Nove Meses

5 Noah Moon


Notas iniciais
Oi migasssssss, LOOK WHO IS BACK? Até que fui bem rápida, hã? Falei que não ia mais demorar tanto. Particularmente achei esse capítulo um pouco confuso, mas ele é um capítulo de transição e muito importante. Cês curtem Heróis do Olimpo, do Rick Riordan? Eu escrevi uma one-shot inspirada em Caleo e adoraria que vocês lessem e comentassem, dizendo a opinião. Se não é fã, não tem problema, ela é universo alternativo. https://fanfiction.com.br/historia/646929/Bromelia-Caleo/ De qualquer maneira, curtam o capítulo novinho de 9M.

Na vida você sempre tem escolhas. Nunca acreditei na história de que quando uma pessoa fica em uma situação difícil ela segue o caminho errado porque não teve escolha. Nunca acreditei que você simplesmente faz burradas porque não teve escolhas. Isso não existe, você sempre tem escolhas.

Se você fica com uma pessoa por um tempo, só por diversão, e ela te pede em namoro de uma maneira super romântica, você não pode simplesmente aceitar porque ele foi fofo e você está com pena. Você “não teve escolha”, é o que falaria, certo? Errado. Você teve a escolha de recusar, mas preferiu ficar em um relacionamento infeliz.

Peço desculpas se meu exemplo foi estranho, olhando agora, talvez tenha sido mal colocado. Posso dar outros exemplos simples. Você pode escolher entre dois hambúrgueres, entre dois amores. Pode escolher se quer ou não ficar com seu parceiro. Pode escolher perdoar. Pode escolher matar ou não alguém em um momento de raiva.

Pode manter seu bebê ou abortar.

Peço desculpas também por sempre ter que falar da minha gravidez quando vocês, provavelmente, já estão cansadas disso. Eu também estou, mas escolhi continuar grávida, então se acostumem.

Outro bom exemplo é minha mãe. Muitos de vocês pensam que ela deve ser algum tipo de criatura mítica que abandona os filhos com o pai meio tapado. Não é exatamente verdade. Penny era uma mãe razoavelmente boa. Nunca esqueceu de me buscar na escola, me dava os remédios necessários quando eu ficava doente, ouvia minhas histórias bobas com quase atenção total. Ensinou-me a tocar piano. Era uma profissional responsável e competente. Seu casamento com Lester nunca teve brigas e ele sempre foi um marido dedicado. Lembro que ele trazia flores, tocava músicas e a enchia de presentes.

Porque ela escolheu nos deixar eu nunca entendi. Aceitou a primeira proposta de emprego longe de nós e voou para África para cuidar dos animais de lá. Foi embora enquanto eu dormia, nunca a vi partir. Eu tinha oito anos.

Apenas três meses depois de ir para lá que ela me ligou, procurou saber. Papai nunca soube dessa ligação, estava na Sonic Boom. Ela falou sobre muitas coisas e eu permaneci calada, até que ela notou que eu não falava nada.

— Ally, ainda está ai? — lembro que o ruído era intenso.

— Por que foi embora? — perguntei com aquela voz infantil chorosa que ainda não tinha passado pela puberdade.

Ela respondeu:

— Não tive escolha, Ally. Eu...

— Então escolha esquecer que eu existo.

E bati o telefone na cara dela. Quase dez anos se passaram e ela não me procurou novamente.

Talvez ela nunca quisera ter um bebê, talvez o casamento tenha caído em uma rotina e ela não era mais feliz, apesar das inúmeras tentativas do meu pai de agradá-la. Qualquer que seja o motivo, ela escolheu me abandonar, e não consigo esquecer isso.

Nem quero esquecer, para ser sincera. Quero sempre me lembrar de que pessoas não são fixas, que elas vêm e vão quando querem, e que nem sempre elas vão estar lá com você. Isso me fez dar muito mais valor as pessoas que estão ao meu redor.

Por isso eu aceitei tão fácil a amizade de Austin. Prezo as pessoas que chegam, mas não me importo se elas saem. Além do mais, não é como se eu e ele fossemos melhores amigos de qualquer jeito.

Guardem essa conversa sobre escolhas, ela vai ser muito importante.

A semana passou, o mês passou. A convivência na escola ficou cada vez mais estranha. Todos me olhavam, sem exceção. Pensei que depois do primeiro dia, novas fofocas surgiriam, mas não. Todo mundo encarava e fofocava, e minha barriga nem estava visível ainda. Só um carocinho que parecia verme.

A história que contaram é que eu namorava Dallas e dormi com ele (até ai é verdade), só que ao mesmo tempo eu tinha um caso com Austin (chocante), e no fim não sabia de quem era o pai, e ainda parti o coração do pobre Austin quando gritei na rua que ele não era o pai. Aparentemente algum aluno passava por lá na hora. MHS não é muito longe da minha casa, afinal.

Não sei o que Austin ou Dallas falam sobre isso, mas não me importa muito. Sei a verdade dos fatos. Chateia-me um pouco Dallas não se importar, virar a cara quando eu passo por ele, ou me ignorar nas aulas que fazemos juntos. Entretanto, foi bom para eu ver como as pessoas realmente são. Dallas não era o príncipe que eu pensava que fosse.

Com Austin é mais complicado. Ele me humilhou muito quando falou que meu filho não tinha um pai. Não é fácil de perdoar algo assim, principalmente quando ele viu o quão frágil eu estava. Ainda não entendi o que a aproximação dele quis dizer, muito menos porque ele quis se assumir como pai de No... do bebê, mas agora ele também me ignora.

Pelo menos ele não me zoa mais com a corja de amigos dele.

Assuntos banais a parte, Angie, a doutora da clínica de aborto me indicou uma obstetra muito boa, e eu finalmente começaria meu pré-natal. Dra. Lan, uma asiática na faixa dos cinquenta anos que trocava algumas letras, muito gentil, por sinal.

Plonta para ouvir seu bebê, Ally? — perguntou, enquanto eu levantava minha blusa.

Estava sozinha ali e, confesso, doeu. Trish estava trabalhando – de acordo com ela, tinha que levar a sério agora que seu sobrinho nasceria. Dez tinha que levar Carrie em algum lugar. Meu pai tinha que ficar na loja.

— Não — fui sincera, arrancando uma gargalhada baixa dela — É muito estranho imaginar que tem uma vida aqui dentro.

Cutuquei minha barriga quase inexistente e ela riu novamente, colocando o gel. É muito, mas muito nojento. É meio quente e frio ao mesmo tempo, e ela fica passando a maquininha por toda a extensão da minha barriga, buscando por algo que, para mim, são só vários borrões.

Então tudo mudou. Eu ouvi um barulho rápido como marcha de trem, mas forte como tambor de bateria. Arregalei os olhos, sentindo as lágrimas chegarem. Não queria chorar, mas é algo muito intenso para ser descrito.

— É o coração — Dra. Lan falou docemente, já vendo minhas iminentes lágrimas.

— Bate rápido assim mesmo?

Ela assentiu, e eu limpei as lágrimas.

Após esse momento. Ela me fez perguntas sobre minha vida sexual com Dallas, me fez recomendações e me passou remédios. Ainda estava com dez semanas, o que era equivalente a quase três meses. O tempo exato desde minha primeira vez.

Saí da sala agradecendo e teria passado direto pela recepção se não tivesse visto uma cabeleira loira sentada em uma das cadeiras mexendo no celular.

Tive que piscar umas duas vezes para ver se era mesmo Austin ali. Quando ele me viu o olhando, abriu um sorriso amarelo e sem graça. Fechei a cara na hora.

— O que faz aqui, Austin?

Ele se levanta em um pulo e se aproxima de mim – se aproxima demais, se me permite dizer. Ele tentou colocar uma mecha do meu cabelo para trás da orelha, mas eu me virei, e sua mão pendeu no ar. Ele a abaixou, deixando o sorriso morrer.

— Trish me contou que você vinha aqui hoje — traidora — Resolvi parar de ser um imbecil e ver como vocês dois estão.

Franzo o cenho, olhando desconfiada para ele.

— Veio ver se tem algum tipo de exame de DNA para eu saber que é o pai do meu filho? — minha voz não sai irônica como eu desejava, mas magoada.

Mesmo depois de um mês, eu ainda estava magoada com o que ele me dissera.

Ele torce o nariz, ficando levemente corado. Coça a cabeça em confusão.

— Aceita tomar um sorvete na orla comigo? Não vai demorar muito tempo.

Olhei o relógio em meu pulso, não preocupada realmente com o horário. Revirei os olhos, assentindo. Revirei os olhos novamente para o sorriso que ele mandou.

Não conversamos muito no caminho. Austin tinha que controlar os passos para acompanhar meu caminhar lento. Não estava com pressa nenhuma de chegar ao destino, nem de conversar com ele, na verdade.

Não estava muito disposta para ouvir as ladainhas de Austin Moon.

Chegamos à sorveteria que tinha ali na orla e eu pedi um sorvete de menta com frutas. Era meu sabor favorito. Depois que Penny foi embora, meu pai criou o hábito de me trazer à praia para tomar sorvete. Fazia bastante tempo que não fazia isso. Austin escolheu um de baunilha e tomava calmamente, não se importando em nada em falar comigo.

— Austin — chamei sua atenção, já cansada do clima que Havaí se instaurado. Ele me olhou, curioso — Por que me trouxe aqui?

Ele pareceu se lembrar da situação em que nos encontrávamos e seu sorvete escapou de sua mão, caindo no chão. Quis rir, mas lembrei que ainda estava chateada com ele.

— Que droga — resmungou, limpando a mão suja de sorvete. — Posso contar uma história?

— Se eu falar que não vai adiantar algo? — ele negou e eu dei de ombros.

— Mike não é meu pai biológico. — dessa vez fui eu quem derrubou o sorvete, imitando a reação de Austin. Como assim ele me soltava uma história dessas como se tivesse comentando sobre o clima?

— Austin, pare de falar asneiras.

Ele riu, mas não era um riso cheio de humor, era meio dolorido. Era impossível que Mike Moon não fosse pai de Austin, eles eram muito parecidos. O mesmo formato de rosto, a mesma mandíbula teimosa. O nariz era igualzinho. Os olhos castanhos também.

— Não é asneira. Minha mãe conheceu esse oficial do exército em um luau, em um verão qualquer, ele fora restituído, ou algo assim. Eles se apaixonaram a primeira vista, pelo menos foi isso que minha mãe me falou. — ele olhava para o horizonte alaranjado, o começo do por do Sol — Eles tiveram uma única noite romântica no último dia de verão e ela engravidara. Ela nunca pode contar para ele, já que ele teve que voltar para o Afeganistão.

Ah — é tudo que consigo dizer — Ah, Austin.

— Houve um enterro simbólico, já que nunca acharam o corpo dele. Foi quando minha mãe pode conhecer a família toda dele, a família Moon. Quando ela viu Mike, desatou a chorar, pois eles eram gêmeos idênticos. Ele próprio chorava como uma criança. Eles encontraram apoio um no outro, conforto. Ele era igual ao cara que ela amava, mas ao mesmo tempo completamente diferente. Mimi dizia que meu pai biológico era impulsivo e intenso, como um dia de ressaca do mar — apontou para o mar, que estava revoltado naquela tarde — Já Mike era um dia de maré retraída, onde você pode ir e ir e não notar que se perdeu na profundidade do mar. Ela se apaixonou por ele não por ele ser igual ao homem que a engravidara, mas por ser Mike.

“Então eu nasci e mamãe diz que eu era igual ao meu pai – os dois. E Mike me assumiu, porque ele acompanhara a gravidez, me amava e o principal, amava minha mãe.”

Uma luz se clareou na minha cabeça. Era por isso que ele estava tão interessado na minha gravidez, por isso ele queria assumir minha criança. Não por estar apaixonado por mim, ou algo do gênero, mas porque ele queria sentir como Mike se sentiu, tendo uma parte dele para sempre no mundo, mesmo que não viesse diretamente dele. Austin queria homenagear o pai que nunca conheceu, mas que com certeza via como um herói.

Ah, Austin.

— Austin — digo suavemente e ele desvia os olhos do mar e os volta para mim — Admiro muito você por tentar fazer o que queria fazer, você poderia ter me contado antes. — seus olhos se encheram de esperança — Não, não deixaria você assumir essa criança, mas eu não teria gritado com você. Você precisa entender que é uma responsabilidade muito grande para você, para mim, para qualquer um da nossa idade e eu não posso fazer isso com você. Se Dallas não assumir, então meu filho terá só Dawson no nome, mas isso não quer dizer que você não possa estar presente na vida dele, ou dela.

Ele assentiu, sorrindo levemente. Parecia ter finalmente entendido o meu ponto.

— Sinto muito pelas coisas horríveis que eu te falei, Ally. Estava irritado e disse sem pensar. Eu te acho incrível, de todas as maneiras.

Sinto meu rosto ruborizar e meus olhos marejarem. Malditos hormônios de grávida. Detestava estar tão sensível a tudo a ponto de chorar por qualquer coisa.

— Hoje eu ouvi o coração — mudei de assunto e ele abriu um sorriso que mostrava todos os dentes — Ainda está muito cedo para saber o sexo, mas é tão rápido, tão cheio de vida. Não entendo como pude pensar em abortar.

— Aceitando melhor o fato de ser mãe, hã? — ele brincou e eu torci o nariz, lembrando automaticamente do mês anterior, quando eu encontrara Angie, a obstetra da clínica de aborto, na praia.

Sim, fora ela quem viera até mim naquele dia que Austin e eu brigamos. Mas essa é uma longa história e eu não estava com condições psicológicas para falar sobre isso. Não depois de ter ouvido a vida bater dentro de mim, não depois de fazer as pazes com Austin.

Só vou dizer por enquanto que ela me deu uma escolha e é por isso que eu estava falando sobre elas anteriormente. Era uma grande escolha.

— Não sei — falei, mas minha voz soava distante em meus ouvidos. — Tudo ainda me assusta muito. Não sei se estou preparada para se mãe aos dezessete. Eu olho em todo lugar e vejo fraldas, chupetas, carrinhos. Mães para todos os lados e, ou elas parecem ótimas e maduras, ou desesperadas e cansadas. Eu estou surtando — olhei para ele, que me encarava de volta com uma intensidade esquisita no olhar. Estranho — Mas sim, estou aceitando melhor o fato de ter um pequeno parasitinha roubando meus nutrientes em meu útero.

Ele deu uma gargalhada alta que atraiu olhares para nós. Fiquei vermelha, não tinha sido tão engraçado assim a ponto de Austin dar um escândalo.

— Você é impossível, Ally Dawson.

Sorri de lado para ele. Feliz por ele estar de volta. Pessoas entram e saem da sua vida, mas só você podia permitir sua volta.

Eu permitia a volta de Austin para minha vida com muito gosto.

Ele olhou para o relógio e arregalou os olhos.

— Preciso ir, estou muito atrasado — ele levantou em um pulo — Não se importa de voltar sozinha, não é? Kira vai me matar se eu chegar atrasado de novo a um encontro.

Levantei as sobrancelhas, surpresa com a notícia, mas ao mesmo tempo neguei e ele sorriu para mim.

— Está saindo com Kira Starr? — perguntei. Kira era uma garota legal, além de muito bonita. Ela era uma das poucas que não parecia me julgar pelo meu parasitinha. Eu gostava dela.

— Não é nada muito sério, estamos nos conhecendo — assenti e ele olhou o celular, fazendo uma careta de medo — Falo com você amanhã, Ally. Kira disse umas coisas muito feias sobre mim e meu atraso.

Rio do desespero dele e me despeço, deixando que ele corresse rua a fora. Então me levanto em um pulo, lembrando que eu me esqueci de perguntar algo importante para ele. Corro um pouco para tentar vê-lo e consigo me aproximar o suficiente para gritar seu nome.

Ele para, virando para me olhar. Está levemente vermelho da corrida e seus cabelos estão desalinhados. Nunca vi Austin tão bonito.

— O que foi? Ai meu Deus, esqueci de pagar a conta? Eu sou muito burro — disse, passando as mãos nervosamente pelo cabelo e sacando a carteira. — Aqui, me desculpa mesmo, Ally.

Austin me entrega o dinheiro, mas eu nego, rindo dele.

— Eu só me lembrei de que não te perguntei o nome do seu pai biológico.

Ele me lança um sorriso nostálgico e eu entendo na hora. Seu olhar carrega uma doçura e tristeza que não imaginava que Austin pudesse sentir. Eu teria adivinhado mesmo se ele não tivesse dito nada.

— Noah — a voz era saudosa — Noah Moon.

Eu assinto e aceno para ele, que repete meu gesto. Austin volta a correr e some na esquina, me deixando ali parada no meio da calçada, mais perdida e confusa que nunca.

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado!