Nove Meses
22 19 — Convite
Notas iniciais
Eram 21h de uma segunda feira muito agitada. Estava deitada em minha cama e Levy ao meu lado, nós duas dividíamos uma panela de brigadeiro, enquanto olhávamos o teto pouco atrativo do meu quarto.
— Desse jeito vai parecer que eu só lhe chamo quando é conveniente. Desculpe Levy. — Enfiei outra colher transbordando chocolate dentro da boca. Quando esse acabou refiz o processo de colocá-la dentro da panela e pegar uma grande quantidade do negro.
— Eu sei que não é assim que as coisas funcionam. — Ela sorriu compreendendo-me.
— Jura que não lhe interrompi nada?
— Bem, era hoje o dia de eu fazer o jantar, mas saí antes que mamãe saísse do banheiro. Amanhã conversarei com ela. Também não coloquei comida para o totó, mas deixei um recadinho pregado na geladeira.
— Você não se preocupa em deixá-la sozinha?
— Não me interprete mal Lucy, mas minha mãe nunca está sozinha. Conversei com uma das vizinhas, ela passará a noite acompanhando-a. Não sei se foi pura coincidência, mas ela também dormiria sozinha essa noite, o filho viajou para fora. Ela não explicou muito bem, mas acho que tem haver com a faculdade. Além do mais, elas poderão ouvir aquelas músicas que nem em meu pior pesadelo arriscaria ouvir. É sério, estou feliz por não ter nascido em uma época onde não se tinha gosto musical. Como eles podiam compor algo tão ruim?
Eu ri, mas fiquei em silêncio depois disso. Havia duas horas que estávamos deitadas na mesma posição, que foi quebrada apenas quinze minutos atrás quando dei a ideia de fazermos brigadeiro. Na verdade era para fazermos doce de leite, mas como esquecemos a panela tempo de mais no fogo acrescentamos toddy, e assim saiu nosso brigadeiro.
— Você não quer falar? — Ela perguntou olhando-me desta vez.
— Na verdade quero, mas tenho medo de não parar quando começar. É como se quisesse desabafar minha vida toda essa noite. Eu estou sentindo que há um caroço invisível na minha garganta pronto para ser rompido, e uma avalanche de palavras viesse pelo caminho liberto.
— É muita coisa Lucy — Seus olhos moveram descrentes. — Mas nós temos a noite toda. — Ela se levantou sentando de pernas dobradas. — Vamos, mande ver, estou aqui para isso.
— Estou com raiva, muita raiva. Mas também estou feliz, pois hoje eu e Natsu nos beijamos. — Falei. Ela me olhou como se um tsunami estivesse prestes a inundar Tóquio.
— Eu perdi alguma coisa produção? Esse não era motivo para você estar chorando de alegria Lucy? Quem sabe arrancar as roupas e correr pelada pela rua.
— Sim, seria, se ele não tivesse estragado tudo. Foi um momento tão triste mais ao mesmo tempo tão bonito. Ele desabafou comigo Levy, contou-me parte do seu passado. E foi ele também quem me beijou, mas o momento mágico se acabou quando lembrou que estava noivo de Lissana. Não poderia recordar-se disso depois, quando eu não estivesse mais com ele?
— Que babaca. — Ela contraiu a face. — Pena eu não estar lá para socar-lhe a cara. Meu murro com certeza teria deixado-o com um olho roxo.
— Ele me disse coisas bonitas também ao final. Falou-me que nunca teve certeza de nada em sua vida, mas que teve certeza do que aconteceu ontem. Articulou que todas as suas atitudes até agora foram uma forma de me manter afastada, e também me pediu desculpas. Disse que não era o mostro que eu estava imaginando. — Finalizei.
— Então ele também gosta de você. — Discorreu. — Essa não seria uma ótima oportunidade para contar sobre a gravidez? — Ela puxou a panela para mais perto de si, e começou a rapar as bordas.
— Eu não sei, se ele gostasse mesmo de mim não teria mencionado o casamento com Lissana. — Raciocinei com meus miolos. — Não anseio que ele esteja comigo pela criança que estou esperando, quero que Natsu sinta amor por mim. — Minha voz começou a ficar embargada. Disse para mim mesma que não iria mais chorar hoje. Meus olhos estavam vermelhos e ardendo, nada que passasse por eles agora seria muito agradável. — Quero ser amada Levy. Seu eu dissesse a Natsu hoje, quais seriam as probabilidades de ele ficar comigo? Mesmo que ficasse, porque iria querer estar com ele se não gostasse de mim? É tão errado assim querer que ele me ame?
— Não Lucy, não está errada. Mas não acredito que Natsu ficaria com você pela criança, hoje em dia isso não existe mais. Eu penso que, se ele soubesse agora isso poderia resultar em uma aproximação maior de vocês, não acha?
— Talvez sim, ou poderia resultar em algo totalmente reverso. Com isso Natsu poderia se afastar totalmente de mim, e todo o sofrimento que aguentei até agora seria em vão. Eu quero contar a ele em um momento que fique feliz por isso, não que se sinta obrigado a ficar comigo pela criança. Agora, eu também pareceria a vilã da história, nem mesmo sei se ele se lembra dessa noite, e mesmo que se lembre ele acha que é Lissana. Como poderei falar isso para ele? “Eu me passei pela sua noiva e dormi com você enquanto estava bêbado”. Essa não me parece uma boa forma. Eu sabia o que estava fazendo Levy, ele não. Talvez esteja completamente enganada, é só que não sei o que fazer.
Levy suspirou, estava tão indecisa quanto eu.
— Tudo bem — Largou a vasilha e ficou a minha frente. Pegou um travesseiro e o pôs a um palmo de distância de seu corpo. — Situações assim pedem medidas extremas. Vamos, imagine que esse é o Natsu, extravase sua raiva nele. — Ela levantou o travesseiro um pouco mais ao alto, ao mesmo tempo em que o afastou de sua face.
— Eu não estou com raiva do Natsu, estou com raiva dessa situação. E dessa porcaria de vida por ser tão injusta. — Era a mais pura verdade.
— Vamos Lucy, olhe para o travesseiro e diga: eu sou uma pessoa incrível.
— Eu não vou falar isso. É a maior idiotice que já fiz em minha vida. — Encolhi-me na cama, querendo me livrar daquela circunstância constrangedora.
— Cala a boca e repete comigo: eu sou uma pessoa incrível. — Falou. Seu semblante deixava claro que estava pronta para me dar umas palmadas no bumbum seu eu não fizesse o que mandava.
— Eu não vou... — Comecei, mas Levy quase me acertou o travesseiro na cara. Suspirei e falei por fim: — Eu sou uma pessoa incrível.
— Assim não! Ta parecendo que morreu e esqueceu-se de cair. Diga mais alto e com vigor, você está dizendo isso para Natsu. Fale na cara dele a mulher maravilhosa que ele ta perdendo, a melhor pessoa que poderia existir para estar ao lado dele. Imagine a cara dele e bata até seus dedos doerem, xingue , mostre a língua, deixe extravasar de alguma maneira.
— Eu não posso fazer isso, até porque se Natsu estivesse aqui minha vontade seria de saltar sobre ele. Ele é o meu primeiro único amor, eu sinto que nuca vou poder deixar de amá-lo. Isso é um saco, eu sei, mas não posso fazer nada para mudar essa situação.
— Talvez você possa. — Discorreu. Levy me estendeu o agregado de penas. — Você já pensou em tentar esquecê-lo? Tirá-lo de vez do seu coração?
— Você não escutou o que eu disse? Eu não posso esquecer Natsu, eu não quero.
— Nem ao menos tentou Lucy. Todo esse tempo correndo atrás dele, talvez se você se desse a oportunidade de conhecer outras pessoas, algo que não esteja relacionado a ele. Está acabando consigo mesma com esse amor platônico.
— Pensei que iria me encorajar, dizer que devo lutar pela minha felicidade.
— É exatamente por isso que digo para seguir em frente, eu sou sua amiga Lucy, não quero lhe ver sofrendo como vem acontecendo até agora. Eu realmente gostaria que desse tudo certo entre você e Natsu, mas não está dando, e continuar com essa situação só irá fazer mal a você mesma.
— Mas pelo menos ao final, mesmo que nada saia da maneira como desejo... — Peguei o travesseiro e coloquei sobre a cama. Virei-me sobre ele, afofando e ajustando-o até que estivesse em uma posição ideal para o que estava para vir. — Eu terei em mente que fiz tudo o que poderia até o último momento para que nós dois tivéssemos uma oportunidade. — O que devo fazer agora? — Perguntei incerta dos próximos movimentos.
Levy escondeu a cabeça entre as mãos e pareceu dizer algo baixinho para si mesma que não fui capaz de ouvir. Quando voltou a mostrar a face disse em alto e bom som:
— Bata, desconte sua raiva nesse pobre travesseiro. Deixe sair o sofrimento de todos esses anos. — Ela segurou outra almofada junto ao corpo, e imaginei que aquela seria a próxima vítima.
Segurei pela ponta o agregado de penas, levantei-o acima da cabeça e desci com ele novamente sobre a cama. Uma descida rápida e violenta. Soquei o travesseiro pelos minutos seguintes, enquanto um conjunto de todos os acontecimentos passava lentamente por mim. Quando o primeiro travesseiro estava incapacitado de receber mais um soco, Levy me entregou o segundo.
— Eu odeio tudo isso. Odeio não poder ficar com Natsu, odeio a mãe dele, odeio Lissana, odeio não ser feliz. Odeio ter que estar escondendo as coisas do meu irmão, odeio vê-lo infeliz. Odeio ter que pensar que talvez tenha que criar minha criança sem o pai, odeio saber que Natsu poderá ser feliz com outra, e odeio ainda mais não estar com ele nesse momento.
Joguei o coxim para fora do leito, e caí sobre ele exausta. Levy que se manteve calada por todo esse tempo veio finalmente a voltar a falar.
— Está melhor?
— Estou, mas ainda tenho vontade de chorar. — E então ela me puxou para o seu colo, e ali eu pude deixar sair tudo que ainda me atormentava em forma de lágrimas.
— Nos temos algum trabalho para fazer? — Perguntei, torcendo que estivéssemos entupidas deles. Que fossem tantos que eu não pudesse pensar em mais nada que não fosse um livro grande de pesquisa.
— Temos um seminário para a próxima semana, então estamos desocupadas por esta noite.
— Não, nada disso. Precisamos fazer bem, minhas notas não estão muito boas. Vamos estudar. — Enxuguei as lágrimas, tendo em mente que chorar não me ajudaria em nada. Apenas me faria contrair uma bela dor de cabeça. Peguei o maior livro que tinha dentro daquele quarto e tentei me afundar nas letras. Foi difícil, às vezes eu lia a mesma frase e nem mesmo percebia. Eu me perguntei até quando isso duraria. Amar Natsu estaria sendo um grande erro? Deveria desistir? Não. Ainda não posso desistir dele. Conseguiria forças de algum lugar dentro de mim para continuar lutando.
*
Terça feira — 18 de setembro de 2001
No dia seguinte as aulas na faculdade não foram tão animadoras, a data do seminário havia se adiantado, e o tal Loke não havia retornado, talvez fosse melhor, a presença dele não me cheirava a coisa boa, apesar de me deixar tão intrigada. O professor de Bioestatística, Mark era o nome dele, aplicava a nossa última aula do dia. Concentrei-me nele, mas não conseguia obter nenhum aprendizado de suas palavras, na minha mente vinha apenas o auge do dia anterior, o momento em que eu e Natsu nos beijamos. E logo em seguida suas palavras me domavam completamente.
— Eu não sou esse monstro que você deve estar idealizando.
Essa frase me fazia fraquejar, a maneira como ele a pronunciou foi diferente de qualquer forma que já tenha me dirigido a palavra antes. Eu conseguia ainda sentir o contato dos nossos lábios, as emoções que me rondaram naquele momento.
Estava parecendo àquelas meninas do fundamental, que teve seu primeiro beijo e agora não conseguia esquecê-lo. Nos próximos dias são apenas esse pensamentos que povoam suas cabeças, e elas ficam feito bobas imaginando quando será o próximo.
Mas o que poderia dizer sobre elas, eu que fico catando migalhas de apenas dois beijos, para quem já esteve e um patamar muito maior que esse isso não deveria ser grande coisa. No entanto, ainda era para mim.
Quando o professor disse que estávamos liberados foi um alívio, se aquela aula tivesse continuado por muito tempo corria sério risco de ser prejudicada. No dia seguinte, talvez estivesse mais atenta e correria atrás do prejuízo.
Nada de inovador aconteceu na nossa corrida até em casa, apenas que eu fiquei sabendo que Levy e Gajeel estariam em um encontro quando anoitecesse. Fiquei feliz pela minha melhor amiga, saber que ela estava alegre fazia uma parte de mim também estar.
Já em casa encontrei-me com Sting, o fato de estar tão cedo na residência me espantou. Depois que ele começara a trabalhar com Sr. Igneel deveria chegar em casa mais ou menos as seis da tarde.
— Vim em busca de alguns documentos. — Esclareceu-me. Estava tão bonito vestindo aquele terno preto, não pude negar, um orgulho bateu no coração. — Seu chefe está sendo muito bom comigo, Lucy. Tenho muito a aprender com ele.
Não duvidava disso. Igneel era um homem honrável, e estava para nascer uma pessoa tão virtuosa quanto ele. Claro, eu dizia isso sem o conhecimento de seu passado, mas nada que já tivesse feito tiraria esse título dele.
— Tenho certeza que sim. — Respondi-lhe
Depois do meu rápido diálogo com Sting, segui para o meu quarto. Era impressionante como nenhum outro cômodo da casa o superava, ali estava o meu cantinho de reflexão. Pelas minhas contas teria uma hora livre até que desse o momento de ir trabalhar.
Fui à cozinha a procura de algo comível eu acabasse com o buraco negro eu tinha dentro do estômago. Encontrei mamãe ali, cozinhando algo.
— Lucy querida, que bom lhe ver em casa. — Ela sorriu largando o que estava fazendo para vir e sentar-se a mesa comigo.
— Tem algo para comer? Estou com muita fome. — Foi até a geladeira e trouxe uma caixa de leite. Veio também algo para que eu o misturasse. Fiz um copo cheio e peguei algumas bolachas dentro do vidro.
— Sabe, eu estava pensando, acho que devo voltar a trabalhar. — Comentou. Ela se levantou e começou a lavar algumas louças que estavam dentro da pia.
— A senhora já não é bastante ocupada cuidando da casa?
— Lucy, eu faço isso há tantos anos que arrumar essa casa é questão de uma hora. E sempre tem alguém fazendo alguma coisa, o que acaba diminuindo ainda mais o trabalho. Não estou reclamando, mas acho que eu poderia me distrair com alguma outra coisa também. Eu sempre gostei de fazer unhas, acredito que posso retomar essa prática. — Ela riu. — também creio que seria uma boa oportunidade para voltar a estudar, gostaria de retornar a aprender.
— Se tem certeza disso, eu só posso lhe apoiar. Não acho ruim que volte a estudar, mas a senhora terá que esperar até o início do próximo ano. — Ela sorriu em concordância. Aquele sorriso me lembrou e algo que eu gostaria de perguntar-lhe, mas que deixei de lado quando vi que o tempo havia passado voando.
Mas ainda sim a pergunta continuou na memória:
Porque aqueles três estavam juntos naquela foto que estava no quarto de Sting?
*
O trabalho naquele dia milagrosamente não era muito, agradeci imensamente por isto. Eu também não sabia como era possível uma casa se sujar tanto de um dia para o outro. Estava certo que era bastante habitada, ora ou outra estava entrando e saindo um, mas ao ponto de que tivesse que limpar todos os cômodos todos os dias era impressionante.
Dos trinta minutos que estava ali não avistei em nenhum momento Natsu, outro motivo para agradecer. Eu não sabia como deveria reagir em sua presença depois do beijo no dia anterior.
Beijo. Nossos lábios se encontrando, meu sentimentos se alucinado minha respiração acelerando. Aquele beijo realmente havia mexido comigo, tanto que eu estava sonhando acordada.
Fui invadida por uma súbita vontade de que ele voltasse a se repetir. Balancei a cabeça tentando dispersar aqueles pensamentos.
— Pensando em mim?
Senti meu coração dar duas batidas mais rápidas. Levantei o olhar da vassoura que passava no chão para encontrar Natsu parado diante de mim.
— Tenho coisas mais interessantes para fazer. — Falei sem o encarar nos olhos, sabia que seus orbes escuros de me fariam fraquejar. Isso não podia acontecer. Essa circunstância era tão ádvena, o que eu deveria fazer agora? Nenhum de nós poderia esquecer o que aconteceu, mas também não poderíamos deixar de lembrar que tinha Lissana. Ela sempre seria uma pedra do sapato, eu poderia estar soando má agora, pois sabia de toda a situação que estava enfrentando, mas eu não poderia deixar de me sentir assim quando estamos falando do cara que amo.
Querendo ou não, ela estava com ele.
— Eu quero me desculpar. — Falou um pouquinho mais perto.
— Você já fez isso. Além do mais, não tem porque se desculpar, eu estava no seu quarto, portanto, estava errada.
— Não, eu tive uma parcela de culpa pelo que aconteceu, pois me deixei levar. Isso não voltará a se repetir. — Terminou.
Um ar estranho passou a rondar entre nós, no silêncio que se fez presente notei como estávamos envolvidos. Não era apenas eu que queria que a ação do dia anterior voltasse a se repetir, essa também era uma vontade de Natsu, observei isto em seu olhar.
Sem que pudesse segurar meus próprios pés aproximei dois pequenos passos.
Oh não, Lucy. Tente não corar. Tente não corar.
Seus dedos se contorceram dentro do bolso da frente da calça, até que saíram lentamente do local que os aprisionava. A vez foi do jovem a minha frente, que também se aproximou.
— Você está arrependida?
— Eu que lhe faço essa pergunta. Você se arrependeu?
Ele se calou de olhos arregalados, quiçá não esperasse por essa pergunta.
Nós estávamos ainda mais juntos, nossos pés quase se tocavam. Encarei seus olhos e ele também repetia a ação. Mas que merda de magnetismo era esse, que parecia nos ligar por uma linha invisível?
— Natsu e ... Lucy?
Eu me assustei e virei de supetão quase batendo no garoto que estava tão próximo. Apertei o cabo da vassoura tentando me estabilizar.
— Ah... Oi, senhor Igneel.
— Senhor Lucy? Quando a senhorita irá aprender? — Encarou-me com reprovação.
— Oh... Desculpe-me Igneel. — Senti as bochechas corar. Tentei tanto suprimir o róseo que se instalara em minhas maçãs e tinha certeza que ele deveria estar lá.
O patrão direcionou um olhar ao filho, inicialmente uma carranca séria, mas logo um sorriso se armou.
— Eu estava mesmo à procura de vocês dois, falarei com Virgo logo mais. — Escorou-se na parede. Dessa vez Sr. Igneel estava com o terno completamente composto. Ele deveria ter vindo em casa buscar algo, assim como fez Sting.
— Programei uma viagem nesse fim de semana e desejo que vocês venham comigo.
— Para onde, posso saber? — Questionou o herdeiro.
— Para a nossa casa de campo. Não vamos lá desde que... — E então se calou, sem conseguir continuar. Fiz rapidamente um ligamento dos fatos e cheguei a uma conclusão: Aquela poderia ser a mesma casa que Natsu e sua família iam quando a tragédia aconteceu.
— Não, obrigado. — Ele se virou pronto para nos deixar.
— Natsu, eu sei que ainda é difícil para você, mas pense que eles não gostariam de vê-lo assim. — Ambos se olharam e me afastei alguns passos inconscientemente. — Eu sei como é difícil, eu perdi os meus pais e também minha filha, não imagina como doeu e como doe ainda, mas nós temos que seguir em frente meu filho.
O garoto continuou em sua mesma posição, eu não podia saber o quão difícil era para eles. Senti que não deveria estar ali, em um momento tão intimo. Nenhum dos dois me olhou por nenhum momento, era como se estivessem esquecido que eu estava ali. Eu realmente gostaria que um buraco se abrisse no solo e eu pudesse me esconder nele.
— Tudo bem. — Soltou junto com uma lufada de ar.
Senhor Igneel reprimiu um sorriso e voltou a se dirigir a mim.
— Você já tinha planos Lucy?
— Não, — Apenas coisas relacionadas à faculdade, todavia aquilo não era nenhuma novidade. — Mas não sei se seria uma boa ideia.
— Eu adoraria que você nos acompanhasse, Virgo provavelmente também estará conosco. É um ambiente agradável, acredito que irá gostar bastante. É bom ter contato com a natureza às vezes, proporciona um relaxamento que a cidade grande não permite.
— Eu... — Olhei para Natsu que estava agora nos observando. Um fim de semana todo na companhia dele? Não sei se essa seria uma boa para meus sentimentos. O que poderia resultar de tantas horas juntos?
— Se o seu receio for por minha causa, eu não vejo problema algum. — Esclareceu sem me olhar nos olhos. Ele estava dizendo a verdade ou apenas não queria chatear o seu pai?
— Vamos, Lucy. Vai ser bom para todos nós. — Pediu mais uma vez. Os olhos deles eram idênticos aos de Natsu, e eu jamais, jamais poderia negar algo a eles.
— Certo.
Relaxar. Pela primeira vez sabia que Sr. Igneel estava errado, tudo poderia acontecer mais certamente não iria relaxar. Não com o meu coração batendo tão forte na companhia de Natsu.
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