Notas iniciais
Um pouco de ação para vocês, cenas de ação não são o meu forte, mas até que eu gostei dessa coisa, espero que gostem também!

Lebre se levantou e se aproximou de mim — Claro que posso te ajudar! – Ela disse num tom cínico e eu também me levantei, a tempo de á ver retirando uma faca de um dos bolsos, ela me olhou friamente e sorriu como um caçador que acabou de capturar sua presa.

— Oque é isso? — Perguntei me afastando da mesa e olhando os outros.

— Isso? – Ela disse lhes lançando um olhar rápido e frio aos “amigos”. — Não passam de loucos que estão perdendo a noção do tempo aos poucos. – E me olhou novamente — Eu apenas acelerei o processo.

— Pensei que vocês fossem amigos!

— Amigos? – O tom dela era sarcástico e frio. — Não tem como se ter amigos nesses tempos. Não se pode confiar em ninguém, nem mesmo naquele gato estúpido que certamente te mandou aqui, eu sei que ele esta observando tudo e que pode me ouvir, posso dizer que te mandar aqui foi uma péssima decisão. – Ela se aproximava cada vez mais — E você... – Lebre lançou um olhar para a faca em sua mão e a ergueu na reta dos olhos. — Acha mesmo que pode simplesmente fazer as coisas sem se preocupar? – Ela abaixou a faca e me olhou. — Acha mesmo que não corre perigo andando por ai sozinha? Acha que tudo será como foi com a outra Alice? Acha que pode sair por ai confiando em qualquer um, seja nesse mundo ou em qualquer outro?

— Não, não acho! – Admiti para ela e para mim mesma. — Mas, tenho esperança que ainda exista um pouco de bondade neste mundo.

Ela gargalhou e parou na minha frente — Acha mesmo, que alguma vez essa coisa de bondade existiu? – Ela ergueu novamente a faca e eu me afastei.

— Porque você está fazendo isso? — Perguntei sentindo a voz falhar. Ela simplesmente me olhou com ódio e desapareceu na minha frente, reaparecendo atrás de mim, me imobilizando e com a faca no meu pescoço

— Porquê... –Sua voz não passava de um sussurro e transbordava ódio e frieza. — Porque aquela maldita Alice amaldiçoou esse mundo quando apareceu, quando surgiu na frente da rainha e a enlouqueceu, ela amaldiçoou a mim no momento em que se sentou nessa mesma mesa e abriu a boca pra dizer as mesmas palavras que você me disse, a presença dela, nesse mundo trouxe o caos e a sua presença neste mundo trouxe a morte.

Eu estava apavorada e sentia que meu fim estava próximo, ao ouvir aquelas palavras me senti fraca e inútil e no momento em que lebre terminou de falar habilidosamente jogou a faca para a outra mão e a posicionou no lado do meu coração, eu fechei os olhos esperando o pior, que não veio.

Senti-me ser jogada para frente e cair no chão, abri os olhos quase instintivamente.

— Você não perde tempo mesmo não é! — Lebre falou e eu me virei para olhar e a vi na defensiva com duas facas na mão.

— Com você tem que ser assim! — A voz de White ecoou na minha cabeça e automaticamente me senti mais tranquila, acho de alguma forma eu associei a presença dele a segurança.

— Não seja tão mal comigo! — Lebre sorria o tempo todo, e White permanecia sério como sempre. — Não é assim que se trata sua irmãzinha sabia? — Quando terminou de falar ela praticamente se jogou e cima de White com a faca apontada, ele se defendeu cruzando os braços na frente do rosto, mas lebre foi rápida o chutou na barriga:

— WHITE! — Gritei quando ele caiu lebre sorriu ao vê-lo caído, mas sua felicidade durou pouco, pois ele logo chutou sua perna a fazendo perder o equilíbrio e quase cair, oque o deu tempo suficiente para se recuperar e se levantar.

— Você continua talentosa, mas é fútil demais para poder possuir seus talentos por completo, irmãzinha- White e lebre fuzilavam um ao outro através do olhar, eu não sabia definir o que era mais lamentável, ver todos congelados sem poder fazer nada, ou ver dois irmãos brigando como velhos inimigos.

— E você um inútil sensível, irmãozinho.

— Não quero ouvir isso de uma subordinada da rainha, o que está ganhando em troca em? Já se esqueceu de onde veio? Quanto vale sua lealdade em?

— Não é obvio? Poder! Poder que aquele país de fracos nunca pode me proporcionar. — Ela falava orgulhosa e fria.

— Você já tem poder! E eles não eram fracos, eles resistiram, eu tenho certeza.

— Sonhador iludido, é isso que você é, e poder? Poder que aliás, é quase idêntico ao seu! Não acha que precisamos mudar um pouco, mano? — White baixou os olhos e parecia segurar algo em sua mão, enquanto lebre continuou a falar. — E o poder das trevas, é tão magnifico e poderoso, o poder de criar com o as sombras e para vencer qualquer um, nada o supera.

— Eu o supero. — White disse andando até lebre, que por algum motivo não conseguiu se mover rápido o suficiente para fugir, ele a desarmou lentamente, ela sorriu e baixou os olhos, tentou novamente fugir, mas seus movimentos eram extremamente lentos e ela mal conseguiu dar um passo.

— Porque não me mata logo?

— Não vou matar minha irmãzinha — White admitiu baixo e ela sorriu.

— Não me diga! Acha que vou cair nessa, com você tão perto de me matar assim?! — Eu esperava que ele dissesse algo que a provocasse ou coisa do tipo, mas oque ele fez foi ainda surpreendente, ele a abraçou! Ela o encarou confusa.

— Não é nenhum truque! Será que não posso proteger minha irmãzinha bagunceira? Minha amada irmãzinha bagunceira.

— Mas eu te trai, eu-

— Não precisa ser assim de novo — Ele a interrompeu. — Ainda temos tempo.

— Mas... Eu... Te trai da pior forma, não posso...

— Você terá um futuro incrível sabia, eu realmente me importo com você Carime! — Ao ouvir a ultima palavra que White disse, Lebre baixou a cabeça e parecia chorar silenciosamente, seus movimentos tinham voltado ao normal, mas ela não atacou mais, ela retribuiu o abraço dele e os dois ficaram assim por um tempo, eu realmente achei que esse momento duraria para sempre... Mas estava terrivelmente errada.

White se afastou um pouco da irmã, mas ainda continuou ao lado dela.

Eu ainda estava assimilando tudo quando ouvi o som da xícara quebrando e o da cadeira se arrastando, ao olhar para a origem do som me deparei com o olhar confuso do chapeleiro, Lebre de março o encarou e sorriu triste enquanto ainda chorava:

— Ei! — Ela falou em um tom baixo. — Sei que isso é repentino, mas... — Ela olhou nos olhos de White e depois nos meus, logo tornando a olhar para os amigos confusos. — Desculpa tá! Meu amigo. – O chapeleiro apenas balançava a cabeça perplexo, e Let estava em choque. — E... Meu irmão. – Ela encostou a cabeça no peito dele. — Eu te amo. — Ela pôs a mão o coração, por algum motivo lançou um olhar para a floresta, ao seguir acabei vendo um vulto de Cheshire, mas foi tão rápido que não pude ter certeza, então Lebre fez algo que chocou a todos.

Um único grito, um ultimo grito dela e tudo se pôs em um silencio arrepiante, meus olhos se arregalaram...

Ainda com a mão no coração ela fez uma espada aparecer e atravessar seu peito...

Ela caiu, White se ajoelhou a sua frente, a deitou em seu colo com cuidado, ela olhou nos olhos dele e sorriu:

— Acho que não vai mais ter ninguém para jogar tinta no cabelo.

— Por que? – A voz de White estava mais cortante que uma espada afiada.

— É o destino, um dia você vai entender. – Com essas palavras ela perdeu a consciência. Para sempre.

— Ela... — Na hora que eu ia começar a falar, ela começou a brilhar e seu corpo foi desaparecendo ao poucos até sumir completamente — O que... — Tentei entender, mas estava sem força e confusa demais para isso. — White? — Ele não respondeu.

E tudo ficou silencioso.

Eu não conseguia entender oque aconteceu e nem parar de pensar em lebre, “Por quê?”, era a única pergunta que eu tinha em mente e isso me fez pensar em tudo até aqui, “Por quê?”, e como as coisas chegaram a esse ponto, fechei os olhos sentindo-os transbordar, dizem que quando o coração não suporta mais a dor ela desaba no olhar, acho que esse era resumo do meu coração nesse momento.

— Vamos partir assim que se recuperar totalmente – White disse do nada e notei que ele estava parado na minha frente, sua voz ainda estava áspera e seu mau humor era evidente. — E espero que não tente se aventurar por ai, e que não se esqueça de que sozinha você não conseguirá nada, nunca. – Concordei com a cabeça e ele se afastou, eu definitivamente não estava a fim de discutir com ninguém agora.

— White? – Minha voz estava falha, mas a mente estava um pouco no lugar, e isso era o suficiente, ele me encarou e eu prossegui — Como me encontrou? E oque aconteceu?

— Para quê quer sabe?

— Desculpa ter te preocupado!

Ele olhou para o céu e pensou um pouco antes de me responder mexendo novamente no cabelo — Está tudo bem, você está bem e é isso que importa. – E mal terminando de falar ele foi em direção ao chapeleiro que estava sentado em frente a casa, lá ficando por um longo tempo, até que eu finalmente me levantei e fui em sua direção, chapeleiro me olhou confuso, imagino que este seja seu olhar mais natural, e apenas disse:

— Por que um corvo se parece com uma escrivaninha? – Eu o encarei e pude ver a dor por traz da confusão de seu olhar.

— Eu não faço a mínima ideia – Respondi ainda o observando.

— Eu também não – Ele disse se levantando e andando na direção da casa

— Talvez... -Ele parou e me lançou um ultimo olhar-_ Eles fossem apenas amigos. – E entrou na casa fechando a porta pra todos nós.

— Temos que ir –Disse White segurando o meu braço — Oque vai fazer Let? – O menino encarava a porta com fixação, por alguns segundos se virou para White e o encarou logo depois voltou a observar a porta.

— Tenho que ficar ao lado dele. – Let disse andando em direção a porta, White se virou para a floresta e começamos a andar, mas dessa vez sem tanta pressa.

— Ta tudo bem pra você?- Eu perguntei enquanto caminhávamos.

— Claro que sim — Eu ia questionar, mas quando o encarei eu pude ver, por um mínimo instante, um pequeno reflexo em seu olhar, que até então permanecia neutro, uma pequena parcela de talvez um sentimento que jamais imaginei ver, de talvez uma pequena e teimosa faísca de dor.

Notas finais
Espero que tenha ficado bom, pq sério eu reescrevi essa coisa umas quinhentas vezes ... (T.T) , Mas no fim tinha que ficar assim e ficou...