Sinto como se meu corpo desintegrasse. Era uma situação que eu me recusava a aceitar. Está ali, diante meus amigos, prestes a ser derrotado e com meu melhor amigo morrendo. Olhei para face do Medo e resolvi lhe perguntar algo.

– Por que não me matou na primeira vez que nos vimos?

– Isso é bem óbvio. Apesar de você ser um problema para mim, todos os seus amigos lhe seguem, confiam em você, eu precisava de você, pois sua presença já os incentiva a encararem os desafios e lutarem até o final.

– Entendi... – Respondo já quase sem nenhuma força mais para resistir.

– Você vai morrer em instantes, mas quero lhe fazer uma pergunta antes que isso ocorra. Por que você não tem medo, nem mesmo diante a morte que já lhe aguarda? Não sinto o medo vindo de você, por que? – Ele me pergunta confuso.

– Por que eu não tenho medo? Não brinque comigo... Eu sou uma garoto de 13 anos lutando contra monstros em um mundo muito diferente do meu, e carrego a responsabilidade de guiar meus companheiros. É claro que eu tenho medo. Só não o encaro como uma coisa ruim. Acho que o medo de perder alguém é o que te dá força para querer protegê-la, e eu quero proteger todos nesse mundo, todos do meu mundo, meus amigos, minha família. Quero proteger a Kari, minha irmãzinha caçula, Agumon, meu melhor amigo, e Sora, a garota que eu gosto. Essa é a verdadeira Coragem. – Ao falar sobre isso, admitindo pela primeira vez meus sentimentos, me lembrei o que realmente era importante pra mim e isso me deu uma força incrível enquanto o Digivice brilhava em minha mão. — E é por isso que eu não perderei para você, definitivamente não morrerei aqui, Medo!!!

A luz do meu Digivice se propagou até chegar ao Wargreymon, que estava quase desaparecendo. Wargreymon brilhou intensamente. A luz fez com que Medo me soltasse, e apesar de ter restaurado meu corpo e minha força, a imensa queda iria acabar comigo. Mas Wargreymon, agora inteiro e sem nada faltando, eu espero, me salvou ainda no ar. Olhei para todos os meus amigos e disse:

– Eu sei que todos vocês pensam como eu! Usem a sua vontade de querer proteger alguém, e se tornem fortes!!!

– Certo!!! – Os Digivices de todos brilham em conjunto e todos os Digimons recuperam suas energias.

– Desgraçado! Você continua sendo uma pedra em meu caminho, mas ainda é inútil, vocês não conseguirão superar minha força!!! – Medo começa a se expandir assustadoramente enquanto dá uma daquelas gargalhadas do mal.

– Eu entendi medo, nós somos os dois lados da mesma moeda não é mesmo?! Então ninguém melhor que eu para te entender. Ninguém melhor que eu para saber como acabar com você. Amigos! Mande seus ataques em direção ao Wargreymon.

– Mas Tai!!! – Sora fala preocupada.

– Confie em mim! – E pisco o olho para ela.

– Eu confio...

Os ataques de todos os Digimons veem em minha direção e a de Wargreymon. Nesse instante, falo para Wargreymon:

– Pronto para a maior Força da Terra da sua vida, amigão?

– Mais do que pronto. – Ele me responde.

Ele usa todos os ataques para virarem uma esfera gigantesca e branca, radiando bastante energia. Medo, então, disparou novamente aquela esfera negra. Todos nossos amigos gritam em coro.

– AGORA!!!

– Agora Wargreymon!!! – Eu entro no coro.

– FORÇA DA TERRA!!!

As esferas se colidem. A de Medo começa a levar vantagem. Aponto a luz do Digivice para Wargreymon. Os outros fazem o mesmo, e Wargreymon ganha ainda mais força. A Força da Terra enfim ganha vantagem, engole a esfera negra, e colide contra o Medo. Medo ainda grita antes de desaparecer sem deixar rastro. Todos os Digimons voltaram para a fase Novata.

No chão, avistamos Gennai caído. Ele tinha saído de Medo segundos antes de desaparecer e caiu no chão. Todos nós fomos em sua direção quando ele começou acordar aos poucos.

– Velho você está bem?! – Eu pergunto assim que chego perto dele.

– Não muito... – Ele responde

– O que aconteceu? Por que estava dentro do Medo? – Izzy pergunta.

– Ele me absorveu. Eu sou o único no Digimundo que consegue ler essas escrituras. Ele queria descobrir como abrir um portal permanentemente e juntar os dois mundos e por isso me usou para descobrir as informações necessárias. Ele queria também manipular os Digivices para que eles apontassem esse local, e só eu poderia fazer isso.

– Entendi. – Eu respondo. – Medo foi destruído, não precisa se preocupar.

– Nossas preocupações ainda não acabaram. Temos um problema ainda. – Gennai nos alerta.

– Como assim? – Todos nós perguntamos.

– As ruínas não irão aguentar por muito tempo após essa batalha que tiveram, e Medo nos prendeu aqui. Só podemos usar o portal para sair daqui. Vão até o altar. – Ele se levanta aos poucos e nos segue até o altar. – Existem 8 locais para colocar os Digivices. Eles abrirão um portal que os levarão para casa junto com os Digimons.

– Enquanto você Gennai? – Mimi pergunta.

– Eu ficarei para fechar o Portal. Se não for fechado, os dois mundos se unirão e tudo irá virar um caos. O Portal só se fechará quando o último Digivice for removido. Alguém terá que deixar um Digivice para trás.

– Mas...

Nesse momento as ruínas começam a desabar. Gennai então grita conosco.

– Sem “mas”! Andem logo crianças, é o mínimo que posso fazer por terem salvo esse mundo inúmeras vezes.

Todos nós colocamos os Digivices nos encaixes do altar. O Portal se abriu atrás de nós, no fundo do salão. Ficou decidido que eu deixaria o meu Digivice. Nesse momento, todos começam a pegar seus Digivices e atravessam o Portal com seus parceiros Digimons. Quando restaram apenas Sora, Pyomon, Agumon, Gennai e eu, falo:

– É velho... Acho que não terei mais que suportar sua malice não é mesmo? Obrigado por tudo... – Eu falo.

– É uma pena que não os verei mais, mas foi o que decidi fazer e fico feliz por isso. – Ele estica a mão para me cumprimentar. Sora tenta segurar o choro e não consegue dizer nada.

Pego na mão do velho e digo:

– Adeus velho! – E sorrio.

O jogo no portal. Sora não entende nada. Então, ela grita comigo:

– O que você pensa que está fazendo Tai?!!

– Desculpa Sora por ser tão egoísta. Acho que não poderei cumprir aquela promessa... Mas queria que soubesse de uma coisa. Eu amo muito você. – Então eu a abraço e a beijo da forma mais apaixonada que conseguia. Era uma sensação absurdamente especial, parecia uma britadeira de tanto que tremia. Em seguida me afasto. – Acho que sempre a amei. – E sorrio para ela enquanto a empurrava para o portal. Ainda deu tempo de ver a expressão de desespero em seu rosto e ouvir seu grito.

– Tai!!! Não!!! – Ela desapareceu.

– Agumon e Pyomon! Prometam que cuidarão dos outros por mim. – Peço.

– Não vou te deixar pra trás Tai, não posso fazer isso. – Agumon retruca.

– Eu tenho que fazer isso sozinho dessa vez Agumon. Você é meu melhor amigo, me salvou várias vezes. Por favor, eu quero te proteger também. – Aquele momento era muito difícil pra mim, mas já tinha decidido me sacrificar por todos.

Então Agumon se dirige a Pyomon e fala:

– Vá Pyomon! Tudo ficará bem com a gente. – E sorri.

Pyomon atravessa o Portal aos prantos. Agumon corre e tira o meu Digivice do altar.

– Por que fez isso Agumon? eu já disse que... – Nesse momento sou interrompido pelo meu amigo.

– Eu fiquei porque melhores amigos fazem isso. – E sorriu pra mim.

As ruínas estavam desabando. Apesar de tudo, Agumon e eu estávamos felizes. Conseguimos o que queríamos fazer no fim...

...

Acordei estirada na grama. Quando olho ao meu redor vejo que estou no Parque Central com Pyomon, Gennai, os Digimons e os outros Digiescolhidos. Somente Tai e Agumon não estavam conosco...