelliel actuar com as suas particulares artimanhas.
– Que cruel Yourichi-san…
Uma grande quantidade de hollows aumentara desde o aparecimento de Ulquiorra em Karakura. Mesmo estando num gigai. Raramente tinham problemas, já que o grupo de Ichigo resolvia da situação porém os incidentes foram crescendo gradualmente fazendo com que o quarto espada, sem que ninguém percebesse, acabasse por intervir.
Num desses dias, Ulquiorra volta a sair em sua jornada e Orihime fica frustrada já que ele nunca a deixava cooperar. Ela sabia que ele sentia-se culpado pelos destroços e por isso queria resolver a situação sozinho, sem ninguém para atrapalha-lo.
Porém Inoue Orihime era péssima numa coisa: obedecer. Mesmo ela sabendo que teria de enfrentá-lo depois, ela não se iria arrepender, desde que o pudesse ter ajudado mesmo que só um pouco, ao menos ele poderia suspirar de alívio e descansar.
Decidida, a humana abandonou o seu refúgio e partiu para o campo de batalha, sabendo que para além de ter de afrontar vários hollows teria de arcar com a fúria de um certo espada.
1, 2, 3 horas...
Exausta, suada, esgotada. Eliminou diversos hollows que invadiram sua terra natal, sem qualquer descanso. Agora entendia o motivo de Ulquiorra sempre que chegava a casa depois de sua ronda, voltava rabugento, sem ânimo para conversar.
– Ulqui-kun!
Ela avista o espada vindo em sua direcção, ela percebia pela veias salientes em sua testa, e pela pressão que ele exercia nos punhos dentro dos bolsos, que ele estava furioso, seu andar estava inclusive mais pesado. Como se uma aura intimidante o rodeasse, tornando o ar mais espesso, até para ela que estava distante. Mas mesmo assim sorriu, ela gostava do lado protector dele mesmo que fosse excessivo. Isso significa que ela era importante para ele, certo?
Seu riso se alargou enquanto acenava para ele com a mão direita. Antes de começar a correr na sua direcção, percebeu a expressão do arrancar modificar-se tragicamente, pela primeira vez viu medo em seus olhos esmeraldas. Ele estende sua mão como se a tentasse alcançar e o viu a vir em sua trajectória, abrindo seus lábios como um grito porém não saiu nada ou melhor ela não conseguiu ouvir nada. A única coisa que sentiu foi um ardor em toda a extensão de suas costas, como se tivesse sido cortada ao meio.
Ulquiorra captou um dos hollows caídos se reerguer, aproximando-se sorrateiro de Orihime, tentou avisá-la, estendeu a mão na esperança vã de seu braço se poder prolongar e a tirar dali antes do golpe a alcançar. Tragicamente assistiu a ruiva receber um ataque violento nas costas. O hollow mal a atacou, desapareceu. O monstro sabia que morreria, que nem chegaria a tempo de devorar sua alma, mas mesmo assim a golpeou… Só para matar.
Ulquiorra pela primeira vez gritara seu nome, reconheceu que aquela humana não era mais só uma mulher como ele constantemente lhe chamava, era algo a mais, algo que deveria ter um nome. Ele correu na sua trajectória e assombrou-se com a profundidade do ferimento.
Ao vê-la naquele estado Ulquiorra sentiu um formigar em suas lágrimas eternas, ergueu os dedos tocando em sua marca mas não havia nada que o estivesse a incomodar, era lá dentro. Alguma sensação. Porém, aquela sensação não era colorida como a mulher o apresentara, era cinzenta. E cuidadosamente a levou ao shinigami loiro, ele saberia o que fazer.
Sentia-se mal, culpado… Ele nunca deveria tê-la envolvido nesta disputa.
E sob os nervos e o medo de a perder, Ulquiorra tomou a decisão mais difícil de toda a sua vida, mas era o melhor para ambos.
O que envolvia o Ulquiorra e Orihime? Seria o amor? Ou apenas uma fantasia movida pelo desejo de ambos? Nada estava claro, de modo que nenhuma palavra poderia responder a essas perguntas. O arrancar era movido pelo que deveria fazer, e Orihime não tinha forças nem vontade de parar, o que quer que ele fizesse. Porém, ela não estava pronta para o que estava prestes a acontecer, e não saberia lidar com aquilo.
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