Nove Meses

46 Capítulo 42: Minerva


Notas iniciais
Boa noite pessoal, como estão? Mais uma vez cá estou eu com um novo capítulo de NM. E pra começar tenho que dizer algo: TEMOS RECOMENDAÇÃO NOVA! Eu estou muito, muito feliz. Não sei nem mesmo o que dizer para Lady Jées, posso apenas deixar o meu muito obrigada. Eu simplesmente amei a recomendação. Suas palavras até me motivaram a escrever mais e mais ♥♥♥ Agora voltamos para os acontecimentos do capítulo. Bem, temos aí um pouco mais da história de Jude e Yukiko. E vou fazer para vocês a mesma pergunta que lancei para os leitores do Social Spirit: Vocês acreditam que Jude realmente ama Layla, ou na verdade sempre esteve apaixonado por Yukiko? Gostaria de saber como interpretaram toda essa história. Bem, diante algumas atitudes de Yukiko da para perceber que ela não está em seu mais perfeito estado mental, o que acham que pode acontecer agora? O próximo capítulo provavelmente será postado no domingo. Mais uma vez obrigada pela linda recomendação. Até♥

No capítulo anterior:

— Filho... — Falou, a voz ainda estranha. — Encontraram
o corpo de Elfman, infelizmente o encontraram morto. Mas... — Respirou fundo e concluiu. — Mirajane foi localizada viva e foi encaminhada para um hospital aqui de tóquio.”

Capítulo 42: Minerva

Meus ouvidos mal acreditavam no que escutaram. O sumiço de Elfman e Mirajane Strauss depois da queda do avião era um enigma para todos. Grande parte da população já os tinha como mortos,e não posso negar esse era um pensamento meu também.E apesar de infelizmente esse ser o fim de Elfman, Mira ainda estava viva.

Natsu e Igneel permaneciam perplexos demais para comentar alguma coisa. Sentei-me na cadeira, o que seria da Strauss mais velha quando descobrisse o que Lisanna fez? Apesar de não conhecê-la, ao que sabia era uma boa pessoa.

Só nos restava esperar.

6 de dezembro de 2001

Autora

Yukiko sempre fora uma mulher que apreciara o luxo, e viver como nos últimos dias era realmente considerado o fim dos tempos. O ambiente era pequeno e desorganizado, uma vez que não podiam contratar uma pessoa para limpeza. Não era possível se hospedar em um local maior, pois desde que seu rosto estava estampado em todos os jornais do país qualquer um a reconheceria. E Lisanna, essa apenas seguia o ritmo que ditava. A mulher não sabia até que ponto poderia confiar nela.

Levantou da pequena cama de colchão duro e sentiu a dor lhe atingir em cheio. Definitivamente ela não nascera para aquilo.

— Droga de Pocilga! Maldito lugar! — Falou ao ver que Lisanna continuava dormindo na cama ao lado. Essa, apesar das reclamações, parecia aceitar melhor que Yukiko o ambiente que agora se tornara sua nova casa.

Viu algumas fotos espalhadas sobre a mesa e rapidamente se lembrou do presentinho que havia enviado para a família Heartfilia. A esse momento todos deveriam estar sabendo da verdade e mal podia imaginar qual seria a cara de Layla ao saber que fora enganada por todos esses anos.

Pegou uma foto em particular e observou o rosto sorridente de Jude. Eles estavam bêbados, no entanto, felizes. Não poderia negar o quanto aquele homem fora importante em sua vida e todos os sentimentos que ele lhe apresentou.

Talvez seu maior arrependimento foi não ter tirado Layla da vida de ambos antes. E ter um dia acabado com a existência de um filho deles. Hoje, se aquela gravidez tivesse prosseguido teriam um bebê de aproximadamente um ano.

Yukiko se lembrava com exatidão do momento em que tudo acabara entre eles. No exato instante em que ele descobrira do aborto que realizara. Aquele foi ato que colocou fim a uma relação de vários anos.

Aquela história havia começado no colegial e lembrava-se exatamente de cada momento no dia em que o conhecera.

Seu maldito! Você não tem direito de tocar em mim. — Gritou com o padrasto, que pela terceira vez naquela semana viera com segundas intenções para com ela. Na infância era comum o homem pedir para a menina em diversas ocasiões retirar a blusa, em outras a calcinha, até que o primeiro estupro aconteceu. Por anos ela convivera com isso, entretanto depois de tanto tempo resolvera colocar finalmente um ponto final naquilo tudo. — Minha mãe pode continuar sendo iludida por você, mas, para mim acabou.

Foi quando pegou suas coisas, juntou tudo em algumas malas e foi morar na casa da amiga. Por muito tempo a jovem Yukiko agüentara aquela situação, porque apesar de tudo o homem com o qual a mãe vivia possuía dinheiro e lhes ofertava uma boa vida. Mas até mesmo para ela aquilo possuía limites. Depois que a avó falecera e lhe deixara um bom dinheiro de herança não precisava mais aguentar os abusos.

Devido ao controle de gastos que agora teria que fazer, Yukiko foi forçada a passar para uma nova escola, a qual possuía as mensalidades mais baratas. E foi naquele ambiente que conhecera o homem de seus sonhos.

Era seu primeiro dia de aula e não poderia negar que chamava atenção pelos corredores. Não apenas por ser a aluna nova por também ser a menina mais arrumada dali. As outras, ao contrário de si, não se preocupavam muito com o físico, via a maioria delas apenas com um coque na cabeça. Riu internamente, mesmo que estivesse a apenas uns quinze minutos no novo colégio, ninguém poderia discordar que era a moça mais formosa.

Logo na primeira aula de biologia conhecera Jude Heartfilia, um dos garotos mais disputados do colégio. Mas que já fora fisgado, como falava às meninas que se sentavam ao seu lado. Ele namorava Layla, uma jovem doce e ingênua demais para um cara como aquele. Para seu infortúnio, Yukiko havia gostado dele e naquele instante o relacionamento deles poderia ter dado como terminado.

Nos primeiros dias a troca de olhares entre eles não era visível para a maioria da sala, nem mesmo para a loira que se sentava logo a frente do namorado. Mas Yukiko o pegava diversas vezes admirando pelo canto do olho.

A primeira vez que o cercou foi no vestiário masculino, depois dos jogos de verão. A morena sabia seduzir, ou metade do colégio não estaria agora esperando por uma oportunidade.

— Vi você diversas vezes olhando-me hoje no jogo. Que feio Jude, sua namorada pode ficar triste. — E riu, destacando ainda mais os dentes por baixo do batom vermelho. — Sabe o que eu acho? — Se aproximou ao ver que ele estava sem reação. — Que você quer ficar comigo. Mas como não? Sou bonita e atraente e sua namorada nem mesmo se arruma pra você.

O garoto naquela época ainda tentou resistir, diversas e diversas vezes porque ainda acreditava no amor verdadeiro. Contudo, se tinha uma coisa que Yukiko aprendera depois de todos aqueles anos sendo abusada pelo padrasto eram as melhores maneiras de agradar um homem.

— Você não pode fazer isso. Já tem dois anos que namoro com Layla e...

A morena o beijou e Jude inicialmente lhe afastou. Nada que não fosse resolvido com uma segunda tentativa e não ele cedeu. Sem relutância alguma o jovem a segurou com força, trazendo a garota para ainda mais perto de si. Tão próximos assim, ele sentia todas as suas curvas majestosas.

— Vejam só, vejo que está excitado com tão pouco. — Ela riu, um tom rosado preencheu suas bochechas levemente. — É verdade o que dizem por aí? Que você e Layla nunca... Chagaram tão a fundo no relacionamento? — Vendo o silêncio do garoto de madeixas loiras, riu ainda mais. — Não lhe recrimino por trocá-la tão facilmente.

E depois daquele dia os encontros entre ambos se tornaram mais freqüentes. Não foram necessários mais que algumas semanas para que o namoro entre Layla e Jude acabasse e eles começassem um novo, de forma oficial.

— Eu não entendo meu amor, nós estávamos tão bem... — A garota loira disse, algumas lágrimas ameaçando derramar. — Eu te amo Jude e sei que você também me ama. Sei que pode estar confuso por tudo que as pessoas dizem por aí, mas nós dois...

— Não Layla, eu realmente não quero te magoar. Mas esse relacionamento não da mais pra mim.

Atrás da porta Yukiko ouvia tudo com uma pontada de pena da menina. Ela que sempre esteve mais focada nos estudos do que no namoro, foi a primeira a facilitar que se aproximasse.

O namoro deles prosseguiu, juntando um montante de seis meses. E não poderia jamais negar o quão apaixonada estava por ele. Em um primeiro momento poderia confessar que se aproximou apenas por capricho. Por ele ser um cara bonito. No entanto, para sua surpresa ele se mostrou ser uma pessoa diferente de todas que conheceu. Jude era carinhoso, lhe fazia surpresas cuidava-lhe de uma forma que ninguém jamais fizera. Preocupava-se em todos os momentos e tinha a atenção de sempre lhe perguntar como estava. Mandava mensagens de boa noite e sempre a levava para sair. Todavia só tinha um problema, por mais que seus pais tivessem um emprego bom, não possuíam grandes negócios.

E mais cedo ou mais tarde isso influenciaria o namoro.

Foi quando um garoto da escola antiga lhe procurara para sair. Seu nome era: Igneel Dragneel. Seus pais eram donos de uma grande companhia de tecnologias que é claro seria um dia herdado pelo garoto.

— Jude, você entende o que estou querendo lhe dizer?

— Não, não mesmo Yukiko. Nunca achei que fosse tão interesseira, sempre acreditei em seu amor por mim.

— E eu te amo!! — A garota se aproximou, o abraçando por trás. — Eu te amo mais que a minha própria vida, e seria capaz de tudo por você meu amor. É por isso que preciso fazer isso. Nós não precisamos terminar, irei te ver em todos os finais de semana. Estarei cuidando de um futuro digno para nós dois.

— Futuro digno Yukiko? Eu posso entrar na faculdade e você também. Nós dois podemos construir uma vida juntos. — Disse transtornado.

— Jude, por favor, entenda... — Começou, mas o homem possesso não deixou que terminasse de falar.

— Você quer se casar com esse cara e mesmo assim ficar comigo? Não vou ser seu amante Yukiko. E não quero nenhum dinheiro dele.

— Você pode não aceitar agora amor. E mesmo que termine comigo, um dia irei lhe reencontrar e nós dois teremos a vida que merecemos. Pode não ser hoje ou amanhã, mas um dia viveremos tudo o que temos direito. Porque você é e sempre será meu.

E naquele dia o relacionamento dos dois terminou. Um ano mais tarde, já em um casamento, ela descobrira que Jude e Layla reataram o relacionamento. Seis meses depois, soubera que estavam esperando um filho. Ambos foram obrigados a abandonar a faculdade.

E então, pela primeira vez sentira raiva de Layla. Porque ela que sempre era tida como a mais exemplar da escola, havia dado um filho ao seu grande amor. Um menino que por fotos, vira que era idêntico a Jude. Ele poderia ser o filho de Yukiko com seu grande amor. Esse menino, mesmo que de outra, lembrava-a da vida que poderiam ter juntos. Do menino que certamente deveria ter sido dela. Já poderia se imaginar, segurando-o nos braços e ninando-o, ao lado de Jude.

Yukiko tinha certeza que Jude também tinha mais ambição da vida e que apenas aquilo não lhe bastaria. E foi por isso que por anos apenas o observou, da escuridão, vigiando cada passo seu. O homem pelo qual desejava quando estava com Igneel, que sonhava todas as noites e que ansiava pelos lábios contra os seus.

Dois anos se passaram e descobrira de uma nova gravidez. Dessa vez, uma menina. Essa era extremamente parecida com Layla. Mesmo que distante, apenas nas sombras, Yukiko não conseguia encará-la. Todas as vezes que olhava para a pequena garotinha, se lembrava de que Layla, mesmo sem nenhum esforço, conseguira ficar com ele, e mais uma vez lhe dar uma criança. Lucy Heartfilia era a prova viva de que não conseguira na vida o que mais almejava.

Anos mais tarde Yukiko vira uma nova oportunidade para se reencontrarem. Layla Heartfilia depois da morte da irmã tornara-se uma mulher com vício no alcoolismo, uma situação tão séria que foi necessário o internamento. Nesse momento Jude estava sozinho e carente, com dois filhos para criar e uma mãe longe.

Reencontrara-o em sua própria casa. Não era preciso dizer o tamanho do espanto depois de tempos sem se verem.

— O que você faz aqui? — Perguntou com a voz trêmula. — Depois de tanto tempo, porque ainda está aqui? — Percebeu, mesmo que ele tentasse disfarçar, que seus olhos adquiriram um brilho inovador. Confirmando todas as suas suspeitas.

— Porque eu te amo Jude, nunca deixei de amar em todos esses anos.

— Yukiko, eu amo minha família e amo minha esposa. — Completou com total convicção. Tentou fechar a porta, mas esta foi barrada por uma mão.

— Não! Eu sei que você me ama. Vejo isso em seu olhar.

E mais uma vez Yukiko o beijou e Jude não a afastou. Agora mais maduros e experientes, mas com o mesmo sentimento daquele dia no vestiário do colégio. Por alguns momentos eles voltaram a ser dois adolescentes imaturos, completamente apaixonados.

Ele se sentia sozinho, abandonado e carente. A esposa estava longe e os filhos só dependiam dele. Um fardo que se tornara grande demais para carregar. Isso foi o que fizera recair, pelo menos era o que acreditava.

Todavia o que Yukiko achara ser agora um romance eterno acabou alguns dias depois.

— Eu realmente amo minha esposa Yukiko. E por mais que o desejo fale mais alto em alguns momentos, o sentimento que tenho por ela é mais altivo em meu coração.

Ela não aceitou muito bem, pois foram necessárias algumas palavras mais sérias do homem para que desistisse.

— Você pode tentar fugir o quanto quiser. — Sussurrou. Porque ele, juntamente com o filho, eram os únicos capazes de realmente desestabilizá-la. — Eu não vou mais atrás de você, Jude. Não depois de hoje. Porque eu sei que em algum momento vai retomar consciência dos seus verdadeiros sentimentos. ‘Porque você é e sempre será meu.’

— Acredite, é o melhor para nós dois.

A partir daquele momento, raiva aumentou no coração da jovem mulher. Até então sempre achara que Jude estava com Layla por não conseguir prosseguir com seu amor para com ela. Mas naquele dia vira que o homem o qual amava estava realmente apaixonado pela mãe de seus filhos. Que em seu coração morava outra pessoa. A jovem que o possuía no início e que no fim acabara com ele.

Foi a primeira vez que se arrependeu de um dia ter deixado-o.

Alguns anos depois por um infortúnio do destino Jude Heartfilia fora a uma entrevista de emprego, em uma das casas mais requisitadas de Tóquio, a mansão Dragneel. Havia sido despedido do último emprego e por mais que a idéia não lhe agradasse, precisava urgentemente do dinheiro, pois tinha uma família para sustentar. A filha possuía gastos no colégio, as despesas de casa pareciam cada vez maiores e as dívidas faziam um somatório assustador. Não era uma opção ficar desempregado, e mesmo com todos os fatores contra o pagamento era satisfatório.

Mas Jude sabia quem ele iria encontrar ali.

E foi o que aconteceu.

O dinheiro conquistado através do trabalho permitiu-lhe dar uma vida confortável à família, mas seus dias eram recheados de situação desconfortáveis. Ele ignorara seu amor do passado assim como Yukiko fazia. E essa situação se sucedeu pelo primeiro ano.

— Depois de tudo que passamos juntos, nos resumimos a isto? — Questionara ela em um dia qualquer. Como em seus outros reencontros Yukiko o cercara na garagem.

— Não existe nossa relação. — Dissera limpando o vidro do carro. — Por Deus Yukiko, são tantos anos e até hoje você ainda acredita nisso? Eu amo a família que estabeleci. Sei que nunca tive a oportunidade de lhe dizer isso, mas sinto muito. Pela sua filha e por tudo que foi obrigada a passar. Apesar de tudo, essa história já recebeu um ponto final.

— O nosso amor é imortal Jude. — Falou. A certeza que possuía sobre aquelas palavras era tamanha que a assustava. — Eu sempre serei seu único e verdadeiro amor. E você... Sempre será o dono do meu coração.

Irritado, o homem virara de repente, ficando frente a frente com ela.

— Jura? Você não achava isso quando me abandonou aquele dia para ficar com um cara que tinha mais grana. — Concluiu. A voz evidentemente dominada pela mágoa.

— Então é isso?Até hoje você ainda está chateado comigo por tudo que aconteceu no passado? — Ela se aproximou vagarosamente, e pouco a pouco seus dedos tocaram o rosto do homem. O simples contato foi capaz de reacender nela todas as sensações prazerosas de quando jovem. Fechou os olhos, naquele momento ela teve a certeza que não se permitiria perdê-lo novamente. — Se quer um pedido de desculpas Jude, eu lhe dou. Sou a pessoa mais arrependida desse mundo por ter lhe deixado aquele dia. Mas você, assim como eu, sabe como o dinheiro é importante. E agora eu o tenho — Falou, aproximando seus lábios até que estivessem a alguns centímetros de distância. — posso pedir a separação para Igneel agora mesmo, terei direito a grande parte de sua fortuna. Podemos fazer o que quisermos. Sair desse país e vivermos a nossa vida.

O homem riu, deixando a mulher assustada. Ria tanto que era impossível não ficar desconfortável com aquela situação.

— Você parece que nunca aprende. — Começou. Fortemente segurou no braço dela, e o jogou para longe. — Mesmo hoje, sua ganância por dinheiro é maior que essa afeição que diz sentir por mim. Não é possível que depois de tudo que passou, não saiba valorizar a família que possuí. Eu não quero o dinheiro do seu marido Yukiko, a não ser que seja pelo trabalho que ofereço.

E se virou rumo à saída da garagem.

O desespero tomou conta da mulher, porque mais uma vez ela estava o deixando ele ir embora.

— Não! Por Favor! — Correu. Rodeou seus braços ao corpo dele e encostou a cabeça em suas costas, como fizera anos atrás — Deixa eu me desculpar. Juro que só quero conversar. Venha me encontrar hoje à noite.

— Não posso ir. — discorreu com voz grossa e irritada.

— Por favor, Jude. Só vamos conversar. — Apertou-o ainda mais. — Só conversar...

E foi assim que conseguiu convencê-lo. No fundo Yukiko teve certeza que não era apenas isso. Ele sempre poderia negar, mas todas as vezes que o chamava ainda sim ele ia até ela. Mesmo que se negasse a admitir, em algum lugar dentro dele, o amor que sentiam não havia se apagado.

— Pronto você conseguiu fazer com que eu viesse. — Disse, sentando-se na poltrona perto da cama. Ela havia entrado no banheiro e estava lá há alguns minutos — O que quer conversar? — Disse um pouco mais alto, para que ela pudesse escutá-lo.

Jude foi até o hotel que Yukiko indicara, um dos mais requisitados da cidade. No entanto após recebê-lo ela o deixara sozinho, até aquele momento.

— Está pronto? — Perguntou.

Confuso devolveu com outra pergunta:

— Pronto exatamente para que?

E então a mulher saiu do pequeno ambiente em que estava. Vestida com uma lingerie preta, ele não poderia negar o quão provocante estava. Os cabelos, depois de muitos anos estavam curtos e mais escuros. O batom vermelho preenchia os lábios cheios. E mesmo após ser mãe duas vezes o corpo se mantinha escultural. Tão linda como a primeira vez que a vira no colégio.

— Eu não sei o que você quer com isso... — Começou, fechou os olhos por alguns segundos e foi acometido por lembranças. — Mas nada irá acontecer.

— Se você amasse sua mulher como diz não teria vindo essa noite. — Sussurrou. A micro-passos ela se aproximou. Sem em nenhum momento deixar de encará-lo. — Podem se passar quantos anos desejar querido, jamais vamos realmente nos separar. — E sentou-se sobre ele. Nesse instante o loiro sentiu que perdeu toda a sua sanidade e por mais que se condenasse não conseguia entender como poderia fazer aquilo com a mulher. Seu corpo era sempre mais forte que a razão.

— Eles não merecem indivíduos como nós Yukiko. Igneel e Layla deveriam estar com pessoas melhores.

E foi nesse momento que ambos se entregaram mais uma vez a luxuria. Ao prazer que era impossível conter.

Por meses a relação continuou. Os encontros se tornavam cada vez mais freqüentes: depois do trabalho, nos finais de semana, na despensa da mansão Dragneel. Um dia, porém, uma notícia os pegou de surpresa.

— Eu... Eu não posso acreditar que isto aconteceu. — Falou o homem, algumas rugas lhe preenchiam a face, nada que pudesse abafar a beleza incomum.

A mulher continuou com a face abaixada, tinha algo estranhamente peculiar em seus dedos dos pés, já que não conseguia desviar os olhos deles. Não, ele bem sabia que ela só fazia aquilo por que não conseguia encará-lo.

— Eu também não esperava p-por isso. — Ela gaguejou, ele jamais a vira fazer algo assim. Tudo apenas comprovava o quão desesperada estava. — Eu... Eu... — Engoliu em seco, o que estava prestes a pronunciar não era fácil para ninguém, nem mesmo para uma mulher como ela. Que não se deixava ser tomada pelos sentimentos tão facilmente. — Eu não posso ter essa criança.

Ele não imaginou que pudesse ficar mais surpreso do que estivera há alguns minutos atrás quando ela lhe confessou estar grávida. Mas agora, com ela lhe dando a possibilidade de acabar com a vida se um ser completamente inocente, que não tinha nada haver com a bagunça que os dois estavam fazendo.

— Não, você não pode fazer isso. — Ele falou. Os olhos com leve ar de desespero. No fundo tinha esperança de que não seria capaz de fazer algo como aquilo.

Ela sorriu, um requisito de tristeza passou brevemente pelo ato, antes de ser completamente abafado por uma expressão neutra. Ele não sabia ainda, mas naquele momento não existia mais nenhum requisito de um feto, ela já o tinha feito.

Tinha matado o filho deles.

Aquele foi o dia em que a relação deles verdadeiramente tivera o seu fim, porque Jude jamais foi capaz de perdoá-la.

— Você é um monstro. — Discorreu. Nos olhos se formavam as primeiras lágrimas. — Esse bebê não tem nada com essa história. Ele merecia bem mais que o fim que você deu a ele.

— Você precisa me entender. Eu não podia ter esse filho. Querido fique ao meu lado, por favor...

— Não me chame assim novamente!! — Apertou o braço da mulher que insistia em não se afastar. Jude teve repúdio, nojo, não sabia por quanto tempo mais conseguiria encará-la. — Mas tenho que agradecer, porque você finalmente deu um fim a esse ciclo de mentiras, traições e desejo. Porque o que existiu entre nós nunca poderia ser amor.

— Você não entende? Um filho agora estragaria tudo. Não seria só nós dois amor. Não é isso que você quer? Que estivéssemos juntos para sempre?

— Nós dois...? Você está completamente louca. Você fez isso por quê? Tinha medo que essa criança me tirasse de você? Sabe o que me pergunto agora? Quem é você. Porque juro não te conhecer mais. Por todo esse tempo traí minha família porque idealizava uma pessoa que não existia. Layla, com todos os seus defeitos, é uma mulher mil vezes melhor. Tenho pena de Igneel. — Respirou fundo e rumou em direção à porta, quando a mulher fez menção de segui-lo parou-a com a mão. — Meu maior arrependimento foi de um dia tê-la deixado por você. Não sei como não consegui perceber antes, mas você precisa de ajuda. Se ainda tem apreço por minhas palavras consulte-se com um psiquiatra.

— Eu não sou louca! — Gritou. Sendo capaz de até mesmo preocupá-lo.

— Não se aproxime novamente de mim e desta vez falo sério. Deixe-me em paz e se um dia pensar em se aproximar novamente juro que conto tudo ao seu marido e ajudo-o a deixar você sem o seu tão precioso dinheiro. A única coisa que você realmente ama.

E então ele saiu. Yukiko nunca mais conseguiu se aproximar porque todas as vezes que tentava não era permitido. No mesmo dia ele pedira demissão. Arrumara outro emprego, e até onde sabia estava feliz com a família.

Ela nunca nutrira raiva de tanta pessoa como de Layla. E esse sentimento, a cada dia crescia mais e mais.

Se tinha uma coisa que aprendera com a relação conturbada que vivera por anos, era como não deixar transparecer nada. Nem mesmo uma única emoção.

Ainda do pequeno quarto conseguira ouvir algo da pequena televisão no ambiente ao lado. Lisanna, que nem mesmo notou quando se levantara , parecia comovida. Porque mesmo distante conseguia ouvir seus resmungos.

— O que diabos está acontecendo? — Perguntou, mas ao vê-la a voz desapareceu.

A menina de pequenos cabelos prateados chorava. Como uma criancinha, tendo um soluço atrás de outro. Na televisão, o repórter anunciava a retomada do caso já dado como encerrado. Mirajane Strauss foi encontrada com vida, mas seu irmão, não achara o mesmo fim.

— Não entendendo porque está assim, da outra vez não parecia tão abalada. Você esqueceu que eles iriam acabar com seu relacionamento com Natsu?

— Por Deus! Você é tão doente assim? — Enxugou as lágrimas, e após ouvir falar do hospital em que foi internada a irmã, desligou o pequeno aparelho. — Se trata dos meus irmãos, por mais desavenças que tenhamos ainda é minha família. E eu quero ver Mira. Na verdade preciso.

— Você está louca? — Gritou. Yukiko puxou a jovem pelo braço, que assustada não disse nada. — Não podemos correr esse risco. Não vou deixar que a polícia te pegue porque não posso permitir que eles cheguem até mim.

— Mas é minha irmã! — Reclamou, mais alto do que esperava. O olhar da mulher mais velha a fez fraquejar, mas ainda sim se manteve firme.

— E você nunca ligou para nenhum deles. Não estou te entendendo Lisanna. Está ficando mole agora? — Yukiko inquiriu. A jovem desvencilhou-se do agarro da mais velha e concluiu:

— Mas para mim eles estavam mortos, e agora descubro que minha irmã mais velha foi encontrada com vida. Posso não gostar da Heartfilia e pouco ligar para o que acontece com ela, mas Mirajane é minha irmã e ainda tenho consideração por ela. Não sou como você, que nem ao menos se importou quando Natsu se acidentou. Não fez questão de vê-lo nem mesmo por um segundo. — Finalizou.

Lisanna mais uma vez tinha acertado em cheio.

— Não fui porque não poderia permitir que me prendessem. E eu sabia que Natsu estava sendo cuidado em um dos melhores hospitais do país. Igneel jamais deixaria que algo acontecesse com ele. — Praticamente cuspiu as palavras no rosto da mais nova. — Ao contrario do que acredita, eu amo o meu filho.

— Mas nunca mais poderá ficar com ele. Onde estava com a cabeça quando pegou aquela arma Yukiko? Graças a você não podemos sair deste maldito lugar. — Lisanna se sentou no pequeno sofá que juntamente com o pequeno aparelho televisivo, compunham todos os móveis do cômodo. — Tudo ocasionado pela raiva. Você acha mesmo que Virgo valia tanto a pena ao ponto de condenar nossas vidas para sempre?

— Não, e concordo que agi em um momento de raiva. Mas não me arrependo nem por um segundo de ter acertado-a. Meu único erro foi não ter atirado duas vezes.

A garota suspirou fundo, ela e a mais velha não concordavam em muitas coisas, mas precisavam agir juntas.

— Você disse que teríamos identidades falsas. Elas são mesmo confiáveis?

— Ao contrario de você, sou veterana nesse departamento. — Ela riu. Indo até a pequena geladeira pegou a garrafa de vinho. Não se importou com uma taça, já que não dispunham de uma, mas tomou pouco a pouco todo o conteúdo. — O ponto negativo é que essas coisas demoram um pouco para ficarem prontas. Depois que estivermos com elas, seremos duas pessoas totalmente diferentes. E aí querida, a Europa será só o começo. — Finalizou. O risinho acompanhando a todo o momento o olhar superior.

A mais jovem concordou e resolveu por fim acompanhar Yukiko. Pegando a última garrafa na geladeira.

— De toda forma, não ouse se aproximar de Mirajane. Você não vai destruir tudo agora.

Mas Lisanna, mesmo diante aquelas palavras, não estava tão convencida.

*

Algumas horas haviam se passado e o anoitecer se aproximava. Não havia muito que pudessem fazer ali, até que tudo estivesse resolvido.

Yukiko pulou do sofá assim que ouviu dois toques na porta. Abriu-a e deparou-se com Jack, o homem que havia se tornado seu companheiro nos últimos dias. Ao lado dele havia uma mulher, de bom porte, longos cabelos negros e olhar fechado. Obviamente se tratava do tipo de pessoa que ela precisava.

— Vai nos deixar aqui fora Yukiko? — Questionou. Os lábios subiram em um sorriso malicioso e a sobrancelha direita se levantou. Ele era, inegavelmente, um pedaço de mau caminho.

— Você nunca precisou de um convite para entrar. — Respondeu. Um olhar igualmente maldoso.

— Queria fazer bonito na frente das visitas.

Ambos entraram e se acomodaram nas poucas cadeiras que dispunham no local. Lisanna, que até o momento se mantinha deitada aproximou-se ao ver a movimentação inédita.

— O que exatamente trouxe para mim, Jack? — A senhora Dragneel olhou de cima a baixo a morena a sua frente. Essa não era de muitas palavras e até então não havia trocado mais que alguns olhares com o homem.

— Essa é Minerva. E apesar de jovem uma das minhas melhores funcionarias, conhecida como a rainha delas. Todos a admiram por ser muito... Talvez poética seja uma palavra adequada. — Riu.

Lisanna ao ouvir as palavras imediatamente se aproximou de Yukiko. Não sabia exatamente o que aquilo significava ainda. Mas estava indo longe demais.

— Ótimo ! — Yukiko aplaudiu, deixando escapar uma risada maliciosa. — Quero que faça um servicinho para mim. Prometo que será bem recompensada.

— Não tenho muita certeza disso. — Minerva pela primeira vez se pronunciou, olhando ao redor. A voz grossa fez com que calafrios corressem pelo corpo da jovem de cabelos prateados. Fator visível para todos.

— Dinheiro não é problema para nós. Isso — Apontou para os cômodos ao seu redor. — É um mal necessário. — Finalizou.

— Yukiko é uma velha amiga minha Minerva. — O homem denominado como Jack interveio. — E meus amigos não pagam pelos meus serviços. Você receberá comigo assim que terminar.

A morena apenas acenou.

— E então? O que exatamente você quer que eu faça? — Questionou. Olhar desafiador denunciava os pensamentos sórdidos que preenchiam a face da mulher.

— Quero algo grande. — Discorreu. Os olhos de Yukiko brilharam, porque finalmente sentia que poderia se vingar de todos. — Tenho uma longa lista, que pedirei para Jack lhe entregar depois. Mas quero que comece com Layla e Lucy Heartfilia. Se possível mate-as da forma mais dolorosa que encontrar.

Minerva sorriu e advertiu:

— São muitas.

— Mas não quero que toque no homem. Os outros integrantes da casa pouco me importam, mas não quero que nada aconteça com Jude.

Lisanna abismada com tudo aquilo, não pensou muito antes de falar. O fato de também estar frente a frente com uma assassina de aluguel, apenas contribuía para que o terror aumentasse.

— Yukiko você deve ter perdido a noção de vez? Quando algo acontecer a elas nós seremos as primeiras suspeitas. Deixe isso para lá. Lucy está grávida, você não se importava com seu neto? De uma hora para outra não pensa mais nele? — Falou afoita. Todos na sala apenas a ouviam, sem interrompê-la. — Depois de tudo que já fizemos, vamos apenas pegar nossas coisas e ir para o mais longe possível.

A mulher suspirou e pediu que Lisanna se sentasse ao seu lado, assim que o desabafo terminou.

— Lis, querida. Sinto muito pelo que vai acontecer com o meu neto, porque ele infelizmente vai acabar pagando pelos atos da mãe. Mas tenho certeza que Natsu poderá me dar muitos outros netinhos. Mais bonitos ainda porque não irão se parecer com ela. — Riu.

Ela olhou para Jack que apreciava tudo com um ar de cumplicidade. Conhecia Yukiko há muitos anos, e também sabia de sua história com a família Heartfilia, ela não descansaria até que se livrasse delas.

A jovem estava abismada. Há alguns dias, quando descobrira da relação de Natsu e Lucy e propusera acabar com a Heartfilia, Yukiko não permitiu por causa do neto. E agora aceitava tão facilmente assim?

— E quanto a nós duas, é claro que seriamos culpadas. Diante a nossa situação se Lucy caísse de bicicleta eles nos culpariam. Mas desta vez a culpa vai ser direcionada a duas pessoas mortas.

— O que?! — Lisanna levantou-se. Em sua mente só povoava a idéia de Yukiko matá-las depois de tudo.

— Fique calma jovenzinha. — Continuou Jack. O homem acariciou a barba e apreciou a menina por alguns segundos com outros olhos. — Vocês não vão morrer, não verdadeiramente. Mas todos acharão que sim. A polícia irá encontrar os corpos de vocês duas, que na realidade estarão saindo do país.

— Nós nos tornaremos, literalmente, novas pessoas Lis.

A menina sentou, abismada. Eram informações demais para assimilar, e obviamente discordava de boa parte delas. Embora, diante a situação fosse o mais sensato. Se fossem presas passariam longos anos aprisionadas ou talvez não saíssem um dia.

— Estamos combinadas então, Minerva?

— Considere o trabalho como realizado, Yukiko. Mas devo lhe dizer que pode levar alguns dias. Um trabalho bem feito exige calma.

— Sou capaz de esperar algum tempo, desde que elas estejam mortas antes do dia de ano.

E selaram a pequena reunião com um aperto de mão. Conforme ouvira de Jack, Minerva não falhava em seus trabalhos, tendo o posto com uma das melhores da organização.

Agora, seria sentar e esperar para que a notícia fosse soada nos jornais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.