November Rain
6 Pensamentos e sentimentos confusos.
Notas iniciais
Desculpem-me >
Demorei para postar, dessa vez por falta de imaginação e de vontade mesmo, prometo que o próximo eu postarei mais rápido.
Demorei para postar, dessa vez por falta de imaginação e de vontade mesmo, prometo que o próximo eu postarei mais rápido.
Olhei para o relógio e já era hora de me trocar, afinal morar sozinho não é as mil maravilhas que todo mundo diz, trabalhar é uma das partes menos legais e todo o resto também. Coloquei-me de pé e fui esquentar o almoço, havia um pouco de arroz que sobrara e algumas coisinhas que deixaria pra ele, eu comeria qualquer coisa que tivesse ali agora, de tarde faria uma janta decente. Coloquei em cima da mesa e comi algumas coisas que havia comprado na loja de conveniência há alguns dias atrás, depois me troquei e logo sai, não se esquecendo de trancar a porta e deixar um bilhete avisando que tinha uma chave reserva dentro da gaveta, caso ele queira sair. Estava meio friozinho, mas um frio agradável, não aquele vento gelado que faz quase você morrer de hipotermia. Cheguei ao trabalho mais cedo que o esperado, mas não me importaria era bom pra pensar ali porque era quieto. Sentei-me e esperei, não sei ao certo o tempo, mas havia passado mais de dez minutos, mas de dez minutos perdido em meus pensamentos, tendo idéias e pensamentos absurdos, mas por cima disso, a boa e velha música. Um dos meus pensamentos absurdos era a possibilidade de eu estar apaixonado por Ritsu Onodera, o garoto novo que está se apossando da minha casa e em parte, da minha vida. Esse era um pensamento irreal, impossível, um dos mais absurdos que eu já tive até hoje, mas é a única explicação lógica para tudo o que sentia perto dele e do tempo que eu pensava naquele garoto, pelo menos mais lógica do que ter sido picado por algum bicho radioativo ou estar tendo as emoções controladas por extraterrestres. — Takano? Eu ergui minha cabeça, era o Sr. Yoshida. — Olá – Disse me levantando. — Porque está aqui? — Acabei chegando mais cedo que o esperado, estava sentado aqui esperando o senhor voltar do seu almoço. — Entendo... Bem, vamos começar o trabalho, você deve estar entediado de ficar aí sentado – Disse ele sorrindo e abrindo a porta da livraria. — Não estou, é bom pra refletir um pouco sobre as coisas. – Quando a porta foi aberta eu entrei e esperei ele entrar também para mudar a plaquinha para “aberto” e fechar a porta. Não precisei esperar ele dizer o que era para eu fazer, só de olhar várias caixas no chão cheias de livros novos já sabia o que teria que fazer hoje ali: arrumar todos os livros nas prateleiras, um trabalho bom sem dúvidas, o cheiro dos livros novos me encantavam. Como o trabalho não era pesado, nem entediante, o tempo passou praticamente voando, não sei bem ao certo quanto tempo fiquei ali, colocando livros nas prateleiras, mas com certeza não me importaria nem me arrependeria depois. Separei uns dois livros para comprá-los, já que me interessei pelo seu conteúdo e continuei a colocá-los por ordem alfabética nas prateleiras. — Takano, se quiser pode ir agora, não falta muito tempo para o seu horário de trabalho acabar, não temos muito movimento hoje. — Só vou terminar essa caixa – Disse colocando a última fileira de livros nas prateleiras. — Quando for sair me avise. — Ok. Depois de alguns minutos eu acabei, tirei o avental e avisei ao Sr. Yoshida que iria sair. Não era nem 17h ainda, então resolvi passar no supermercado e comprar o jantar de hoje, claro que não esperava encontrar certa pessoa lá... — Takano! O que você está fazendo aqui? – Disse Onodera. Não pude conter a ironia. — Plantando tomate – Dei um sorriso sarcástico. — Poxa, não precisava ter feito isso... — Tsc. E o que você está fazendo aqui? Eu que faço as compras, sabia? — Eu queria uma coisa em especial para comer hoje, minha mãe fazia pra mim quando eu era menor e eu adorava – Disse ele dando um sorrisinho bobo. — E o que é? — Onigiri, com carinhas desenhadas – Disse ele sorrindo. — É sério que você quer comer isso? — Porque a pergunta? É muito bom, e com as carinhas ficam muito fofinhos – Disse ele com um brilho nos olhos. Não consegui dizer não para essa cara de anjinho. Espera, cara de anjinho?! Masamune, você precisa se tratar, de anjinho ele não tem nada, nem o dedo do pé. — Tudo bem – Bufei – Eu compro as coisas, você pode voltar pra casa. — Não, vou continuar aqui – Ele cruzou os braços e fez bico, como uma criança.
— Meu Deus como esse garoto parece uma criança birrenta – Murmurei para mim mesmo. — O que você disse? – Disse ele olhando pra mim. — Nada. Vamos, já que vai ficar aqui me ajude a pegar as coisas ao invés de ficar ai parado como um poste. O tempo dentro do supermercado passou praticamente voando, fazer compras a dois certamente era muito mais rápido, e Onodera não era aquelas companhias irritantes, apesar de às vezes parecer uma criançinha birrenta. Quando chegamos em casa, Onodera cheio de sacolas tropeçou na porta de entrada e machucou seu joelho, eu o avisei que levar todas as sacolas de uma vez não era uma boa idéia, mas ele não me ouviu. — Ai! Está ardendo Takano... – Ele resmungava enquanto eu passava um remédio para seu machucado não infeccionar. — Deveria ter pensado nisso quando resolveu levar todas as sacolas de uma vez para dentro. — Eu só queria terminar mais rápido... – Disse ele com voz de quem iria chorar. Não gostava de vê-lo assim, me deixava mal também. — Vou buscar alguma coisa para enfaixar isso, não coloque a mão no machucado. Saí do quarto e fui ao banheiro para pegar as faixas, quando as achei, voltei para o quarto, mas no caminho pensei em várias coisas, e repentinamente veio na minha cabeça um pensamento estranho. Nesse pensamento eu o beijava, eu o abraçava, eu o aninhava ao meu colo, protegendo-o de tudo. Era só um pensamento, mas parecia real, tão real que cheguei a parar no caminho e me entregar totalmente a esse pensamento. — Takano? – Acordei totalmente desse pensamento que mais parecia um sonho e me deparei com ele. Ele estava bem perto, perto demais, chamando meu nome – Você está bem? – Não sei, queria ter dito, estou confuso, quero saber por que penso isso – Ei, Takano? – Não chegue mais perto... Não chegue... – O que você...? – E por impulso o beijei, interrompendo qualquer coisa que ele fosse dizer. Seus lábios eram macios e doces, sabor morango. Eu apenas fechei meus olhos e me levei pelo momento, não pensei em nada, expulsei tudo da minha mente e me concentrei somente naquilo. Ele retribuiu, então descobri que o garoto que vivia rodeado de garotas, não sabia beijar. Comandei tudo, então, e ele foi me acompanhando, minha língua percorria cada canto de sua boca, explorando como se fosse uma caverna com profundos segredos que eu precisava saber, precisava não, necessitava. Ficamos ali por algum tempo até nos separarmos para pegar ar. Eu olhei para ele e o garoto estava vermelho, eu dei um leve sorriso. Depois disso, não nos falamos mais naquele dia, terminei de enfaixar o machucado dele e preparei o jantar, nós dois comemos em puro silêncio. Será que não deveria ter feito isso? Fiz errado em beijá-lo? Talvez sim, agi apenas por impulso, por causa de um pensamento, mas não achei nojento como normalmente acharia, pois não sou gay, mas talvez ele tenha sentido nojo, mas se tivesse, porque retribuiu? Eu estava confuso demais para por meus pensamentos em ordem, desisti disso e fui dormir, pelo menos descansaria de tudo isso. * No outro quarto estava um garoto confuso, que não sabia ao certo o que pensar sobre o que acontecera hoje, ele o amava desde o primeiro dia que o tinha visto, era pouco tempo, mas ele tinha certeza disso. O garoto não conseguiu dormir a noite toda com a imagem do beijo que ele havia lhe dado vindo toda hora em sua cabeça.
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