Nove Meses
33 29 — Descobertas
Natsu
No último dia antes da volta de Lisanna nem mesmo super-homem ficaria passivo diante da notícia que tinha para lhe dar, então, era compreensível o nervosismo que me abordava.
Eu não sabia ao certo ainda quais seriam as consequências dessa decisão, tudo que estava certo dentro de mim é que gostava mesmo de Lucy Heartfilia. Não, era mais certo dizer que eu estava apaixonado. Aquela menina com olhar inocente e boca afiada havia conquistado meus sentimentos.
No entanto, eu não poderia fingir também que Lisanna havia sido apagada do meu coração, ela sempre seria especial para mim, esse era um fato consumado. Havia dividido com ela alguns anos da minha vida, passamos juntos por momentos de felicidades e tristezas, então posso dizer que ela é parte do que sou hoje. É por isso que meu maior desejo era que, apesar de terminarmos nosso relacionamento ela pudesse continuar sendo minha amiga. Na maioria das vezes penso que isso é impossível, mas se dou crédito a algum ditado popular com certeza é naquele que diz que a esperança é a última que morre.
Essa semana me serviu para dar confirmação aos meus sentimentos, a essa altura já não sabia se seria capaz de continuar com a rotina estressante que tenho sem a companhia de Lucy. As suas estranhas teorias sobre estrelas e constelações já faziam parte do meu dia-a-dia.
Acho que isso me ajudou a tomar uma decisão definitiva, o seu jeito especial, diferenciado dos demais fez-me ver finalmente o que estava a minha frente o tempo todo. A pessoa incrível que ela é.
Naquele sábado nós passamos o dia juntos, e juro, Lucy foi a menina que mais me comportei em toda minha vida. Ela parecia ser imaculada perto de mim, o exemplo perfeito de clichês adolescentes, a mocinha certinha e o canalha pegador. Podemos apenas a parte do pegador. Quando nosso relacionamento estivesse definido, gostaria de aprofundar mais esse assunto. Queria saber até onde poderia avançar.
O sábado passou ligeiro, o tempo parecia voar quando estava com ela, os nossos momentos juntos eram odiosamente limitados. O sol já se punha quando cheguei em casa, e me esperando na sala estava Yukiko.
Pensei em passar direto, nosso relacionamento nunca foi dos mais amistosos, mas nos últimos dias ele estava de mal a pior. Sua voz, porém, não deixou que eu seguisse meu caminho rumo as escadas.
— Lisanna está de volta. — Falou, sem mais explicativas. Ela se levantou e saiu, sem nem ao menos olhar para trás.
Yukiko não falara nada então presumi que Lisanna estivesse em meu quarto. Refleti se deveria realmente seguir esse caminho. O que me fez prosseguir foi o fato de que com essa confissão eu finalmente resolveria as coisas com aquela bendita menina de adoráveis olhos castanhos. Respirei fundo antes de abrir a porta, criando coragem para o que vinha a seguir.
Lisanna realmente estava ali, mas se não conhecesse-a tão bem, talvez não a reconhecesse. Vendo-a ali agora, era difícil acreditar que um dia ela foi a minha namorada feliz e extrovertida que encontrava graça nos menores detalhes.
— Natsu — Disse-me. Foi graças a sua voz que pude ter certeza de que era ela.
Ela chorava. Chorava bastante.
Olheiras profundas que nunca existiram descansava em seus olhos, os cabelos eu tinha a leve impressão de estarem mais curtos. Usava uma saia longa de cor marrom que não combinava com o seu estilo. Os olhos azuis que transbordavam alegria estavam vermelhos. Perguntei-me quem era aquela que havia voltado de Buenos Aires, completamente diferente da que havia ido.
— Você... — Não consegui terminar. Como lhe daria essa notícia na situação em que estava?
— Eles desistiram de procurá-los Natsu, meus... — Ela agarrou os cabelos e puxou-os um pouco forte demais para o meu gosto. — Meus irmãos estão mortos.
Andei rapidamente até ela, sentei ao seu lado na cama sem saber exatamente o que fazer. A única certeza que tinha era que não me agradava em nada o estado de Lisanna. Ela parecia estar completamente desestabilizada, o que era compreensível dada à situação que estava vivendo. Mesmo assim, nunca pensei que a encontraria assim. Temi que algo mais sério estivesse acontecendo com ela.
— Você não pode desistir ainda Lisanna, enquanto houver esperanças...
— Esperanças?!! — Falou, mais alto que o comum. Logo depois pareceu se arrepender profundamente e murmurando um pedido de desculpas ela se sentou isoladamente no canto mais afastado da cama. Tentei me aproximar, mas tudo que fez foi me repelir ainda mais. — Às vezes penso que tudo isso aconteceu por culpa minha. Eu não consigo suportar o fato de ser culpada pela morte das pessoas que mais amo na vida.
— Isso não faz sentido. — Falei calmamente, procurando as palavras certas para tentar lhe discorrer. — Tudo que aconteceu foi um acidente, você não teve nada a ver com isso. — Concluí, tentando convencê-la. A essa altura eu já não sabia se poderia lhe contar do meu envolvimento com Lucy. Lisanna não estava bem, notava-se isso facilmente apenas por um encarar de olhares. Ela nem ao menos conseguia me olhar por mais de três segundos.
— Acho que nunca vou conseguir me recuperar Natsu. — Vi que seus dedos se estenderam para mim, mas ela os fechou antes mesmo que eu levantasse as mãos. — Me sinto tão inútil por não ter feito nada para ajudar... É sempre assim, nunca consigo ajudar as pessoas que amo. Meus irmão se foram, Natsu. Para sempre.
Aproximei-me mesmo com as suas investidas negativas, eu não poderia permitir que ela continuasse assim. Lisanna parecia estar... Realmente mal. Sentimento de inutilidade, de culpa pensamentos negativos. Eu compreendia perfeitamente esses sintomas. Tudo isso tornou ainda mais difícil a tão temida revelação.
Talvez eu esperasse encontrar aquela garota forte que sempre esteve ao meu lado. Acho que no meu íntimo quisesse que ela estivesse bem, para que, quando lhe contasse a verdade, xingasse-me, batesse, fizesse tudo, menos decair ainda mais. Mas frágil como estava agora, o que aconteceria se lhe contasse tudo?
— Todos esses dias foram insuportáveis, eu me deitava à noite na tentativa de descansar algumas horas, mas eu passava todas elas olhando para o teto frio na esperança de que minha irmã passasse pela porta com uma panela de chocolate quente. Eu ficava esperando... Esperando... Até que desistia. Pois sabia que não viria mais.
Peguei suas mãos, eu era um merda para consolar as pessoas, mas tinha certeza que era o que mais precisava naquele momento. Ela precisava sentir que era apoiada por alguém.
— Hey, olhe para mim. — Ela não se mexeu. — Lis, por favor, olhe para mim.
Lágrimas pingaram na coxa da cama.
— Eu não quero que me veja assim.
— Você já me viu em situações bem piores, não? — Ela nem ao menos se mexeu. — Eu não vou falar que é fácil passar por isso, ok? Eu também já perdi uma irmã e sei como tudo isso é doloroso. Mas você não está sozinha, lembre-se que sempre tem a mim.
— Eu sei que tenho você, minha mãe e... — Ela se calou, como se repensasse no que ia dizer.
— E? — Perguntei.
— Eu... Eu tenho algo muito importante para lhe falar Natsu. — Ela me olhou por mais que alguns segundos pela primeira vez naquela noite. — Pensei que pudesse ser alguma virose, ou talvez pelos fortes impactos emocionais que venho sofrendo e não dei muita atenção ao que vinha acontecendo. Tudo começou na viajem de ida para Buenos Aires, eu passei muito mal. Fui atendida imediatamente, e me indicaram alguns exames. Acho que sempre soube o que estava acontecendo comigo, dizem que nós mulheres podemos sentir isso, agora sei muito bem como acontece. — Ela encolheu os ombros e ficou ainda mais pequena do que já era. — Eu refiz os exames quando soube do resultado para ter certeza.
As lágrimas que caíam por seu rosto intensificaram-se consideravelmente. Isso, junto com o fato de todo esse suspense que ela estava fazendo fazia meu estômago revirar. Sabia que o que estava para vir me abalaria completamente, era como se já estivesse prevendo algo.
Apertei suas mãos nas minhas e ela pareceu criar coragem para terminar de falar.
— Os exames indicaram o presente mais lindo do mundo, que veio na pior hora possível.
Tentei respirar fundo quando o nó interditou a garganta. Meu coração acelerou de uma maneira que eu achei não ser possível. Abaixei a cabeça sobre a mão tendo certeza de suas próximas palavras.
— Eu estou grávida Natsu. Um pouco mais de nove semanas.
As palavras se repetiram na minha mente incontáveis vezes. Tantas que era impossível pensar em qualquer outra coisa.
Um filho? Logo agora que as coisas não poderiam estar piores?
Tudo que vinha a minha mente era:
Uma criança que nasceria daqui a alguns meses que era meu filho,
Lisanna que estava em uma situação deplorável,
E Lucy, minha tão querida Lucy, que eu decepcionaria mais uma vez.
*
Lisanna estava dormindo a alguns bons minutos. E eu andava a esmo pela casa, passando pelos muitos e muitos corredores procurando respostas para aquela situação.
Um filho!Caralho! Eu ia ser pai! Ia ser pai aos dezenove anos, sem nem ao menos esperar por isso. Não conseguia ainda saber o que achava de tudo isso.
— Pelo que vejo ela já lhe contou tudo, não é mesmo?
— Você já sabe? — Questionei, sem forças para prolongar muito aquela conversa.
— Que vou ser avó? Sim, Lis me contou assim que chegou. — Yukiko apontou o espaço vago no sofá. Pela primeira vez fui de bom grado para o seu lado. Tudo que eu precisava naquele momento era da minha mãe ao meu lado. Assim que me sentei, ela posicionou suas mãos sobre as minhas que estavam em meu colo. — Natsu, apenas nesse momento vamos esquecer todas as nossas desavenças. As minhas palavras são as mais sinceras possíveis, são os ditos da pessoa que mais lhe ama na vida. É lindo o que está acontecendo, com o tempo você vai perceber que um filho é a coisa mais preciosa que temos na vida. Mas não posso evitar lhe falar da minha preocupação. O estado dela me apavora muito, dona Johana me disse que Lisanna havia pensado em suicídio e só não o fez por causa desse filho que espera.
A dor estava estampada nos olhos de Yukiko, então, com esse fator que deveria ser considerando muito raro, eu não podia duvidar.
Suicídio. Isso é demais para mim. A mãe de um filho meu está pensando em se suicidar.
Minha garganta secou de tal modo que parecia não ter contato com água há dias. Meu corpo inteiro entrou numa completa confusão com a palavra recém proferida.
— Meu coração aperta só com a possibilidade desses pensamentos em Lissana. Eu sempre quis ser avó Natsu, e não quero que meu neto morra antes mesmo de vir ao mundo. Não podemos culpar Lissana pelo que está acontecendo também, ela está muito mal. Só peço que, faça o que estiver ao seu alcance para não deixar que o pior aconteça. Eu sei que, apesar das minhas desavenças com Lucy, ela é uma menina de ouro, e é por isso que penso que ela compreenderá a situação. Até te apoiará provavelmente. Mas Lissana não é burra Natsu, ela já está desconfiada e enquanto Lucy estiver por perto tudo se tornará pior. A desconfiança e o medo servirão apenas como um gatilho para o pior. — Yukiko falava, e eu sentia como se pequenas e finíssimas agulhas perfurassem todas as veias do meu corpo. — Faça o que é certo.
— Eu sei quais são as minhas responsabilidades Yukiko, e não vou faltar com elas. Principalmente no estado em que Lisanna está agora. — Levantei-me dando essas como últimas palavras e continuei seguindo a trilha invisível nos corredores.
Não podia terminar com ela, mas tinha Lucy, eu não queria acabar com a relação que nem havíamos começado direito. Estava entre o dever e o querer. Se escolhesse Lucy, e algo acontecesse com esse filho que nem ao menos nasceu, jamais conseguiria me perdoar. Desta vez, nem mesmo o tempo curaria uma ferida tão profunda. Por outro lado como conseguiria abandoná-la, de onde tiraria forças para isso?
Sem que eu percebesse, apenas nesses poucos dias, Lucy havia se tornado importante demais para mim.
*
Era tarde, cerca de 23h 30min, estava deitado ao lado de Lissana que permanecia tão quieta que às vezes duvidava que ela estivesse mesmo ali.
— Você deve estar muito cansada da viajem, eu vou dormir esta noite no quarto de hóspedes, assim poderá descansar melhor.
Arrastei-me para fora do quarto, mas assim que a porta quase se fechava o murmúrio dela me fez retornar alguns passos.
— Durma aqui comigo, não me deixe sozinha. Não faça como eles, não me abandone. — Sua voz era embargada, como se estivesse segurando uma cascata de lágrimas.
— Vai ser melhor assim Lis, não se preocupe eu estarei logo ao lado.
— Por favor, Natsu... — Ela tentou se levantar da cama, mas no trajeto embaralhou-se nos próprios pés, e caiu de costas no chão. Meu coração disparou no peito. O início era uma fase muito delicada da gravidez, não é mesmo? Onde se deveria tomar mais cuidado.
— Por favor, fique aqui comigo.
Quando deitei na cama, ela se aconchegou em meu peito e ouvi sua respiração forte contra mim. Um sentimento de culpa me acometeu o peito. A única traída ali era ela, então porque isso?
Por um breve momento, veio a minha mente que traição não se refere apenas aos prazeres carnais. Havia algo mais íntimo, delicado, corajoso que poderia ser traído, esse era os sentimentos. Eu senti que estava traindo Lucy de alguma forma, e foi assim que, quando percebi que Lisanna já havia adormecido me levantei da cama e segui para o quarto de hóspedes.
*
Não atendi as ligações de Lucy no domingo, não conseguiria falar com ela e fingir que estava tudo bem. Essa droga de vida não poderia ter me ferrado mais.
O celular vibrava em minha mão e eu admirava silenciosamente a sua foto sorrindo para mim, até que, o joguei de lado porque não sabia por quanto tempo conseguiria me segurar. Alguns minutos depois daquela agonia infinita eu optei por desligá-lo.
Lisanna fingia que estava dormindo, ao menos quando eu estava por perto, para que não desconfiasse de quão mal ela estava. Aquilo só me serviu para confirmar um pensamento anterior, ela poderia mesmo estar muito mal. O que significava o início de uma depressão.
Uma depressão na gravidez. Eu ainda não compreendia quais eram as consequências disso.
Yukiko estava lhe providenciando um médico, para que ela pudesse se informar melhor e também para que existisse aqui o acompanhamento. Eu tentei ir junto, pois acho que nessa confusão toda era um dos que mais precisava de informações, mas ela insistira em ir sozinha.
E assim o fez, mas isso não continuaria por muito tempo.
O domingo estava frio, mais que o comum. Lisanna se manteve o tempo todo no quarto, ela não parecia ter ânimo para nada, se dispunha apenas a comer depois de muitos esforços meu. Temi que seu estado emocional afetasse também a criança. Ter alguém especializado seria melhor para ambos.
Em algum momento do dia ela finalmente resolveu sair de sua exclusão para me perguntar algo.
— Natsu, quando você me ligou disse que tinha algo sério para me contar, o que é? Ontem eu estava tão envolvida com os meus problemas que não lhe deixei falar. — Ela sorriu tristemente. Realmente Yukiko estava certa, Lis estava desconfiada. — O que era?
Engoli em seco, dizendo a primeira desculpa que me veio à mente.
— Apenas alguns detalhes do casamento que pareciam ser importantes, mas já foram resolvidos.
— Eu me sinto tão bem pela cerimônia ainda prosseguir. Achei que tudo pudesse se desfazer. Estar com você meu amor é a única coisa que me faz seguir em frente.
— Você tem um motivo mais importante agora, — Toquei a sua barriga ainda lisa, com o pensamento de que em breve eu poderia sentir meu filho mexendo ali dentro.
Isso fez com que o pensamento anterior voltasse à mente. Nove Semanas, um pouco mais de dois meses, e nem sinal de barriga. Isso queria dizer que seu ventre não ficaria muito saliente durante a gestação ou seria Lissana apertando a barriga com aquela calça jeans?
— Sim, vocês dois são o meu alicerce. Acho que sem ele não conseguiria prosseguir.
Com sua última frase, esqueci de qualquer coisa.
*
A segunda passou devagar, mais que qualquer outro dia. Tudo piorou quando vi Lucy passando pelo portão para iniciar mais um dia de trabalho.
Eu deveria correr? Esconder-me? Isso não resolveria os meus problemas.
Respirei várias vezes, mais que o normal. E fui até a porta.
Quando nos encontramos foi como se o mundo desse voltas e voltas por minuto, acho que até mesmo o ar ficou tenso com a situação que estava para vir.
— Natsu, — Ela disse quando fechou a porta atrás de si. Eu seria um covarde se fugisse naquele momento, mas eu preferiria mil vezes ser acusado de fraco do que machucá-la. — Você está bem?
— Lucy... Não, está tudo péssimo.
— O que aconteceu? — Ela parecia realmente muito preocupada. Merda, isso apenas serviu para me deixar ainda pior. — Você não atendeu as minhas ligações, fiquei muito preocupada. Lisanna voltou ontem, certo? Como estão as coisas?
Sei que o que queria falar era: “Você resolveu as coisas com ela?”
Foi ali que eu percebi, Lucy nunca me deixaria só. Ela sempre estaria ao meu lado. Se fosse outra a nossa situação esse seria o conforto de que meu coração sempre precisou, mas, naquele momento ela não podia continuar por perto, pois dessa forma iria apenas se machucar. Mesmo que aquilo me cortasse por dentro, teria que afastá-la de mim. De algum modo. Por bem, e mesmo que eu não queira, talvez por mal.
— Sinto muito, Lucy. Há coisas que não estávamos esperando. Lisanna está muito mal. — Ela abaixou os olhos, em consideração e tristeza. Nunca havia passado por mim, mas ela também sentia muito pelo estado de minha... Noiva. — Ela está grávida.
Lucy se encolheu, amedrontada. Tremia tanto que me aproximei para ver se estava bem. Ela rodeou a barriga num gesto protetor, e aquele simples ato me intrigou de uma forma avassaladora. Talvez fosse essa história de gravidez que estivesse me fazendo ver coisas onde não tinha.
Eu poderia ser chamado de qualquer coisa, mas nunca poderiam me acusar de não ter coragem. Afastar-se da pessoa que gosta não é tão simples quanto parece, e por isso eu sabia que, o que estava prestes a fazer seria uma bomba posicionada estrategicamente perto do meu coração. E para meu desespero, eles estavam se aproximando com um fósforo aceso.
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