Nove Meses

7 Decisões


Notas iniciais
Mil desculpas pela demora. Eu expliquei para - eu não sei o nome dela aqui, mas no snap era Leticia_Kelly a situação. Minha madrinha passou por uma cirurgia e eu era a única que podia cuidar dela. Depois, eu tive amigdalite, o que é rotineiro, porque minha amigdalas são um monte de bosta. Eu senti muita dor e não conseguia pensar direito. E para completar, eu estava a beira de outro colapso nervoso. Mas façam como a Letícia, cobrem mesmo. Me mandem mp, snap, perguntem-me no tumblr, twitter, qualquer coisa. O próximo está já em estágio de produção. Aproveitem!

A primeira pessoa que decidi notar não foi Austin ou o contra ataque de Dallas. Foi Kira.

Sei que quando tem dois garotos prestes a entrar em uma briga por minha causa eu devo reparar nos dois. E eu reparei, mas minha prioridade foi Kira. Austin tinha se soltado dela e ela encarava o mesmo com um semblante triste e confuso. Não consigo não sentir pena de Kira.

Estar em um relacionamento com o Austin não deveria ser complicado em nenhum aspecto. Ele era inteligente (quase), não tinha problemas familiares nenhum, iria cursar o que queria após o ensino médio, era popular e divertido. Por isso eu me sentia tão culpada por estar ali no meio do namoro dos dois.

Eu era a intrusa, a pessoa que Austin deliberadamente incluiu na vida dele como o problema que ele não tem. Pessoas mimadas têm isso, quando a vida está perfeita demais elas precisam de algum tipo de problema para continuar interessante.

Sei também que tem toda a questão de Noah Moon. Noah Moon original, mas isso não muda o fato de que Austin me usa como um estepe problemático.

Kira escolheu uma péssima hora para entrar na vida de Austin, e a culpa é parcialmente minha.

Então ela me olha e confirma todos os meus pensamentos. Ela me culpa sim. Suspiro, lidar com Kira também não estava nos meus planos.

De cuidar de crianças já bastava Austin e meu bebê.

— Estou falando com a mãe do meu filho, pode dar licença? — Dallas se pronunciou, apertando um pouco mais meu braço. Não para doer, mas para delimitar posse sobre mim.

Tenho vontade e revirar os olhos, mas estou preocupada demais com a reação de Austin, que está com o maxilar tão travado e os punhos tão fechados que parece algum tipo de deus da guerra magro e furioso.

— Você não é o pai dessa criança, seu imbecil — avançou um passo.

— E quem seria? Você? — Dallas zombou — Pelo amor de Deus, Austin. Você nem ao menos gostava de Ally. Zombava dela sempre que tinha chance, e agora vem dar uma de defensor? O que você quer com ela? Tem a sua namorada, tem a sua própria vida.

Dallas tinha um ponto. Sempre que eu estava sozinha, esse mesmo pensamento vinha a minha cabeça. O que Austin queria, uma vez que ele nunca se importou comigo, nunca foi meu amigo?

No entanto, empurrava esse pensamento para o fundo da minha cabeça, também. Austin se mostrou um bom amigo, se preocupava. Fiquei com um pouco mais de raiva de Dallas por ficar tentando colocar coisas em minha cabeça.

— Eu me importo com Ally — Austin estava na defensiva, mas avançou mais um passo na nossa direção. O aperto de Dallas estava começando a doer — Eu estava com ela em todos os momentos em que o pai da criança deveria estar. Eu posso não ser o pai, mas você também não tem esse direito.

Kira tentou conter Austin, mas ele a empurrou levemente para o lado, um chega para lá na moral dela. Ela foi embora imediatamente, e meu coração pesou mais um pouco.

— Bem, quem engravidou fui eu.

Canso da discussão. Canso do drama. Dou um puxão em meu braço, o que faz Dallas me soltar.

Fico entre os dois, que se fuzilam com os olhos. Não duvido nada que se tivessem uma arma já teriam atirado. Mas nenhum deles está tão irritado quanto eu. Se eu tivesse uma arma já teria atirado nesses dois idiotas.

— Parem já com isso — repreendo — Dallas, vá embora daqui. Quando realmente estiver preparado para algum tipo de responsabilidade me procure, eu não fiz esse filho sozinha.

Ele lança uma última olhadela raivosa para Austin e entra para a escola, desaparecendo pelos corredores.

Volto-me para Austin, que não parece mais com raiva, mas preocupado. Ele olha para meu braço branco e descoberto avermelhado pelo aperto de Dallas.

— Austin — queria soar irritada, mas não consigo. Parece apenas um suspiro cansado — Eu vou falar com a sua namorada.

Dou as costas para Austin, que chama meu nome. Atravesso os corredores até ouvir uns barulhos vindo do banheiro feminino. Quando entro, parece vazio, mas a última cabine está ocupada, mas a porta está aberta.

Kira está lá, sentada no vaso com a tampa abaixada, chorando sozinha. Parecia arrasada.

Nunca fui de reparar muito em Kira, mas olhando agora, ela não parecia ser uma pessoa com muitos amigos. Sempre andava com todos, mas nunca estava fixa com ninguém. Deveria ser bem solitário ser ela. Senti-me ainda mais grata pelos meus três amigos.

Ela finalmente repara em mim agachada na sua frente. Ela para de chorar na hora, secando as lágrimas furiosamente. Sua feição é fechada, agressiva, mas ainda assim é triste e frágil.

— Austin é um idiota, não é? — pergunto, tentando quebrar o gelo. Não sei conversar direito sobre meninos, já que Trish nunca precisou de meus conselhos para nada e eu nunca tive problemas com garotos até agora.

Ela revirou os olhos.

— O que faz aqui, Ally?

Ignoro o tom rude, sei que ela não tem culpa de nada que está acontecendo aqui.

— Conversar. Sei que Austin pode ser um pouco difícil.

— Difícil? — ela riu sem humor, fungando em seguida — Ally, eu sou apaixonada por Austin desde o nono ano. Ele nunca me notou até eu ficar bonitinha, mas quando ele finalmente me olha e eu finalmente tenho uma chance com ele, você está no caminho. — abro a boca para argumentar, mas ela me corta — Sei que não tem culpa nenhuma, nem seu bebê. A culpa é dele por estar gostando de você.

— Do que está falando? — rio nervosa — Austin é obcecado pelo meu filho, mas não gosta de mim do jeito que você fala.

— É por isso que eu tenho tanta raiva de você. — exclamou — Você nem se dá conta de que Austin Moon está completamente de quatro por você. Enquanto isso eu fico em uma competição imaginária estúpida que eu mesma criei na minha cabeça. — bufou, bagunçando os cabelos. — Olha, Ally, eu não quero Austin, não enquanto ele e você ainda estiverem nessa situação estranha. Não acho que nenhum de vocês já se deu conta de seus sentimentos, mas eu não quero estar no meio disso tudo.

Fico uns bons minutos pensando no que ela quer dizer. Austin não gosta de mim, romanticamente falando. Austin não é do tipo que guarda os sentimentos, então se ele gostasse de mim, falaria.

Não acho que nenhum de vocês já se deu conta de seus sentimentos.

Eu sei o que eu sinto, eu sei que só gosto de Austin como um amigo. Sou grata por ele estar na minha vida, mas não sinto nada por ele. Claro que sou atraída por ele, ele é incrivelmente bonito e meus hormônios estão nas alturas, só que isso não é motivo. Sei com toda certeza que não sou apaixonada por Austin.

— Kira, pode achar isso, mas em momento nenhum eu e Austin estivemos em nada que pudesse ser um relacionamento. E eu torço muito para vocês dois e –

— Ally, e Austin já acabamos. Acabamos no momento em que ele se posicionou como pai do seu filho na frente de Dallas. — ela me ajudou a me levantar e quando estava quase saindo o banheiro, voltou-se para mim — Eu deveria dizer que vou acabar com você por dar em cima do meu homem, mas, sinceramente, você já tem drama demais na sua vida para eu tentar deixar você ainda mais infeliz. Boa sorte, Ally.

E me deixou ali sozinha.

(...)

Fiquei remoendo o que Kira disse por um bom tempo. Por mais que eu estivesse segura dos meus sentimentos, os de Austin eram um enigma para mim. O quanto ele gostava de mim? Até que ponto ele só queria a paternidade do meu bebê e minha amizade?

As palavras de Dallas aproveitaram e ecoaram em minha cabeça, o que você quer?

Preferia atolar tudo nos fundos da minha cabeça. Eu já tinha problemas o suficiente para me preocupar com os supostos sentimentos de Austin. Se ele gosta de mim, venha conversar. Eu não tenho tempo para pensar sobre isso.

— Ally, você está bem? Parece que vai vomitar — saltou de susto quando viu Trish entrando na Sonic Boom.

Usava nesse dia uma calça legging amarela, uma fantasia enorme de queijo e na cabeça um arco de queijo.

— Você não tinha que estar trabalhando? — perguntei.

Ela deu de ombros, se apoiando como conseguia no balcão dentro da roupa enorme de queijo. Parecia verdadeiramente preocupada comigo.

— O que está acontecendo, Ally? Você anda escondendo as coisas de mim.

Então eu desabo.

Conto tudo sobre o drama Austin-Dallas-Kira e como eu me sentia sobre isso. Sobre minhas dúvidas sobre as intenções de Austin e sobre os supostos sentimentos dele por mim.

Trish ouve tudo silenciosamente, não me interrompendo nenhuma vez. E prestando atenção também, o que é alguma espécie de bônus. Raramente Trish presta atenção em algo que eu falo.

— Ally, você gosta do Austin? Porque, sinceramente, não parece que só se importa com ele como amigo.

— Não posso gostar de Austin, Trish, estou esperando um bebê.

Ela me olha como se eu tivesse dito que casaria com um alienígena.

— Ally, o que uma coisa tem a ver com a outra? Você não é impedida de gostar de alguém só porque está grávida. Na verdade, como seus hormônios estão em maior quantidade, a probabilidade de você se sentir atraída por Austin aumenta bastante.

Bato na minha testa, desejando ser atingida por um piano.

— Trish, é disso que eu estou falando! — ela continua sem entender — Eu tenho meus sentimentos por Austin muito definidos, mas ele envolve drama demais, drama que eu não estou disposta a aceitar. Kira, Dallas, a paternidade do meu bebê, Austin tem conseguido complicar tudo isso. Não estou reclamando, ele vem sido o melhor amigo que eu poderia ter, mas eu já tenho problemas o suficiente com o bebê.

Ela assente e minha língua coça para contar sobre Angie e a adoção, mas, por algum motivo desconhecido, me contenho. Não parece certo compartilhar com ninguém no momento isso, além de Dallas, que calhou de ser o pai.

Por isso, guardo para mim e deixo Trish pensando que o drama se restringe a Austin; isso parece ser algo mais fácil de lidar.

— Ally, tudo bem — deu-se por vencida — Você não gosta dele, já entendi. Só que isso não o impede de gostar de você.

Obrigada, Trish, muito obrigada.

(...)

Minha cabeça martelava tanto no fim do dia quando eu me deitei que pensei que meu cérebro abriria um buraco no meu crânio e sairia para um passeio. Seria uma boa folga para nós dois, não?

De qualquer maneira, eu estava aliviada pelo dia estar no fim do dia e eu finalmente poder ir dormir. Minha cama nunca parecera tão confortável e meu travesseiro estava implorando para eu encostar-me a ele.

Era a hora de empurrar todos os problemas para o fundo da minha cabeça e deixar tudo para o dia seguinte.

Quando estava quase cochilando, meu celular apitou com a chegada de e-mail. Quase chorei de desgosto.

Até eu abrir o aplicativo.

O primeiro era da Julliard. Eu precisava confirmar o recebimento da minha carta de aprovação e dizer se eu ingressaria nesse novo semestre ou se reservaria a vaga até as próximas turmas serem formadas. Suspirei. Sempre pensei que agora seria a hora de sair de Miami, eu tinha já algumas malas já arrumadas e já tinha visto um apartamento para alugar com mais algumas meninas. Tudo aquilo já fora descartado, obviamente.

Acariciei a barriga, sentindo minha dor de cabeça piorar. Eu precisava fazer uma escolha em breve, mas eu não me sentia nada disposta a tomar decisões.

— Ai bebê, que complicada a vida, não é? Espero que você não tenha que passar por nada disso.

Foi então que me dei conta que era a primeira vez que eu conversava com meu bebê.

Eu aceito o fato de estar grávida, finalmente. Não, não sei se vou ficar com ele, entretanto eu o aceito independentemente de tudo. Eu tenho um bebê.

Vou ser mãe.

Contente com minha aceitação, resolvo abrir o segundo e-mail.

Meu estômago se revira e toda a felicidade que eu acabei foi empurrada para o fundo de mim e a dor de cabeça volta com força total, fico até tonta.

Eu confirmo primeiro o e-mail de Julliard, pedindo para reservarem minha vaga para as próximas turmas. Depois, respirando fundo, tomo minha decisão, mesmo que pareça precipitada.

— Alô? — a voz soa sonolenta e eu me arrependo por ligar tão tarde.

— Desculpa se te acordei — digo culposamente.

— Não tem problema, querida. — Angie soa doce e eu tento me convencer de que ela vai ser a mãe perfeita.

A mãe que eu nunca poderia ser.

— Eu aceito — interrompo-a, soltando a respiração que eu não notei que prendia — O bebê é seu.

Ela soltou um gritinho e passou a falar sobre milhões de coisas, acompanhamento médico, ajuda financeira, nomes. Tudo que eu deveria prestar atenção, mas não estava.

Minha cabeça ainda estava no e-mail que me ajudou a tomar uma decisão.

Era de Penny, minha mãe. Apesar de não saber como ela havia conseguido meu e-mail, ele estava lá, poucas palavras.

Soube de sua gravidez. Estou voltando.

Notas finais
Twitter: @strngbird Snap: betavares19 tumblr: sship-to-wreck.tumblr.com