Nove Meses

44 Capítulo 40 — Marcas do passado


No capítulo anterior:

“...Nas fotos era muito fácil detectar meu pai juntamente com uma presença inesperada, triste, e nojenta. Papai e Yukiko estavam juntos, aos beijos e em algumas outras imagens, sobre uma cama de forma que até meus pensamentos se negavam a imaginar.

Olhei para ele e vi seus olhos confusos fazerem o mesmo caminho que meu, e então ele entendeu.

Meu pai havia traído minha mãe, isso era muito claro naquelas fotos, havia traído com Yukiko Dragneel.”

Capítulo 40 — Marcas do passado

Existe aquele momento em que certas coisas são inaceitáveis, quando uma notícia é tão arrebatadora que é difícil assimilá-la. Era exatamente a situação que podia descrever naquele instante.

As lágrimas que desciam por seu rosto agiam como um reflexo de mim mesma, olhei para meu pai, que ainda sem entender nada aproximou-se consideravelmente até ficar visível o conteúdo para qual olhávamos.

— Mas o que diabos é isso? — Foi o primeiro a comentar. Seu rosto estava pálido de tal forma que pensei que poderia sofrer de algo. Ele olhou para mamãe, mas esta apenas encarava o chão frio e agora molhado com algumas gotículas. — Layla, eu juro que posso explicar... Eu... Eu não queria... Eu... — Engasgou-se em suas próprias palavras, e pela primeira vez vi aquela expressão no rosto de papai, algo como medo, dor e desespero.

— Essas imagens já são bastante reveladoras Jude, não creio que tenha muita coisa para explicar. — Ela secou as lágrimas com os dedos e seu rosto se fechou. Quase como uma muralha impossível de atravessar. — Eu só me pergunto onde foi que errei, deixei de ser carinhosa, lhe neguei amor ou não cuidei da nossa família.

— Layla, por favor... — Senti quando Natsu depositou a mão em meu ombro, seus olhos estavam tão confusos quanto os meus. Nessa desordem toda havia me esquecido que a outra pessoa que ganhava destaque naquelas fotos era justamente sua mãe. — Vamos conversar, eu posso me explicar, isso nunca deveria ter acontecido. Arrependo-me tanto... Venha por favor, deixe que eu te conte.

— Jude saia dessa casa. — Ela disse entre dentes. Afastei-me dois passos quando ela se aproximou do homem forte e alto disposto a sua frente. — Saia imediatamente dessa casa! — Gritou e juntamente consegui escutar o som alto de uma bofetada. Os dedos de mamãe estavam facilmente visíveis na pele clara do rosto de meu pai.

— Layla, por favor, me dê à oportunidade...

— Se não sair, saio eu. Nós dois não ficaremos juntos nessa residência, nem por mais um segundo. — Ela apertou a bolsa que segurava e rumou a porta. Desespero povoou meu coração, ela não tinha lugar para onde ir e não poderia sair sozinha há essa hora. Já estava escuro e somente Deus sabe dos perigos que havia lá fora.

— Mãe a senhora não pode fazer isso! — Discorri correndo até ela. Seus olhos me encontraram cheio de lágrimas e uma tristeza que me doeu até a alma, ela acariciou meus cabelos, e sorriu pequenininho de lado, o sorriso mais falso que já me dera.

— Aconteça o que acontecer nunca vou me afastar de vocês. Nunca querida. — E saiu, caminhando tão lentamente que duvidava que pudesse prosseguir mais por muito tempo. Suas pernas tremiam e as minhas já começavam a fazer o mesmo.

— Layla espere... Eu saio. — Falou, olhei-o e por mais que ele estivesse errado, que suas ações tivesse provavelmente abrindo uma enorme lacuna em nossa família, não conseguia aceitar a ideia de que fosse embora. — Quando você estiver mais calma eu volto para conversarmos. Nosso relacionamento merece essa chance.

Toda a minha vida, por mais que não fossemos tão próximos como era sua relação com Sting, era ele que me levava ao parque quando pequena, fazia-me esconder e depois fingir que não sabia onde eu estava. Ia até a escola no lugar de mamãe e me aliviava com as broncas, por mais sério e ranzinza que se fizesse parecer ser, ele era o meu pai, não queria que a minha família se desfizesse.

E com esse pensamento as lágrimas vieram, dessa vez através de mim.

— Você destruiu o nosso casamento Jude! Você!

*

— Bem, nossa conversa perdeu o sentido depois de tudo. — Natsu disparou, suspirou profundamente e abaixou a cabeça. Mamãe havia falado que precisava de um banho e resolvi lhe dar esse tempo. — Não posso acreditar em mais essa, quantas coisas Yukiko fez que ainda se mantém escondidas? Até que ponto chega essa mulher? Eu nem mesmo sei mais como a reconhecer como mãe.

— Dessa vez Natsu ambos estão errados. — Acariciei a barriga, todo aquele estresse havia me deixado agoniada. — Jamais poderia esperar por isso. Eu nem mesmo nunca relevei o fato de papai já ter trabalhado em sua casa. Nunca esperei por algo assim.

— Certo Lucy, nem eu...

— Maldito! — Um grito soou novamente da porta. Devido à convivência desde os meus primeiros anos de vida, minha experiência permitia-me deduzir ser meu irmão, mesmo antes de ver sua face. — O que ele faz aqui? Eu vou quebrar a cara desse desgraçado!!

Vi quando as feições de Natsu se escureceram, ao contrario de meu pai, ele não ficaria parado com Sting. Especialmente depois de tudo que ocorrera em seu casamento. Era claro que existia mágoa em ambos desde esse episódio.

— Sting, não! Nossa mãe precisa mais de nós agora do que essa briga idiota. — Diante essas palavras sua testa se enrugou. Era claro sua dúvida. — Por favor, eu vou lhe explicar tudo o que aconteceu. Dê-me apenas alguns minutos.

Meu irmão não ficou muito satisfeito, porém concordou visto que o motivo era maior. Vi quando os ombros de ambos se toparam, quando atravessava a sala, e meu corpo estremeceu, mas felizmente tudo se resumiu a algumas caretas de raiva.

— Eu tenho certeza que nunca vou me dar bem com ele. — Natsu comentou de cara fechada. Sabia eu que essa relação familiarizada de cão e gato se estenderia por muito tempo. E o pior de tudo é que a culpa era minha.

— Espero que essa situação possa mudar.

Ele balançou a cabeça provavelmente jogando o pensamento para longe.

— Eu quero te pedir algo. — Comentou envergonhado. — Eu sei que esse não é o melhor momento e eu já estou de saída, no entanto gostaria de fazer algo antes de ir.

— Claro Natsu, o que é?

Suas bochechas coraram de uma forma encantadora. Nunca tinha visto Natsu assim, mas não posso negar o quanto gostei. Ele olhou para a minha barriga inquisitivamente e entendi de imediato.

— Posso? — Disse com certa relutância. Seus dedos levantaram lentamente e acenei com a cabeça para que prosseguisse. Porque para mim era uma coisa normal, eu fazia isso diversas vezes ao dia. Ainda não tinha parado para pensar no que aquilo poderia significar para ele.

Quando encontrou o destino desejado notei que sua mão tremeu levemente. Ele acariciou minha barriga com esmero e delicadeza, uma atitude tão simples que me fascinou. Naquele momento quase consegui esquecer toda a labuta que enfrentaria em casa de agora em diante.

— Lisanna não me deixava fazer isso. Naquele momento eu não entendia o porquê, imaginava apenas que fosse por excesso de vaidade. — Ele retirou a mão quando um lampejo cruzou seu rosto. Suas feições concentradas escureceram de uma vez e ele se afastou de mim. —Para mim, por ser sempre tão cuidadosa acreditei que ela não queria que eu a tocasse daquela maneira. Agora sei que é porque nunca esteve grávida, e sim me enganou todo esse tempo...

— Você nunca conseguiu perceber Natsu?

— Não Lucy, às vezes me estranhava à distância que insistia em manter, mas sempre falava que era pelo seu estado emocional. Mesmo que breve o nosso tempo de casados, a maioria das vezes dormíamos separados. Ela e Yukiko souberam atuar muito bem. — Concluiu com um suspiro longo e pesado. — É melhor eu ir agora, sua mãe está precisando de você.

— Você vai voltar depois? — Falei prontamente. Observando como soou tentei suavizar. — Para continuarmos conversando sobre... o bebê.

Sua testa franziu, mas ele não disse nada. Apenas acenou.

*

— Mãe? Posso entrar? — Empurrei a porta lentamente, de alguma forma esperado por sua aprovação.

— Claro Lucy.

Sua voz soou baixinha e fina, de uma maneira que me magoava o coração. Vê-la triste era a pior de todas as maldições. Sentei ao seu lado na cama e ela me mostrou um álbum de fotográficas que tinha em mãos.

— Esse álbum eu guardei no quarto de seu irmão, porque ele é o único da família desleixado o suficiente para não se disponibilizar a abrir.

Ela riu, pela primeira vez sem nem um requisito de verdade.

— Está vendo essa imagem? É uma foto da formatura do colegial. Nessa época não passávamos de jovens imaturos, que almejava apenas curtição. Lembro-me que nessa ocasião em especial, Jude ainda namorava com Yukiko.

Se fosse cientificamente possível, meu queixo havia parado no chão.

— Eu e seu pai havíamos nos envolvido quando ainda frequentávamos o primeiro ano, namoramos por um tempo e então terminamos. Foi quando Yukiko entrou para nossa turma, ela sempre foi à garota mais bonita da classe, a mais popular e a mais rica. — Abaixou o olhar com as lembranças. — Todos os garotos caiam por ela, menos seu pai. Pelo menos acreditava nisso. Nosso relacionamento terminou alguns meses após sua chegada e então menos de uma semana, anunciaram o novo namoro. O casal mais popular do colégio.

Vi quando algumas lágrimas escorreram por seu rosto. Percebi que, ainda hoje, depois de tanto tempo, mamãe sentia pelo que ocorreu há tanto tempo.

— Pensei que nunca mais iríamos nos ver e então nos encontramos na faculdade. Ainda no primeiro período descobri que haviam se separado. Por mais que jurasse não me envolver com Jude nunca mais em minha vida, seu pai sempre foi meu verdadeiro amor Lucy. Nós nos casamos alguns meses depois e pensei que estivesse tudo bem entre a gente, até hoje.

— Mãe... A senhora não merecia passar por isso, e até mesmo agora, me custa acreditar que papai tenha feito isso. Eu não tenho certeza de muitas coisas na vida, mas de uma eu tenho, o amor de vocês não é falso, isso me foi provado desde o dia em que nasci.

— Eu também acreditava nisso minha querida, mas sabe o que descobri agora? A vida não é perfeita, não tem o final que almejamos. Nunca tem.

Eu não sabia mais o que dizer, porque nada poderia mudar a situação atual: Nossa família estava destruída.

— Sabe aquelas fotos? — Eu assenti e mamãe continuou. — Pois a camisa que seu pai estava usando era justamente a que lhe presenteei em nosso aniversário de casamento. — O ar me faltou e vi raiva associado de tristeza no olhar de minha mãe.

Sting entrou no quarto, ele ao contrario de mim, não era tão pacífico, e no momento em que descobriu foi atrás de papai. Como voltou tão rápido presumo que não o encontrara. Ele se sentou de um lado na cama e eu ocupei o outro. Nós três nos abraçamos e dois de nós ficou apenas ouvindo o choro sofrido que batia nas paredes e voltava, perfurando exatamente o coração.

*

Autora:

Horas mais tarde...

Acho que nada mais pode me surpreender filho, pergunto-me como é possível poder enganar-se tanto com uma pessoa. — Igneel abaixou o olhar para a moça que ocupava aquele leito. — Sempre soube que Yukiko não era o melhor exemplo de pessoa, mas ser responsável por tantas atrocidades... Não entendo Jude, nunca fui muito próximo dele, mas destruir a família que possui... Não consigo compreender.

— Eu sei pai, o pior de tudo é saber que essa pessoa é a minha mãe. Tem alguma notícia sobre o paradeiro dela e de Lisanna?

— Não. Mas a mãe de Lisanna está vindo para o Japão. O detetive que contratei é um dos melhores do estado, e mesmo assim, não se tem notícias delas.

— Ela não esteve presente nem mesmo em nosso casamento. Ela sabe de tudo? — Requiriu o garoto.

— Em partes... Com tudo isso prefiro que alguns seguranças fique a disposição de você e Lucy. Alguns deles mantêm uma atenção especial em Lucy, mas acho melhor ter alguém para acompanhá-la durante o dia. Assim como você filho, depois de tudo não se sabe o que Yukiko pode planejar.

— O senhor sabe que Lucy não estará 100% feliz com essa situação, não é mesmo?

— Sim, mas ela não tem outra escolha.

Igneel enroscou os dedos nos pequenos e magros de Virgo, sentindo o arrependimento perfurar-lhe o peito. Deveria ter feito isso mais vezes antes.

— Só me resta uma dúvida diante tudo isso: Essa criança qual Yukiko resolvera tirar a vida era filho de Jude? Ou de outro amante que não seja de nosso conhecimento?

Igneel suspirou, de tantos crimes cometidos por sua ex-esposa, esse era talvez o mais grave. Não conseguia simplesmente esquecer a possibilidade de que talvez fosse seu e que hoje Natsu teria um irmão.

Mas seria impossível. Se Yukiko estivesse esperando mais um herdeiro Dragneel porque ela o mataria? Tudo levava a afirmativa que não era o pai.

O jovem olhou a cena a sua frente descrente de tudo. De um momento para o outro sua situação com Lucy não era a mais preocupante no momento. Virgo ainda se mantinha em mesmas condições, sem nenhum sinal de melhoras. Yukiko juntamente com a jovem conseguira um bom lugar para se esconderem, esse fator piorava a situação. Não se sabiam os seus próximos passos, principalmente conhecendo minimamente suas intenções.

No entanto sabia-se que elas ainda estavam nos país, pois todas as companhias rodoviárias estavam fortemente atentas. Não seria possível que saíssem assim tão facilmente, essa era a esperança de seu coração.

Só se perguntava onde poderiam estar naquele momento.

— Nunca lhe disse isso, mas sinto muita falta de sua irmã. Felizmente ela nunca viu as atrocidades da mãe, era tão angelical e doce. Talvez a única pessoa que Yukiko realmente chegou há amar algum dia.

— Eu também pai. Wendy era a única que nascera com o dom para me estressar. No entanto daria tudo na vida para tê-la comigo hoje, para que voltasse a esconder meus sapatos e pintar meus cadernos escolares.

Igneel retomou a palavra, perdido em pensamentos nostálgicos.

— Ela adorava invadir meu escritório para brincar de cavalinho. Não tinha nenhuma menina mais animada que ela e que gostasse tanto de sorvete também. Era capaz de tomar dez vezes ao dia se não a controlássemos.

Natsu riu, mas o nó ficou preso na garganta.

— Somos só nós dois agora filho.

— Talvez esteja enganado, temos Virgo e... Lucy. . — O Dragneel mais novo encarou o mais velho e o viu receosamente acentir:

— Sim, você tem razão.

Uma enfermeira entrou no quarto e conseqüentemente Igneel foi obrigado a se afastar. Ela precisava recolher sangue para alguns exames de rotina. Tecnicamente Virgo estava estável, mas com a imunidade baixa. O que acarretava em um perigo maior de contrair infecções, por isso o cuidado redobrado. A atenção era acentuada quando alguém tinha a intenção de entrar em seu quarto, por isso era sempre freqüentemente inspecionada pelas enfermeiras.

Outro fator que era fonte de alerta de Igneel era a possibilidade que Yukiko retornar para fazer algum mal a Virgo, que estava impossibilitada de se defender de todas as formas. Por esse motivo a segurança do hospital estava sempre por perto, supervisionando os corredores e quem saia e entrava do cômodo. Qualquer pessoa suspeita era uma mina de dúvidas.

— Marco acredita que em algum momento elas tentarão fugir do país. Ele é um ótimo profissional e muito experiente em casos semelhantes. Devemos ficar em alerta máximo, provavelmente possuirão passaportes e identidades falsas.

— Então temos uma idéia do que farão.

— Ao mesmo tempo penso que Yukiko é esperta demais para pensar em algo tão obvio, ela deve ter algo mais por detrás das mangas. — Coçou o queixo quando uma observação cruzou-lhe a mente. — Ou no fim, ela esteja usando desse pensamento para escapar. Por se tratar de algo tão esperado não seria nossa primeira opção.

— De qualquer maneira pai, devemos ficar precavidos. As fronteiras já foram informadas. Elas não passarão. Não passarão. — Repetiu para si mesmo, querendo profundamente acreditar naquelas palavras.

— Só desejo que essa situação se resolva logo Natsu. Às vezes penso que estou enlouquecendo. — Desabafou. A voz adornada pelo cansaço e os olhos fixos na mulher sobre aquela cama.

Natsu ainda conseguia se lembrar de uma época em que conseguiam ser felizes, como uma família. Mesmo que nunca tivessem sido um exemplo de lar, gostaria de saber o que acontecera com Yukiko para adquirir tanto rancor no coração. Será que ela e Jude já se conheciam antes, há mais tempo do que imaginava? Talvez Lucy tivesse mais informações sobre isso.

E quanto a ela o jovem não podia imaginar o que se passava em sua casa, ainda conseguia lembrar o olhar desolador no rosto de Layla, e ao mesmo tempo o semblante enfurecido de Sting ao encontrá-lo. Como gostaria de surrar sua cara ao recordar-se do acontecido no casamento. Mesmo que, de certo modo ao imaginar que hoje Wendy seria uma bela moça, e se alguém fizesse algo semelhante com a irmã, não poderia se idealizar agindo de uma maneira muito diversa.

Escutou o notório toque do celular, e ao se dar o trabalho de olhar o visor reconheceu o número de Lucy. O coração deu uma batida mais forte, não sabia distinguir exatamente o porque, mas não tinha uma impressão muito boa.

Ao atender o som de sua voz ecoou desesperado:

— Natsu?

— Lucy? — Pronunciou. — O que aconteceu?

— Eu sei que não deveria te ligar e que você não tem nada com isso, mas eu preciso de sua ajuda. Minha mãe desapareceu e estou desesperada. Por favor... Por favor... Nós não sabemos mais o que fazer.

— Onde você está? — Perguntou preocupado. O relógio de pulso informava que já estava tarde. Nove e meia com mais precisão. — Não saia de casa, vou buscá-la agora e nós vamos procurá-la.

— Não Natsu, eu estou na praça central, de frente para a grande biblioteca...

— O que? — Pegou as chaves dentro do bolso e rumou até a porta. Deu um aceno de cabeça para o pai que parecia espantado, exigindo por informações. O jovem apenas fez um sinal de depois. — Está sozinha ou tem mais alguém aí com você?

— Estou só. Sting saiu para procurá-la à uma hora, mas não retornou. Estava preocupada, não poderia ficar em casa sem fazer nada...

— Você está completamente maluca? Está sozinha a essa hora da noite?

— Você pode parar de ser um idiota? Ouviu o que lhe disse? Minha mãe está desaparecida há mais de três horas, não atende o celular e não deu nenhuma notícia, especialmente depois do que passou é mais do que obvio que eu esteja preocupada. E você vem me falar de estar sozinha nesse momento? Por favor, Natsu, talvez tenha sido um erro te ligar.

— Não! — Gritou, mais alto do que o esperado. — Desculpe-me. Fique em um lugar mais movimentado, irei lhe buscar agora. Talvez alguém saiba de um lugar onde ela possa estar.

— Tudo bem. Estou aguardando.

Natsu não soube exatamente o porquê de estar sentindo tanta raiva. Seu coração palpitava e compreendia que não era exatamente por causa da direção. Era notório que se preocupara com Lucy, principalmente porque se tudo se confirmasse ainda estava esperando um filho seu. Isso, em algum lugar dentro de si, já estava admitido.

Ainda sentia raiva dela por tudo que aconteceu, no entanto, ainda assim não conseguia pensar em nenhum mal lhe acontecendo. E o fato de Yukiko e Lisanna estarem por ai, iradas, enchia-lhe de medo que tentasse algo. Exatamente por isso, até que ambas estivesses presas, não deixaria que ela saísse sozinha.

Dez minutos foram necessários para que chegasse até o local que a loira lhe informara. Ela estava sentada em um banco no canto da praça, e tentava ligar para alguém. Quando lhe viu, andou apressadamente até o carro, sentando-se no banco do passageiro.

— Não adianta, ela não me atende. Tenho medo de que tenha acontecido alguma coisa.

Seus cabelos estavam bagunçados e ela não desgrudou os olhos do aparelho celular. Como se de alguma forma sua salvação estivesse ali.

— Calma, ela está bem , ok? Vamos achá-la. Deve estar na casa de alguma amiga ou parente.

— Não, não está Natsu. — Discorreu, jogando o celular sobre a perna. Era visível seu descontentamento e ainda mais o semblante de desespero que se alarmavam com as rugas formadas na testa. — Eu e meu irmão já fomos a todos os lugares possíveis. Papai também está procurando. Não conseguimos encontrá-la em lugar algum.

— Lucy, tudo bem. Tem algum parente que vocês ainda não procuraram, mesmo que seja uma pessoa distante? — Discorreu. No entanto a garota balançou a cabeça em negativa.

—Não. Já perguntamos aos vizinhos, aos tios que moram aqui, mas ela não passou na casa de ninguém. Eu sei que você deve ta pensando que não é pra tanto, mamãe é maior de idade e pode se virar sozinha. Mas eu a conheço Natsu, ela está abalada e não sei o que pode fazer. Eu só... Quero encontrá-la.

Natsu olhou o mar de lágrimas próximas a explodir. Sentiu um aperto no peito, por motivos que estava se negando a aceitar não gostava de ver a loira assim.

— Tudo bem Lucy, deve ter algum lugar que ela goste de ir. Um parque, cinema... — Propôs com o intuito de que uma luz preenchesse cabeça dela. Ninguém desapareceria do nada, e dado as circunstâncias mesmo que não fosse o mais adequado a dizer a garota, o que pensava era que Layla queria um tempo para si. — sua mãe passou por momentos tensos, talvez precise de um momento para refletir. Não estou dizendo para pararmos de procurá-la, apenas acredito que não precise ficar tão preocupada.

A jovem garota encarou-o, na tentativa de digerir suas palavras. Por mais difícil que fosse não poderia culpar a mãe por estar chateada e por esse motivo, desejar estar sozinha.

— Eu sei, mas é tão difícil...

— Eu compreendo. — Disse ao ligar o carro. Manteve a voz calma com o intuito de que o mesmo acontecesse com a jovem ao seu lado. — Mas deve ter algum lugar que ela goste de ir...

— E difícil, minha mãe é mais caseira. Ela ia às vezes ao cinema com papai, mas não creio que esteja fazendo isso no momento.

Naquele instante o telefone de Lucy tocou, e ela sentiu o coração bater mais rápido. Era o irmão, e a probabilidade de ele ter alguma notícia lhe acalmou, mesmo que minimamente.

— Sting? — Falou vacilante.

— Não consegui encontrá-la. — Discorreu a voz atenuada pela tristeza. — Não sei mais onde procurá-la. Fui até a rodoviária, talvez ela estivesse indo visitar algum parente e não quisesse contar... Mas as pessoas que estavam lá até o momento alegaram não tê-la visto.

— Tudo bem, nós continuaremos a procurá-la. — Falou. No momento seguinte a ligação foi encerrada.

Por um momento Lucy se perdeu em pensamentos, Natsu estava lhe falando alguma coisa, entretanto não podia afirmar com clareza. Deixou-se embriagar em pensamentos mais remotos, de todos os momentos que enfrentaram como uma família. Como quaisquer outras tiveram períodos de imensa alegria e grandes tristezas. Naquele instante se lembrou de algo em particular, ainda era jovem, mas conseguia se recordar de algumas coisas. Era dolorido e não sabia por que o pensamento surgira naquele momento, porque se negava a permitir que aquilo voltasse a acontecer.

— Natsu... — Disse, interrompendo-o. — Tem um lugar que quero passar.

E o coração da loira congelara. Porque apenas aquela possibilidade era capaz de lhe jogar no chão.

Notas finais
Boa noiteee, como estão? Espero que bem. Como prometido aqui estou eu com mais um capítulo de NM. Novamente peço desculpas pelos erros mais grotescos que encontrarem, eu reli o capítulo mas sempre acaba passando alguns. Quanto aos comentários, sei que estou sendo falha com vocês com essa demora imensa para respondê-los e realmente espero fazer isso logo. De toda forma quero que saibam que eu leio TODOS, todos mesmo sem exceção. Sem mais delongas, espero que tenham gostado e amanhã teremos capítulo novo. Beijinhos♥