November Rain
1 It's raining very strong
Notas iniciais
Novembro... Paris.
Dia de folga de um casal completamente apaixonado. Um dia frio e com poucos pingos caindo do céu. Passaram a manhã inteira deitados juntos e assistindo filmes. Quando o frio amenizou um pouco à tarde, saíram para caminhar e comer em um restaurante. Logo voltaram, pois o frio não deu trégua. Se deitaram novamente curtindo a delicia de estar com quem se ama, dando carinho e amor.
Minutos depois de chegarem, a tempestade caiu. Muitos raios e trovões.
Ela, amedrontada, se abraçava mais a ele.
Ele não entendia o porquê de tanto medo.
O clima mudou de repente, tudo ficou escuro e a chuva caia mais forte. Foi então que uma grande árvore despencou na estrada causando um imenso barulho. Ambos se assustaram e deram um “salto”. Foram até a janela de mãos dadas para ver o que tinha sido esse barulho tão forte e alto.
Felizmente, a árvore não atingiu ninguém, apenas destruiu a estátua da praça que ficava em frente a casa deles.
Mais um trovão.
Ela pegou em sua mão e o puxou correndo para o enorme sofá em que estavam. Agarrou-se a ele.
— Sara, o que houve, meu amor? Tem medo de chuva?
— De chuva não. De tempestade sim. — escondeu o rosto em seu pescoço.
— Está tudo bem, princesa. Nada vai acontecer a você. Está segura. — acariciou seus cabelos castanhos e lisos.
— Eu sei. — o olhou sorrindo.
Ele encostou seu nariz no dela dando beijinho de esquimó, o que a fez rir.
— Amo você, Griss.
— Eu também amo você. — beijou sua testa e ela escondeu novamente seu rosto em seu pescoço perfumado.
Mais um trovão e ela tremeu. Não conseguia evitar.
— De onde saiu esse medo todo? Quer me contar?- perguntou carinhosamente.
— Foi há muito tempo. Estava com o papai do lado de fora de casa, ele estava arrumando algo no motor do carro. Eu brincava com meu ursinho de pelúcia.
— Quantos anos tinha?
— Cinco. — olhou para suas mãos entrelaçadas. — De repente, uma tempestade muito forte se alastrou pela cidade. A árvore de nosso quintal caiu em cima de nossa casa. Mamãe estava lá dentro.
Ele viu seu semblante triste.
— Sua mãe ficou ferida?
— Felizmente não. Quando a árvore caiu, papai correu desesperadamente para dentro de casa ver se ela tinha se ferido, me esquecendo sem querer do lado de fora. Fiquei apavorada, imóvel na chuva... Depois que papai viu que mamãe estava bem, correu para fora para me procurar, mas não me encontrava.
— Para onde você tinha ido?
— Para o porão. Papai e eu fizemos um cantinho para ficarmos lá em dias frios. Ele costumava ler pra eu dormir. — sorriu ao se lembrar. — Ele se lembrou do porão e foi até lá, eu estava encolhida no canto, encharcada, agarrada com o Ted.
— Ted?
— Meu ursinho. — sorriu.
— Ah sim. — sorriu também. — O que houve depois?
— Mamãe e papai pegaram as economias e consertaram o telhado. Todos os dias que chovia e papai não estava em casa, mamãe e eu íamos para o porão e ela cantava pra mim.
— Qual o nome de sua mãe?
— Rose. — sorriu. — Ela me chamava de Nina. — continuou sorrindo.
— Nina?
— Pequenina. — lhe explicou.
Ele sorriu.
Ela logo mudou sua expressão, agora estava triste e com os olhos marejados.
— Ela morreu quando eu tinha quinze anos. Papai ficou comigo até meus dezenove e meio, morreu de parada cardíaca.
— Eu sinto muito, princesa. — ela adorava quando ele a chamava assim.
Ela forçou um sorriso que quase não foi visto. Ele a abraçou forte lhe passando segurança e confiança. Separaram-se.
— E lembra-se da música que sua mãe cantava pra você?
— Acho que sim.
— Canta pra mim?- tocou seu rosto delicado.
Ela pensou em hesitar, mas devagar começou...
— Sentimento é pra cuidar, dividir e compartilhar, ao invés de guardar só pra nós... Se um encanto me aconteceu, seu espaço não se perdeu, é um amor generoso e veloz... — ele ouvia o doce som de sua voz embriagado, sua voz era o som mais perfeito desse mundo, cantando então... Parecia um anjo, seu anjo perfeito. — O amor chegou, se tornou maior, e então vai ficar melhor. Quanto mais amor eu oferecer, mais amor eu sei que vou receber... — Ele sorriu. A música é linda. — És minha Nina e eu sou tua Ro, pra todo sempre pra onde a gente for...- ela parou de cantar e abaixou a cabeça. Então, no imenso cômodo que estava em total silêncio, ouvem-se soluços e um choro de saudade.
Ele se comoveu. Odiava vê-la sofrer, vê-la chorar, vê-la tão triste.
A abraçou imediatamente, seus soluços chacoalhavam seu corpo. Tentava acalmar sua amada. Ela chorou por alguns minutos, mas ele conseguiu tranquiliza-la.
— Shiii... Está tudo bem, tudo bem. — ele repetia para ela acariciando seus cabelos e beijando o topo de sua cabeça.
Ela ainda fungava.
— Foi demais pra você cantar essa ultima parte, não foi?!- ela assentiu e se segurou para não chorar novamente. — Espere aqui um pouquinho, está bem?
— Uhum.
Ele foi até a cozinha. Ela se encolheu e abraçou suas pernas. Ele voltou com um copo d’água na mão para ela tomar. Ela tomou em silêncio, quando terminou agradeceu. Ele pôs o copo na mesa de centro e voltou a sentar-se ao lado dela.
— Tudo bem?- passou o braço por seus ombros e a trouxe para mais perto.
— Agora sim... Obrigada Griss.
— Pelo que?- ele só cuidou dela.
— Por cuidar de mim. Não sei o que seria de mim sem você.
— Não precisa agradecer, meu amor. Sempre cuidarei de você.
Sara o olhou e lhe deu um beijo profundo.
Outro trovão, desta vez bem forte, fazendo os dois darem um suspiro de susto. Em seguida, se olharam, riram e voltaram a juntar seus lábios.
"Quando seus medos baixarem e as sombras ainda permanecerem
Eu sei que você pode me amar [...]
Então, deixa pra lá a escuridão, nós ainda podemos achar um caminho
Nada dura para sempre, nem mesmo a fria chuva de novembro
Você não acha que precisa de alguém? Todos precisam de alguém
Você não é a única" — Guns N' Roses
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