Nove Meses
23 "Eu não acredito !"
O telefone dela tocou assim que abriu a porta do apartamento deles.
_Oi !
_Gris ? O que aconteceu ?
_Nada … apenas queria saber como você está !
Ela começou a rir, ele era o exagero em pessoa !
_Mas … onde você está ?
_No hotel !
_Já se instalou ? — Não fazia muito tempo que havia se despedido dela.
_Sim, estou esperando o jantar ! — Ele declarou, enquanto ela imaginava a cena. Pelo seu tom de voz, com certeza, ele havia inclinado a cabeça, arqueado as sobrancelhas e apertado os lábios. Deus … ela amava quando ele fazia aquilo. Sua vontade era sempre beijar aquele rosto lindo até cansar. Uma das fotos dele sobre o aparador, era exatamente assim ! Havia tirado em sua mesa, no laboratório. Se lembrava daquele dia, ainda namoravam ás escondidas e ele declarou docemente que mantinha uma coleção de gibis antigos de quando ainda era criança ! Foi surpreendente. A tal coleção ficava muito bem guardada no escritório em uma caixa repleta de desenhos que ele mesmo havia pintado. Era linda ! Já sentia falta dele.
_Já falou com alguém ?
_Sim … o agente que me contatou esteve aqui para algumas observações ! Amanhã, ainda muito cedo, tenho que estar na sede, na 6ª avenida.
_Que bom …
Ela estava com o telefone apoiado no ombro e andava pelo apartamento, suas respiração estava um pouco descoordenada e ele percebeu.
_O que foi ? Você parece cansada !
_Estou andando pelo apartamento enquanto falo com você !
_Tem certeza ?
_Grissom ! Eu estou dizendo, não me contrarie … qual seu problema ?
_Tenho que te confessar uma coisa … estou apavorado com a ideia de ficar sozinha ! E se nosso bebê, resolver chegar … quando ainda estou … aqui !
Ela colocou a mão na boca com as ideias férteis ! Uma gargalhada alta e ele franziu a testa olhando para o telefone.
_Isso não vai acontecer !
_Coloque o telefone em sua barriga !
_Como é ?
_Por favor … Sara ! Estou pedindo !
_Está bem … estou fazendo isso.
Ela não podia conseguir segurar outra gargalhada por muito tempo. Aquilo era totalmente hilário. Ela ouviu ele falar com o bebê, como se estivesse ali.
_Tem que prometer ao papai … que vai me esperar e que vai cuidar de sua mãe, como um bom menino faria, ok ?
_Gris … — Sem que pudesse entender, seus olhos divertidos se tornaram comovidos. _Não se preocupe, meu amor … juro a você que estou bem … de verdade !
_Acredito em você !
_Preciso de um bom banho agora, e acredite … vamos ficar bem, não quero que se preocupe deste jeito. Se concentre em seu trabalho e … volte logo, amor ! Estamos te esperando !
_Vou fazer o possível … e tenha uma boa consulta !
_Vai dar tudo certo !
_Sara …
_Oi !
_Chame um táxi, não vá dirigindo !
_Farei isso, se for para deixá – lo mais tranquilo.
_Por favor …
_Durma bem … querido !
_Vocês também … e me ligue assim que chegar do médico.
Ela rolou na cama, procurando uma posição que lhe favorecesse.
Mas estava complicado conseguir o que parecia tão simples.
Nos intervalos de seus cochilos, ela sempre levava a mão para o lado dele na cama, depois suspirava desolada.
Sentia falta dele, de suas mãos sobre ela, sobre seu ventre, de seu imediato conforto quando se encostava nele para dormir.
Desde que voltara de sua conferência, eles não passaram um só dia longe um do outro. Aquela dependência estava surtindo efeito naquele momento, mas ele precisava estar lá. Seria muito bom para sua carreira, assim como havia sido para ela quando se ausentou.
Ela se levantou e foi até a cozinha fazer uma generosa xícara de chá. Escolheu morango silvestre. Era de gosto bom e lhe reforçava a sensação de bem estar que precisava para o momento.
Foi até o quarto de Antony e acendeu a luz.
Tudo parecia perfeito, bonito e agradável.
Seu marido havia intercalado algumas cores no ambiente, amarelo e laranja compunham um bom visual na faixa de parede que ele mesmo escolhera. Uma carreira de pequenos sóis, desenhados em caracol, intercalados por pequeno barquinhos em formato bem infantil. Havia ficado lindo.
Sara sentiu o movimento calmo que seu filho fazia em sua barriga enorme, como uma carícia e se lembrou de seu marido.
_Você é um bom menino, seu pai vai se orgulhar de você !
Ela se sentou na poltrona ao lado do berço, descansou os pés em um puf macio logo à frente e acariciou sua barriga, entoando uma música bem suave, que sua mãe cantarolava quando era muito pequena.
Delicada e de tom agradável, era como se segurasse seu pequeno nos braços e o embalasse para obter um sono tranquilo.
Acabou adormecendo momentos depois.
Por um bom tempo permaneceu ali, depois despertou ao procurar uma posição melhor.
Foi para sua cama e para o resto da noite e uma boa parte da manhã teve um sono conciliador.
Logo que despertou teve a ideia de ligar para seu médico e remarcar a consulta mais para o final da semana, o que conseguiu com facilidade ao explicar a ele a ausência de seu marido !
….......
_Faça isso, Sara ! Tenho certeza que o Gil aprovaria, ele vai pular de alegria. Curta esses momentos, arrume suas coisas com calma, descanse.
_Eu não sei. Confesso que ás vezes tenho vontade de cair na cama e dormir por dias, mas sinceramente … não acho que seja uma boa ideia. Vou enlouquecer com o tempo ocioso !
_Tenho certeza que vai encontrar o que fazer. Tire sua licença a partir de agora ! Estamos nos programando para um novo membro em sua ausência. É só me dar o sinal.
_Ah … Cath … eu … não acho necessário.
_Seus pés estão inchando com facilidade. Seu peso extra está lhe causando mais cansaço.
Ela tinha que admitir que a ideia era mesmo tentadora. Pensou em descansar sob lençóis macios, tomar banhos frequentes para o excesso de calor, em vez de frequentar lugares abafados e ambientes de extremo estresse.
_Está bem ! O que tenho que fazer ?
_Apenas assinar sua licença, você pode passar no laboratório e fazer isso, depois de sia consulta.
_Consegui remarcar ! Queria que o Gris … estivesse comigo, ele se importa tanto !
Cath sorriu com meiguice.
_Estou totalmente aparvalhada com ele. Não tinha ideia do quanto poderia ser tão protetor. E como tem cuidado de vocês !
_Até demais … tanto que aquele maldito me fez ficar dependente !
_Ele te ama muito, não é ?
_Mais do que poderia imaginar !
Suas bochechas coraram em admitir, não era dada a demonstrações em público antes deles assumirem o relacionamento, ainda estava em processo de aprendizagem no quesito em questão.
_Ás vezes custo a creditar em como as coisas aconteceram.
_Eu também !
_Você sempre teve uma queda por ele, não é ?
Se o tamanho do que ela sentia desde sempre fosse uma queda, então tinha a profundidade de um abismo ! Era tudo muito intenso !
_Sempre. — Mesmo querendo gritar que o amava loucamente, ela apenas admitiu com simplicidade.
_Que bom que se acertaram … ele tem se esforçado tanto !
Ela se levantou e foi até o lixo da cozinha para descarta a lata de refrigerante vazia, que Sara lhe oferecera assim que se sentaram na sala do apartamento deles.
_Bem … fique tranquila quanto à sua licença, eu mesma posso trazer o formulário de aprovação para que assine.
_Fara isso ?
_Com certeza.
_Diga aos meninos que ainda vamos nos ver !
_Eu direi !
_Estive pensando sobre isso, não sei como meu marido resistiu a tentação de escalar um guarda costas !
_Ele não resistiu !
….......
Sara só foi mesmo entender as palavras de Cath quando, bem mais tarde, “seus meninos”, Nick e Greg apareceram com seus sorrisos marotos e pijamas debaixo do braço !
“Eu não acredito !”
Foi o que ela disse por fim, ao abrir a porta !
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