Nove Meses

17 Marcando presença


_Branco ?

_Achei tão simpático … o jogo todo.

Um berço que se transformava em uma pequena cama, uma cômoda com inúmeras gavetas e puxadores coloridos em tom pastel. Havia a opção de puxadores em vermelho e azul escuro pra o caso de terem um garoto. O armário era até um pouco maior que o que se costumava ver, mas igualmente bonito com espaços inteligentes e bem distribuídos.

Havia um tapete decorado com um jogo que fez Sara se lembrar de sua infância. A amarelinha ! Eles desenhavam aquele jogo na calçada em frente à sua casa e usavam pedrinhas para avançar.

_Olha que lindo, Gris ?

_Você gostou ?

_Eu adorei … tem as mesmas cores da bicama.

_Mas não é um jogo para .. meninas ?

_É verdade ! Mas é tão lindo !

_Vamos ter que esperar mais um pouco, se quiser levá – lo.

_Vamos esperar …

Um pouco mais à frente, ainda na seção de tapetes ela viu o que parecia ter sido feito para o ambiente, se fosse um menino ! Aquilo era a cara dele que, tanto quanto ela ficou paralisado olhando o retângulo gracioso pendurado na amostra.

O motivo que inspirou aquele tapete era tão surpreendente quanto suas expressões.

Um enorme e bem feito desenho de palavras cruzadas. Alguns quadrinhos preenchidos com letra de criança, imediatamente ao lado de desenhos que também pareciam ser feitos por pequenas mãozinhas.

Havia uma bola, e o nome bem ao lado, cruzando com o desenho carimbado de cinco dedinhos e a palavra mão também preenchida. Uma circunferência de fundo amarelo e um sorriso em curva, lembrando um emotion e que poderia ser preenchido com a palavra “feliz”, nos cinco espaços vazios logo abaixo. Um pequeno barco a vela e por fim um sol também sorridente com seus pequenos raios alaranjados.

_Isso é lindo … amor !

Ele apertou os dedos dela e foi como se uma corrente de emoções os transpassasse. Ele havia adorado também.

_É … uma obra de arte !

_Acabou de ser montado para amostra, senhor !

Ele mal prestou atenção na simpática atendente, sua mão livre deslizou pelo tecido suave da pelúcia e ele visualizou um bebê rosado engatinhando naquela maciez.

_Existe a possibilidade de ter … outros motivos, para o caso de ser … uma menina ?

_Posso verificar, podem me aguardar, por gentileza ?

Eles acenaram e ela desapareceu porta adentro para pegar os catálogos.

_Você adorou não foi ?

_Nem imagina o quanto !

_E é tão … macio !

_Huhum … perfeito !

Alguns segundos depois, um enorme catálogo foi entregue em sua mãos.

Campos de futebol, quadra de basquete, um jardim com flores completamente tortas e “pintadas” sem muita coordenação, que arrancou sorrisos quando viram, outros com motivos de filhotes de animais, e por fim, o objeto de desejo. As palavras cruzadas com motivos femininos. O desenho de uma menininha com maria chiquinhas, uma boneca, uma flor, uma sainha de pregas em tom de verde água e por fim uma ursinha de vestido rosa.

_Ai que coisa mais linda, Gris !

_Nós vamos querer uma peça destas, mas ainda temos que esperar.

_Claro … como você quiserem, basta nos ligar !

Enquanto ele se dirigia ao caixa, ela se sentou em uma cadeira e olhou ao redor.

Tudo era tão bonito. Até um tempo atrás, jamais imaginou uma cena daquela. Mais uma vez, ela caiu em si.

O sonho se misturava com a realidade, e ela inevitavelmente pousou a mão na barriga, que tinha tomado proporções bem avantajadas no último mês.

De repente o bebê se mexeu e ela sorriu. Queria tanto que ele estivesse ali, ao lado dela para sentir aquilo. Era delicioso.

_Oh meu amorzinho ! Você vai fazer isso para o papai, não vai ?

Ela falou baixinho, com tanto carinho que mais uma vez, sentiu movimentos agitados. Desta vez ela deu um pequeno pulo na cadeira, com o cutucão em suas costelas.

_Ei … eu já sei que está ai !

_Sara ?

_Sinta isso querido … me dê sua mão ! — Ela esticou a mão encontrando a dele, posicionando em sua barriga e ele esperou alguns segundos.

_Não quer se comunicar ?

Sem que notassem, alguns vendedores pararam o que estavam fazendo para assistir a cena. Era linda !

Ele se agachou em frente a sua barriga e esperou mais uns instantes, falando bem baixinho.

_Não vai dizer oi para o papai ?

Assim que sua frase terminou, ele sentiu perfeitamente o toque ! Com toda certeza era uma mãozinha fechada, com os ossinhos frágeis marcando por cima do tecido.

_Oh … ele está se mexendo ! Pode sentir ?

Ele estava sem fala, apenas com os olhos brilhando e um sorriso bobo em seus lábios.

Grissom depositou um beijo exatamente ali, sem saber de verdade que havia uma plateia torcendo para aquele contato.

Ele não parava de empurrar, estava agitado com o contato de seu pai, que parecia completamente alheio mesmo a qualquer coisa que estava acontecendo ao seu redor.

Não havia nada que o fizesse descrever o que estava sentindo.

_Oi meu filho … como você está ?

Sara lutou contra uma pequena lágrima ao ver o quanto ele estava mesmo emocionado.

Eram perfeitos os nozinhos bem marcados, coisa de se impressionar de verdade.

De repente ele parou o trazendo de volta ao mundo.

Ele se levantou sem jeito e olhou ao redor, estavam sendo o centro das atenções, clientes, vendedores, quase todos os olhavam atentos, alguns com sorrisos de encantamento.

_Vamos … querida … acho que demos um pequeno espetáculo aqui ! — Suas bochechas coraram e ele pareceu mais um garoto do que um homem de meia idade.

….......

Sara estava encostada em travesseiros macios na cama e acariciava os cabelos dele que estava de bruços e meio corpo levantado.

Ele havia pulado na cama quando, ao abrir a porta do quarto ela o chamou com apenas um dedo.

Energia … anergia … energia !

Foi só o que ele pensou ao encarar seus olhos maliciosos.

Aquele contado com o bebê tinha os unido ainda mais, era uma cumplicidade sem igual.

Sua barriga parecia maior a cada dia, e ele ficou preocupado em estar sobre ela, parecia não ser uma boa ideia.

_Acho … que temos que adaptar uma posição mais confortável, querida !

_Vou ter que concordar com você ! Mas … não gostaria que isso tornasse as coisas mais difíceis.

Ela não conseguia entender como sua gravidez parecia ter liberado seus hormônios com tanta força. Sempre o achou desejável, mas as coisas pareciam ter tomado maiores proporções.

O brilho dos olhos dele, a necessidade do calor de seu corpo e a maior proximidade devido aos cuidados em relação a ela, pareciam colaborar com suas intenções.

Tinha explicações científicas para tanto, entendia de todas as teorias possíveis, mas seu corpo estava absurdamente clamando por ele com a força de adolescentes descobrindo o sexo. Tinha que se conter, sabia que aquilo podia assustá – lo e ele era todo cuidadoso, preocupado e voltado completamente a ela.

Grissom beijou seus seios por cima da camisa de seu elegante pijama de seda, estavam maiores e altamente sedutores, se ajeitou ao lado dela e a chamou para seu colo.

Ele estava sem camisa e vestia a parte de baixo da calça de seu pijama chumbo.

Sara se ajeitou com cuidado e acariciou seu pescoço forte.

_Está confortável … dessa maneira ?

_Muito …

Os beijos começaram devagar e avançaram com a rapidez do desejo gritante.

Os botoes foram abertos uma a uma a quatro mãos e a camisa foi deixada de lado, assim como a calça quando ela se equilibrou na cama para despi – la. Logo suas roupas íntimas, no mesmo instante em que ele ficava nu também.

Com cuidado ela se sentou sobre ele, guardando todo volume dentro dela.

_Céus … Gris … eu te desejo tanto.

Ele sabia e correspondia com o passeio de sua língua pelo pescoço cheiroso, as mãos sobre as costas lisas e um sorriso bobo que o deixava mais charmoso.

Ela mordiscou sua orelha, gemendo roucamente.

Os movimentos foram estrategicamente coordenados, sua unhas arranhavam com sensualidade a pele de seu rosto coberta pela barba. O contato lhe trazia uma onda de excitamento ainda maior.

O contato se estendeu por longos minutos até que ele explodiu dentro dela. Logo depois, foi a vez de sua mulher alcançar a plenitude.

….......

_De que está rindo ?

Grissom sentiu o corpo de sua mulher chacoalhar, estava abraçado a ela por trás e em silêncio quase sucumbindo ao sono.

_Do nosso espetáculo.

Ele espalmou a mão em sua barriga, como se estivesse procurando contato.

_Aquelas pessoas deviam estar achando que somos malucos.

_Devíamos ter cobrado ingresso !